4.1 Prosessen
4.1.2 Fase 2
De acordo com Creswell [CRE10], a seleção de um projeto de pesquisa é baseada na natureza do problema, na questão de pesquisa sendo tratada, nas experiências pessoais dos pesquisadores e no público ao qual o estudo se dirige. Creswell sugere que um projeto de pesquisa deve envolver três componentes, a saber: concepções filosóficas, estratégias de investigação e métodos de pesquisa.
As concepções filosóficas englobam um conjunto de crenças básicas que guiam a ação, significando orientações gerais sobre a visão de mundo e sobre a natureza da pesquisa defendida por um pesquisador. As estratégias de investigação são os tipos de projetos ou modelos de métodos que proporcionam uma direção específica aos
procedimentos em um projeto de pesquisa. Já os métodos de pesquisa são os procedimentos específicos que são utilizados para coleta, análise e interpretação dos dados que o pesquisador propõe em seu estudo.
Creswell [CRE10] afirma que, embora as concepções filosóficas permaneçam em grande parte ocultas na pesquisa, sua prática é influenciada por elas. Os tipos de crenças abraçadas pelos pesquisadores individuais com frequência os conduzem a adotar em sua pesquisa uma abordagem qualitativa, quantitativa ou mista e, portanto, precisam ser identificadas. Outros autores utilizam termos diferentes para referenciar o conceito de concepção filosófica. Oates [OAT06] utiliza o termo framework conceitual da pesquisa, outros utilizam o termo paradigma ([LIN00]) ou epistemologia ([CRO98] e [MER09]) ou pesquisa amplamente concebida ([NEU06]). Para Creswell [CRE10], as concepções filosóficas podem ser pós-positivistas, construtivistas, reivindicatórias / participatórias ou pragmáticas.
A concepção pós-positivista defende uma filosofia determinística, na qual as causas provavelmente determinam os efeitos ou os resultados. Assim, os problemas estudados pelos pós-positivistas refletem a necessidade de identificar as causas que influenciam os resultados, tais como aquelas encontradas em experimentos. Esta concepção também é reducionista, buscando reduzir as ideias e os problemas a conjuntos menores e distintos que possam ser testados, como as variáveis que compreendem as hipóteses e as questões de pesquisa. Desta forma, as suposições pós-positivistas têm representado a forma tradicional de pesquisa e são mais válidas para a pesquisa quantitativa do que para a pesquisa qualitativa [CRE10].
A concepção construtivista defende suposições de que os indivíduos procuram entender o mundo onde vivem, desenvolvendo significados subjetivos de suas experiências. Tais significados são variados e múltiplos, levando o pesquisador a buscar a complexidade dos pontos de vista ao invés de estreitá-los em categorias ou ideias. Em vez de começarem com uma teoria, tal como os pós-positivistas, os pesquisadores geram ou indutivamente desenvolvem uma teoria ou um padrão de significado. Esta perspectiva é tipicamente encarada como uma abordagem da pesquisa qualitativa [CRE10].
A concepção reivindicatória / participatória defende que a investigação da pesquisa precisa estar interligada à política e a uma agenda política. São tratadas questões específicas relacionadas à capacitação, alienação, desigualdade, dominação e opressão. O pesquisador com frequência começa com uma destas questões como ponto
focal do estudo. Esta concepção também assume que o pesquisador deve proceder colaborativamente, de forma a não marginalizar os participantes como um resultado da investigação [CRE10].
Na concepção pragmática há uma preocupação com as aplicações e as soluções para os problemas. Em vez de se concentrarem no método os pesquisadores enfatizam o problema da pesquisa e podem utilizar quaisquer abordagens disponíveis para entender o problema. Esta concepção está associada à pesquisa de métodos mistos, onde o pesquisador está baseado tanto nas suposições quantitativas quanto qualitativas quando se envolve com sua pesquisa. Defende também que os pesquisadores são livres para escolher os métodos, as técnicas e os procedimentos de pesquisa que melhor se ajustem a suas necessidades e propósitos de cada pesquisa. Assim, os pesquisadores buscam mais de uma abordagem para coletar e analisar dados, ao invés de se aterem a uma única maneira [CRE10].
De acordo com [CRE10], as estratégias de investigação podem ser classificadas em quantitativas, qualitativas ou mistas. Os pesquisadores não apenas escolhem uma estratégia de investigação, mas também os métodos de pesquisa relacionados a cada estratégia.
A pesquisa quantitativa é um meio para testar teorias objetivas examinando a relação entre variáveis. Neste tipo de pesquisa, o pesquisador segue suposições sobre o teste de teorias, sobre a criação de proteções contra vieses, sobre o controle de explicações alternativas e sobre sua capacidade de generalização e de replicação dos achados.
A pesquisa qualitativa é um meio para explorar e para entender o significado que os indivíduos ou os grupos atribuem a um problema social ou humano. Neste tipo de pesquisa a análise dos dados é indutivamente construída a partir das particularidades para os temas gerais e as interpretações feitas pelo pesquisador acerca do significado dos dados.
Outro aspecto relacionado à estratégia de pesquisa é o tipo de estudo. De acordo com Sampieri et al. [SAM98], podemos identificar quatro tipos de estudos: exploratórios, descritivos, correlacionais e explicativos. Sampieri et al. entretanto esclarece que os estudos explicativos também são chamados às vezes de estudos experimentais, tal como em [DAH86] apud [SAM98]. Mas, para Sampieri et al. [SAM98], o
termo estudos explicativos é mais adequado, uma vez que o autor considera que o método experimental não é o único método possível de ser empregado em estudos explicativos.
Os estudos exploratórios são realizados, normalmente, quando o objetivo é estudar um problema ainda pouco estudado ou que não tenha sido abordado antes. São adequados também quando a revisão da literatura demonstra que existem ideias vagamente relacionadas ao problema em estudo ou estudos similares em outro contexto. Sampieri et al. destacam que um estudo exploratório raramente constitui um fim em si mesmo, pois geralmente este tipo de pesquisa determina tendências, identifica relações potenciais entre variáveis e estabelece o tema de investigações posteriores. Uma definição alinhada é apresentada em Yin [YIN10], onde a pesquisa exploratória tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, com vistas à formulação de novas teorias, modelos e hipóteses pesquisáveis em estudos posteriores.
Ainda segundo Sampieri et al. [SAM98], os estudos descritivos buscam especificar as propriedades de pessoas, grupos, comunidades ou qualquer outro fenômeno que seja submetido à análise. Estes estudos medem e avaliam diversos aspectos, dimensões e componentes do fenômeno a investigar. Do ponto de vista científico, descrever é medir. Portanto, neste tipo de estudo, é selecionada uma série de variáveis que são medidas individualmente para, assim, descrever aquilo que se estuda.
Nos estudos correlacionais, as variáveis são medidas em conjunto, buscando-se avaliar a existência de correlações entre as mesmas. O propósito deste tipo de estudo é descobrir como se pode comportar uma variável a partir do conhecimento de outras variáveis correlacionadas. Se duas variáveis estão correlacionadas e se conhece a correlação, temos um embasamento para prever o comportamento com maior ou menor exatidão de uma delas sabendo o valor da outra.
Já os estudos explicativos vão além da descrição de fenômenos e do estabelecimento de correlações entre suas variáveis. Os estudos explicativos buscam descobrir as causa dos fenômenos. O interesse central está em explicar por que o fenômeno ocorre, em que condições ocorre e por que duas ou mais variáveis estão correlacionadas.
Ainda segundo Sampieri et al. [SAM98], a definição do tipo de estudo irá definir a estratégia de pesquisa e é determinante também do desenho de pesquisa, pois
diferentes tipos de pesquisa vão gerar desenhos de pesquisa diferentes. O autor destaca que os estudos exploratórios servem para preparar o terreno e normalmente antecedem os outros três tipos. Os estudos descritivos normalmente fundamentam as pesquisas correlacionais que, por sua vez, geram informações para levar em frente estudos explicativos.
A definição do tipo de estudo depende basicamente de dois fatores: o nível do conhecimento na área de pesquisa e o enfoque que se pretende dar ao assunto. Em primeiro lugar, a revisão da literatura pode nos revelar que não existem antecedentes sobre o tema em questão ou que os antecedentes existentes não são aplicáveis ao contexto em que há de se desenvolver o estudo. Neste caso, deve-se iniciar a pesquisa na área como exploratória. Se existirem teorias com apoio empírico moderado, ou seja, estudos descritivos que tenham definido certas variáveis, então a pesquisa pode iniciar-se como descritiva, pois ainda podem ser acrescentadas novas variáveis a medir, ou correlacional, quando depois de analisadas as variáveis for possível pressupor correlações entre as mesmas. Além disto, a literatura pode nos mostrar que existem várias teorias sobre o problema. Neste caso, podemos iniciar a pesquisa como explicativa.
Por outro lado, o enfoque que o pesquisador dá ao estudo também é importante. Se o pesquisador decidir estudar um problema previamente estudado, porém com um enfoque diferente, ainda poderá iniciar um estudo exploratório.
Ainda quanto à estratégia de pesquisa, estão associados à estratégia quantitativa os métodos experimentais, quase-experimentais e de levantamentos. Oates [OAT06] também associa a esta estratégia o método de survey. Estão associados à estratégia qualitativa os métodos de pesquisa narrativa, fenomenologia, etnografia, teoria fundamentada e estudos de caso. Oates [OAT06] também associa a esta estratégia os métodos de pesquisa-ação e de projeto e criação.