Set 1 of Innovation Policy Instruments
12.5 External innovation expenditure
As organizações são constantemente cobradas, pelo Estado e pela sociedade, em relação à atuação e à maneira como se relacionam com a comunidade. Essa pressão exercida é transformada em ações internas que visam moldar os padrões comportamentais e, consequentemente, atenuar os impactos que a organização gera no ambiente. Nesse cenário, os planos de capacitação e treinamento têm buscado integrar as questões ambientais às rotinas de trabalho, normalmente coordenado pelos setores de Gestão Ambiental, Gestão da Qualidade ou Gestão Integrada (JABBOUR; JABBOUR, 2013).
É interessante notar que o alicerce dessa transformação é a Educação para a Sustentabilidade, sendo os processos de capacitação e treinamento apenas ferramentas para esse movimento, pois a conscientização, a mudança de postura e atitudes são alcançadas através do processo educacional. Nesse ambiente empresarial, os sistemas de gestão precisam caminhar ao lado das propostas educacionais, como reforça Silva (2004, p. 194, grifos nossos):
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) visa garantir as recomendações da Política Ambiental estabelecida pela empresa, uniformizando as exigências ambientais que garantem adequação aos requisitos das leis e seja proativa frente as crescentes demandas ambientais, facilitando a competitividade no mercado. Contudo, seguir tais recomendações, apesar de representar um investimento com bom retorno financeiro, exige uma nova postura da empresa. Uma das formas de se alcançar essa nova postura é através da Educação Ambiental.
Para Seiffert (2009), o sucesso na implantação dos Sistemas de Gestão Ambiental está atrelado à participação do empregado, que precisa passar por um processo de conscientização, sensibilização e treinamento, uma vez que o sistema depende de uma reeducação e de uma transformação cultural. Esse processo de conscientização necessita de motivação, pois os empregados precisam estar interessados em fazer os processos habituais de um modo diferente, e para isso é necessário sensibilização e comprometimento, associado ao
treinamento. Assim, motivação, conscientização, sensibilização, comprometimento e treinamento precisam andar juntos para o sucesso do SGA.
Valle (2002, p.35) ressalta a importância da transformação cultural nas organizações e da formação de consciência em todos os níveis hierárquicos sobre o foco da sustentabilidade, elegendo a educação ambiental como elemento de progresso pessoal e não como simples treinamento profissional, pois para o autor “a educação ambiental representa um passo preliminar importante para a implantação da Política Ambiental da organização, que se materializará por seu Sistema de Gestão Ambiental”.
Giesta (2009, p. 45) também acredita no valor da educação no processo de capacitação para a sustentabilidade, ao afirmar que “a educação no processo de Gestão Ambiental articulada intimamente à Educação Ambiental visa promover uma mudança de concepção das questões ambientais, em que cada indivíduo, trabalhador ou grupo promova também mudança social”.
Essa preocupação com as questões ambientais dentro das organizações, para Jabbour e Jabbour (2015, p. 6), “trata-se de um processo de influência mútua, uma vez que a sociedade pode se tornar mais ou menos preocupada em função da forma como as organizações melhoram ou pioram a qualidade do meio no qual vivemos”. Assim, o processo de Educação para a Sustentabilidade dentro das organizações torna-se uma via de mão dupla, pois o sucesso na implantação dos programas de gestão depende diretamente do interesse e da legitimação dos fundamentos por parte dos funcionários, o que acaba sendo alcançado através da educação, como reforçam Fritzen e Molon (2008, p.2):
Toda empresa que inicia a estruturação de um Sistema de Gestão Ambiental – SGA percebe a necessidade do comprometimento e envolvimento de todos os funcionários. Se é verdade que não se começa a implantação de um SGA sem a vontade da alta administração da empresa, também é fato que o êxito do SGA depende da participação de todos os funcionários. Nesse sentido, as transformações a serem realizadas necessitam considerar o público interno como agente indispensável para o êxito do processo, o que requer, por conseguinte, que os funcionários estejam plenamente capacitados a compreenderem a dinâmica da mudança para poderem atuar conscientemente na mesma, caso contrário, a proposta não avança para além do caráter técnico e a transformação de comportamentos não ocorre.
Por isso, a educação assume o papel principal no formato da gestão, podendo ser aplicada de dois modos, segundo Kitzmann e Asmus (2012 apud CALLENBACH et al., 1993), sendo o primeiro caracterizado por uma administração ambiental reativa e defensiva, que busca o simples cumprimento da legislação e o segundo, que seria a adoção de gerenciamento ecológico, que se utiliza da criatividade e da ação para substituir a ideologia
econômica pela sustentável, entendendo que o processo empresarial é complexo e conectado a sociedade como um todo.
Para Kitzmann e Asmus (2012 apud THUROW, 1997), o maior incentivo para capacitar pessoas, de acordo com pesquisa feita junto ao Banco Mundial, é o valor da riqueza gerado pelo capital humano, que, segundo os autores, ultrapassará o valor da riqueza gerado pelos recursos naturais, como já ocorre em alguns países pequenos, como o Japão. Assim, capacitar pessoas, ensinando-as sobre as interferências humanas no planeta, dando censo de responsabilização e consciência do papel que cada indivíduo desempenha no mundo, contribui para a formação de profissionais mais zelosos com o bem comum e dispostos a garantir condições dignas de vida para as futuras gerações.
O modo como o processo de capacitação e treinamento profissional é estruturado nas organizações pode reforçar os interesses nas questões econômicas. Todavia, os fins alcançados conseguem extrapolar as expectativas iniciais, como as políticas empresariais que garantem a qualidade de vida no trabalho, respeito aos quesitos de saúde e segurança laboral (OHSAS 18001) e responsabilidade social da organização para cumprir obrigações trabalhistas e ambientais.
Para Jabbour e Jabbour (2013, p. 77), “o alinhamento entre a gestão de recursos humanos e a gestão ambiental vem sendo chamado de Green Human Resource Management, isto é, gestão ambientalmente favorável de recursos humanos”. O que muitas empresas não percebem é que a forma como capacitação é implementada interfere na formação dos funcionários além das portas da empresa, ou seja, a transformação organizacional atinge as comunidades locais e globais, através do efeito multiplicador e emancipador que é proposto pela Educação para a Sustentabilidade.
Esse entendimento é justificado em algumas pesquisas como o trabalho produzido por Neves et al. (2012), que traz um diagnóstico da Educação Ambiental desenvolvida no Exército Brasileiro, cujas características de pontualidade e descontinuidade apontam para o enfoque conservacionista. O autor atenta para o fato de que o simples cumprimento de normas técnicas, em uma instituição hierarquizada, torna o processo mecânico e sem sentido cognitivo, sugerindo, ao final, “que os militares do Exército Brasileiro somem esforços com o objetivo de alcançar um processo educativo problematizador e comprometido com transformações de cunho emancipatório, isto é, uma Educação Ambiental crítica, transformadora e emancipatória” (NEVES et al., 2012, p. 183).
Na área privada, também há evidências de que a educação ambiental é uma grande aliada no processo de transformação dos trabalhos, pois segundo Azevedo, Nogueira e
Imbroisi (2005, p.1, grifos nossos), em pesquisa desenvolvida no setor siderúrgico, foi possível perceber que
a implantação dos programas de Educação Ambiental sugerem que ela pode ser um instrumento importante na incorporação da cultura ambiental pelos colaboradores da empresa, estimulando a coparticipação no gerenciamento ambiental e a visão crítica dos envolvidos em relação aos riscos ambientais potenciais que a empresa oferece aos seus trabalhadores e à comunidade.
Portanto, a soma das colaborações referenciadas norteará a pesquisa aqui delineada que se propõe a analisar os vínculos existentes entre o Sistema de Gestão Integrado e a Educação para a Sustentabilidade no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno.