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2. TILTAKSTYPE 1: FUNDAMENTERINGSTILTAK

3.1 F OREBYGGINGSTILTAK

PERÍODOS FILÓSOFOS OBRAS

FILOSOFIA ANTIGA

Platão

Eutífron, Teeteto, Protágoras, Mênon, Hípias Maior, Íon, Fedro, Filebo, Político, Críton, Alcibíades Maior, Górgias

e República.

Aristóteles

Da Alma, Metafísica, Ética a Nicômaco e

Política.

Cícero Tusculanae e De Officiis Marco Aurélio Recordações

Lucrécio De rerum natura

Sêneca Cartas escolhidas a

Lucílio e Tratados Morais Epiteto Os Manuais

Epicuro Máximas Capitais

FILOSOFIA CRISTÃ Anônimo

Antologia do Novo Testamento.

FILOSOFIA MODERNA

Kant

Crítica da razão pura, Crítica da razão prática, Prolegômenos e

Fundamentação da metafísica dos costumes. Hegel Enciclopédia e Filosofia

do direito Bacon Novum Organum, Cogitata et visa e o esquema de De Dignitate Descartes Princípios de Filosofia, Discurso sobre o método, Meditações e Objeções e

respostas;

Espinoza Ética

Vico Autobiografia e Ciência

nova

Giordano Bruno Da causa, princípio e uno

Galilei Antologia

Locke Ensaio sobre o intelecto

humano

Leibniz Novos ensaios e Teodicéia Berkeley Tratado sobre os

princípios da consciência humana

Hume Tratado sobre a natureza humana Condillac Tratado das sensações

Galluppi Cartas filosóficas e Aulas

de Lógica e Metafísica

Schopenhauer O mundo como vontade e representação

Rosmini

Introdução à filosofia,

Novo ensaio, Princípios da Ciência Moral e

História comparativa e crítica dos sistemas sobre o princípio da moral

Gioberti Introdução ao estudo da filosofia e Protologia Herbart Introdução à filosofia

Hobbes Leviatã

Rousseau Contrato social

Benthan Deontologia

Manzoni Moral católica

Fichte A missão do intelectual

Humboldt Os limites das ações do

Estado

Spaventa Princípios de Ética

Fonte: Desenvolvida com base no Régio Decreto 2345, de 14 de outubro de 1923.

Uma questão que nos intrigou na análise dos conteúdos do liceu clássico, foi o fato de que, no programa de literatura italiana, estava contemplado o filósofo Maquiavel e este não fazia parte do programa de filosofia. Ao analisarmos tais programas, vemos que outros filósofos estudados nas aulas de literatura italiana, como Giordano Bruno, Galileu Galilei, Vico, Manzoni, Mazzini e Gioberti, também são estudados nas aulas de filosofia. As obras do filósofo fiorentino não eram objeto de estudo, assim como as de outros filósofos políticos que não foram contemplados. Ainda analisando o programa de filosofia para o liceu clássico, percebemos que as obras contempladas não tratam do problema da política, mesmo porque, esta não era considerada uma temática relevante para este tipo de escola. Notamos apenas a presença dos clássicos de Platão (Político e República) e de Aristóteles (Política), além dos modernos Hobbes (Leviatã) e Rousseau (Contrato Social), deixando de lado Locke que ficou restrito à sua teoria do conhecimento. O mais intrigante é que as obras do filósofo italiano Maquiavel, que é considerado o pai da filosofia política moderna, são estudadas a partir de uma ótica meramente literária. Seria uma tentativa de reduzir a obra de Maquiavel a

uma simples literatura? As obras do filósofo viriam contra os ideais pregados pelo fascismo? Estas são apenas algumas das indagações que surgem desta questão, mas que não nos ocuparemos em analisá-las no momento, pois elas demandariam uma pesquisa mais aprofundada sobre o problema político neste período, que não é o principal foco de nosso trabalho.

A respeito deste programa, a revista La Civiltà Cattolica através do artigo I

nuovi programmi scolastici in Italia afirma que o ensino de filosofia permanece preso a um rigoroso método histórico, “onde a filosofia se reduz a uma exposição das várias teorias, obras e autores, enquadrados historicamente”128 (LA CIVILTÀ CATTOLICA, 1926, p. 509,

tradução nossa). A crítica da revista, se dá ao fato de ser proibido o uso de manuais para se trabalhar as diversas áreas da filosofia. O único manual a ser permitido era um Compêndio de história da Filosofia, mas nada que tratasse, por exemplo, de lógica, metafísica, ética ou qualquer outra área específica da filosofia. Estas temáticas deveriam ser trabalhadas pelos professores a partir dos textos filosóficos. Veremos que esta realidade não será diferente nos programas dos outros tipos de escola.

Vejamos agora, como foi organizado o programa de Filosofia para o instituto magistral. Segundo Garroni (2010, p.89), este tipo de escola era a verdadeira novidade trazida pela reforma Gentile, pois através do Instituto Magistral eram fundidas de forma orgânica duas escolas existentes até então: complementar e normal. Assim, afirma a autora, Gentile concluía a reforma da escola que era responsável pela formação dos professores primários, iniciada por seus antecessores. “O novo professor da educação básica devia ser capaz de estabelecer com as crianças uma comunhão espiritual que a filosofia gentiliana colocava como base de toda obra educativa e por isso a sua formação deveria ser essencialmente humanística e filosófica.”129 (GARRONI, 2010, p.89, tradução nossa)

As disciplinas ensinadas no Instituto Magistral superior e o número de aulas de algumas disciplinas demonstra esta formação humanística e filosófica apontada por Garroni (tabela 9). Eram ensinadas as línguas italiana e latina com suas literaturas, filosofia e pedagogia, história, matemática e física, ciências naturais, geografia e higiene, música (canto

128“onde la filosofia si rifuce ad una esposizione delle varie teorie, opere ed autori inquadrati storicamente”. (LA

CIVILTÀ CATTOLICA, 1926, p. 509, tradução nossa)

129 “Il nuovo maestro doveva essere capace di stabilire con i fanciulli quella comunione spirituale che la filosofia

gentiliana poneva alla base di ogni opera educativa e per questo la sua formazione doveva essere essenzialmente umanistica e filosofica”. (GARRONI, 2010, p.89)

coral), desenho e facultativamente instrumento musical. A maior carga horária era disponibilizada às ciências humanas.

TABELA 9 – HORÁRIO INSTITUTO MAGISTRAL