1.4 List of symbols
2.1.3 Expressions for the variance
No texto introdutório sobre a instância ou dimensão educacional do PDSS (2000, p. 182), é constatado que “um dos elementos constituintes da identidade regional é também o valor dado à educação formal. Ao analisar-se mais detidamente tal constatação, dá-se conta de alguns fatos que são definidores dessa percepção.” Primeiramente a criação da Escola de Latim, em Caicó (na época cidade do Príncipe), na segunda metade do século XIX é um fato que chama a atenção.
“No caso do Seridó, o exemplo mais expressivo fica por conta da Cadeira de gramática Latina, que o Deputado Pe. Brito Guerra fez aprovar na corte, em 1832. [...] Outro elemento significativo é a geração de políticos- intelectuais [...] todos formados em Direito pela prestigiosa Faculdade de Direito de Recife. Forma esses indivíduos os primeiros no Seridó a fazer profissão de fé na qualidade do ensino formal.” (Idem, ibidem, p.182)
José Augusto é um caso notório de interesse pela educação da região, quando governador do estado (1924 a 1928) incentivou de forma incisiva educação primária na região, anteriormente integrara a comissão da reforma educacional brasileira. No
século XX (nas suas primeiras décadas), tem-se a criação do Colégio (católico) Santa Terezinha e do Ginásio Seridoense, que ilustram o percurso educacional no Seridó.
A preocupação com a educação na região começa na formação dos primeiros núcleos urbanos. O caso de São João do Príncipe (hoje São João do Sabugi) revela o espírito educacional presente nos líderes edificadores das povoações primeiras da região. O padre Joaquim Félis de Medeiros foi um dos precursores da empreitada educacional, a partir de 1835.
“Com a fixação permanente das fazendas de gado, às margens do rio Sabugi [...] tornou-se imperiosa a necessidade de fundar uma capela com um cemitério para os misteres religiosos [...] Dado o patrimônio, por Ana de Sousa, em 1832, e construída a capela em 1840, lentamente foram sendo edificadas algumas casas [...] A casa do Padre era sóbria [...] O novo sacerdote era professor nato e [...] serviu de luz para iluminar a escuridão do analfabetismo daquela mocidade inculta. [...] Com morada fixa no novo povoado, fez convergir seu rebanho para os cultos religiosos na capela e os meninos para a escola.” (MEDEIROS28, 1998, pp. 11-2-3)
Decerto os alunos, pelo menos em sua maioria, eram de famílias abastadas da localidade, algo comum na criação dos sertões brasileiros.
Sobre São João do Sabugi, tem-se, ainda, um artigo de Medeiros29 (1998, p.31) que mostra a origem e evolução das primeiras escolas na localidade onde
“Com a aglomeração de famílias num núcleo, a partir de 1832, o povo de São João do Príncipe começou a ansiar por educação para seus filhos. Provavelmente fez reivindicações diversas, que se concretizaram com a 28 MEDEIROS, Antônio Luís de. Fundação de São João do Príncipe e emancipação de São João do Sabugi. In___ Páginas Sabugienses. Edições Mulungu, São João do Sabugi, 1998
29 MEDEIROS, Djanira Araújo de. Presságios, criação e rumos da primeira escola. In___ Páginas Sabugienses. Edições Mulungu, São João do Sabugi, 1998.
criação de uma cadeira de primeiras letras do sexo masculino, em junho de 1855 [...] Seria a educação básica para os filhos dos fazendeiros, que almejavam continuar seus estudos em povoação mais desenvolvida. [...] Mestres como os irmãos Manuel Martiniano e José Quintino de Medeiros, além de outros, tinham escolas particulares onde, ao soar da palmatória, iam educando os filhos daqueles que tinham condições de pagar mensalidades.”
Depois, em 1925, no governo de José Augusto, é fundada, junto com outras distribuídas pelo estado, a “Escolas Reunidas”, de caráter público e gratuito. A escola, além de ser para os filhos dos fazendeiros, também era apenas para o sexo masculino, ficando o sexo feminino a se instruir nas tarefas do lar, entre outras atribuídas para as mulheres.
Talvez uma das primeiras preocupações com a instrução escolar no Seridó tenha partido de Manoel Dantas, seridoense, bacharel das ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Recife. Numa série de quatro artigos escritos para o jornal O Povo, em 1889, ele trata da vida sertaneja e sai em defesa do sertanejo acusado de indolência atávica pelos evolucionistas darwinianos. Afirma que
“o sertanejo é ativo e empreendedor, e a indolência da qual é acusado, não é um princípio estabelecido; é uma conseqüência da má orientação que ele tem de sua vitalidade. Dêem-lhe os conhecimentos precisos, ponham-no a par do progresso em suas manifestação, e o sertanejo será o modêlo típico do povo trabalhador, como êsse deve sê-lo (sic).” (DANTAS apud.
MACEDO, 2005, p. 148)
Se por um lado ele mostrava-se capaz de resistir aos efeitos das secas, por outro se prendia a seu modus vivendi dificultando seus avanço e progresso, tão apelativos e necessários naquela época de ventos da modernidade e de “positividade augustiana” vindo, principalmente, da Europa.
Entre os “conhecimentos precisos”, para impulsionar o sertanejo da paisagem estacionária em que vivia estava a educação, afirma o articulista que “precisamos de idéias práticas e realizáveis; sobretudo de educar o povo ignorante para fazê-lo melhor compreender os seus direitos.” (DANTAS apud. idem, ibidem, p. 154).
As preocupações com a educação seridoense, desde a “construção” da região, nos discursos das elites locais forjaram no imaginário regional a idéia de que se tem no Seridó uma população “educada” em termos de instrução pública. Seria isso algo real, ou apenas uma vontade que vive e sobrevive nas subjetividades da população, passando de geração para geração, como conseqüência dos discursos regionalistas? Existem elementos teóricos e empíricos para afirmar que a tradição associativa seridoense, em sua base de construção, tem a educação (formal) como um dos pilares do seu tecido organizativo?
A seguir passar-se-á a “correr a vista” nos Índices de Desenvolvimento Humanos (IDHs) do Rio Grande do Norte na intenção de “esclarecer”, ainda que introdutoriamente, tais questões, no sentido de corroborar na verificação de que, primeiro, a educação na região é mais do que um discurso das elites regionais; segundo, que o nível educacional de uma população é capaz de colaborar para o fortalecimento do capital social regional.