CHAPTER 6: DISCUSSION
6.2 Assessment of AGC’s Environmental Role at obuasi
6.2.1 To What Extent is AGC Concerned about its Environmental Impact? 107
As crianças e os pais ou cuidadores familiares foram recrutados nas consultas externas pediátricas de Imunoalergologia de dois hospitais da zona centro, mais especificamente no Serviço de Consultas Externas de Pediatria do Hospital Pero da Covilhã, na Covilhã, e no Serviço de Pediatria Ambulatória do Hospital Pediátrico de Coimbra. O recurso a consultas hospitalares de especialidade teve como objetivo minimizar o erro de inclusão de crianças que não tivessem realmente asma, o que poderia acontecer se a inclusão fosse feita num serviço de cuidados primários de saúde ou por autorreferenciação de diagnóstico médico pré- existente.
Os critérios de inclusão das crianças no estudo foram: ter um diagnóstico clínico de asma persistente, ter asma há pelo menos 6 meses, fazer medicação regularmente (de prevenção a longo prazo e/ou de alívio rápido) para a asma, não ser a primeira consulta naquele Serviço e ter entre os 7 e os 13 anos de idade. Foram excluídas as crianças que sofressem de outra doença grave ou de atraso de desenvolvimento (confirmado com o clínico responsável). No que se refere à faixa etária incluída no estudo, procurou-se garantir alguma homogeneidade, estabelecendo-se como limite mínimo os 7 anos para garantir que as crianças tivessem já algum domínio sobre a leitura e compreendessem os itens dos questionários. Não alargámos o limite superior de idade (13 anos) por considerar que na adolescência os pais deixam progressivamente de ter um papel tão central na gestão da asma dos filhos, que se tornam mais autónomos, o que poderia influenciar grandemente a sua resposta aos questionários e à entrevista.
Amostra total
A amostra foi constituída por 50 crianças com asma e respetivos cuidadores familiares, responsáveis pelos cuidados à criança na área da saúde. Relativamente à proveniência dos casos, 23 (46% da amostra) eram seguidos na consulta de Alergologia
Pediátrica do Serviço de Consultas Externas de Pediatria do Hospital Pero da Covilhã e os restantes 27 casos eram acompanhados nas consultas de Alergologia do Serviço de Pediatria Ambulatória do Hospital Pediátrico de Coimbra.
Os cuidadores incluídos na amostra foram na grande maioria as mães das crianças, em cinco casos o pai e num caso a avó. Na tabela 2.1 estão sintetizadas as principais características dos cuidadores familiares das crianças com asma.
Tabela 2.1.
Características sociodemográficas dos cuidadores das crianças com asma
Características
Cuidadores de crianças com asma (n=50)
Frequência % Género Feminino 45 90,00 Masculino 5 10,00 Idade < 40 anos 22 44,00 ≥ 40 anos 28 56,00 M=40,20 DP=5,29 Escolaridade 1º ciclo 2 4,00 2º ciclo 1 2,00 3º ciclo 16 32,00 Ensino secundário 18 36,00 Ensino superior 13 26,00 Estado civil
Casado ou em união de facto 43 86,00
Divorciado ou separado 5 10,00
Outro 2 4,00
Os cuidadores das crianças com asma tinham idades entre os 29 e os 54 anos, com uma média de 40,20 anos (DP=5,29). A escolaridade dos cuidadores variava entre o 1º ciclo de escolaridade e o ensino superior, sendo que 38% tinham uma escolaridade até ao 9º ano, 36% tinham completado o ensino secundário e 26% tinham um curso superior. Relativamente ao estado civil, a grande maioria dos cuidadores eram casados ou viviam em união de facto (86%), cinco eram divorciados ou separados, um era solteiro e um viúvo.
Entre os cuidadores, 18 (36%) referiram ter problemas de saúde crónicos, sendo as condições de saúde mais referidas a asma (sete disseram ter asma ou ter tido na infância) e a rinite alérgica (referida por três cuidadores).
A tabela 2.2 apresenta as características sociodemográficas das crianças com asma incluídas na amostra.
Tabela 2.2.
Características sociodemográficas das crianças com asma
As crianças incluídas na amostra tinham entre os 7 anos e os 13 anos e 8 meses de idade, com uma média de 10 anos e 6 meses (DP=24,90 meses). Verificou-se uma ligeira predominância de rapazes (58%), mais concretamente 29 rapazes e 21 raparigas, que frequentavam entre o 1º e o 8º ano de escolaridade. No que se refere à fratria, 12 crianças eram filhos únicos, 28 tinham um irmão e 10 tinham dois ou três irmãos. Dez crianças tinham um ou mais irmãos que sofriam também de asma, um tinha um irmão com rinite alérgica e outra criança tinha um irmão com eczema atópico. A idade das crianças foi calculada tendo por base a data da entrevista inicial para recolha dos dados.
Quanto às características da asma das crianças (Tabela 2.3), verificámos que os pais situavam o diagnóstico3 entre o primeiro ano de vida e os 12 anos de idade (M=4,01;
3 Foi pedido aos cuidadores que indicassem a idade da criança quando lhe foi diagnosticada a asma, porém
verificamos que alguns não distinguiam entre as primeiras queixas e o momento do diagnóstico. Nem sempre foi possível esclarecer este dado no processo clínico, por o diagnóstico ser anterior ao encaminhamento para o serviço de saúde.
Características
Crianças com asma (n=50)
Frequência % Género Feminino 21 42,00 Masculino 29 58,00 Idade 7-9 anos 18 36,00 10-11 anos 17 34,00 12-13 anos 15 30,00 M=10A;6m DP=24,90m Escolaridade 1-4º ano 19 38,00 5-6º ano 19 38,00 7-8º ano 12 24,00 Número de irmãos 0 12 24,00 1 28 56,00 2 ou 3 10 20,00
DP=2,73), sendo que quase 3 em cada 4 crianças da amostra tinham sido diagnosticadas como tendo asma antes dos 6 anos de idade.
Tabela 2.3.
Características clínicas da asma das crianças
Número de crianças com asma Características da asma Frequência % Percentagem
acumulada Idade de diagnóstico < 1 ano 4 8,00 8,00 1-2,5 anos 17 34,00 42,00 3-5,5 anos 15 30,00 72,00 6-9,5 anos 12 24,00 96,00 10-12 anos 2 4,00 100,0 M=4,01 DP=2,73 Duração da doença < 1 ano 1 2,00 2,00 1-2 anos 4 8,00 10,00 2-5 anos 7 14,00 24,00 5-10 anos 30 60,00 84,00 ≥ 10 anos 8 16,00 100,0 M=6,37 DP=3,10 Nível de controlo da asma4
Controlada 19 38,00 --
Parcialmente controlada 18 36,00 --
Não controlada 12 24,00 --
As crianças eram seguidas no serviço de saúde onde as contactámos há pelo menos 2 meses, com o tempo de seguimento a variar entre os 2 meses e os 11 anos, com uma média de 4 anos (M=3,98, DP=3,06), sendo que três em cada quatro crianças (76%) eram seguidas naquele serviço de saúde há mais de um ano. O tempo de duração da doença variava entre os 6 meses e os 11 anos e meio (M=6,37).
Os dados recolhidos sobre o impacto da asma na saúde da criança mostram que 18 (36%) das crianças já tinham tido um ou mais internamentos hospitalares devido à asma e que 19 (38%) tinham faltado à escola durante o último ano letivo devido a crises de asma.
No que se refere à medicação que a criança tomava para a asma, verificámos que, segundo os pais, 41 crianças faziam medicação diária de prevenção da asma e 49 faziam
4 Os dados do nível de controlo da asma referem-se a apenas 49 crianças, porque num caso o médico não preencheu
medicação de SOS ou de alívio rápido dos sintomas. Quando cruzamos estes dados com a prescrição feita pelos médicos, apurámos que dos nove casos em que os pais afirmaram que a criança não fazia medicação preventiva diária, em quatro deles essa medicação estava prescrita pelo clínico, mas tinha deixado de ser administrada pelos pais. Também no caso em que o pai não referiu a toma de medicação de alívio rápido dos sintomas em caso de crise de asma, essa medicação estava prescrita.
Quanto à questão sobre o responsável pelo tratamento da criança, cerca de metade dos cuidadores (48%) indicaram os pais como os responsáveis pelo tratamento, 26% afirmaram que a responsabilidade era partilhada pelos pais e a criança e os restantes 26% atribuíram à criança a responsabilidade pelo tratamento. Como se pode constatar na figura 2, existe uma tendência para atribuir mais responsabilidade à criança pelo tratamento à medida que a criança vai ficando mais velha, no entanto, verificámos que a criança é indicada pelos pais como responsável pelo tratamento desde muito nova (8 anos e 2 meses), o que parece sugerir uma certa desresponsabilização dos pais pelo cumprimento do tratamento e o não desempenho do seu papel de supervisão do tratamento. Realça-se, ainda, a existência de uma criança de 7 anos e 1 mês que a mãe considera como corresponsável pelo tratamento.
Na quase totalidade os cuidadores revelaram um bom grau de satisfação com o serviço de saúde em que o filho é acompanhado (96%), metade deles disse mesmo estar muito satisfeito com o serviço. Este resultado estará certamente associado ao facto de todas as crianças estarem a ser acompanhadas numa consulta especializada de alergologia. Apenas
dois cuidadores responderam não estarem nem satisfeitos, nem insatisfeitos, com o serviço onde os filhos eram seguidos.
Amostra da entrevista FAMSS
Relativamente ao grupo de cuidadores e crianças que participaram na entrevista FAMSS, entrevistámos 29 mães e dois pais e os seus filhos com asma (17 rapazes e 14 raparigas). As crianças tinham entre 7 anos e 13 anos e 8 meses (média de 10 anos e 10 meses) e frequentavam entre o 2º e o 8º ano de escolaridade. Os pais tinham idades compreendidas entre os 29 e os 54 anos (média de 40 anos) e a sua escolaridade variava entre o 1º ciclo (uma mãe) e o ensino superior (nove casos), com a mediana da distribuição a situar- se no ensino secundário. Segundo o relato dos pais, a asma tinha sido diagnosticada em média por volta dos 4 anos (M=4,35; SD=0.52) verificando-se uma grande variação na idade dos primeiros sintomas/diagnóstico (desde os 4 meses aos 12 anos de idade). As crianças eram seguidas no serviço de consultas externas em média há cerca de 4 anos (M=4,18), no mínimo há 2 meses e no máximo há 11 anos. Em três casos a criança não tinha prescrita medicação diária de prevenção da asma, fazendo apenas medicação de controlo dos sintomas. Das 31 crianças, 11 já tinham tido um ou mais internamentos hospitalares devido à asma, e 10 tinham faltado pelo menos um dia à escola durante o último ano letivo devido à asma. No que se refere ao controlo da asma, o médico alergologista assistente considerou que 11 crianças tinham a asma controlada, 13 tinham a asma parcialmente controlada e nas restantes sete a asma não estava controlada.
Amostra do Programa de Intervenção
Onze mães participaram no Programa de Intervenção, sendo que 10 (90,91%) completaram o programa e os três momentos de avaliação. Estas 10 mães tinham idades entre os 32 e os 54 anos (M=41,80; SD=5,79), com escolaridade ao nível do 9º ano (n=3), do 12º ano (n=3) e do ensino superior (n=4). Eram todas casadas e nove delas estavam empregadas. As crianças, equitativamente distribuídas por ambos os sexos, tinham idades entre os 7 e os 13 anos (M=11,03; DP=2,08). De acordo com o relato das mães, a idade de diagnóstico da asma variava entre 1 e 12 anos (M=5,70; DP=3,88). Nove das crianças tinham prescrição para fazer medicação preventiva para a asma diariamente e uma apenas medicação de alívio rápido a fazer em situação de exacerbação.
Todas as crianças eram seguidas num serviço hospitalar especializado de alergologia pediátrica, oito no Hospital Pero da Covilhã, e duas no Hospital Pediátrico de Coimbra. O tempo de seguimento no serviço variava entre os 6 meses e os 9 anos, e quatro crianças já tinham sido hospitalizadas pelo menos uma vez devido a uma crise de asma. Os médicos assistentes classificaram a asma de três destas crianças como controlada, de cinco como parcialmente controlada e de duas como não controlada.