5 Overall Findings, Reflections and Discussion
5.1 Findings about the project
5.1.2 Factors affecting the go-along implementation Technology: Using 360° video camera in the research
A água sempre foi o componente principal na composição da paisagem de Vitória, seja através do mar, da baía ou dos mangues, impondo os limites geográficos do município e estabelecendo as bases do seu desenvolvimento econômico social. A expressão “Caminho das Águas, Caminho dos Homens1”, expressa o sentido da vitalidade e importância das águas na condição histórica e social do homem.
A presença da água num determinado território pressupõe também a presença do homem. Neste sentido, a abordagem enfatiza a relevância do processo hídrico e de como o fluxo das águas deve ser especialmente compreendido e tratado em áreas de assentamentos humanos. Nesse sentido, caminho dos homens, caminho das águas, mostra uma perspectiva de interação, possibilidades e variações combinadas que denotam relações sociais, criam raízes e identidades que são incorporadas no espaço da vida cotidiana.
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11A expressão Caminho dos
Homens, Caminho das Águas foi usado no título atribuído ao trabalho interdisciplinar realizado pela disciplina “Estúdio da Paisagem/ 2001” ao qual par ticipei diretamente. A “charrette de Santo André-SP” foi um projeto piloto que apresentava soluções de cur to prazo à situações complexas como a favelização em áreas ambientalmente sensíveis (mananciais próximo ao Reservatório Billings). Esta metodologia, usando a denominação de charrette, foi recentemente revisto por planejadores e paisagistas na América do Norte e Canadá para revigorar processos de planejamento com envolvimento comunitário. Em geral, charrettes são caracterizadas pela intensidade na experiência de resolução de projetos em cur to espaço de tempo e também pela integração de profissionais de diversos campos do conhecimento, tomadores de decisões (poder público) e representantes da comunidade. A Charrettte de Santo André desenvolvida para a favela Pintassilgo foi uma parceria entre três instituições: Universidade British Columbia, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo-FAUUSP; e a municipalidade de Santo André. 4.1 4.2 4.3
O ambiente urbano, portanto, permanece e ocorre sob influência e magnetismo da natureza e de seus componentes, particularizando-o e dando sentido ao seu contexto. A Baía Noroeste ocupa posição geográfica privilegiada na paisagem e torna-se ainda mais interessante depois de correr nove quilômetros no sentido E-W quando cede lugar ao domínio de terrenos sedimentares de mata pantanosa. À noroeste em sua parte mais interna e menos profunda deságua os rios Bubu e Santa Maria, que ao se misturarem com as águas salgadas do oceano propicia a formação desse rico ecossistema chamado manguezal. Aqui, a Baía Noroeste potencializa sua dimensão cultural na interação homem / meio ambiente associada ao mangue.
Fig 4.1 Fig 4.1Fig 4.1
Fig 4.1Fig 4.1 A pesca é uma tradição na baía. Foto: Vítor Nogueira.
Fig 4.2 Fig 4.2 Fig 4.2
Fig 4.2 Fig 4.2 Região Noroeste limitada pela baía e pela rodovia Serafim Derenzi (amarelo). Em destaque a Ilha das Caieiras. 1990. Fonte: www.baiadevitoria.ufes.br. Fig 4.3
Fig 4.3Fig 4.3
Fig 4.3Fig 4.3 Seqüência da paisagem da baía Noroeste vista a par tir do Maciço. Fonte: acervo pessoal. Fig 4.4
Fig 4.4Fig 4.4
Fig 4.4Fig 4.4 Em primeiro plano avista-se a Baía Noroeste a par tir do município de Cariacica. O Maciço Central ao centro e região nordeste na parte posterior (ao fundo). Foto: André Alves.
A presença de grandes maciços gnáissicos fazem parte do domínio da paisagem. A visibilidade do Mestre Álvaro (800m) localizado no município da Serra é uma constante na paisagem e no seu entorno imediato, o Maciço Central impõe os limites naturais da urbanização na região. Portanto, a alternância de ecossistemas num mesmo ambiente regional produz paisagens contrastantes que contribui para uma formação espacial singular de rara beleza na Região Noroeste.
“No processo de orientação, o elo estratégico é a imagem ambiental, o quadro mental generalizado do mundo físico exterior de que cada indivíduo é portador. Essa imagem é produto tanto da sensação imediata quanto da lembrança de experiências passadas, e seu uso se presta a interpretar as informações e orientar a ação.”
Lynch,1999,p.4 4.4
Nesse sentido, a Baía Noroeste mantém e resguarda significados e tradições diretamente relacionados ao manguezal. Podemos citar dentre as mais expressivas, as atividades dos catadores de caranguejo e das desfiadeiras de siri, que associados à culinária, contribuem no sustento de muitas famílias. A exploração do tanino2
para fabricação da panela de barro - tradição da culinária capixaba, é outra forma de manejo da vegetação nativa do mangue. Estas tradições culturais são mais fortemente verificadas na Ilha das Caieiras, uma pequena ilha incrustada no continente.
Apesar da importância indiscutível dos manguezais, tanto pela expressiva biota e quantidade de matéria orgânica produzida, quanto pela sua relevância social enquanto fonte de renda e alimentos, a ocupação dentro e no entorno desse rico ecossistema por assentamentos carentes, tem se processado de forma sistemática e interferente. A grande invasão que deu origem ao Bairro São Pedro, onde foi dizimada grande área de mangue, faz com que este ecossistema esteja numa situação bastante desconfortável de instabilidade, e conseqüentemente, de vulnerabilidade no contexto da paisagem estudada.
A representatividade espacial destes manguezais na paisagem da baía, bem como todo o seu funcionamento enquanto sistema e produtor dinâmico da herança natural em oposição a toda a esta complexa conjuntura antrópica, justifica um esforço de síntese na compreensão da dinâmica da paisagem em relação ao contexto social e natural. Percebe-se que cada vez mais, torna-se difícil distinguir mudanças naturais de mudanças induzidas pelo homem. A paisagem entendida como uma unidade espacial cujos processos sócio-ambientais ocorrem de forma cumulativa permanecendo em contínua transformação e reestruturação.
Desse modo, as inter-relações entre diferentes ecossistemas humanos e naturais mostram a dificuldade de compreender os limites dessa dinâmica espacial. Para nossos propósitos, a configuração expressiva da paisagem caracterizada pelo ineditismo da conformação nos aspectos referentes ao relevo, hidrografia e vegetação é de grande valia no contexto do ambiente urbano estudado. O estudo da baía Noroeste pressupõe, portanto, estabelecer uma abordagem metodológica de identificação, a partir da análise dos diversos aspectos e agentes intervenientes que estruturam sua morfologia sócio-espacial. Tendo em vista a complexidade e singularidade da baía, os aspectos ambientais e culturais ganham destaque, porém, considera-se a impossibilidade de minimizar processos correlatos, como a evolução da urbanização da área em questão. Dessa forma, a abordagem compreende três categorias de análise:
a) pelas unidades de paisagem que são destacados no ambiente e no seu entorno imediato – o mangue, rede hídrica e o Maciço Central - segundo a geografia; b) pela urbanização – quadro evolutivo, dando ênfase à invasão de São Pedro ; c) pelas tradições culturais e comunidade envolvida .
A primeira diz respeito à natureza primeira do sítio físico, do lugar geográfico base do ecossistema e da ocupação urbana; a segunda refere-se a espaços formados pela
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22 O tanino é um líquido
avermelhado extraído da casca da Rhizophora mangle, árvore típica do mangue, e é usado na confecção da panela de barro conferindo uma coloração vermelho- escuro.
Fig 4.5 Fig 4.5 Fig 4.5 Fig 4.5
Fig 4.5 Baía noroeste vista a partir do maciço. Ao fundo, destaca-se o Mestre Álvaro. Fonte: www.vitoria.es.gov.br Fig 4.6 Fig 4.6 Fig 4.6 Fig 4.6 Fig 4.6 Manguezal no estuário do Rio Santa Maria. Fonte: www.proex.ufes.br (Foto: André Alves)
O esforço de síntese da geografia e outras ciências afins na construção de diversas categorias referentes ao ambiente natural, é uma generalização extraída e abstraída da natureza de modo a organizar e dividir paisagens em grandes famílias tipológicas para possibilitar a o entendimento e a ação. Dessa forma, a extensa bibliografia que aborda o ecossistema manguezal fez com que a pesquisa se restringisse - como recurso metodológico - às informações que pudessem fornecer os elementos essenciais a conjugação do aporte teórico das unidades geográficas com a análise espacial da paisagem. Nesse sentido, a descrição da base fitogeográfica em questão deverá buscar as condições que englobam a estrutura, seu funcionamento e as transformações resultantes dos agentes intervenientes.3
“Fixado em sedimento escuro e muito vazoso, este agrupamento vegetal chama inicialmente a atenção do observador pela incomum intimidade com a água salgada, pelo jogo de equilíbrio que suas espécies aparentemente travam com a lama, pela cor extremamente verde e brilhante de suas folhas, em contraste com os troncos negros ou amarronzados, ora aprumados , ora completamente retorcidos, dando à paisagem um aspecto de proposital desorganização.
Em meio a esta dança geotrópica, milhares de vidas se fazem presentes. . . Tímidos e ágeis caranguejos desfiam o complexo raizame, bem como a verticalidade dos troncos.
Moluscos dos mais variados tamanhos e complexidade fixam-se , mormente às árvores, na esperança de completarem seus ciclos vitais, sem o maior comprometimento com o universo em torno ; Insetos misturam-se em toda parte, em irritante sinfonia. Bem no alto das copas, aves brancas e esguias parecem arautos dessa comunidade única.
Como não poderia deixar de ser, este autêntico capricho da natureza recebe uma denominação, também complexa, plena de segredos e conjecturas: Manguezal: Manguezal: Manguezal: Manguezal: Manguezal “ (Ferreira ,1989,p.2 e3)4