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4 Kvalitet, forskningssamarbeid, publiseringspraksis og

4.2 Faglig samarbeid

Um dos principais objetivos do projeto Segura Essa Onda é que a rádio- escola passe a ser um espaço comunicativo que acolha as falas e as reivindicações das juventudes. Ao escolherem falar sobre seus contextos e sobre suas histórias, assuntos como o projeto social e a ONG em que participam podem surgir, e a instituição deve estar preparada para acolher os questionamentos e a demanda por participação que deve ser gerada.

A série de programas “Na Boca do Trombone” discutiu os problemas da Associação Curumins, os pontos positivos, as necessidades de mudança e a vontade dos jovens de participar mais das decisões da ONG. “Hoje vamos falar sobre a Curumins, o que tem que mudar e o que não tem e sobre o que precisamos” (Programa na Boca do Trombone 1), anuncia uma das locutoras.

Durante os programas, reivindicações como a ampliação dos espaços de lazer, a diversificação das oficinas e a melhoria da merenda demonstravam a necessidade dos jovens de discutir desde a questão estrutural à prática pedagógica. Mas os comunicadores também ouviram os profissionais da ONG que falaram o que deveria mudar na Curumins. Uma das respostas evidenciava a necessidade de descentralizar o poder de decisão dos profissionais. “Acho que as crianças e os adolescentes do projeto, né, deveriam ter uma participação mais efetiva no processo de decisões e atividades propostas pela Curumins” (Programa na Boca do Trombone 1), fala uma funcionária.

Quanto mais os jovens participarem das decisões, mais irão sentir que são responsáveis pelas mudanças que ajudaram a construir. Participação gera compromisso e desejo de continuar participando. Mas a estrutura das ONG´s como instituições ligadas às questões políticas faz que elas sejam perpassadas por questões de poder.

Apesar de reconhecerem a Associação Curumins como um espaço acolhedor, os jovens avaliaram que era necessário ampliar os espaços de comunicação. Mesmo que suas falas não fossem reprimidas, eles não estavam a vontade em questionar, demonstrando a existência de relações de poder. Durante

a produção dos programas “Na Boca do Trombone”, várias vezes os comunicadores avaliaram se iriam ou não veicular os programas.

A insegurança em fazer críticas demonstra um receio que, algumas vezes, nem é concretizado. Uma das principais críticas era destinada à qualidade da merenda, e, cerca de dois meses depois da veiculação dos programas, houve uma mudança de fornecedor que resultou numa considerável melhora, segundo os próprios jovens.

Mas o receio dos jovens em veicular os programas que faziam críticas à instituição mostra que as relações de poder existem, mesmo que sejam negadas, ou talvez até sejam mais fortes exatamente por serem negadas.

Essas relações de poder foram questionadas pelos jovens através dos programas de rádio que produziram, a veiculação dos programas em circuito interno proporcionou que suas falas ganhassem uma dimensão participativa, por influírem em algumas decisões da instituição. Mas a rádio foi transformada em itinerante pouco depois do fim da formação em rádio-escola, em 2006. Segundo a coordenadora de educação da Associação Curumins, Lastênia Sirino Soares28, “transformar a rádio-escola num recurso itinerante foi para que pudéssemos estar mais próximos das escolas (...) para atrair e para que os meninos pudessem replicar um aprendizado que eles tavam tendo dentro do projeto”.

Lastênia explica que a Curumins desenvolve algumas ações nas escolas dos jovens que fazem parte de suas formações no contra-turno e a instituição viu que levar o equipamento de som para as escolas durante suas ações seria uma forma de atrair os outros estudantes e de aproximar os jovens que participaram da formação em rádio-escola nessas ações, com o auxílio deles na manipulação dos equipamentos e desenvolvendo algumas produções.

Assim, a rádio-escola foi desinstalada do sistema de circuito interno de caixas de som e passou a ser usada em momentos comemorativos ou nas ações da Associação Curumins nas comunidades do entorno.

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Apesar de existir uma preocupação em dar continuidade à rádio-escola, mesmo que em momentos específicos, ao transformá-la em itinerante, foram reduzidas as possibilidades de participação dos jovens, que já não podiam planejar uma programação fixa e porque o alcance da rádio foi diminuído. Enquanto com caixas de som a rádio-escola chegava a todos os espaços, como: salas, pátio, quadra, parque, refeitório e recepção, com a itinerante seu alcance fica reduzido a um único espaço.

Outro ponto é a questão da autonomia dos jovens: agora para produzirem e veicularem seus programas, os jovens precisam saber se os equipamentos não serão usados em nenhuma atividade externa e precisam, ainda, pedir para usá-los, já que a chave da sala onde ficam guardados os equipamentos não está acessível a eles. Mas, Lastênia afirma que, sempre que requisitada, a rádio esteve disponível e “nunca houve nenhuma restrição com relação a essas questões” de uso da rádio.

Segundo Lastênia, existe uma demanda dos jovens por dar continuidade à programação da rádio-escola, mas a saída de alguns participantes das oficinas e a necessidade de formação dos educadores que não conheciam as técnicas de rádio inviabilizaram a existência de uma programação fixa. Mesmo assim, depois da saída da Catavento, os jovens continuaram produzindo seus programas, mas sem uma periodicidade definida. “Há sempre essa demanda, tanto que essa formação atual se deu muito pelas demandas que eles traziam”, fala Lastênia sobre a consulta que a Curumins fez entre os jovens para saber qual a formação de que eles mais tinham gostado de participar e, por maioria dos jovens optarem pela rádio-escola, a instituição resolveu incluir técnicas radiofônicas na formação que está desenvolvendo no período da manhã.

A demanda dos jovens pela continuidade da rádio-escola é também por participação, por terem suas vozes ouvidas, por questionarem as relações de poder e pela ampliação do diálogo na instituição de ensino em que participam.