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14. Utvidet motregningsadgang i barneloven § 78
Quanto ao campo de atuação da estratégia, o que se nota é um reconhecimento que se dá da pluralidade do mesmo, demandando maior abertura teórica que foi confirmada na proposição de Bourgeois III (1984), de que a gestão estratégica pode e deve ser encarada de uma maneira criativa, ao contrário do que propõe a visão mecanicista estabelecida através das teorias contingenciais de gestão ou dos modelos econométricos de organização setorial. Assim, para esse autor, essa visão dá a impressão de que resta ao gestor se resignar, ao invés de tentar influenciar o destino da organização, e “sucumbir à matriz de forças determinísticas representada pelo ambiente, a tecnologia e a força humana” (BOURGEOIS III, 1984, p.586).
O aspecto restritivo das forças determinísticas apontado por Bourgeois III (1984), tanto na literatura de pesquisa da teoria organizacional, como na de políticas e estrutura e na de estratégia (veja QUADRO 2). Acrescenta ainda, a essa característica, o reducionismo, presente na tendência de se focar os estudos em relações univariadas, e que se originam em estudos estáticos de caráter transversal.
QUADRO 2Visões Determinísticas na pesquisa de administração. Fonte: Adaptado de Bourgeois III(1984)
Área de Concentração
Restrições colocadas à Gestão
Teoria Organizacional Tamanho e Propriedade Tecnologia Turbulências do ambiente Necessidades de Informação Seleção Natural Política e Estrutura
Estratégias e Estruturas Pré-existentes Forças Políticas Internas
Influências do Ambiente Forças Políticas Externas
Estratégia
Ciclo de Vida dos Produtos Estrutura do Setor
Participação no Mercado
Poder dos Fornecedores e Compradores Mobilidade e Barreiras
Para fazer frente às limitações impostas pelo determinismo reducionista presente nessas abordagens que relega aos administradores um papel passivo, Bourgeois III (1984) propõe a escolha estratégica como alternativa, uma vez que, mesmo sob restrições de caráter interno ou externo, o gestor tem ainda alguma margem de manobra para buscar alternativas mesmo sob a certeza destacada por Simon (1970) de que não existe a escolha ótima e sim a satisfatória.
A partir dessa proposição, Bourgeois III (1984) destaca que são necessárias quatro atitudes principais, para se conduzir as pesquisas sobre estratégia e incorporar os esforços de criação implícitos nas ações gerenciais estratégicas e que seriam: (1) adotar uma postura dialética ao invés de posturas de escolha radical entre o determinismo e a livre escolha; (2) reconhecer possibilidades de causalidade recíproca ao se trabalhar efeitos e causas em relações de variáveis, sem lhes imputar direções; (3) combinar as perspectivas na pesquisa, não se fixando necessariamente nos processos ou nos resultados mas, tendo em mente a possibilidade de se analisar ambos; finalmente, (4) combinar a pesquisa qualitativa e a quantitativa, no sentido de se utilizar amplas amostras quantitativas com boa análise histórica ou de profundidade.
Nessa proposição, chama à atenção a atitude de adoção de uma postura dialética ao invés de posturas radicais entre o determinismo e a livre-escolha. Pode-se acrescentar que essa postura dialética deveria ocorrer não só na questão da natureza humana a que ele se
refere, retomando o quadro paradigmático de Burrel e Morgan (1982), mas também a questão epistemológica, a questão ontológica e a metodológica. Considera-se aqui que qualquer postura radical pode provocar um aprisionamento do esforço investigativo a ser empreendido na compreensão de um tema multifacetado como cada vez mais se chega a conclusão de que o seja, quer dizer a estratégia. A ação de reconhecer possibilidades de causalidade recíproca, por esse autor citada, coloca em questão a variável temporal mas pode ser considerada viável em termos processuais quando se analisam fenômenos sociais pela perspectiva processual.
Explicitando toda a dificuldade conceitual dessa disciplina, Luke Walston e Plummer (2004) afirmam que, no campo de estudos de estratégias empresariais, ainda não está claro o que é estratégia, atribuindo essa dúvida principalmente a:
Primeiro, o campo representa a convergência de múltiplas disciplinas, incluindo economia, teoria organizacional, gestão empresarial marketing, finanças e geografia (para nomear algumas). Como resultado, estratégia é freqüentemente vista por diferentes perspectivas, dependendo da finalidade e do arcabouço teórico de quem o faz. Segundo, e talvez mais importante, estratégia empresarial é um campo muito jovem. Como resultado, nem todos os conceitos ou abordagens de análise estão maduros ou em concordância. (LUKE, WALSTON e PLUMMER, 2004, p.3).
Percebe-se que há uma inequívoca pluralidade conceitual no campo de estratégia, cuja produção de conceitos confirma uma multidimensionalidade ampla no assunto que pode inclusive levar a questionamentos sobre uma pretensa proposição de conceito único para explicar estratégia organizacional.
Há que se respaldar, como o faz Faria et al (2006) por essa perspectiva, com a afirmativa de Whittington (2002c, p.2) de que não há “muita concordância a respeito de estratégia” ou quando ele cita Markides ( 2000) que afirma que não se sabe o que é ou como se desenvolve uma boa estratégia, afirmação essa corroborada por Jarzabkowski e Whittington (2008).
No campo da Estratégia como Prática (SAP), reconhece-se de toda forma, que há questões não respondidas, tanto no campo conceitual, como no campo metodológico. Entretanto, é no campo conceitual, principalmente referindo-se a termos chaves do mesmo, que “uma resposta não questionada relativo a como define-se os termos chaves pode ser mais perigosa que questões não respondidas no nível das unidades de análise (por exemplo, práticas de estratégia), senão no curto, pelo menos no longo prazo (HELMANN e RASCHE, 2006, p.21).
Acrescente-se a essa constatação de Helmann e Rasche (2006) sobre os riscos de ter respostas não questionadas, Jarzabkowski, Balogun e Seidl (2007, p.7) afirmam que:
Apesar dos consideráveis progressos nos últimos quatro anos, algumas questões consistentes continuam a surgir nas conferências e oficinas sobre Estratégia como Prática (SAP). São questões importantes teoricamente para se estabelecer a orientação conceitual de qualquer peça de pesquisa, no nível prático, por informar os diferentes aspectos da prática estratégica e, no nível analítico, por definir o nível e a unidade de análise para pesquisa empírica ((Schatzki et al., 2001; Whittington, 2003):
O que é estratégia? Quem é o estrategista? O que os estrategistas fazem?
O que pode explicar uma análise dos estrategistas e de suas ações?
Como as organizações existentes e a teoria social podem sustentar uma análise de Estratégia como Prática?
Essas questões são importantes e se espera que a pesquisa realizada nesse trabalho de investigação possa construir uma reflexão sobre as mesmas e de sua pertinência para os estudos de estratégia. Mesmo que, reconhecendo estratégia como uma atividade social, a conceituação permanece extremamente ampla, não permitindo situar o que será atividade ou prática estratégia e o que não seria. Jarzabkowski, Balogun e Seidl (2007) ainda sugerem uma abordagem para contornar esse tipo de problema, mas ela só seria viável em organizações onde o nível de formalidade para se lidar com estratégia existe ao ponto de se lidar apenas com estratégias deliberadas.
Na abordagem aqui proposta para a compreensão do processo de construção de estratégia, adotando as dimensões conceituais de apreensão de contexto, construção de futuros imaginados, delineamento de caminhos e práticas levadas a termo, se dará pela via cognitiva. Assumem-se aqui os pilares epistemológicos da sociologia do conhecimento como base hermenêutica para a compreensão desse fenômeno considerado como social nessa pesquisa. Como base teórica para tal, considerou-se necessário investigar os eixos da psicologia social da psicosociologia o que tange aos propósitos de se entender a perspectiva cognitiva de investigação e compreensão dos fenômenos sociais.
Sendo assim, se apresentam a seguir as correntes da Sociologia do Conhecimento, movimento precursor da teoria da Construção Social da Realidade; as teorias psicológicas das Representações Sociais e dos Repertórios Representativos, esta com aporte da Lingüística e o movimento do Construcionismo Social, que ganhou força pelo trabalho seminal de Berger e Luckmann. A discussão desfecha na apresentação do construcionismo social e nas recomendações de Gracia (1994) para um adequado posicionamento do pesquisador frente às
correntes teóricas que aqui são apresentadas e que são endossadas pelo proponente dessa investigação como uma forma de ampliar as chances de se compreender os fenômenos sociais em foco.