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4.4 Factors affecting vulnerability

Realizada em Puebla, no México, essa Conferência acrescenta ao conceito educação libertadora, de Medellín, o de ser também evangelizadora,

porque deve contribuir para a conversão do homem total, não só em seu eu profundo e individual, mas também no eu periférico e social, orientando-o radicalmente para a genuína libertação cristã, que torna o homem acessível à plena participação no mistério de Cristo ressuscitado, isto é, à comunhão filial com o Pai e à comunhão fraterna com todos os homens seus irmãos210.

204 Idem, n. 4, 31, p. 79. 205 Idem, n. 4, 24, p. 78. 206 Idem, n. 4, 8, p. 74. 207 Idem, Ibidem. 208 Idem, Ibidem.

209 Normalmente chamado Puebla. Por isso, será citado, doravante, sob este título.

210 Documento de Puebla – A Evangelização no Presente e no Futuro da América Latina. Texto Oficial

Percebe-se, assim, a preocupação em explicitar a integralidade do ser humano, sem descurar da dimensão da imanência nem da transcendência. Por isso, a educação deve englobar, dentre outras características: a humanização e a personalização do homem211; integrar-se no processo social latino-americano212; exercer a função crítica própria da verdadeira educação, comprometida com a educação para a justiça213; empenhar-se pela educação integral, trabalhando para “converter o educando em sujeito, não só do seu próprio desenvolvimento, mas também posto a serviço do desenvolvimento da comunidade: educação para o serviço”214.

Em decorrência do exposto, a educação católica há de seguir alguns critérios: ser anunciadora de Cristo Libertador; levar em conta a situação histórica e concreta, marcada pelo relativismo debilitante, requerendo personalidades fortes para resistir ao mesmo e para superá-lo. À educação cabe preparar “os agentes da transformação permanente e orgânica que a sociedade da América Latina requer, mediante uma formação cívica e política inspirada na Doutrina Social da Igreja”215. A pessoa tem direito à educação que corresponda às suas características e necessidades, levando em conta sua cultura e tradições; o educador cristão e as instituições de ensino confessionais, no caso, católicas, participam da missão evangelizadora da Igreja; assevera que “a família é a primeira responsável pela educação; toda tarefa educativa deve habilitá-la a que possa exercer esta missão”216; a liberdade de ensino é muito importante, “como um direito à verdade, que assiste às pessoas e às comunidades”217; a Igreja se dispõe a colaborar com a educação não- católica, de acordo com a sociedade pluralista; o Estado deveria distribuir as verbas destinadas à educação com “as organizações de ensino não-estatais, a fim de que os pais, que também são contribuintes, possam escolher livremente a educação para seus filhos”218.

No que tange especificamente à universidade, o Documento de Puebla já constata significativo aumento no ingresso de jovens latino-americanos no ensino 211 Idem, Cf. n. 1027, p. 255. 212 Idem, Cf. n. 1028, p. 255. 213 Idem, Cf. n. 1029, p. 255. 214 Idem, n. 1030, p. 255. 215 Idem, n. 1033, p. 256. 216 Idem, n. 1036, p. 256. 217 Idem, n. 1037, p. 256. 218 Idem, n. 1038, p. 256.

superior. Observa, ao mesmo tempo, que muitos ainda não conseguem entrar ou manter-se na universidade e que o desemprego frustra a um grande número dos formados.

À universidade incumbe a missão de

formar verdadeiros líderes, construtores duma nova sociedade, e isto implica, por parte da Igreja, dar a conhecer a mensagem do Evangelho neste meio e fazê-lo com eficácia, respeitando a liberdade acadêmica, inspirando-lhe a função criativa, tornando-se presente à educação política e social de seus membros, iluminando a pesquisa científica219.

Por isso, o ambiente intelectual e universitário deve receber a atenção de todos: “Pode-se afirmar que se trata duma opção-chave capital e funcional da evangelização, pois, do contrário, perder-se-ia uma posição decisiva para iluminar as mudanças de estruturas”220. Importante, aqui, não confundir resultados de longo prazo ou o fato de não poderem ser medidos a curto prazo:

[...] poderia ficar-nos a impressão de fracasso e ineficiência. Contudo, isto não deve diminuir a esperança e o empenho dos cristãos que trabalham no campo universitário, pois, apesar, das dificuldades, eles estão colaborando na missão evangelizadora da Igreja221.

Puebla chama a atenção para a importância de existirem serviços de animação pastoral também nas universidades não-eclesiais. Quanto à universidade católica, considera que, como “vanguardeira da mensagem cristã no mundo universitário, é chamada a prestar um serviço relevante à Igreja e à sociedade”222. Na mensagem de Cristo, que abraça o homem na sua totalidade, é que a Universidade Católica descobre e mantém a sua identidade num mundo pluralista. Como universidade, “procurará sobressair pela honestidade científica, pelo compromisso com a verdade, pela preparação de profissionais competentes para o mundo do trabalho e pela pesquisa de soluções para os problemas mais angustiantes da América Latina”223.

A Universidade Católica deve ser um espaço de diálogo, em que as diferenças ajudem no enriquecimento recíproco e na busca da resolução de problemas comuns:

Além do diálogo das diversas disciplinas entre si, e especialmente com a teologia, da pesquisa da verdade como empresa comum entre professores e estudantes, da integração e participação de todos na vida e ocupações

219 Idem, n. 1054, p. 259. 220 Idem, p. 259, n. 1055. 221 Idem, p. 259, n. 1056. 222 Idem, p. 259, n. 1058. 223 Idem, p. 260, n. 1059.

universitárias, cada qual segundo a própria competência, deve a mesma universidade católica ser um exemplo de cristianismo vivo e operante. Em seu âmbito, todos os membros dos diversos níveis – mesmo aqueles que, embora não sejam católicos, aceitam e respeitam esses ideais – devem formar uma ‘família universitária’ 224.

Dessa maneira, a Universidade Católica é instada por Puebla a fazer-se atenta às necessidades e desafios que lhe forem colocados em cada país e mesmo na região como tal, a partir de uma auto-análise permanente, no que se refere às ações desenvolvidas e à estrutura operacional adotada, procurando flexibilizá-la para desenvolver, de maneira mais profunda, transformadora e adaptadas à realidade, as suas atividades e propósitos.

4.3.1.5 Conclusões da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e