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2. PRESENTASJON AV FLYBRANSJEN OG NORWEGIAN

2.2 F LYBRANSJEN

O cartaz é um documento, uma obra artística que dialoga com a cultura do seu tempo e lugar de criação. É, ainda, uma obra anunciadora de valor expressivo, criada para um determinado ambiente, tempo e sociedade. Constituem-se os cartazes em produções gráficas, que contribuem para o entendimento dos discursos vigentes ou de vanguarda. Refletem as tendências de pensamento e as mudanças na linguagem, espelhando os contextos de sua produção e fornecendo elementos para a construção panorâmica de atividades econômicas, sociais, culturais e políticas. Portanto, são obras importantes para a história da arte moderna e como ferramentas política, polêmica e estética.

O cartaz como documento, comumente apresenta-se em papel impresso, podendo, no entanto, ser veiculado eletronicamente. Os formatos são muito variados e se apresentam, em geral, numa combinação de imagens (texto visual) e palavras (texto verbal). O cartaz sempre informa algo por meio do seu conteúdo específico. Portanto, possui um conteúdo que pode fazer uso de mais de um tipo de linguagem. Essas linguagens possuem uma função discursiva de persuasão face à natureza intrínseca desse tipo de documento, de informar, tornar público e divulgar algo. Essas linguagens, diante do seu caráter persuasivo produzem formações discursivas retóricas. Qualquer imagem, de acordo com Panofsky (1973), cumpre alguma função e é possuidora de um conteúdo. O conteúdo da imagem sempre está inserido num contexto de produção e de recepção. Dessa forma, a imagem deve ser sempre contextualizada para que possa explicitar o seu sentido e significado. A imagem cartazística ou publicitária tem uma função discursiva que se aproxima da retórica pelas suas características persuasivas.

A imagem pode ser abordada de muitas maneiras. Para efeito de uma prática de análise, podem ser abandonados aspectos da emoção e do prazer estético em favor de uma abordagem pelo ângulo da significação da imagem ou o seu modo de produção ou geração de sentido pelo estudo de sua linguagem particularizada. A imagem possui um discurso, uma eloqüência retórica que, de acordo com o contexto, apresenta diferentes significados (JOLY, 1996). A imagem é um signo icônico que pode apresentar-se em forma metafórica. A metáfora é um recurso retórico, uma espécie de ícone, que atua num paralelo qualitativo. Inicialmente, a retórica só dizia respeito à língua, posteriormente, descobriu-se que a retórica era geral e que seus mecanismos poderiam prestar-se a qualquer tipo de linguagem, verbal ou não. A imagem, como sinônimo de mensagens ou discursos visuais, remete novamente a

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Barthes (1964) que investiu na possibilidade de se chegar a conhecer como o sentido chega à imagem.

Assim, pode-se afirmar que os cartazes apresentam conteúdos que são mediados por linguagens. Essa linguagem dá forma aos enunciados discursivos, retóricos, e estes enunciados, por sua vez, permitem que se construam narrativas para melhor disseminar a informação contida nos conteúdos dos cartazes. Do ponto de vista da Organização e Representação da Informação e do Conhecimento (ORC) E no âmbito da Ciência da Informação, essa operação caracteriza-se pelo estudo das propriedades da informação dos meios de processamento, visando otimizar seu acesso e uso. As Informações guardadas nos documentos, não importando sua natureza, são testemunho das atividades humanas e possuem a capacidade de guardar e transmitir conhecimento.

Dessa forma, para se analisar e representar o seu conteúdo informacional é preciso fazer uso de procedimentos metodológicos diferenciados, em relação à analise e representação do documento textual, em particular do texto científico. Como tratado anteriormente, a área Organização da Informação pressupõe o desempenho de uma série de atividades, sendo as principais delas, aquelas atinentes aos processos de análise, de síntese e de conteúdos dos documentos, tendo em vista as possibilidades de obter, pelos seus usuários, o acesso ao conteúdo informativo do documento publicitário.

Uma coleção de cartazes, a exemplo de outros tipos de documentos, se constitui como parte de acervos de centro de documentação, de arquivo, de biblioteca, de cinemateca e de museu. Nesse sentido, os cartazes, entendidos como fonte de informação documental, são passíveis de serem submetidos aos procedimentos tradicionais da organização da informação que compreendem análise, síntese e representação documental. Os aspectos observáveis no documento, no desenvolvimento do processo de organização, mesclam-se com aqueles inerentes ao modo como o documento se expressa e aqueles que dizem respeito a seu conteúdo. Isso ocorre porque a separação entre forma ou suporte material e conteúdo, que é conceitual, nem sempre é possível, tampouco é aconselhável. Em termos didáticos, essa separação, artificial, resulta em considerar que existem elementos que atendem melhor a uma

representação descritiva e outros que melhor atendem a uma representação temática . Para se atender às exigências de elaboração de uma representação descritiva de um cartaz pode-se dizer que os atributos observáveis são partes constituintes, no próprio cartaz. Ou seja, aqueles referentes à autoria como o artista gráfico, designer, agência publicitária, dentre outros ou à cidade ou país em que foi realizada a produção e a data em que foi produzida. Essa não é uma tarefa simples em se tratando de cartaz. Um tipo de produção

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documental com muito pouca padronização e que, comumente, não explicita a autoria. O título ou legenda é comumente atribuído pelo catalogador, com base em informações expressas no próprio cartaz, Também cabe descrever em notas, a técnica de produção, cor e tamanho.

Em âmbito internacional, para se ter uma idéia da importância atribuída ao documento cartazístico em muitos sites de bibliotecas internacionais, inclusive aquelas ligadas as universidades, indica-se a existência de expressivos acervos formados por coleções de cartazes. Muitas dessas coleções estão digitalizadas e disponíveis na internet. A titulo de exemplo, apresenta-se no Apêndice B uma lista das principais instituições encontradas com as respectivas características.

Numa breve análise desses sites, independentemente das diferentes temáticas ou das temporalidades a que pertencem e fins a que se destinam verificou-se que a maioria dessas instituições menciona fazer uso de sistemas de catalogação com base em padrões internacionais de descrição, recomendados em documentos como o DCRB (Descriptive Cataloging of Rare Books e ISBD (A): International Standard Bibliographic Description for Older Monographic Publications (Antiquarian).

No Brasil, a preocupação com esse tipo de documento ainda é bastante incipiente. Tal fato é demonstrado pelas parcas iniciativas em relação à organização e disponibilização de cartazes. Além disso, raramente esse tipo de documento é preservado. Entre as instituições engajadas nos propósitos de preservar, organizar e disponibilizar sua coleção de cartazes de filmes há a Cinemateca Brasileira. Essa instituição possui um banco de dados contendo o título de cada cartaz, o ano de produção e as suas dimensões. Sabe-se, também, que a Biblioteca do Instituto Superior de Educação do Centro Universitário SENAC, em São Paulo, tem buscado formar seu acervo de cartazes visando à investigação da produção de design gráfico. Para tanto desenvolve pesquisa para o estabelecimento de critérios de seleção, análise e organização de cartazes, visando disponibilizar a coleção, em mídias digitais. È bem possível que existam outras iniciativas que não se tem conhecimento. Mas, o ponto que se quer tocar aqui refere-se ao fato de que para o processo de análise e representação descritiva , em princípio, parece não haver muitos obstáculos técnicos, como demonstram as experiências internacionais citadas . No entanto, no que se refere à análise do conteúdo do documento cartazístico e à representação temática , contextualizada de seus conteúdos, tudo indica que muito ainda terá que ser feito. Segundo Boccato e Fujita (2006), as principais operações previstas no processo de análise documental resumem-se na análise, síntese e representação, com a finalidade de tornar explicito ou expressar um conteúdo , de forma que

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ele possa ser facilmente acessível pelo público por ele interessado. As autoras ressaltam também, que a partir dessas operações podem ser realizadas as atividades de classificação, indexação e elaboração de resumos.

Essas atividades resultam em produtos de informação, na medida em que reúnem descrições que representam o conteúdo do documento por meio de representações condensadas daquilo que é dito em dado texto o que se pode substituir por um dado cartaz , ou outro tipo de documento (KOBASHI, 1994, p. 20). Acrescenta a autora que o resumo e o índice são formas de representações que se prestam a responder a funções diferenciadas. O resumo produto da síntese - tem a função de apresentar a informação de forma condensada; o índice, de apresentar pistas do conteúdo. Cada um desses produtos documentais tem a sua importância e pode prestar-se a atender necessidades específicas de usuários em busca de informação. Assim, supõe-se que o resumo possa reunir elementos suficientes para que dele derivem os demais produtos, como o da classificação e o da indexação. Dessa forma, no âmbito deste estudo volta-se para os procedimentos de análise de imagens e de sua representação em forma de resumos.

O primeiro problema enfrentado é a constatação de que o investigador projeta naturalmente sobre a imagem uma carga importante de idéias e de convicções particulares, gostos e preferências. Assume-se que essa condição é, em parte ou na sua totalidade, inevitável. No entanto, a tentativa de cercar-se de estratégias metodológicas visa minimizar, na medida do possível, este fator de distorção da análise. A análise do contexto histórico ajuda o analista documental a enfrentar os desafios da imagem a partir de uma série de informações que ele deve reunir e analisar a priori para compor o cenário de fundo e melhorar a competência de leitura da imagem. As ferramentas de análise de imagem são muitas, mas, como alerta Joly (2006) algumas considerações devem preceder a análise de mensagens visuais.

É preciso lembrar, inicialmente, que uma imagem se constitui numa mensagem para o outro . Ela é provida de um conteúdo que pode atender a várias funções, pedagógica, verificação, comprovação dentre outras. Toma-se aqui a perspectiva de funções informativas tal como colocada por Joly (1996, p. 60):

A função informativa (ou referencial), muitas vezes dominante na imagem, pode ampliar-se [...] proporcionado-lhe uma função de instrumento de conhecimento . Instrumento de conhecimento porque certamente fornece informações sobre os objetos, os lugares ou as pessoas em formas visuais.

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Essa idéia é reiterada por Combrich (2007) quando diz que a imagem pode ser um instrumento de conhecimento porque serve para ver o mundo e dele fazer interpretações. A função de conhecimento vem sendo levantada por diferentes autores como Aumont (1993) que vai mais longe ao dizer que a função de conhecimento em uma imagem está associada naturalmente a sua função estética por meio das sensações específicas que ela provoca no seu espectador. Dessa forma, os elementos plásticos de qualquer imagem tornam-se um meio de comunicação. Isto significa admitir que o comunicar, pela imagem, cria um tipo de expectativa no espectador que se diferencia em relação a outros meios. A noção de expectativa está associada à noção de contexto e ambas completam a noção de leitura.