Uma das consequências do fim da Guerra Fria foi permitir um avanço ilimitado do capitalismo. Não cabe discutir se o capitalismo é melhor ou pior que outra organização política; entretanto, vale pontuar que também os sistemas educacionais encontram-se submissos ao poder do capital. Nesse sentido, percebe-se que as empresas querem lucrar sempre. Lançam novas ferramentas em softwares cada vez mais atraentes e também a cada dia surgem novos microcomputadores mais potentes. Tudo isso deve ser absorvido pelos consumidores, que em alguns momentos são as instituições educacionais. Em uma vertente contrária estão os free softwares (softwares livres). Iniciativas como essas querem quebrar a lógica do capitalismo e muitas vezes são importantíssimas no ensino. Entretanto, isso representa uma batalha travada diariamente para garantir alternativas menos onerosas aos que não podem custear as tecnologias impressas pela sociedade capitalista.
Outra discussão recorrente com a inserção das tecnologias refere-se à incapacidade que as máquinas têm de tomar decisões. Não se pode atribuir às máquinas tarefas que demandem expressão de sentimentos, uma vez que máquinas não conseguem avaliar consequências. Por essa razão, obviamente, elas não serão capazes, em algumas situações, de substituir a presença do homem. Avaliar o mais longe que a máquina pode alcançar é avaliar, antes, a evolução da humanidade. Sancho (1998) comenta:
(...) Qualquer „conhecimento‟ que for atribuído ao computador e, portanto, qualquer “inteligência”, somente poderá ter uma levíssima relação com o conhecimento e com a inteligência humana. É óbvio que, por mais inteligência que os computadores possam alcançar hoje ou no futuro, será uma inteligência estranha a questões e problemas genuinamente humanos Sancho (1998, p. 158 apud WEIZENBAUM, 1978).
Ao sistema de ensino resta uma tarefa a mais, pois, a convivência impensada e maldirecionada entre alunos e tecnologias pode induzir o aluno a perceber a máquina como onipotente. Dessa forma, o aluno inicia um processo de endeusamento da tecnologia, o que pode levá-lo a tornar-se dependente da máquina para a realização de suas atividades, bem como criar uma impressão falsa de que tudo está pronto e que não há necessidades de grandes esforços para a vida moderna. O sistema educacional, portando-se de suas funções deverá cuidar desse novo viés, através de um novo tipo de exigência: a educação para as tecnologias.
É possível ver como potencialidade dos computadores a capacidade de simular situações do cotidiano. Isso parece bastante mágico e, em alguns casos, até pode camuflar as consequências de certas atitudes no mundo real. Segundo Jonassem (1996), os simuladores fazem simulações limitadas dos fenômenos do mundo real. De fato, estas podem não contemplar os fenômenos integralmente. Por exemplo, pode-se simular um experimento químico de reações sem deixar nenhum resíduo ou sem provocar risco de acidentes, e isso não reflete o que poderia ocorrer na prática. E sendo as simulações providas de vazios em suas representações, quais serão as consequências disso para os estudantes? O processo de ensino deve ser capaz de preencher as lacunas duvidosas deixadas pelas máquinas para que o caráter do educando seja polido.
Jonassem (1996), tratando dos simuladores implementados pelas novas tecnologias, retrata a importância destes no sentido de proporcionar um ambiente de ensino mais vivo e atraente.
Os simuladores são baseados em ideias poderosas. O mais importante de tudo é que os simuladores são experimentais. Os alunos podem aprender pela execução, ao invés de só olhar ou ouvir uma descrição de como as coisas funcionam. Então, os simuladores tendem a ser mais motivadores que as atividades de aprendizagem tradicionais (JONASSEM, 1996, p.78).
O entusiasmo gerado nos alunos pelo uso dos simuladores não é o único benefício. Existem situações do cotidiano que os simuladores podem recriar com um efeito bastante parecido; situações que, se fossem simuladas na realidade, poderiam provocar uma
catástrofe. Há simuladores para estudar o aquecimento global, os efeitos de misturas, as situações radioativas, entre tantos outros. Enquanto numa simulação computacional ter-se- ia de realizar uma atividade da Química ou da Física com custo reduzido, com risco de acidente próximo de zero e sem prejuízos ambientais, muitas atividades dessas seriam muito mais complexas de serem realmente realizadas.
Com o advento da internet, o mundo ganha uma nova dinâmica. As diversas ciências são impulsionadas a uma troca de informação extremamente rápida. Talvez uma das principais contribuições seja o fato de deixarmos de ser reincidentes em descobertas pela falta de informação. Franco (1997) evidencia a dinâmica da internet e compara-a a uma cidade em permanente construção. Em sua opinião, são tantas informações, tantas coisas novas para se aprender, que é preciso esquecer.
A disseminação da cultura e o alcance das comunidades mais remotas é uma conquista dos avanços tecnológicos. Se ainda há muito que fazer para garantir a qualidade nos cursos a distância, é inegável que estes estão garantindo o acesso à universidade a uma grande parte da população cuja única possibilidade de estudo baseia-se nessa modalidade de ensino. Este veículo acaba sendo mais um potente parceiro da pluralização do ensino em um país com dimensões continentais.
Quando as tecnologias da informação e comunicação ganham as salas de aula, proporcionam também uma nova dinâmica a esse ambiente. Isso mostra que existem caminhos ainda não percorridos. Litwin (1997) pontua que as tecnologias deveriam ser vistas de outra forma, que “a incorporação da tecnologia não deveria estar focalizada na resolução da motivação, mas na necessidade de repensar estratégias de ensino e estratégias de aprendizagem” (LITWIN, 1997, p.130).
Essa reflexão reforça as potencialidades das tecnologias e ao mesmo tempo desafia os educadores na busca de alternativas no sistema de ensino. Tratando de entender como se processa a contribuição dos ambientes informatizados ao ensino, Gravina e Santarosa (1998), sob luzes de Piaget, destacam:
O que se pretendeu destacar é o quão naturais e intensas se tornam, nestes ambientes, as ações, reflexões e abstrações dos aprendizes. O suporte oferecido pelos ambientes não só ajudam a superação dos obstáculos inerentes ao próprio processo de construção do conhecimento matemático, mas também podem acelerar o processo de apropriação de conhecimento (GRAVINA; SANTAROSA, 1998, p.21).
Superar obstáculos do ensino é fundamental para o aluno que vê no aprendizado da matemática uma de suas maiores dificuldades. Outra contribuição da presença dos softwares é a mudança do parâmetro comparativo que separava “quem sabe” de “quem não sabe”. Se o ambiente é igualmente novo para todos os alunos, quem não se saiu tão bem em sala de aula usando os recursos tradicionais - lápis, borracha e papel - pode agora ter uma nova chance. Isso pode ser muito significativo para o aluno que sempre se julgou incapaz no aprendizado de matemática.
Se o ensino não fosse o referencial de contorno poder-se-iam tecer muitas outras construções em que as tecnologias informacionais e comunicacionais aparecem como protagonistas. Nem mais nem menos importantes que outras possibilidades metodológicas que o sistema educacional já conheceu, as tecnologias estão ainda sendo reconhecidas pelos alunos e professores. Diferente de outras áreas em que as tecnologias são fundamentais, na educação seus principais avanços só serão realmente conhecidos quando o tempo permitir que essas metodologias sejam experimentadas e houver um acúmulo suficiente de pesquisas e práticas que mostrem seu potencial.