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How and to what extent do faculty and students use ICT at MUK CEES?

5 Research Findings

5.1 How and to what extent do faculty and students use ICT at MUK CEES?

No nosso caso, as modalidades técnicas com que as comunidades pré-históricas efetuaram os seus grafismos serão tidas em conta apenas como mais um elemento descritivo.

Uma destas técnicas corresponde à pintura. Embora a ocorrência desta técnica se encontre confirmada em Siega Verde (Balbín & Alcolea, 2009), os parcos vestígios neste sítio não permitem uma caraterização aprofundada da modalidade específica aí empregue. Esta caracterização só é possível em dois dos sítios de ar livre da nossa área de estudo. Um destes corresponde à rocha 6 da Faia (Baptista, 1999b, 154-157); aqui, a pintura vermelha cobre os traços picotados e abradidos que conformam a cabeça de quatro auroques, para além de configurar per se a delimitação interna do focinho de alguns destes animais. A modalidade deste traço pintado pode ser definida como “traço único ou contínuo” – “un trazado continuo y uniforme que despeja la

silueta del motivo” (Sanchidrián, 2001, 206). O segundo caso corresponde à Fraga do

Gato, em Freixo de Espada à Cinta (Baptista, 2009a, 226-229); aí, a par de um mustelídeo definido por traço único a vermelho, reconhece-se também uma ave da família strigidae; esta é pintada a negro, sendo definida pela modalidade do “traço modelado, modelante ou caligráfico” – “se presenta continuo pero con diferentes

grosores de la línea a lo largo de su trayecto, alternando sectores gruesos y delgados [...] con el fin de delimitar volúmenes y despieces anatómicos” (Sanchidrián, 2001,

206-207).

Relativamente à gravura, foram reconhecidas no Côa as modalidades da “picotagem, com ou sem prévia incisão do motivo com traço fino, picotagem e abrasão, incisão fina simples e de traço múltiplo, com acentuação ou não dos corpos dos animais e [...] raspagem” (Baptista, 2009a, 76). Em texto anterior, Baptista

aprofunda mais estas distinções (1999b, 24-29). Nos textos em que são publicadas as restantes estações portuguesas não se percebe qualquer alteração a este esquema. Já em Domingo García, os autores responsáveis pelo seu estudo identificam a picotagem e, ao nível da incisão, o traço simples, o traço estriado, o traço descontínuo, o traço múltiplo e o traço raspado (LEP, 1999c, 212). Em Siega Verde foram considerados (Alcolea & Balbín, 2006a, 33-35): ao nível da incisão o traço simples único, o traço simples repetido, o traço estriado, o traço raspado e o traço angular profundo; ao nível do picotado o contínuo e indireto, o contínuo e indireto de inserção oblíqua e perpendicular, o direto e descontínuo, o direto e descontínuo de inserção oblíqua e perpendicular, o picotado contínuo e indireto seguido de abrasão e o aproveitamento de acidentes naturais.

Dados os nossos objetivos, tentámos como no caso da identificação das unidades gráficas não figurativas, definir um número de modalidades suficientemente amplo para que uma análise de conjunto seja representativa e suficientemente reduzido de forma a ser possível o seu tratamento estatístico. Passemos então a descrever cada uma das modalidades por nós consideradas:

Picotagem A (Fig. 2.6a): resulta da martelagem da superfície, correspondendo portanto a um traço formado pela “adjonction de cupules coalescentes, jointives ou

disjointes” (Féruglio, 1993, 270). No nosso caso faremos uma distinção com base no

grau de adjunção entre os negativos; consideraremos assim um “picotado A” quando o grau de adjunção é grande, conformando traços de perfil regular. Corresponde às variantes contínuas de Alcolea e Balbín (2006a, 34)48.

Picotagem B: resulta do mesmo processo que a modalidade anterior, sendo aqui menor o grau de adjunção entre motivos, conformando-se assim traços de perfil bastante mais irregular. Corresponde às variantes descontínuas de Alcolea e Balbín (2006a, 34). Como se verifica, a diferença entre as duas modalidades de picotado é de grau. Este facto explica as diferenças que se podem encontrar entre a nossa classificação de alguns motivos de Siega Verde e a proposta por Alcolea e Balbín (2006). De facto, alguns motivos que no universo exclusivo de Siega Verde podem ser descritos como executados pela modalidade “A”, serão melhor categorizados como “B” se tivermos em conta igualmente o universo do Côa.

                                                                                                                         

48 Considerámos irrelevante a distinção entre picotagem direta e indireta porquanto um gravador

experimentado consegue gravar traços contínuos de forma direta, tal como comprovado por experimentação levada a cabo pelo nosso colega e amigo Fernando Barbosa.

Abrasão (Fig. 2.6a): usualmente é um procedimento que se dá após o referido anteriormente; corresponde a um traço regularizado pela fricção repetida de um utensílio sobre o mesmo traçado, podendo dar origem a sulcos polidos de secção em V ou em U (Alcolea & Balbín, 2006a, 35). O “traço angular e profundo” destes últimos autores é definido por nós também como abrasão, neste caso não precedida de picotagem

Incisão simples (Fig. 2.6b): corresponde a uma traço inciso resultante de uma só passagem do utensílio (Féruglio, 1993, 270).

Incisão reiterada (Fig. 2.6c): corresponde ao tracé à passage multiple de Féruglio (1993, 270), ao traço múltiplo do LEP (1999c, 212) e ao traço simples repetido de Alcolea & Balbín (2006a, 33); um traço é assim caracterizado quando “est

obtenu par répétition de traces simples accolés ou superposés” (Féruglio, 1993, 270).

Incisão múltipla (Fig. 2.5): termo utilizado para caraterizar perímetros de figuras definidos por múltiplos traços. Diferencia-se da modalidade anterior por não implicar o aprofundamento ou alargamento do traço principal que a anterior implica (Féruglio, 1993, 270). Trata-se do procedimento que quer o LEP (1999c, 212), quer Alcolea & Balbín (2006a, 33), quer Féruglio (1993, 270) denominam de estriado; não o utilizamos neste contexto precisamente pela confusão — referida por Alcolea e Balbín — que pode causar a identificação desta modalidade com a denominação aplicada a “determinadas representaciones muebles y rupestres cantábricas”, confusão essa que já ocorreu no caso do Côa (Baptista, 1999b, 25-27)49.

Estriado50 parcial (Fig. 2.7): aplica-se quando identificamos partes do corpo do animal preenchidas por incisões múltiplas. É uma das características das gravuras estriadas cântabras de Almagro (1981, 62)51. Chamamos, no entanto, a atenção de, per

                                                                                                                         

49 Neste sentido ganha toda a pertinência a chamada de atenção que Baptista faz (1999b, 27-29) aos

cuidados de Lorblanchet nesta matéria: “les gravures « striées » […] sont principalement des gravures

des biches en tracé multiple et à remplissage hachuré, découvertes sur les parois d’une dizaine de grottes […] et sur une quarantaine d’omoplates gravées provenant de niveaux d’habitats bien datés”

(1995, 61).

50 Ao que chamamos nós estriado designam o LEP (1999c, 212) e Alcolea & Balbín (2006a, 35) como

raspado.

51 Os “gravados estriados” correspondem à segunda fase do traço múltiplo de Almagro (1981, 62).

Segundo este autor poderíamos ainda identificar uma fase anterior que o autor denomina de “trazo

desmañado” (1981, 60-61) — que tecnicamente seria definido pela nossa incisão múltipla — e uma

fase posterior (“grabado abigarrado”) que se distinguiria por todo o corpo dos animais desta fase estar preenchido por incisões múltiplas; ou seja cujo preenchimento seria caracterizado por aquilo que nós chamamos de estriado invasor (vide infra). Refira-se, no entanto, que a definição de gravado estriado já tinha sido apresentada por Jordá, definição essa que passamos a transcrever pelo eloquente que é: “Se

trata de dibujos realizados al buril, en los que se tiende a rellenar ciertas partes del interior de la figura con una serie de líneas que unas veces forman masas de rayados paralelos y otras se agrupan

se, esta técnica não chegar para definir um estilo, uma vez que, como demonstram

algumas placas do Fariseu (Aubry, 2009a, 389, fig. D1, 3 e 4), esta modalidade foi empregue também nos finais do Paleolítico, alguns milhares de anos após aquelas gravações cântabras.

Estriado invasor (Fig. 2.5): aplica-se quando o preenchimento por intermédio da incisão múltipla se observa sobre todo o corpo do animal.

Raspagem (Fig. 2.8): é resultante da remoção da superfície da rocha mediante o “brunir” da mesma; como refere Féruglio (1993, 270-271), mais que um traço, procura-se uma superfície contrastante com o suporte.