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6.2 Educational development assistance I: science and mathematics education

6.2.4 On explicit and implicit motives

O Projeto Vento Norte surgiu no interior da CUT, mais precisamente de suas filiais, nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, com o objetivo de dar sustentáculo ao seu projeto formativo, agora estruturado sob uma nova perspectiva. Segundo Paixão (2005), a lógica da sociedade passou a exigir outro tipo de enfrentamento para dirigentes e educadores. Era preciso que os dirigentes da CUT fundamentassem suas estratégias na luta direta dos

trabalhadores, como mobilização, greves, negociações, mas “nos demos conta de que era importante potencializar nossos companheiros para a luta cotidiana” (PAIXÃO, 2005). O autor refere-se a um projeto educativo baseado nos eixos aos quais nos referimos ao longo desta pesquisa.

A CUT, como maior central sindical do Brasil e da América Latina, surgiu em meio a grandes conflitos internos e externos, o que a torna, ao longo de sua breve existência, um espaço para grandes debates – luta pelo fim da ditadura, por salários, por melhores condições de trabalho, por condições dignas de vida e por questões políticas de toda ordem. Os seus fóruns, congressos, suas plenárias e reuniões se constituíram em caixa de ressonância para os anseios de uma parte importante da sociedade.

Com base nessas considerações, podemos inferir que suas resoluções sempre serão objeto de grandes debates, o que também pode ser considerado um processo educativo, na medida em que buscam direcionar a estratégia política que a Central deve utilizar num dado período. Como estamos tratando de um espaço sindical e político, a conjuntura é o grande instrumento motivador de discussões e indutor de proposituras de saídas para o enfrentamento de problemas dessa natureza. Suas propostas geram tomadas de posição de grupos organizados, partidos políticos e cientistas, que procuram mensurar os avanços e limites a serem levados para o conjunto dos trabalhadores e para o movimento sindical, em particular.

Segundo Tumolo (1998), de 1978 a 1983, a CUT viveu um sindicalismo combativo e de confronto; de 1988 a 1991, passou por um processo de transição; e, nos dias atuais, vive um sindicalismo propositivo e negociador. A separação retilínea feita pelo autor estabelece, com clareza, os parâmetros de estudo dos momentos da

Central. Todavia, continuamos com a tese das limitações históricas que concorrem para que a CUT assuma uma postura propositiva e negociadora. Essas limitações baseiam-se em um Estado com políticas neoliberais, cuja autoridade máxima é o mercado com os seus interesses, gerando políticas de precarização do trabalho, desemprego e abandono de políticas sociais voltadas aos menos favorecidos. Essa dinâmica impõe ao movimento sindical a adição de novos instrumentos para a sua estratégia, entre os quais, uma proposta de educação.

As afirmações anteriores são importantes para dirimirmos qualquer dúvida que aponte uma perspectiva unívoca em relação à implementação das citadas políticas. O próprio Projeto Vento Norte é resultado de embates originados antes mesmo de sua existência, principalmente das relações sócio–econômicas na década de 90. Para isso, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), criado pelo governo federal na década de 1990, foi instrumento importante, na medida em passou a financiar projetos de educação elaborados pelo movimento sindical por meio de recursos federais.

O fato de a CUT usar, recursos públicos para a execução do projeto foi um grande divisor de águas entre suas diversas correntes de pensamento. Parte de seus integrantes não participou da execução, considerando que o projeto poderia reduzir o potencial de suas lutas. Na nossa compreensão, o redirecionamento das ações políticas da Central não pode ser compreendido sem uma incursão na realidade em que essas políticas foram implementadas.

Para reforçar a nossa tese, recorremos mais uma vez a Tumolo (2002), autor que reconhece os fundamentos históricos mundiais que condicionam a CUT a optar por uma política baseada no trinômio proposição-negociação-participação. Por outro lado, reafirmamos as mudanças de concepção dos sujeitos que atuaram na Central

e que agora estão em outra esfera da política institucional, o que, no nosso entendimento, também contribuiu para uma outra perspectiva de organização.

[…] a atual estratégia da CUT tem sido a resposta política construída pela central para a realidade presente. Partindo do pressuposto da vitória do capital no plano mundial, através da consolidação do novo padrão de acumulação, cuja manifestação aparente são as metamorfoses no mundo do trabalho, e tendo em vista o fracasso da construção do socialismo, a estratégia tem sido, em linhas gerais, a de conviver com o capitalismo, buscando oferecer alternativas por dentro dele, baseadas na crença de que é possível reformá-lo estruturalmente e, dessa forma, arrancar, através da negociação, benefícios para os trabalhadores (TUMOLO, 2002, p. 131-132).

A leitura inicial, com base na citação de Tumolo (2002), é a de que, para a CUT, essa foi a saída possível. Segundo Marx o homem faz a história, mas nem sempre como deseja. Com esta tese, queremos fundamentar o seguinte argumento: o fato de a estrutura social não permitir à militância cutista uma atuação mais expressiva para fazer frente ao projeto capitalista no momento neoliberal, não quer dizer que o ideário revolucionário da CUT tenha-se esgotado. Isso significa dizer que a Central não é um bloco homogêneo, muito pelo contrário; o embate é a tônica de suas ações, exemplo disso é o Vento Norte. Por ter financiamento público ou ainda por se propor a atuar no sistema formal de ensino, este projeto tem sido objeto de constantes debates. A nosso ver, o fato de a maioria optar por atuar também na institucionalidade não impede que outras formas de luta continuem existindo. Caso isso aconteça, entendemos que não será necessariamente por essa opção.

Segundo os dirigentes contrários as decisões que a CUT vem tomando , na medida em que o movimento sindical se propõe a trabalhar educação escolar, inclusive profissional, observa-se um abandono da potencialização do ideário revolucionário, pois, ao ser financiado pelo Estado em atividades educativas, está

sendo cooptado por este. Consideram ainda que, ao arvorar-se a fazer a educação profissional, a CUT assume uma atitude de colaboração com o Estado capitalista.

Por outro lado, de acordo com os argumentos de parte dos dirigentes e militantes que consideram positiva a nova direção que a Central vem tomando, a idéia de proposição não nega a revolução, pois, ao fazer educação, a CUT está potencializando os trabalhadores para atitudes coletivas que superem a idéia de vanguarda propalada pelos movimentos políticos e sindicais. Segundo eles, a idéia de educação defendida extrapola a idéia de educação burguesa. Eles utilizam o conceito de hegemonia e contra-hegemonia de Gramsci (1995) para defender suas teses, e afirmam que atuar na institucionalidade não significa abrir mão das lutas cotidianas dos trabalhadores. Concluem seus argumentos quase sempre tentando mostrar que as atividades educativas devem ser encaradas como laboratórios para a construção de propostas a serem disputadas com o Estado. É com base nessa paisagem que pretendemos pôr em questão o projeto educativo da CUT para a Amazônia.