Del 3. GEBYR OG AUTOMATISK JUSTERING AV BARNEBIDRAG DER EN AV PARTENE
15. Fastsettelse av gebyr i internasjonale saker
Como método de coleta de dados, para a etnografia, a participação observante é, sem dúvida, o elemento essencial e componente principal do trabalho de campo. Sua importância maior talvez resida no fato de que “o envolvimento direto no aqui e agora da vida cotidiana das pessoas proporciona [...] acesso a fenômenos que comumente são obscuros do ponto de vista do não participante” (JORGENSEN, 1989, P.9).
A observação participante é considerada apropriada para se investigar a maior parte dos aspectos da existência humana. Por meio dessa técnica de observação, é possível responder a perguntas como quais pessoas estão envolvidas, quando e onde as coisas estão acontecendo, como elas ocorrem e o porquê dessas coisas acontecerem, pelo menos a partir do ponto de vista dos envolvidos (JORGENSEN, 1989, p.12). Segundo ainda essa autora, a observação participante se aplica a casos em que: (1) pouco se sabe sobre o fenômeno investigado, (2) existem importantes diferenças entre a perspectiva dos que estão dentro do fenômeno e aqueles que não estão (perspectiva êmica e ética); (3) o fenômeno não ocorre de
maneira pública20 e (4) fenômenos que, de alguma fora, não ficam claros para os observadores externos.21
Para que essa técnica ocorra de maneira efetiva e realmente propicie resultados agregadores, Jorgensen (1989) deixa claro que é necessário que algumas condições estejam presentes, como um problema de pesquisa que está voltado para a investigação, do ponto de vista dos que vivem o fenômeno observado, em termos de significados e interações. Além disso, o fenômeno investigado deve ser observável nas situações cotidianas, devendo haver possibilidade de o observador ter acesso a essa situações.
Para Fetterman (1998) o processo da observação participante pode parecer não sistemático no princípio e até mesmo desorganizado. Mas o autor vê esse estágio inicial como preparatório e exploratório que se torna refinado na medida em que idéia e comportamentos começam a se tornar claros com a convivência diária, proporcionando questionamentos mais dirigidos e consistentes com os objetivos da investigação.
Além de ser considerada como um “rito de passagem” para os iniciados nos estudos antropológicos, a observação participante é uma maneira de se obter um equilíbrio entre os aspectos subjetivos e objetivos em uma investigação científica e dar formalidade na identificação de padrões sociais verificáveis por terceiros (Cohen, 2000, p.316).
Apesar de, geralmente, haver uma ênfase maior na importância da observação, como forma de se apreender os significados de fenômenos sociais observados, podem ocorrer situações em que a participação ativa se torna mais importante que a observação (Johnson e Avenarius, 2006). Essa observação vai ao encontro a um aspecto denotado na fala de Jorgensen (1989) ao chamar a atenção para o fato de não haver um ponto de equilíbrio entre a observação e a participação. De fato, haverá momentos de pura observação, sem nenhum envolvimento do pesquisador, como também haverá momentos em que o nível de envolvimento praticamente não permitirá que o mesmo observe o que está acontecendo em seu entorno.
Devido a essa variabilidade entre os níveis de observação e os de participação, dentro da prática da observação participante, os registros no diário de campo se tornam cruciais para
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A autora cita fenômenos como o crime, grupos secretos, reuniões para uso de drogas, cultos e religiões sectárias –acrescentaria as reuniões de discussão de estratégias das organizações.
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O autor utiliza as expressões insider e ousider para designar quem está fora do fenômeno e quem está dentro. Adotamos essa tradução livre principalmente para diferenciar a perspectiva de quem só observa e de quem participa observando.
uma posterior análise dos fenômenos observados. O diário de campo, ou notas de campo, como as denomina Agar (1980, p.112), são consideradas como o núcleo tradicional da pesquisa etnográfica, constituindo-se “no registro das observações do etnógrafo, conversas, interpretações e sugestões para informações a serem buscadas no futuro”.
Agar (1980), entretanto, chama a atenção para o problema das distorções e lacunas criadas pelos problemas de memória no ser humano, julgando assim, que o diário de campo e suas anotações, devam ser tratados como “notas de trabalho” e um degrau apenas na busca pela compreensão do grupo observado. Para evitar esses problemas, Drury e Stott (2001), recomendam que se faça uso de um gravador e se ditem notas durante a observação, que depois podem ser aprofundadas na elaboração do diário de campo. Esse foi o procedimento adotado na pesquisa envolvendo o Grupo Corpo. Foi utilizado um gravador digital portátil para registro durante o trabalho de campo e que, ao final do dia, tinha seus dados incorporados aos diários de campo.
3.1.2.1 Fotoetnografia e Videoetnografia
A fotografia é um elemento de suporte ao trabalho etnográfico que tem crescido de participação nas coletas de dados. Entretanto, um trabalho etnográfico só se torna uma fotoetnografia quando esse tipo de registro se torna o principal instrumento na investigação. Eventualmente, a fotografia etnográfica se encontra em diversos tipos de trabalhos, mas, tanto como suporte intermediário, como quando assume o papel midiático principal na investigação, seus parâmetros se sustentam nos conceitos da antropologia visual. (BONI E MORESCHI, 2007).
A antropologia visual, também denominada por alguns autores como a antropologia da comunicação visual se sustenta em três objetivos principais: (1) o suporte de tecnologias para registro sonoro e visual (fotografia ou vídeo) no trabalho de campo da pesquisa etnográfica; (2) elaboração de textos áudio-visuais para a apresentação dos resultados de investigação; (3) uma prática discursiva que seja convincente na justificação do uso de outros suportes midiáticos, além da escrita e que reforcem as chamadas “boas práticas” de pesquisa antropológica. Esse ramo da antropologia se faz presente quando se estudam os aspectos visuais das manifestações culturais, sejam eles dos atores, nos trejeitos faciais e corporais, seja na dança ou nas formas de apropriação dos espaços contextuais. Também está presente na investigação de registros históricos imagéticos relativos às culturas sob investigação (RIBEIRO, 2005).
Reforça-se nesse sentido, o valor do uso da imagem como um “traço preciso dos eventos que deixam uma grande liberdade para a interpretação analítica” (MELLEIRO e GUALDA, 2006, p.83). As autoras ainda afirmam que:
...o estudo da imagem é fundamental para o entendimento dos múltiplos pontos de vista que os homens constroem a respeito de si mesmo e dos outros, de seus comportamentos, seus pensamentos, seus sentimentos e suas emoções em diferentes experiências de tempo e espaço (MELLEIRO e GUALDA, 2006, P.83)22
Cavedon (2005) considera a proposta de Achutti (1997) de usar a fotografia como uma “narrativa imagética” inovadora por estabelecer uma descrição etnográfica utilizando-se de fotografias, publicada dessa maneira. Cavedon ainda chama a atenção para o fato de, ao se adotar a fotoetnografia como método, ser necessário o domínio tanto da etnografia como da fotografia em si, e das tecnologias envolvidas, como lentes, tipos de câmeras, filtros, etc.
Combinar de modo adequando os dois saberes [etnográfico e fotográfico] requer habilidade e disposição por parte do pesquisador, uma vez que, no caso da fotoetnografia, o pesquisador não vai estar realizando um processo ilustrativo, mas sim a própria narrativa dar-se-à pela via do imagético. (CAVEDON, 2005, p.22).
O suporte de vídeo na construção da pesquisa etnográfica pode, por analogia, se estender dentro dos três objetivos explicitados por Ribeiro (2005) para a fotoetnografia. Entretanto, ele tem a vantagem de ser uma boa fonte primária para análise de dados por se tratar do registro de atividades que ocorrem naturalmente dentro do locus de investigação (HEATH e HINDMARSCH, 2002).
Poynor (2008) acrescenta que o registro em vídeo de um fenômeno social, muitas vezes, acaba por revelar segredos do comportamento humano que as pessoas desconhecem sobre elas mesmas. O autor considera essa técnica muito eficaz, com resultados que podem ser importantes a respeito de motivações internas para comprar, por exemplo, mas que, em uma época onde as lentes de vigilância, independente das finalidades são postas em cheque, podem vir a suscitar questões éticas sobre as formas invasivas de registro das pessoas.
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