Baquero (2009) e Coutinho (2011) esclarecem que o processo de amostragem bem definido tem que ser constituído do procedimento de amostragem que o pesquisador utiliza para selecionar a amostra, assim como a apresentação das características da amostra selecionada.
A amostragem foi não probabilística (Coutinho, 2011) porque não pode se especificar a probabilidade de um sujeito pertencer a uma dada população, por Tipicidade (Gil, 2012), se selecionou um subgrupo da população que com base nas informações disponibilizadas pela coordenadora do Setor Técnico da E/SUBE/CED/Extensividade da SME/RJ e diretores dos CPFEEAE – NAPRJ, garantido a representatividade de toda a população estudada; oferecendo vantagem no baixo custo da seleção dos intervenientes do estudo.
Assim, participaram dessa amostra grupos intactos representantes desses espaços, constituídos de uma população jovem formada de pré-adolescentes e adolescentes, de 12 a 18 anos de idade, matriculados nas oficinas de dança no ano de 2013 (meses de Fevereiro a Dezembro). São também colaboradores desse estudo os integrantes representativos desses espaços e com contato direto com os jovens praticantes, i.e., diretores, professores de dança, ex-praticantes dos CPFEEAE – NAPRJ e coordenadora do Setor Técnico – E/SUBE/CED/Extensividade da SME/RJ.
O fato de delimitarmos a faixa etária de 12 a 18 anos, excluindo os mais novos, decorreu em função da necessidade de interpretação e reflexão das questões levantadas nos instrumentos de recolha dos dados.
Porém no período da recolha dos dados ocorreu uma greve na Rede Municipal do Rio de Janeiro que teve adesão de uma parcela representativa de funcionários e professores de Dança, paralisando quatro espaços. Como todos os espaços funcionavam da mesma forma e atendiam estudantes de todo o município do Rio de Janeiro, foi entendido que essa paralisação não implicaria danos para o estudo, já que 50% dos espaços continuavam em funcionamento e representavam a metade da
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população dos CPFEEAE – NAPRJ19 no 2º semestre de 2013, com 498 praticantes de
dança. Então, retomamos a decisão de iniciar a recolha da parte quantitativa no período de Agosto até Novembro de 2013.
A amostra apresentou considerável adesão na investigação, obtendo-se a participação de 75,90% (n=378) da população dos quatro espaços em funcionamento no período da coleta dos dados, sendo eles, o Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles (1ª CRE, n=15), o Núcleo de Arte Grécia (4ª CRE, n=237), o Núcleo de Arte Grande Otelo (6ª CRE, n=75) e o Núcleo de Arte Silveira Sampaio (7ª CRE, n=51).
De acordo com Coutinho (2011), no que tange ao tamanho da amostra recomendado para cada tipo de plano “O tamanho ótimo de uma amostra deve estar relacionado com o tipo de problema a investigar, havendo critérios ou rules of thumb que podem ajudar o investigador a determinar a sua dimensão ideal” (p.94). Sendo assim, Coutinho recomenda que planos do tipo survey ou com questionários devem ser realizados 100 aplicações para cada grupo grande e planos do tipo estudo de grupos, 7-10 por grupos.
A amostra do estudo quantitativo (em relação ao universo dos praticantes de Dança dos CPFEEAE – NAPRJ estudados) tem uma margem de erro de 4% com probabilidade de erro p=.05 (Tagliacarne, 1962) e um nível de significância de 95,0%, o que parece razoável devido ao contexto específico desses espaços, onde os jovens se disponibilizam a gastar o seu tempo de prática a responder questionários e participar das entrevistas.
No que diz respeito à participação no estudo qualitativo dos coordenadores, professoras de dança dos CPFEEAE – NAPRJ e praticantes, foi necessário conhecer o seu pensamento e orientações. Todos os coordenadores e professoras de dança que atuavam na época aceitaram participar do estudo. O processo de seleção dos praticantes ocorreu pelo nível de maturidade com o trabalho proposto nas oficinas de Dança e desenvoltura na linguagem falada. Com esse critério foi recomendado aos diretores e professoras de Dança de cada espaço que indicassem os praticantes. Foi solicitado o quantitativo mínimo de um representante e no máximo, cinco, por cada CPFEEAE – NAPRJ20. Contudo, é importante ressalvar que se integrou, também, a amostra de base qualitativa, 18 praticantes de Dança, servindo de base ao estudo quantitativo.
19
De acordo com informações dos 8 coordenadores dos CPFEEAE – NAPRJ, no 2º semestre de 2013 frequentaram as oficinas de dança 1.043 praticantes na faixa etária 12-18 anos. Essas informações foram encaminhadas por correio eletrônico.
20
Nesse período a greve na rede municipal já havia acabado, obtendo-se assim, a participação de todos os CPFEEAE – NAPRJ.
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Participaram ainda, no estudo, 10 ex-praticantes dos CPFEEAE, servindo como amostra de referência ou como informantes-chave por serem capazes de representar os pontos de vista da coletividade, visto que frequentaram esses espaços por muitos anos e prosseguiram a carreira profissional ou amadora em Dança.
2.3. Caracterização da Amostra
A amostra do estudo buscou investigar 378 indivíduos, todos integrantes dos quatro CPFEEAE – NAPRJ, com média de idades (𝑥̅=13,3, dp=1,4), em atividade no período da coleta de dados. Ficaram assim de fora do estudo, de forma aleatória, apenas 24,10% do total desse universo.
Uma percentagem muito elevada é do gênero feminino (93,0%, n=352), e apenas 7,0% (n=26) das respostas correspondem a adolescentes do gênero masculino, conforme ilustra a Figura 9.
Figura 9. Gênero
Esse resultado corrobora com a investigação de Medina et al. (2008) evidenciando que existem condicionamentos sociais, produto do capital cultural (Bourdieu, 2011) atrelado à Dança e a questão do gênero que vem favorecendo as mulheres a construção de um habitus, relacionado de um modo geral, a feminilidade.
Em pleno século XXI, a discussão a respeito do gênero masculino na Dança ainda é alvo de preconceitos (Thomas, 1993; Polhemus; 1993; Risner, 2008), por ser definida como ofício socialmente feminino e veículo de caracterização de uma cultura (Neves, 2013).
Risner (2008) alerta que pesquisas realizadas acerca do assunto mencionam que os jovens homens dançarinos retratam that prevailing social stigma, heteronormative assumptions, narrow definitions of masculinity, heterosexist justifcations for males in dance, and internalized homophobia exist in the field (p.93). A discussão em tela engloba questões sociais fundamentais sobre as diferenças, o
93% 7%
Feminino Masculino
64
prazer, a marginalização e a masculinidade, e sobre os maiores efeitos globalizantes de mercantilização da cultura gay e bissexual (Shapiro, 2008).
Esse entendimento pode balizar novas práticas pedagógicas que possibilitem a construção de outras referências a respeito do gênero na Dança por parte dos jovens, o que poderia contribuir na autonomia e liberdade para vivenciá-la em diferentes dimensões do viver: “As atividades de/em dança, orientadas por estas intencionalidades pedagógicas, contribuiriam significativamente para desconstrução de muitos preconceitos principalmente os ligados às questões de gênero na dança” (Kleinubing, Saraiva & Francischi, 2013, p. 81).
A experimentação dos jovens do sexo masculino na Dança poderá despertar o desejo em praticar a atividade e romper com o estigma de que os homens que dançam correm o risco de transformarem-se em homossexuais (Risner, 2008). Em recente pesquisa Risner (2014) revela que o adolescente do gênero masculino (13-18 anos) praticante de Dança permanece sofrendo assédio e bullying por meio de discursos heterocêntrico invasivos e atitudes homofóbicas. Justifica a relevância do apoio social dentro e fora da escola e da família.
Segundo a Figura 10, um grande número de praticantes de dança tem 12 anos (38,6%). O sujeito mais novo tem 12 anos e o mais velho 18 anos.
Esses resultados indicam que essa amostra é composta na sua maioria de jovens de 12 a 14 anos, abarcados na fase inicial da adolescência (12 até 15 anos) e estágios mais avançados (15 anos em diante), próximo à classificação adotada por Klosinski (2006) e Lipp (2010). Os jovens de 15 a 18 anos constituíram minoria; atribui- se esse fator pela alta rotatividade desses jovens entre as oficinas oferecidas no espaço e devido a pouca resiliência21 do jovem ao enfrentar os desafios (motores e expressivos) inerentes à prática da Dança que acabam desmotivando-os e levando à evasão na modalidade (Ferreira J., 2012).
Como fator complicador da permanência dos jovens de 15 a 18 anos na modalidade, averiguou-se que no início de 2013 a SME/RJ recusou a continuar atendendo uma demanda de alunos da esfera Estadual que absorvem estudantes do Ensino Médio (na faixa 16-18 anos). Também é relevante considerar que desde 2007 foi implantado nas escolas da rede pública do Rio de Janeiro o Programa Mais Educação22, visando fomentar a educação integral de crianças, adolescentes e jovens,
21
De acordo com Ferreira J. (2012) a resiliência “é a resistência do sujeito ao enfrentar situações adversas, sendo definida como a capacidade que o indivíduo possui para fazer face às situações de risco, conseguindo ultrapassá-las de forma positiva” (p.1).
22 Segundo o Ministério da Educação e Cultura, o Programa Mais Educação “criado pela Portaria Interministerial nº 17/2007 e regulamentado pelo Decreto 7.083/10, constitui-se como estratégia do Ministério da Educação para indução da construção da agenda de educação integral nas redes estaduais e
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por meio do apoio a atividades socioeducativas no contraturno escolar. Desde a criação desse programa percebe-se um esvaziamento progressivo de frequentadores dos CPFEEAE, sobretudo na faixa de idade de 15 anos em diante, por conta da concorrência com as oficinas do supracitado programa nas próprias escolas da Rede e das oficinas de Dança oferecidas pelas Organizações Não Governamentais, i.e., existe uma flutuação e concorrência pelos praticantes escamoteada entre os NAPRJ e as escolas.
Figura 10. Idade
Com relação à Figura 11, sobre o nível de Escolaridade dos praticantes de Dança, cerca de 24,9% frequenta o 7º ano de escolaridade e 22,8% o 6º ano de escolaridade. Nesse sentido, os padrões de respostas encontram-se em consonância com a faixa de idade e nível de escolaridade, visto que a maioria dos nossos respondentes estão compreendidos na faixa etária 12-14 anos e frequentam do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental da Educação Básica.
Com relação nível de escolaridade dos pais e tutores, 33,41% têm o ensino médio e 20,9% o Ensino Fundamental e apenas 10,8% referem ter o Ensino Superior.
Para compreender o cenário da escolarização do Brasil, reportarmos ao panorama apresentado pelo PNUD (2013a), que apresenta a média de anos de escolaridade no país. Em 2010, a média era de 7,2 anos e a expectativa de anos de escolaridade esperados (sintetiza a frequência escolar da população em idade escolar) em 2011 era de 14,2 anos. Aqui, verifica-se que a estimativa era dobrar o nível de escolaridade da população em um ano.
Segundo o índice de desenvolvimento humano municipal brasileiro no ano de 2010, considerando a população municipal do Rio de Janeiro de 25 anos ou mais de idade, apresentava 3,31% de analfabetos, 70,49% tinham o ensino fundamental municipais de ensino que amplia a jornada escolar nas escolas públicas, para no mínimo 7 horas diárias, por meio de atividades optativas nos macrocampos: acompanhamento pedagógico; educação ambiental; esporte e lazer; direitos humanos em educação; cultura e artes; cultura digital; promoção da saúde” (Brasil, 2007). 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 12 anos 13 14 15 16 17 18 anos
66
completo, 53,70% possuíam o ensino médio completo e 21,26%, o superior completo (PNUD, 2013b).
Figura 11. Escolaridade dos praticantes
Ainda observando a faixa de anos de estudo da população brasileira, nota-se uma clara tendência de aumento da escolaridade entre os anos 2002 e 2009. Esses resultados podem mostrar que a escolaridade dos pais e tutores reflete a realidade apresentada no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD, 2013a) para as populações residentes nas comunidades do Rio de Janeiro, indicando que essa população aumentou o seu nível de escolaridade completando o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, cursando o PEJA23 existente em todo território nacional.
Como pode ser observado na Tabela 1, referente à categoria profissional dos responsáveis, a maioria é da categoria trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio em lojas e supermercados (33,1%), seguindo-se a categoria trabalhadores em serviços de reparação e manutenção (19,6%) e membros superiores do poder público, dirigentes de organizações de interesse público e de empresas, gerentes (10,6%).
No Brasil pouco mais de 20% da população ativa encontra-se no setor primário, 21% no setor secundário, e 59% no setor terciário24. Esses resultados corroboram que a maior parte da população empregada no país encontra-se vinculada ao setor terciário, deflagrando o processo de terceirização da economia (IBGE, 2011).
23Segundo a SME/RJ, “O PEJA é um programa da Rede Municipal do Rio de Janeiro específico para a modalidade “Educação de Jovens e Adultos” e destinado a pessoas que não concluíram o Ensino Fundamental e têm 17 anos ou mais. O programa funciona em 143 unidades escolares no horário noturno, sendo que dessas, 20 escolas também oferecerem turmas no horário diurno. Ao todo, 28.330 alunos estão matriculados no programa” (Brasil, 2010b).
24
Em consonância com Pochmann (2004), o setor primário está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza (agricultura, mineração, pesca, pecuária, extrativismo vegetal, caça). Este setor fornece a matéria-prima para a indústria de transformação. O setor secundário transforma as matérias-primas em produtos industrializados (roupas, máquinas, alimentos industrializados, eletrônicos, habitação, etc.): “No segmento não organizado, o setor terciário. (serviços em geral e comércio) responde no Brasil cada vez mais pelo total da ocupação, especialmente pelo avanço do trabalho, correspondendo o total dos postos de trabalho do meio urbano, com 81,8%” (p.26).
0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 4ª ano 5ª ano 6º ano 7º ano 8º ano 9º ano
67 Tabela 1.Categoria profissional
Frequência Percentagem
Membros das Forças Armadas, Policiais… 17 4,5
Membros superiores do poder público, dirigentes de
organizações 40 10,6
Profissionais das ciências e das artes 8 2,1
Técnicos de nível médio 39 10,3
Trabalhadores dos serviços administrativos, 22 5,8
Trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio 125 33,1 Trabalhadores em serviços de reparação e manutenção 74 19,6
Outras 25 6,6
Não sabe 28 7,4
Total 378 100,0
A partir do segundo mandato da presidente Dilma Roussef, o Brasil apresentou taxas de considerável crescimento econômico que adicionadas à melhora nos rendimentos das classes populares, aos programas de transferência de renda, ao equilíbrio econômico conquistado nas últimas décadas e ao aumento do crédito, contribuíram para elevar os rendimentos e o padrão de consumo de muitas famílias (Scalon & Salata, 2012). Ancorado nesse cenário, o governo da época comprou a diminuição dos grupos de renda inferiores e o correlato crescimento dos grupos intermediários, ao surgimento da “nova classe média C e D”, baseada em termos de rendimento familiar (Neri, 2008).
Scalon & Salata (2012) observaram que muitas famílias saltaram de faixas de renda inferiores para faixas intermediárias, entre os anos 2002 e 2009, pelas seguintes categorias profissionais: “a dos trabalhadores manuais qualificados crescera 13,3%, a dos manuais não qualificados crescera 9,8%, e o crescimento da renda dos trabalhadores rurais ficara em 15%” (p.398). É relevante salientar que, normalmente, o nível de escolaridade exigido da categoria trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio em lojas e supermercados, e trabalhadores em serviços de reparação e manutenção (19,6%) é o Ensino Fundamental e Ensino Médio completo (curso técnico), i.e., referente ao nível de escolaridade dos responsáveis vistos no item anterior.
Algumas conclusões podem ser retiradas dos dados expostos acima. A classe média C e D obtém rendimentos nitidamente mais elevados (com exceção dos trabalhadores não manuais de rotina) que as classes de trabalhadores manuais. No entanto, nos últimos anos as classes que mais beneficiaram com aumento de renda no Brasil, foram trabalhadores manuais. Nesse sentido, pode-se dizer que, no que tange aos rendimentos, apesar das enormes desigualdades ainda existentes, houve nos últimos anos, uma aproximação entre a(s) classes média(s) e os trabalhadores manuais (IBGE, 2011).
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Como mostra a Tabela 2, que aborda os bairros onde residem os praticantes de dança, constata-se que a maioria reside em Vila da Penha (12,5%, n=45), seguida de Irajá (10,9%, n=39) e de Anchieta (10,6%, n= 38), que são bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Segundo o PNUD (2013a) o índice de desenvolvimento humano IDH do Brasil é 0,730 e do município do Rio de Janeiro no ano de 2010 foi de 0,799 (PNUD, 2013b). A dimensão que mais contribuiu para o IDH do Rio de Janeiro foi a Longevidade, com índice de 0,845, seguida da Renda, com índice de 0,840 e de Educação, com índice de 0,719. Em específico, o bairro de Vila da Penha é o 6º da zona norte, com o IDH de 0,909, seguido de Irajá (10,6%, n=39), o 95º da Zona Norte da cidade com o IDH de 0,798, finalizando com Anchieta que é o 100º da Zona Norte da cidade com o IDH de 0,788 (IBGE, 2011). Tabela 2. Residência Frequência Percentagem Anchieta 38 10,6 Brás de Pina 34 9,5 Centro 10 2,8 Cordovil 31 8,6 Curicica 31 8,6 Freguesia 9 2,5 Irajá 39 10,9 Parque Anchieta 18 5,0 Penha 8 2,2 Ricardo de Albuquerque 21 5,8 Tanque 6 1,7 Vila da Penha 45 12,5 Vista Alegre 26 7,2 Vaz lobo 7 1,9 Outros 31 8,6
Não sei informar 5
1,4
Total 359
100,0
De acordo com a Figura 12, a maioria dos jovens praticantes encontra-se matriculada no Núcleo de Arte Grécia (63,0%), seguem-se os adolescentes matriculados no Núcleo de Arte Grande Otelo (20,0%) e do Núcleo de Arte Silveira Sampaio (13,0%).
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Figura 12. Em que Núcleo de Arte matriculado
Modalidades de Dança Praticadas
A Tabela 3 ilustra a frequência e o percentual das modalidades de Dança mais praticadas pelos frequentadores dos CPFEAE – NAPRJ. Dentre as modalidades de Dança mais praticadas pelos jovens, verifica-se que a Dança Livre (61,1%), o Ballet Clássico (19,5%) e o Jazz Dance (13,2%) são os mais populares entre os adolescentes. Cerca de 16,9% dos jovens praticantes optam por fazer mais do que uma modalidade de dança.
Tabela 3.Modalidades praticadas
Freq. % Ballet clássico 86 19,5 Dança Contemporânea 19 4,4 Dança livre 269 61,1 Hip Hop 4 0,9 Jazz dance 58 13,2 Sapateado 1 0,2 Street dance 3 0,7
Estudos apontam a preferência de crianças e adolescentes de diferentes meios socioculturais pelas modalidades: Dança Livre, Ballet Clássico, Hip Hop, Jazz-Dance, Dança Contemporânea (Macara; 2006; Dantas, 2005; Medina et al., 2008; Brasileiro & Marcassa, 2008; Strazzacappa, 2009; Souza, 2010; Benvegnú, 2011; Paiva et al., 2014).
Essas preferências são alvo de crítica de Marquês (2011): “A tradição do ensino de dança tem se aprimorado ao longo dos séculos na construção de conchas para seres humanos: primeiramente, as conchas das danças codificadas em que os alunos devem se vestir e acomodar dentro delas (…) as técnicas codificadas, os passos pré- determinados e as coreografias prontas nos impedem de dialogar com os corpos presentes de nossos alunos, com seus corpos sociais” (p.32).
4% 63% 20% 13% 1º 4º 6º 7º
70
Com base nos respectivos resultados, recorre-se, para discussão, aos sistemas de preferências e ao conceito de habitus de Bourdieu (2011). Com esses instrumentos de expressão (modalidades de Dança) que permitem levar a cabo as predileções práticas desse público jovem, o sistema escolar torna possível o desenvolvimento do domínio simbólico dos princípios práticos do gosto, relacionados ao sentimento de beleza e à formação da Educação Estética.
A identificação dos entrevistados de diferentes CPFEEA – NAPRJ pelas distintas modalidades, determina a posição do indivíduo ou grupos no meio social que correspondem aos estilos de vida desse público jovem, produto do habitus (Bourdieu, 2011).
Acrescentando as reflexões de Bourdieu (2003): “A lógica pela qual os agentes escolhem por esta ou aquela prática não se pode entender a não ser que seus arranjos em torno do Esporte, que são em si mesmas uma dimensão de uma particular relação com o corpo, sejam reinseridos na unidade do sistema de disposições, o habitus, que é a base geradora de estilos de vida” (Bourdieu, 2003, p. 74).
Com base em um processo de investigação sobre o interesse e a motivação por diferentes formas de Dança e atividades afins por parte de estudantes de Educação Física e de Dança, Macara (2005) verificou que os jovens são atraídos por algumas formas, como Danças de Rua (Street Dance, Hip Hop, Funk), danças sociais (discoteca e dança de salão), Dança Moderna e Dança Aeróbica. Entretanto a natureza do interesse dos jovens pareceu ser variada, levando à conclusão que esse grupo apresenta uma característica multicultural.
A preferência dos 68 jovens adolescentes de 12 a 17 anos pela prática da Dança é destacada nos estudos de Silva, Medeiros & Júnior (2012), verificando quais disposições e capitais influenciam adolescentes para a prática da dança na cidade de Toledo (Paraná, Brasil). A partir desse recorte específico, verificou-se que certos tipos de capitais culturais influenciam os agentes sociais para a prática da dança e para a escolha de distintas modalidades, visto que a opção pela atividade é influenciada pelo capital econômico, social, simbólico e cultural. Como resultados, a preferência verifica- se a modalidade Jazz-Dance25; nos três grupos, existem indivíduos que praticam mais de uma modalidade paralelamente, com frequência de duas vezes semanais. Também é verificada a preferência por essa modalidade na cidade do Rio de Janeiro (Souza & Almeida, 2009).
25
De acordo com Benvegnú (2011), “o jazz era caracterizado como uma dança que usa o isolamento de partes do corpo que se movem separadamente seguindo o mesmo ritmo – swing; movimentos rítmicos sincopados, uso da polirritmia – combinação do corpo em vários ritmos diferentes – e o uso correto do centro de gravidade do corpo que dança” (p.56).
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Outro fator inerente a essa questão pode estar relacionado às intervenções contextualizadas para a promoção da saúde/bem-estar dos jovens (Borges, 2012a; 2012b), aumento da resiliência nos adolescentes pelo desenvolvimento da criatividade (Alves, Paiva, Marreiros, Trindade, Branco & Sofia, 2015) e desenvolvimento emocional, social e habilidades motoras (Prudêncio, Trindade, Lebre, Souza & Rodrigues; 2015) integrados em um programa educacional, como é o caso dos CPFEAE – NAPRJ, que promovem vivências fomentadoras de conhecimentos a esses jovens, por meio da relação com o corpo e a autoimagem, com o lazer e a música, a atividade física e a Dança.
A opção pela modalidade pode estar correlacionada à identificação dos jovens pela atividade por ser uma técnica dança e ritmo atraentes; por influência dos pais e responsáveis, por ser opção ofertada pela instituição de ensino formal ou informal e por serem alvos de campanhas publicitárias voltadas ao público feminino como o ballet