O Colégio de Aplicação João XXIII, um campo de estágios, uma unidade acadêmica de Educação Básica da Universidade Federal de Juiz de Fora, é muito requisitado em diversos tipos de investigação. Os professores dessa escola já participaram e, constantemente, são convidados a compartilhar de pesquisas. Seja pela proximidade ou pela facilidade do acesso ao campus da UFJF, o fato é que muitos pesquisadores procuram e se interessam pelo nosso trabalho e pela nossa prática pedagógica, mas, muitas vezes, não retornam à escola para apresentar suas conclusões.
Desta forma, isso poderia ser um problema para a realização de nossa pesquisa pelo cansaço ocasionado por outros estudos semelhantes, mas a nossa primeira preocupação foi sendo dissipada na medida em que nos certificarmos com os sujeitos da investigação quanto à concordância e colaboração deles com a pesquisa. Como salienta o antropólogo Angrosino
(2009, p.48), “a escolha de um campo já estudado por outros pesquisadores, mas não um campo que já tenha sido excessivamente estudado”. Desta forma, prosseguimos o estudo neste colégio, com a proposta de escolher um campo que permitia observar o grupo, mas, acima de tudo, colaborar como participante dos desfechos futuros. Fiorentini (2006, p.53) admite que: “um trabalho ou grupo colaborativo possa ser objeto de vários estudos e de natureza diversa”.
Ao escolher um campo de pesquisa, por um lado, procuramos nos submeter a uma revisão conceptual para que pudéssemos aplicar critérios mais objetivos à decisão quanto ao empreendimento de nossa pesquisa, uma vez que, de acordo com o autor citado acima, deve- se identificar o foco da pesquisa, buscando clareza na experiência pessoal e no desejo de obter as informações. Portanto, justificamos a intenção de realizar a pesquisa, com o grupo no qual também desenvolvemos nossos trabalhos, como integrante dele, colaborando com reflexões e diálogos, por isso optamos pelo Grupo de Trabalho, formado por professores que lecionam Matemática. Por outro lado, as análises surgidas dessa investigação seriam suficientemente diferenciadas, seguindo as ideias de Angrosino (2009), uma pesquisa que tenha objetivo, inspiração e seja conduzida com atributos que façam a diferença, por participação efetiva.
4.5.1. Fontes de pesquisa
Consideramos modalidades de fontes de pesquisa: o sujeito, o espaço e os documentos que foram consultados e analisados durante o desenvolvimento desta pesquisa.
4.5.1.1. Sujeitos
Definimos como sujeito, na modalidade de fonte de pesquisa, oito professores que lecionam Matemática que fazem parte de um Grupo de Trabalho. A coleta de informações se deu por meio de um portfólio2 (Apêndice 7), arquivos elaborados para cada professor. Esse
2 Nesta tese, portfólio foi utilizado como arquivos, individuais para cada professor. Realizado no período da
pesquisa, foi constituído por meio de questões desenvolvidas pela pesquisadora para cada reunião, formado a partir das opiniões destes. Tem um propósito específico, deliberadamente documentar para o professor e para outros: as ideias iniciais, os pontos relevantes, os pontos críticos e as anotações usadas como reflexões; podendo ver onde estiveram e para onde estão indo, em qualquer época que queiram consultá-lo.
instrumento seguiu o roteiro de análise textual (ver subseção 4.9.2.) criado pela pesquisadora para este fim.
O grupo era composto tanto de professores experientes P1, P2, P3 e P4 como de iniciantes P5, P6, P7 e P8, o que desvenda a natureza que vivenciamos em nosso cotidiano, com diferentes concepções de ensino e diversas crenças pessoais de como atuar e agir diante das normas e das leis dos sistemas educacionais.
4.5.1.2. Espaço
Como modalidade da fonte de pesquisa, o espaço foi às reuniões periódicas do Grupo de Trabalho. Para a coleta de dados seguiu o roteiro de análise textual (ver subseção 4.9.2.).
Quanto às formas de registro utilizadas para a coleta de informações, temos: o diário com anotações de campo, os relatórios estruturados e gravações em áudio e vídeo realizadas em todas as reuniões e o portfólio.
No transcorrer das reuniões, anotávamos o que considerávamos importante para análise futura, o que nomeamos como o diário com anotações de campo. Depois que encerrávamos essas reuniões, providenciávamos um relatório, que era realizado em forma de esquemas, segundo os procedimentos que pretendíamos relatar de forma mais consistente e detalhada. A diferença entre o diário de campo e o relatório é que, no primeiro, constam anotações pessoais, que surgem sem a pretensão de formalizá-las, feitas no momento em que acontecem as discussões. Perdemos alguns pontos interessantes, além de não conseguirmos uma formulação própria de um texto com conteúdo organizado e científico, uma vez que a redação é feita apressadamente, tendo em vista a fluidez das falas.
Já o relatório, de domínio público, é reproduzido a partir da memória e subjetividade da pesquisadora, realizado após as reuniões, composto de um esquema, com detalhes. Para se reproduzir a perspectiva dos acontecimentos, seguimos o seguinte esquema:
Tabela 2 – Esquema do relatório 1. Nome da instituição 2. Local da reunião 3. Horário
4. Dia
5. Título (sobre o tema desenvolvido no dia) 6. Professores presentes 7. Tópicos discutidos 8. Leituras recomendadas 9. Tarefas atribuídas 10. Comentários e sugestões 11. Sobre o encontro
Esse texto, elaborado com a função de relatar o histórico do grupo que, antes da realização da pesquisa, não tinha registro de suas discussões e, por isso, perdíamos muitas informações. A partir de então, ao fazer os registros, esses ficavam disponíveis para os participantes. Dando sequência, a reunião seguinte era convocada pela internet, por e-mail, contendo a síntese das discussões anteriores porque consideramos que seria proveitoso para a continuidade do debate. Com ética profissional, inseríamos algumas colocações e observações para serem refletidas em outra oportunidade.
Sacristán e Gómez (1998) nos fornecem também subsídios à nossa técnica de coletas de dados, ao distinguirem os procedimentos básicos do diário de campo e do diário do investigador, particularmente para nossa pesquisa esse último o nomeamos como relatório. De modo geral, os procedimentos de registro e coleta de dados sustentam as reflexões e as impressões dos acontecimentos. De acordo com os autores, no diário de campo, constam registros sem excessiva preocupação pela estrutura, ordem e esquematização sistemática, que se destacam pela corrente de acontecimentos e impressões que o investigador observa, vive, recebe e experimenta durante sua permanência no campo; já no caso do diário do investigador, a elaboração é feita com mais calma, ordenada e sistemática, em que se organizam os dados e se expressam as reflexões sobre os mesmos, elaborando impressões e propondo as futuras linhas de observação e os focos problemáticos de análise que se consideram mais relevantes.
A pesquisa foi realizada por meio da análise de 14 reuniões do Grupo de Trabalho no ano de 2010, representadas por quadros-resumos (Apêndices 4 e 5). Esta investigação foi composta de dois períodos. No primeiro período, de fevereiro a maio, nas quatro primeiras reuniões, transcorreram discussões entre os participantes do grupo sobre os objetivos e
métodos para conduzirem os trabalhos naquele ano, entre eles, o levantamento de textos e suas respectivas leituras. E as dez reuniões subsequentes, no segundo período, de junho a outubro, foram reuniões mais consistentes e sistematizadas pelos professores, desenvolviam as propostas e continuavam com o levantamento de textos e livros e suas leituras, agora, com as sugestões de apresentação deles aos colegas professores do grupo.
4.5.1.3. Documentos
Já os documentos, como modalidade da fonte de pesquisa, são considerados como todo e qualquer registro escrito que nos sirva como fonte de informação. Nesta tese, foram representados por meio de dois tipos de fontes consultadas:
Produção individual dos professores participantes que se desempenhava tanto nas apresentações quanto nas questões norteadoras;
Elaboração das atividades didáticas pelos professores (individual ou coletiva) com o software GeoGebra.
Para o instrumento de coleta de informações, utilizamos o roteiro de análise textual (ver subseção 4.9.2.).