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3 Theoretical foundation

3.2 Experience and activity

Segundo a teoria de expectativa-valor, um indivíduo aprende quando atribui valor a determinada tarefa, bem como, às atividades e recursos a ela associada, e na qual tem a espectativa de ser bem sucedido. Mais uma vez, o papel do professor aqui, é ser um mediador e criador de tarefas adequadas, quer ao nível de desafio, quer ao nível das competências do aluno mas, também, de tarefas que despertem a motivação interna do aluno para que se garanta a sua dedicação e compromisso.

Uma criança pode querer desistir quando sente que a quantidade de esforço necessária dedicada, por exemplo à aprendizagem de um instrumento musical, não é recompensadora, se diminuir o seu tempo disponível para outras atividades (Eccles, 1983, cit. in Sousa, 2003, p. 46). Esta teoria enfatiza o papel da escolha, que pode ser diretamente influenciada diretamente por dois constritos cognitivos: as expectativas de sucesso e a perceção da importância ou valor da atividade a realizar

21 “Internalization of the motivation to practice represents the development of intrinsic motivation as students begin

to undertake practice of their own volition.”

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onde entram fatores como o interesse (prazer), o valor de realização (se foi bem feito) e o valor utilitário (que nos permite chegar a determinado objetivo).

De acordo com os dados existentes, estes sugerem que os alunos que estão intrinsecamente motivados tenderão a persistir na realização de tarefas quando os motivadores externos não estão acessíveis e desenvolvem autoimagens reforçadas a partir do desempenho dessas tarefas (Asmus, 1993; Dweck & Elliott, 1983 cit. in Sousa, 2003, p. 44).

Assim, ainda que as motivações possam ser de ordem extrínseca e/ou intrínseca, para que a motivação persista é necessária que prevaleça a motivação intrínseca, de forma a que o aluno queira e seja capaz de prolongar a sua própria aprendizagem, mas também para “encorajar o aluno a envolver-se ativamente com a tarefa, que foca a atenção e torna o processo mais satisfatório.” 23 (Hallam, 1998, p. 92).

De acordo com Csikszentmihalyi, e com a sua teoria do flow, as crianças com mais sucesso são aquelas, que desfrutam intrinsecamente das atividades musicais e que criam maior resiliência face aos obstáculos. Já anteriormente havíamos dito, que para se estudar música é preciso sentir prazer pela tarefa. Para se manter o estado de flow tem de haver uma correlação entre o desenvolvimento das capacidades e a dificuldade dos desafios. No entanto, para esse estado acontecer é necessário haver um equilíbrio entre o ser e o ambiente, entre desafios e competências, que seja agradável e motivador, que por um lado evite o tédio e o enfado se forem demasiado fáceis e, por outro a ansiedade e a frustração se forem demasiado difíceis.

O vetor dos desafios é essencial porque

inclui fatores determinados por valores individuais e culturais, como seja o grau de importância atribuído à atividade e às competências necessárias para a desenvolver, o estatuto normativo da atividade e a posição dessa atividade entre sistemas de significação mais amplos (Csikszentmihalyi & Nakamura, 1989, cit. in Sousa, 2003, p. 59)

É ao professor que cabe a responsabilidade de manter essa fluidez, para trabalhar quer as competências, quer a motivação do aluno, que se dá com o confronto entre aquilo que o aluno já sabe e aquilo que o aluno está presentemente a aprender, pois para “permanecer em flow, a complexidade da atividade deve aumentar com o desenvolvimento de novas competências e o tomar de novos desafios” (Sousa, 2003, p. 58). Este patamar é importantíssimo, porque também prediz a postura da criança perante situações de sucesso/insucesso, o nível de adaptação e o grau de persistência.

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Visto que as diferenças no desenvolvimento das competências musicais das crianças não estão, segundo O’Neill (1999, p. 35 cit. in Sousa, 2003, p. 55), exclusivamente associadas às capacidades cognitivas, será o esforço, a persistência e o tempo gasto a estudar, os factores responsáveis pelas diferenças entre as performances musicais (Ericsson, Krampe & Tesch-Romer, 1993; Sloboda et al., 1996, cit. in Sousa, 2003, p. 55).

Ainda segundo Elliot (1995, cit. in Sousa, 2003, p. 59), o autoconhecimento e o autodesenvolvimento, resultantes do equilíbrio entre os desafios e as capacidades musicais que obtemos quando alcançamos o flow, constituem importantes, senão essenciais, valores musicais, que só por si podem justificar o ensino da música.

Acreditamos que através da utilização das TIC, nas suas diversas formas como motivador extrínseco, aplicadas à aprendizagem e ao estudo de um instrumento musical poderemos despertar valores motivacionais intrínsecos nos alunos, que serão precisamente aqueles que garantirão a continuidade do estudo instrumental, nomeadamente pela facilidade com que somos capazes de adaptar as atividades pretendidas, tornando-as desafiantes e adequadas às suas capacidades, equilibrando-as entre o nível de dificuldade e o nível de desafio, evitando assim, sentimentos de frustração ou nervosismo que também podem levar à desistência do estudo de um instrumento.

Na verdade, é o equilíbrio que leva ao prazer em continuar envolvido na tarefa, desde que, esta se constitua como significativa, desafiante mas equilibrada e, que envolva o máximo de sentidos possíveis.

Aliel e Gohn (2012, p. 207) reforçam essa ideia salientando que,

a importância pedagógica das tecnologias e saber integrá-las são condições essenciais a uma educação escolar mais importante, competente e motivadora, pois permite compreender nesta realidade posta pela sociedade de informação o processo de construção da aprendizagem através do processo epistemológico de ensinar e aprender de forma significativa e recíproca.

Não há dúvidas que as TIC permitem a criação de atividades, ferramentas, métodos e recursos que são intrinsecamente mais recompensadoras para os aluno, pois estes já se encontram demasiado envolvidos no mundo tecnológico, pelo que, atribuirão facilmente mais significado às tarefas que envolvam um meio com o qual estão irremediavelmente ligados. E embora se tenha sublinhado a importância do equilíbrio entre capacidades e dificuldade da tarefa, também há autores que salientam que para o estado de flow ser atingido,

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o material escolhido pelo professor terá de ser sempre ligeiramente24 mais difícil do que as

actuais capacidades do aluno permitem realizar, de forma a que o desafio seja alto e lhe permita manter-se constantemente motivado e procurar superar as suas dificuldades. (Sousa, 2003, p. 60)

Desta forma, previne-se o aborrecimento e a desmotivação. No entanto, mantém-se a importância do equilíbrio, e sublinha-se a palavra “ligeiramente” como forma de prevenção. A atribuição do valor pela tarefa, ainda que seja algo intrínseco, pode ser influenciado diretamente pelo professor, pelo que “a integração das TIC pode ser ainda mais efetiva ao explorar novos modelos pedagógicos diferenciados, onde se enquadrem as pedagogias construtivistas” (Rodrigues, n.d, p. 1679), pois tal como reforça Willamon (2011, p. 31), quando as crianças trabalham “em tarefas apropriadamente desafiantes, autoatribuídas pelas quais estão altamente motivadas para cumprir”25 todo o processo de ensino-aprendizagem torna-se convenientemente mais apropriado e fluído, estando o aluno no centro da sua própria aprendizagem.

24 sublinhado nosso

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