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Ferraz de Vasconcelos situa-se a leste da capital de São Paulo e a 32 km do marco zero da Praça da Sé. Pertence à Região Metropolitana de São Paulo, denominada Grande São Paulo, da qual fazem parte 39 municípios.

Tem seus limites geográficos com os municípios de: São Paulo, Poá, Suzano e Mauá. Possui área de 25km². O limite com Poá no transcurso de sua história vai desencadear alguns incidentes e disputas. E Ferraz41 realizará várias estratégias para conseguir sua emancipação. Em 1948 Mogi das Cruzes emancipa a Cidade de Poá e eleva Ferraz à categoria de distrito. Em 1953 é conquistada sua emancipação e torna-se município.

O período do povoamento

Sua fundação não é muito diferente da de outros municípios brasileiros, pois a cidade contou também com habitantes indígenas, tropeiros, caçadores e bandeirantes. É certo que sua origem inicial está ligada à história de Itaquaquecetuba iniciada em 1560.

Conhecer, alguns elementos significativos da história de Ferraz de Vasconcelos é constatar que localizar-se junto à antiga Estrada dos Tropeiros, no sentido São Paulo-Rio de Janeiro, também conhecida na época do povoamento no início do século XIX como Caminho do Imperador, não trouxe de imediato vantagem ao município atual. Dessa estrada se serviram D. Pedro I e depois D. Pedro II, quando da vinda Rio de Janeiro em direção à capital dos bandeirantes.

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Os indícios do primeiro núcleo de povoamento de Ferraz datam de cerca de 1825. Como referência, sabe-se apenas que o Sr. Alexandre Rodrigues Leite nasceu no povoado do Tanquinho em 1835, porém não é possível precisar essa data42.

O primeiro povoado formou-se em torno de um pequeno represamento de água denominado Tanquinho43, local de parada obrigatória dos tropeiros que se localizava na ligação entre o Rio de Janeiro e São Paulo, passando por Mogi das Cruzes. Os tropeiros faziam o caminho procurando as planícies e fonte de água, para eles e principalmente para os animais.

Nessa época no local havia somente uma fazenda denominada Paredão, como explica a Associação para o Desenvolvimento e Apoio aos Produtores Rurais e Viticultores de Ferraz e Alto do Tietê (Adav):

(...) Fazenda Casa Branca e Fazenda Paredão, era o nome de Ferraz de Vasconcelos na época do Brasil Império. Era chamada pelos tropeiros de Arraial do Meeiro, pelo fato de encontrar-se geograficamente no meio do caminho entre São Paulo-Mogi das Cruzes, (...) É histórico. Que o Imperador D .Pedro I, fazia suas paradas no local (...) ( ADAV, 2003).

Como as comitivas do império por ali passavam, cogita-se da probabilidade de D. Pedro I, ter dormido em uma casa do Tanquinho44, que era ponto de referência para os tropeiros e viajantes. Foi ali que, em 1869, ao lado desse povoamento, iniciou-se a construção da estrada de ferro ligando São Paulo a Mogi das Cruzes.

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Há divergências quanto a esta data, na publicação local nº.2, que aponta o ano de 1895. “Tanquinho o primeiro núcleo do povoamento e Meinho o segundo; consta que na família encontra-se um dos fundadores de Ferraz”. (publicação local nº. 3).

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Por volta de 1880, moradores do Tanquinho, construíram no local uma capelinha em homenagem a Nosso Senhor do Bom Jesus (Albissú, 1994, P. 15).

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Conforme Jornal Comemorativo, 2003, p.2, o Tanquinho, situava-se nos atuais bairros de Vila Maria Rosa, Jardim Temporim, Nosso Recanto e imediações

Apesar de seu núcleo inicial ser cortado pela via férrea seus primeiros moradores tiveram que lançar mão de algumas estratégias para que o núcleo fosse reconhecido e tivesse uma estação para o escoamento da produção ali desenvolvida.

Em 1875, inaugurou-se o tráfego da estrada de ferro entre São Paulo e Mogi das Cruzes. Infelizmente o progresso não parou onde estava a futura Ferraz, e “o ainda lugarejo teria ainda muito que esperar”45

O início do processo migratório de várias nacionalidades

Para as famílias pioneiras, formadas por várias nacionalidades, um dos motivos da atração para essa região, além das terras baratas, foi o solo e o clima, bons para o cultivo de frutas e legumes.

A partir de 1891, chegaram os Paganucci, italianos vindos de Guaianazes (bairro do município de São Paulo que faz limite com Ferraz). Instalaram sua olaria num lugar chamado Meinho, fornecendo tijolos para a ferrovia e posteriormente para as construções em São Paulo. Deixaram a olaria em 1896, para dedicar-se à sua chácara. Chegaram então os Lucarini que, em 1899, desembarcam em Santos e por indicação dos Paganucci, passaram a cultivar a terra no Meinho e iniciaram o cultivo de frutas, especialmente uvas.

Em 1914, vinda da Itália no início da Primeira Guerra, passando pelo bairro do Brás, chegou a família Temporim. Hospedou-se na casa dos Paganucci, que,

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Em 1875 foi inaugurado o tráfego da estrada de ferro entre São Paulo e Mogi das Cruzes. O trem inaugural saiu da Estação do Norte, às 10:10hs da manhã e chegou a Mogi ao meio dia. Em 1890 o governo republicano utilizando as ferrovias como instrumento de crescimento e integração nacional, estatizou a Companhia São Paulo e Rio de Janeiro e criou a Estrada de Ferro Central do Brasil (ALBISSÚ, 1994), hoje denominada Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos. CPTM,

em 1917, também hospedaram os irmãos Magrini até que a casa deles ficasse pronta.

Dentre as famílias italianas pioneiras, parte veio direto da Itália para Ferraz de Vasconcelos e outras de bairros de São Paulo. Sobre esse período, Antônio Temporim declara:

Naquela época, São Paulo não tinha empregos e a situação era complicada. Meu pai contava que ficou sabendo que aqui havia terreno barato e ele resolveu mudar do Brás para Ferraz, que antigamente nem nome tinha (REVISTA COMEMORATIVA, p .9).

A solidariedade entre os imigrantes foi fundamental para que eles ali se instalassem. É possível que a presença dos Paganucci e dos Lucariní no Meinho, tenha influenciado os Temporim e os Magrini a se fixarem no local, a derrubar a mata46 para o cultivo da terra, tornando-se grandes produtores de frutas, principalmente uvas, e produzindo vinho de ótima qualidade.

Para compreensão do processo migratório ocorrido em Ferraz, nos apoiamos em Klein (1999), que procurou explicar o porquê da migração. Ele aponta mudança significativa na origem da imigração européia no período posterior a 1880. Se no período anterior os europeus do Norte dominaram o fluxo de saída, neste foram os Europeus do Leste e do Sul que dominaram. Assim cerca de 31 milhões de imigrantes cruzaram o Atlântico de 1881 a 1915, em virtude da mudança das condições nas regiões européias de origem desses imigrantes:

A transição demográfica chegou tardiamente à Europa oriental e meridional, e, à medida que crescia a pressão sobre a terra e sobre a população, seus respectivos governos tornaram-se mais inclinados a permitir a imigração. Foi esse o período de migração maciça de italianos pobres, oriundos das tradicionais regiões de migração do Norte e, depois,

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Outro fator econômico desse período foi a derrubada da mata para obtenção de lenha e carvão, que abastecia os paulistanos.

em número cada vez maior do Sul, por volta do séc. XX. Essa migração sulista provinha de regiões que nunca haviam ingressado no quadro da migração internacional. Mas os italianos não eram os únicos a chegar agora ao Novo Mundo. Poloneses e russos, numerosos grupos cristãos do Império Otomano e mesmo gregos migraram pela primeira vez (op. cit., p. 24).

“Fazer a América” era o lema de quase todos os imigrantes que cruzavam o Atlântico. Grande parte dessa migração era tradicional, composta em sua maioria por jovens adultos do sexo masculino. Para eles, a prioridade básica era acumular poupança para poder desfrutar de uma vida melhor em seus países de origem. Segundo Klein (1999), para cerca da metade dos imigrantes essa estratégia funcionou e eles acabaram retornando aos seus países de origem.

O progresso chegou também pela expansão e/ou diversificação de atividades, como por exemplo o ramo imobiliário. Assim, através da Foschini & Cia., em 1919, a S/A Fazenda Casa Branca, situada em Suzano, adquiriu uma área de 330 hectares, e, em 1921, os reflexos da Primeira Guerra Mundial atingiram os seus negócios agropecuários. Eles adquiriram uma gleba de 229 hectares que, se somou à anterior e assim deram início ao loteamento de pequenas chácaras e lotes residenciais, denominado de Romanópolis. Em Ferraz, o sonho de todo proprietário de terras era ter pelo menos uma pequena parada de trem no lugar para trazer o progresso:

Para sensibilizar a Central do Brasil a fixar parada na localidade, os proprietários do loteamento Romanópolis compr[ava]m diariamente vinte passagens, para aumentar assim o fraco movimento de passageiros no lugar (ALBISSÚ, 1994, p. 29).

Como essa estratégia não alcançou sucesso, em 1924, com a intenção de impressionar a Estrada de Ferro, mostraram um crescimento maior do que o real:

(...) os proprietários da Romanópolis compra[ra]m um gerador, no qual instala[ra]m quinze lâmpadas, que espalha[ra]m por vários pontos da localidade. À noite, quando o trem esta[va] por passar, as lâmpadas

[eram]acessas e, logo após ter passado o último vagão eram apagadas (ALBISSÚ, 1994, p. 29).

Após várias estratégias, em 1926, o sonho47 se realizou; finalmente a tão sonhada estação ferroviária foi inaugurada. O nome Romanópolis, sugerido para a estação, não vingou, pois a estrada de Ferro Central do Brasil decidiu fazer uma homenagem póstuma a seu funcionário Ferraz de Vasconcelos, que morreu no cumprimento do seu dever e, assim, a estação recebeu seu nome. De nome da estação ferroviária local, Ferraz de Vasconcelos passou a ser o nome da cidade:

Com a criação da estação, o povo começou a dizer: - “‘Vou a Ferraz” “Moro em Ferraz”, “Sou de Ferraz’’, em pouco tempo, o nome da estação se sobrepôs ao de Romanópolis, que ficou restrito a apenas um bairro do município (ALBISSÚ, 1994, p.35).

O primeiro filho brasileiro do casal Temporim, que foi para Ferraz trabalhar na terra, declarou, em 2003, durante os festejos de cinqüenta e três anos de emancipação de Ferraz, que na época que os pais chegaram à cidade não havia estrada, portanto eles aproveitavam o caminho da estrada de ferro para levar a produção da chácara:

(...) que ia de trem. Nas costas, porque embarcava em Poá. Não tinha estrada (...) Era só buraco e mato. Então para aproveitar um pouco a estrada melhor, iam pelo caminho da estrada de ferro local (ALBISSÚ, 1994, p.24).

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A realização desse sonho, convém lembrar ocorreu graças ao investimento da S/A Fazenda Casa Branca, que construiu a estação.

A uva Itália

Na história da uva - Itália em Ferraz, destaca-se o agrônomo Poletti48, cujo perfil é diferenciado dos agricultores italianos que ali já se encontravam. Sobre ele o presidente da Adav, declara:

(...) quando se fala em uva itália,[é] a partir do trabalho de Luciano Poletti, quando ele começou a trabalhar [aqui em Ferraz] em mil novecentos e vinte e sete. [Isto] após ter-se doutorado na Europa na maçã e na uva itália. Então quando ele veio para cá, se fixou aqui em Romanópolis e formou a primeira chácara experimental do Brasil de maçã e de uva itália (...) Aqui na Rua Pedro Foschini que é aqui ao lado da nossa chácara (...) Ele nasceu em São Paulo, o pai dele era conde. Eram gente muito rica. Mandou ele pra Suíça, lá ele fez os estudos. Ele introduziu a fruta de clima temperado que é o da Europa ( ) O Poletti importou (...) fez essas frutas da Europa produzirem em terras de Ferraz. Ele aclimatizou [durante] quinze anos. Tudo começou em vinte e sete....Então nós temos duas divisões de água no Brasil. A uva Niagara, que é uva americana simples, comum (...) Foi dos Marengo. E a uva Itália, européia, chamada Vinifera, que o patrono foi Luciano Poletti.

Nesse período, já se encontravam-se estabelecidos em Ferraz os pequenos proprietários, produtores de origem italiana, que se dedicavm ao cultivo de frutas e uvas. Porém, a partir de 1927, um novo perfil na agricultura se constituiu: um profissional com qualificação diferenciada, imigrante italiano, de segunda geração pertencente à elite paulista. E, que vai esperar quinze anos para obter o resultado desejado na aclimatização da uva Itália.

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Segundo a Adav, Poletti era filho de italianos, nascido em São Paulo em 1895, no bairro de Santa Efigênia. Estudou na Suíça e especializou-se em agronomia na Itália em 1920. Em 1927, introduziu a macieira e a uva itália em sua chácara experimental em Ferraz de Vasconcelos que tinha o nome de Sociedade Agrícola Frutal Ltda. Ali, recebia ilustres personalidades; associou-se às famílias Crespi e Matarazzo em uma fazenda em Suzano-SP. Em 1940, o presidente Benito Mussolini, da Itália, mandou chamá-lo para ensinar fruticultura aos jovens italianos na guerra.

Já os armênios, estabelecidos na cidade de São Paulo, foram atraídos para Ferraz a partir de 1925 em busca de algumas características semelhantes às sua terra natal:

Ferraz, aqui, sempre foi um lugar muito bonito, pelo que os antigos falavam. Os armênios começaram a vir pra (...) Ferraz, a partir de mil novecentos e vinte e cinco, mil novecentos e vinte e oito. Meu avô chegou aqui em trinta e oito. Os primeiros armênios que vieram pra cá estavam instalados na rua Pajé, onde eram pequenos fabricantes de sapato. Onde hoje é a Galeria Pajé. Só que aqui, como a topografia de Ferraz, lembrava muito a região da Armênia do meu avô (...) a região chamada Marásh. Lá

era uma região onde só [se] plantava trigo e uva. Meu bisavô era plantador de uva na Armênia (...) Era um grande plantador! (...) E falavam que tinha um lugar muito bonito perto de São Paulo que lembrava muito a terra deles. Assim, um armênio trouxe outro armênio. Por isso que na região aqui do bairro Romanópolis, aqui esses trinta quarteirões, eram as trinta chácaras dos armênios. Um comprou ao lado do outro.

As primeiras manifestações de solidariedade

Ferraz acolheu os migrantes estrangeiros vindos da cidade de São Paulo e que contribuíram para a constituição da cidade. Nesse período, também, a cidade demonstrou sua solidariedade com aqueles que para lá foram como retirantes.

Neste ano com a crise causada pela revolução, [tenentista de 1924 em São Paulo] e a conseqüente falta de dinheiro, Antônio Silvestre Leite, mesmo sabendo que não vai receber, vende, a quem precisa, até a última mercadoria do seu empório. Sem estoque e sem condições de fazer a reposição, fecha as portas (ALBISSÚ, 1994, p .29-30.)

Nesse contexto de crise, convém lembrar que “(...) as lutas tenentistas, iniciadas em 1922, com a Revolta do Forte de Copacabana, foram aumentando até 1927 (...) [em] julho de 1924, no aniversário do Levante de Copacabana, eclodiu a Revolta Tenentista em São Paulo (...)”. (NADAI e NEVES, 1986, p.202), Em, Ferraz de Vasconcelos, evidenciou-se um movimento de ajuda a famílias que se retiravam de São Paulo para as regiões vizinhas, como Ferraz:

Com o levante na capital, de S. Paulo centenas de homens, mulheres e crianças, em dolorosa peregrinação, dirigem-se a Ferraz. Inúmeras são as pessoas que vêm fazendo esse trajeto a pé, aqui chegando exaustas e famintas. Para hospedar os retirantes instala-se um abrigo no Teatro Vasques, que recolhe mais de mil pessoas de São Paulo e arredores. Os serviços de assistência são prestados por senhoras e senhoritas com donativos de toda população (ALBISSÚ, 1994, p. 29-30).

Assim, podemos identificar em Ferraz formas de solidariedade que transparecem na ajuda das famílias ali residentes e do comércio local aos “retirantes” que fugiam dos conflitos dos anos 20 na cidade de São Paulo.

Ainda nesse período, outra estratégia foi desenvolvida. A S/A Fazenda Santa Branca novamente doou terras para construção de 5 km de estrada, para ligar Ferraz à “Estrada de Rodagem”, em 1921, deixando evidente o interesse na venda e na fixação dos proprietários no loteamento. Essa empresa, que havia sido a organizadora do loteamento Romanópolis, em 1929 com o objetivo de ativar a industrialização em Ferraz, doou também uma área de 5.000 m², e financiou a construção da primeira indústria da cidade, uma fábrica de

tintas, que mais tarde foi adquirida por uma empresa alemã e passou a produzir lixas e colas.

No processo de constituição da cidade, com a primeira escola mista, expressa-se também a preocupação do período com a área da educação:

Em janeiro de 1928, foi criada a primeira escola mista. Conta o ex-prefeito Hugo Mazzuca, que (...) os alunos desta escola, precisavam levar um caixote, para servir de carteira (conf. ALBISSÚ, 1994, p.36).

Ao analisar a constituição histórica da imigração inicial ao município de Ferraz, duas colônias de imigrantes se destacam: a dos italianos, no final do século XIX e na primeira década do século XX, e a dos alemães, a partir de meados da década de 30.

No início da década de 30, nova estratégia foi desenvolvida para manter a estação de trem na cidade, que por ser deficitária, estava ameaçada de fechar. Os comerciantes da cidade, preocupados, se uniram para arrecadar dinheiro e diariamente compravam passagens para que a estação de trem fosse mantida. O problema era constatado, pois quando se viajava para São Paulo só: “meia dúzia de pessoas vinham de Mogi e iam para São Paulo” (ALBISSÚ, 1994, .p.38).

Mas, na década de 30 a cidade também sofreu as conseqüências:

(...) [o prédio na esquina da Av. Brasil com a Rua Getúlio Vargas], [ em 32] José Andere aloja [ou] Voluntários da Revolução Constitucionalista, que estão [vam] de passagem (...) É importante associar este [s] momento em Ferraz de Vasconcelos com a crise causada pelo crash da Bolsa de Nova York, quando havia dois milhões de desempregados em todo o Brasil. Em São Paulo, 579 indústrias fecharam as portas. Também não se podem esquecer as revoluções de 30 e 32 (ALBISSÚ, 1994, p. 38).

Camargo et al. (1976) indicam a dimensão do desenvolvimento econômico dos anos 30 em diante referindo, que:

O intenso crescimento econômico da cidade de São Paulo tem sido acompanhado da deterioração das condições de vida de amplas parcelas de sua população. As dificuldades atuais são muitas vezes atribuídas à forma desordenada do crescimento metropolitano, à ausência ou ineficácia do planejamento anterior. São Paulo deveria não só pagar o preço de sua felicidade futura mas também resgatar o prejuízo de sua imprevidência no passado (op. cit., p. 21-22).

Havia, pois, uma interligação entre o processo de crescimento urbano e o aumento dos problemas urbanos. Isso era tão visível que, ao lado do ufanismo do progresso, um dos prefeitos chegou a inverter o slogan ufanista de que “São Paulo não pode parar” , para, “São Paulo deve parar!” Referia-se, ele, ao déficit de serviços e obras públicas.

A frase ”é o preço do progresso” usada constantemente, apresentava-se como justificativa para as carências da metrópole. Por outro lado, dada a fragilidade das organizações populares com pouca capacidade de interferir nos processos decisórios, coube à iniciativa privada a possibilidade de agir com grande desenvoltura visando exclusivamente o lucro. Nesse sentido a especulação imobiliária adotou métodos próprios para parcelar a terra da cidade: “O novo loteamento nunca era feito em continuidade imediata ao anterior, já provido de serviços públicos (...). Ao contrário entre o novo e o último já equipado deixava-se um área de terra vazia sem lotear (...)”,(CAMARGO et al. p. 29).

Assim, juntamente com esse processo, dos anos 30 em diante:

Iniciou-se um surto industrial que trilhava os eixos ferroviários em torno da Capital: a Santos-Jundiaí impulsionava as atividades econômicas em Santo André e São Caetano: e, ao longo da Central do Brasil, surgiam pequenos núcleos industriais, mas principalmente as chamadas “cidades- dormitório”, voltadas de início para as empresas da capital e mais recentemente para outros núcleos da Região (...) E após a Segunda Guerra, de modo especial depois de 1960, através das rodovias São Bernardo e Diadema a Sudeste, Guarulhos ao Norte e Osasco a Noroeste (...) (op. cit., p. 29).

Em função dessa implantação de industrias para as imediações da capital paulista, esses núcleos passaram, em momentos diferentes, por um rápido processo de industrialização. Mas, acompanhando essa expansão, cada um desses núcleos, por sua vez, criou a sua própria periferia.

A constituição de um novo cenário: a indústria e a agricultura

O pequeno surto industrial chegou a Ferraz pelos eixos ferroviários, a tendo como protagonista a Fábrica de Lixas, na qual se destacaram os descendentes da colônia alemã. Indiretamente a carga tributária de Santa Catarina levou o progresso para Ferraz porque a primeira indústria de porte foi

instalada na cidade em 1935. Em função da fuga dos tributos fiscais, chegaram empresários descendentes de alemães que:

(...) diante da carga tributária,de Santa Catarina, que taxava, com altos impostos, todo o produto que entrava e saía do Estado, a família Gotthard Kaesemodel adquire as instalações da fábrica de tintas de Antônio Magalhães Bastos e dá início à Indústria e Comércio Gotthard Kaesemodel Ltda. que fabricará lixas e colas” (ALBISSÚ, 1994, p. 40 ).

Na formação da cidade, desde 1935, houve o predomínio econômico e