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FØLGENDE RETTELSER OG TILFØYELSER FORETAS :

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O ensino de guitarra na atualidade tem sido influenciado pela história do desenvolvimento musical do instrumento. É importante destacar que, apesar de termos feito uma separação quanto ao nível de formalização do fenômeno e dos contextos abordados entre as práticas de ensino e aprendizado de guitarra, existem influências que se mantêm e que

conectam os contextos formativos analisados. Assim, na especificidade do instrumento aqui discutido, não concordamos com a seguinte afirmação de Green:

[…] apesar do fato de que vários músicos populares estão agora se tornando professores de instrumento formais, e apesar da recente inclusão da música popular na educação formal em escolas e outras instituições, existem zonas que sugerem que as esferas formais e informais do ensino e aprendizado musical continuam a existir independentemente uma da outra, produzindo caminhos separados que ocasionalmente se cruzam, mas raramente se

encontram em uma mesma direção11 (2001, p. 184, grifo meu).

Os professores de guitarra inseridos em instituições formalizadas passaram, durante sua formação musical e atuação como músicos populares, por fenômenos de aprendizado informais e não formalizados sendo muito influenciados pelos valores adquiridos nessas práticas. Isso nos leva a afirmar que a interação entre guitarristas com diferentes experiências musicais, convivendo e produzindo música de maneira coletiva em conservatórios de música, igrejas, bares e universidades, é uma realidade.

Apesar do aumento no número de cursos formalizados e legitimados de guitarra e do grande número de escolas e professores particulares na atualidade, a crescente demanda de interessados em aprender o instrumento não é completamente atendida. Como destaca Millard, com dados provenientes de pesquisa realizada nos Estados Unidos, onde

As vendas [do instrumento] estouraram no início dos anos 1960, quando o rock ’n’ roll estava no auge e o número de guitarras vendidas a cada ano saltou de 300,000 para 600,000. O número de guitarristas nos Estados Unidos cresceu constantemente desde os anos 1960: uma estimativa de 7 milhões nos anos 1970, 9 milhões nos anos 1980 e mais de 10 milhões

previstos para a primeira década deste século12 (MILLARD, 2004, p. 3)

Entender como ocorre o aprendizado dos guitarristas em diferentes contextos pode auxiliar na construção de um programa específico para os mesmos. Inserindo práticas da educação musical informal e não formal nos programas e propostas curriculares legitimados, poderíamos agregar valor aos fenômenos populares de produção musical e questionar velhos

      

11 […] despite the fact that many popular musicians are now becoming formal instrumental teachers, and despite

formal music education’s recent inclusion of popular music in schools and other institutions, there are grounds to suggest that the formal and the informal spheres of music learning and teaching continue to exist quite independently of each other, running along separate tracks which may occasionally cross, but rarely coincide to pursue a direction together (GREEN, 2001, p. 184, tradução minha).

12 Sales took off in the early 1960, when rock ’n’ roll was in its heyday and the number of guitars sold each year

jumped from 300,000 to around 600,000. The number of guitar players in the United States has increased steadily since the 1960s: an estimated 7 million in the 1970s, 9 million in 1980s, and over 10 million predicted for the first decade of this century (MILLARD, 2004, p. 3, tradução minha).

conceitos que limitam e caracterizam a guitarra como um instrumento ofensivo aos “altos” padrões do velho conservatório.

Percebemos, então, como muitos professores têm se adequado às novas propostas de ensino, se distanciando (ou não) do modelo formativo pelo qual foram educados, considerando uma espécie de “continuidade” histórica, onde o ensino de guitarra, que se inicia de maneira informal e chega a ser não-formal, passa a ser formal nos dias atuais. Também, é importante perceber como as metodologias formais são influenciadas pelas práticas informais e não formais do ensino e aprendizagem do instrumento, assim como perceber as mudanças que ocorrem na prática musical dos guitarristas na atualidade, pois assim como a prática influência o ensino, o ensino influência a prática.

O ensino e a aprendizagem da guitarra em João Pessoa

em três contextos de ensino e aprendizagem

Apesar da difusão da guitarra elétrica no Brasil ter ocorrido já em meados do anos 1950, não é possível precisar quando o instrumento chega, de fato, ao universo musical da Paraíba. O fato é que na década de 1960/70, com a veiculação do instrumento em práticas musicais consolidadas na mídia, sobretudo na televisão, a guitarra, em formatos dos mais diversos, encontrou espaços em praticamente todo o território nacional. Considerando o foco deste trabalho, não é minha intenção traçar um histórico acerca da inserção da guitarra na Paraíba, mas apenas apresentar elementos que possam se inter-relacionar com a realidade atual do instrumento no Estado, e mais precisamente, em João Pessoa.

No diálogo com alguns guitarristas locais, nascidos e criados neste Estado, estes comentam que durante os anos 1970 já tocavam guitarra em grupos musicais variados. Por outro lado, eles também destacam certa dificuldade para conseguir materiais de estudo como métodos, vídeo-aulas ou revistas especializadas. Essa dificuldade se manteve, mesmo duas décadas depois, durante os anos 1990, como descrito por um professor particular atuante no município e que participou de outra pesquisa realizada:

[...] quando a gente começou a tocar guitarra tinha uma história invocada que era assim: Primeiro instrumento era “pau” [difícil de conseguir]. Isso foi em que? 1990 por aí. Então o que aconteceu; tinha Letinho e tinha Luciano, [guitarristas de João Pessoa] que mora a muitos anos no Rio de Janeiro. E era uma fase assim que Letinho ligava pra mim e dizia – “Bicho, Luciano mandou um material!” Mas a gente fazia a festa com aquele negócio. Porque vídeoaula nem pensar, nem isso a gente sabia que existia (GARCIA, p.55, 2011a).

Atualmente João Pessoa possui várias lojas de instrumentos musicais, que vendem produtos distintos tanto nacionais como importados. São várias as escolas de música particulares (cursos livres) e duas instituições federais de educação com cursos formalizados de caráter popular que apresentam a guitarra em seus programas (UFPB e IFPB), além de outros tantos músicos que ministram aulas particulares em seus domicílios ou pontos comerciais. Somam-se a isso a viabilidade da internet e a disponibilidade de informações.

É bom observar que essas ações, mídiaticas, tanto comerciais como educativas, não são privilégios de uma classe social específica e, muito menos, localizam-se em ghetos nas

periferias, elas se espalham de forma homogenia por vários pontos da cidade – praia, centro e periferia.

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