• No results found

Para desenvolver esta pesquisa e responder a questão formulada, decidi acompanhar, durante o ano letivo de 2002, na Escola Municipal de Ensino Fundamental – EMEF “Coronel Tobias”, situada no município de Descalvado, interior do Estado de São Paulo, o trabalho em sala de aula de professores de primeiros anos do Ensino Fundamental, participantes do PROFA5.

Apresento um estudo de caso por meio de investigação qualitativa, no qual acompanho o desenvolvimento do projeto PROFA visando conhecê-lo e verificar seus resultados junto aos alunos de primeiro ano da mencionada escola, no qual também atuei como observadora e como coordenadora pedagógica.

4

Como estava matriculada no curso, acompanhei o envolvimento, o interesse e a participação dos presentes. 5

Uma das professoras, sabedora de sua aposentadoria, optou por não participar do curso. Sabíamos de antemão que a próxima da escala era uma professora que cursava o Programa.

Este estudo esteve voltado para a escola, especificamente quatro salas de aula de primeiro ano e a relação professor/aluno, bem como a reação dos professores ao curso de capacitação e o seu aprendizado por meio das atividades nele propostas.

Os sujeitos ligados diretamente à pesquisa foram as professoras e os alunos das quatro classes de primeiro ano, bem como as coordenadoras do Programa. Os demais sujeitos da equipe escolar e os pais permaneceram como elementos do contexto escolar, observados indiretamente.

Ao definir a metodologia, analisei criteriosamente o contexto no qual estávamos inseridos: eu, meu objeto de estudo e o local determinado para a coleta de dados. O desenvolvimento da pesquisa contemplou o ambiente natural e a coleta de dados envolveu observação participante, estudo bibliográfico, análise documental e entrevistas.

A pesquisa qualitativa caracteriza-se pela análise profunda e exaustiva de um objeto, o que permite amplo e detalhado conhecimento do assunto (GIL, 1996). Interagir com os sujeitos de forma natural e não intrusiva, observá-los de modo constante e direto (BOGDAN; BIKLEN, 1994), foram decisões tomadas e possibilitadas pelo fato de trabalhar com eles.

A pesquisa qualitativa tem também caráter descritivo e indutivo (LÜDKE; ANDRÉ, 1986), na qual os dados coletados são interpretados pelo pesquisador a partir dos conceitos estudados. Assim, boa parte desse trabalho é apresentada por meio de um conjunto de argumentos, constituído com os dados coletados pela análise documental e entrevistas. A reunião abrangente de dados coletados proporcionou análise e compreensão do trabalho realizado pelos professores com seus alunos e o desenvolvimento dos mesmos.

Considero neste trabalho minha intensa preocupação com o processo, buscando “dar significado” a todos os detalhes observados, concordando com Lüdke e André (1986) quando salientam que a preocupação com o processo é, muitas vezes, maior do que com o produto, que o interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar como ele se manifesta nas interações cotidianas.

O estudo de caso, vale ressaltar, define o tipo de pesquisa qualitativa, “cujo objeto é uma unidade que se analisa aprofundadamente e que permite uma visão na qual se observa o fenômeno em sua evolução e suas relações

fundamentais” (Triviños, 1987, p. 134). Na escola onde foi desenvolvida esta pesquisa houve análise profunda e exaustiva do assunto – desenvolvimento e aplicação de atividades propostas por um Programa – permitindo amplo e detalhado conhecimento do mesmo e de seus resultados.

No estudo de caso, segundo Lüdke e André (1986), o “caso” deve ser sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo. O interesse incide naquilo que ele tem de único, de particular, mesmo que posteriormente venham a ficar evidentes certas semelhanças com outros casos ou situações. Assim, muitos aspectos que considerei importantes em um primeiro mome nto como contribuição de especialistas em desenvolvimento infantil, avaliação diagnóstica da criança com dificuldade, e outros, foram deixados de lado pela necessidade de conhecer melhor a potencialidade de elementos específicos presentes nas situações educativas.

Para Nisbet e Watt (apud LÜDKE; ANDRÉ, 1986), o desenvolvimento de um estudo de caso caracteriza-se por três fases: a primeira, aberta ou exploratória; a segunda mais sistemática, correspondente à coleta de dados, e a terceira constituída pela análise e interpretação dos dados e elaboração do relatório. Essas três fases fizeram parte de minha pesquisa, sendo que a primeira delas caracterizou-se pela delimitação de meu objeto de estudo, o que se deu aos poucos, durante seu desenvolvimento.

Tais fases podem ser assim caracterizadas neste meu estudo:

♦ A fase aberta e exploratória - consiste em detectar os problemas no ambiente escolhido e conhecer as ações efetuadas pelos sujeitos envolvidos. Já fazia parte de minha rotina diária, pois, como coordenadora da escola em questão, conhecia bem o ambiente de pesquisa e as ações dos sujeitos a serem observados. Havia chegado o momento de coletar sistematicamente novos dados.

♦ A coleta de dados – iniciou-se com a observação sistematizada do desenvolvimento do PROFA, da pa rticipação e envolvimento dos professores com o mesmo, com a aplicação das atividades propostas em sala de aula e o acompanhamento do progresso dos alunos. Fui descrevendo todas as situações e acontecimentos julgados

importantes e necessários para posterior análise. Além da observação foram utilizados an álise bibliográfica, análise documental e entrevistas.

♦ Análise e interpretação dos dados e elaboração de relatório – A observação dos dados coletados, além de ocorrer no dia-a-dia, intensificou-se nos finais de bimestre – meses de março, junho, setembro e dezembro – e nas reuniões de conselho de classe, onde cada caso foi detalhadamente estudado pelo grupo de professoras da EMEF, sob minha coordenação. Nesses momentos, havia interpretação dos gráficos elaborados por mim e pelas professoras sobre o aprendizado da classe em geral, mais especificamente dos alunos com dificuldades na aprendizagem.

Procurei elaborar os relatórios de acordo com dados que buscava durante a observação. Esses relatórios mensais e anotações diárias que fui efetuando durante a coleta de dados, facilitaram o trabalho final.