3. Metode og teori
6.3 Fase 3: bålet er nedbrent
As mudanças ocorridas na maneira de tratar a informação, nas últimas décadas, nos mostram a necessidade premente de tornar a interação com os computadores algo tão natural quanto o foi, em décadas passadas, a manipulação do lápis ou da caneta.
Ao alvorecer do terceiro milênio, as novas tecnologias da informação nos obrigam a olhar para o mundo com novos olhos. Não podemos mais continuar com o mesmo tipo de preocupações que tínhamos no limiar do século XIX.
Tudo ficou mais rápido, mais acessível, mais próximo. O real e o virtual se entrelaçam; nem sempre conseguimos fazer a distinção que, aliás, dependendo, pode mesmo deixar de ser necessária. A rede virtual, podendo interligar todas as pessoas, está se tornando cada vez mais real, presente no dia a dia: digitando alguns poucos símbolos, o acesso às informações pode ser instantâneo. E assim,
A sociedade da informação coloca novas exigências à sabedoria humana. A sua emergência impõe como importante tarefa educativa tornar os alunos capazes de se mover à vontade no mundo da informação e tirar dele o melhor partido, apreciando a globalidade das suas implicações e intervindo nas grandes opções que terão que fazer a seu respeito.
As novas tecnologias da informação provocam o aparecimento de
novos saberes e novas competências, ligadas ao tratamento de
informação. É necessário saber onde esta pode ser procurada, e ser capaz de a interpretar, utilizar e avaliar. (Ponte e Canavarro, 1997, p.
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A sala de aula não pode ficar alheia a tudo o que está presente na atualidade. Torna-se, em certo sentido, paradoxal, viver no presente, esquecendo das coisas que existem no presente. Deste modo, não podemos mais fazer de conta que o computador não existe.
Para Alvin Toffler, no Seminário Brasil 500: Como se muda um País
Através da Educação:
Os computadores não podem assumir o lugar dos professores, mas os professores não poderão ensinar sem os computadores. E não estamos falando dos computadores tal qual os conhecemos mas de equipamentos ainda mais complexos. A escola precisa preparar as crianças para realidades que serão muito diferentes do presente e precisa, portanto, simular melhor o futuro.
Utilizando as máquinas para efetuar cálculos muitas vezes maçantes, poderemos nos perceber em situações parecidas às que foram vividas no tempo das réguas de cálculo, quando o foco se situava fortemente na interpretação dos resultados apresentados e não no cálculo em si. A questão era a de entender como a régua funcionava; o trabalho do cálculo era deixado para ela. Em seguida, interpretar o resultado, perceber a coerência e o significado.
Especificamente, no âmbito da Universidade, ainda parece ser consenso o fato de o Cálculo ser um curso básico, extremamente importante para a formação de muitos alunos ingressantes. Nesse ambiente, muitos cursos de Cálculo permanecem os mesmos, com a mesma abordagem que era realizada vinte, trinta ou quarenta anos atrás. Ainda podemos observar o deslumbre decorrente da sistematização lógica do Cálculo, quando o processo de limite foi finalmente formalizado e os números reais passaram a constituir um universo onde os matemáticos se movimentam bem.
O estabelecido tornou-se verdade absoluta, que passou a ser transmitido aos estudantes, os homens do futuro. E como vivem eles o presente? Na realidade, estão sendo preparados para serem homens do futuro ou do passado?
Nos cursos, ainda são feitas para eles as mesmas perguntas que foram feitas no passado, talvez porque, hoje em dia, os professores, eles próprios, muitas vezes, não tenham outras perguntas. Pretendem que os estudantes entendam o Cálculo a partir da lógica interna, ou a partir da sua potência enquanto ferramenta importante na resolução dos problemas?
O computador é capaz de realizar determinadas tarefas algoritmizáveis, e, nesse sentido, ele é muito competente e rápido, resolvendo, em geral, uma série de problemas. Por outro lado, como nem tudo é passível de ser transformado em algoritmo, isto parece diminuir a importância do computador, mas não é este o caso. Em Machado, encontramos que
Uma questão que já deu margem a muita discussão e que está no centro das atenções ainda hoje, quando se examinam as possibilidades e as competências dos computadores é a da distinção entre as tarefas que são algoritmizáveis, portanto realizáveis pelos computadores, e as tarefas que não são passíveis de algoritmização. Durante muito tempo, o debate a esse respeito concentrou-se em distinguir criteriosamente os dois tipos de tarefas.
(...) Hoje, questões dessa estirpe não têm mais tanta importância quando se pensa o trabalho da escola. Há um razoável consenso com relação ao fato de que, mesmo as tarefas decididamente não- algoritmizáveis podem ter como referência próxima aquelas que o são. (...) A questão fundamental não é a de classificar os fenômenos em geral em lineares ou não-lineares, mas sim a de como trabalhar com os fenômenos não-lineares aproximando-os por processos lineares. A grande questão é como pensar o não-linear através do linear, o que não significa, obviamente, reduzir tudo à linearidade. O Cálculo Diferencial e Integral trata precisamente disso, ou seja, da aproximação de curvas por retas, de representações de fenômenos não lineares por representações de fenômenos lineares. Metaforicamente, estamos precisando de um “cálculo” desses para tratar da aproximação do que é algoritmizável e o que não é. Sem dúvida, existem tarefas ou processos não-algoritmizáveis, que não são passíveis de realização pelo computador. Mas mesmo essas podem ser tratadas com o apoio de processos algorítmicos. A discussão, portanto, está longe de esgotar-se na simples rotulação de fenômenos ou processos.
(Machado, 1995, p.248)
Dessa maneira, precisamos ter claro que o computador é extremamente útil em tarefas que podem ser transformadas em algoritmos, como também em outras que não podem. Em particular, no que diz respeito ao trabalho com o Cálculo, ele é uma ferramenta extremamente útil para propiciar a formulação de inúmeros questionamentos, reflexões e análises que fazem com que a sala de aula se torne visivelmente um ambiente onde relações podem ser estabelecidas, possibilitando articulações diversas e, portanto, a construção do conhecimento.