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Existing Approaches/Baselines

Solution Approach

4.2 Existing Approaches/Baselines

Procuramos conhecer as situações de violência/dano sofridas e as formas de apoio recorridas. Os jovens, nesta seção do instrumento, sinalizaram os eventos

violent da, demonstraram o que fizeram

ção. Vejamos abaixo a distribu

Tipo Percentagem os vivenciados por eles e se sofreram danos e, em segui

para tentar saná-los e com quem contaram nessa tarefa.

Em relação à violência intrafamiliar, 78,27% (n=299) declararam ter sofrido algum dano, seja ele físico ou moral, praticado por adulto da família. Destes, 25,08% não buscaram nenhum tipo de auxílio para enfrentar tal situa

ição dos tipos de violência intrafamiliar sofridas pelos estes estudantes de Bom Pastor, que declararam ter sofrido algum tipo de dano, e as formas de auxílio buscadas por aqueles que procuraram ajuda.

Tipos Percentagem

Tabela 03. Violência intrafamiliar Tabela 04. Busca de ajuda no caso de violência intrafamiliar

Gritar 74,58% Amigos 66,37%

Xingar 59,53% Parentes 54,71%

Comparar* 56,52% Vizinhos 20,27%

Tapa 32,44% Serv.Saúde 9,91%

Empurrar 31,88% C. Tutelar 7,62%

Puxar cabelo 21,40% Delegacia 6,73%

Ameaça 14,13%

Chute 18,06%

Soco 11,07%

Percebemos que as situações de violência de caráter moral, tais como, gritar, xingar, comparar com outras pessoas, são as mais comuns, revelando um contexto onde tais tipos de atitudes podem ser consideradas como naturalizadas, seja como forma de educar ou de resolver os problemas do cotidiano.

Embora tenham aparecido com menor freqüência, os episódios físicos apresentam um número alto em termos absolutos:

Tabela 05. Violência física na família

Tapa 97

Empurrar 95

Puxar cabelo 64

Chute 37

Soco 33

Os episódios violentos são comuns no cotidiano das famílias dos adolescentes e jovens desta pesquisa. Os conflitos vividos no interior delas acabam assumindo uma forma violenta, muitas vezes incrementado ou impulsionado pelo consumo de álcool e outras drogas, haja vista constatarmos que, respectivamente, 86,46% e 90,32%, das pessoas que declararam sofrer dificuldades na família em relação ao alcoolismo e ao consumo de drogas, sofrem com a violência intrafamiliar. Desta forma, podemos pensar que alguns dos conflitos violentos são decorrentes do consumo dessas substâncias por seus parentes. Associando estes dois dados, podemos constatar que atos violentos no espaço doméstico estão relacionados não apenas a traços de personalidade dos pais, mas que eles ocorrem em associação com outras situações, já que o consumo de álcool e outras drogas guardam estreita relação com problemas como o desemprego e condições econômicas adversas.

Observamos um percentual alto de estudantes vítimas da violência intrafamiliar (78,27). Na pesquisa realizada em Bangu, a ocorrência desse tipo de violência foi bem inferior

ntos desta naturez

, cerca de 21%. Surpreende o fato de pouco mais de um quarto dos estudantes de Bom Pastor não buscarem nenhum tipo de ajuda. Os que buscam algum tipo de apoio, em sua maioria, recorreram aos recursos informais, principalmente amigos e parentes. Mesmo os que sofreram algum tipo de violência física como, chutes, tapas e socos, ocorrências estas que podem necessitar de um auxilio sistemático e organizado, que deveria ser proporcionado pelos recursos formais, também buscaram ajuda dos recursos informais. Trataremos da questão dos recursos de apoio no final desta seção.

No que diz respeito aos episódios violentos ocorridos fora do ambiente familiar, sofridos na comunidade, 42,93% (n= 164) estudantes vivenciaram eve

a. Constatamos também que 8,63% destes jovens não procuraram qualquer tipo de ajuda quando na ocorrência de eventos deste tipo. Vejamos abaixo a distribuição dos tipos de violência/dano (figura 10) sofrida por estes estudantes na comunidade e as formas de auxílio buscadas (figura 11) por aqueles que procuraram ajuda.

50,00% 42,07% 25,61% 21,34% 18,29% 3,66% 20,12% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Outros Invasão de casa Agressão Perseguição Ameaça Revista policial agressiva

Roubo/assalto

igura 11. Bases recorridas na ocorrência de episódios violentos na comunidade.

roubo/assalto é o tipo de violência mais sofrido na comunidade. Apenas 25 (vinte e cinco) jovens, de um total de 83 (oitenta e três) que declararam terem sido roubados ou assaltados, procuraram a delegacia de polícia. Este fato pode indicar a falta de confiança no aparato policial para resolver estes casos, bem como medo de represálias tanto por parte da própria polícia como por parte das pessoas que praticaram tais crimes. A violência policial parece ser recorrente no bairro, podendo indicar abuso de autoridade e preconceito para com a população do bairro, numa associação entre pobrez

encionado anteriormente, a literatura sobre violência aponta que os sujeitos do sexo masculino são os que mais são afetados pelos episódios violentos. Os

3,88% 6,98% 24,81% 28,68% 50,39% 64,47% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Outros Cons. Tutelar Serv. Saúde Vizinhos Delegacia Parentes Amigos 6,20% F O a e marginalidade. Como já m

nossos

Masculino Feminino resultados mostram que em Bom Pastor a situação não é diferente: 53,26%

(n=98) dos participantes do sexo masculino sofreram algum tipo de violência na comunidade, ao passo que, embora seja um número alto em termos absolutos, 32,98% (n=63) do sexo feminino sofreram algum tipo de danos desta mesma natureza. Esta diferença se torna mais contundente quando observamos os tipos de violência separadamente:

Tabela 06. Tipos de violência na comunidade quanto ao sexo.

n Perc. n Perc.** Roubo/assalto 48 26,9% 34 17,80% Revista policial 63 34,24% 5 2,62% Ameaça 26 14,13% 17 8,90% Perseguição 20 10,87% 16 8,42% Agressão 21 11,41% 12 6,28% Invasão de Casa 18 9,78% 10 5,24% Outros 3 1,63% 3 1,57%

Não encontramos grandes diferenças em relação à faixa etária.

Sobre a busca das bases de apoio quando da ocorrência de episódios violentos, mais um mos a prevalência das bases informais. Parentes, vizinhos e, principa ão os s rtes recorridos com maior freqüência. O que pode indicar u e crédito em relação aos recursos formais.

a vez constata

lmente, amigos s upo

ma falta d

Percentagem referente ao número de participantes do sexo masculino ** Percentagem referente ao número de participantes do sexo feminino

N peito à vio ia sexua dantes, de m tê-la sofrido. As situações de violência se distribuíram da segu ira:

T ia Sexu

o que diz res lênc l, 24 estu clara

inte mane abela 07. Violênc al

SEXO

SITUAÇÕES feminino masculino Total

1-Sexo forçado 4 2 6

2-Agressor forçou toque no corpo do

participante 6 2 8

3-Exibição do corpo para o

participante 2 2 4

4-Agre

0 1 ssor forçou o participante a

mostrar o corpo 1

5-Toque no corpo do agressor 0 2 2

6- Situações 02 e 05 1 0 1

7-Situação 05 e sexo anal 1 0 1

8-Situações 01, 02, 03 e 05 1 0 1

Total 16 8 24

Dentre as situações que envolveram do corpo sem

violência sexual, a mais citada foi o toque o consentimento do adolescente om 10 citações. Depois veio a relação es, sendo cinco do sexo feminino e duas do além destas, houve uma situação de sexo anal. Destas 08 pessoas,

formais, sendo que uma dela rocurou u outra, além deste, procurou o serviço de saúde.

, c sexual propriamente dita com sete citaçõ

sexo masculino,

apenas duas procuraram bases s p m serviço de

Dentre as 24 pessoas que declararam ter sofrido lência se al, 08 não e apoio. Entre as 16 pessoas que procuraram apoio, apenas soas procuraram bases formais. Percebemos, também ara a vio ia sexual, uma prevalência na procura pelas bases informais. Acreditamos que, talvez, o número de pess

rincipalmente em relação

e muitos

São poucos os recursos formais disponíveis, principalmente no tocante à violência. O desamparo é muito grande, pois a ocorrência de episódios violentos em

vio xu

procuraram qualquer base d

04 pes p lênc

oas que sofreram este tipo de violência seja maior, tendo em vista o tabu que gira em torno desta questão, o que também deve atrapalhar a busca pelos suportes formais.

Os dados acima descritos nos permitem constatar que as bases de apoio informal são as mais recorridas na tarefa de enfrentamento dos problemas. Em relação à educação, notamos uma preocupação por parte dos pais com os estudos de seus filhos. A mesma preocupação aparece em relação à saúde dos participantes, p

aos mais novos. Vimos também uma grande participação em grupos religiosos (60,47%), que facilita também o incremento dos contatos informais. Constatamos também a presença das amizades no tocante ao divertimento e às atividades realizadas fora da escola.

Observamos, de forma geral, um desconhecimento ou não utilização das bases formais por grande parte da população entrevistada. Além disso, percebemos qu

dos jovens que passaram por episódios violentos não procuraram ajuda para enfrentar tais problemas: violência intrafamiliar (25,08%); violência na comunidade (8,63%) e violência sexual.

A partir dos dados sobre violência e dificuldades enfrentadas, podemos perceber que as bases de apoio formal nessa comunidade não atendem às demandas desta população, seja por falta de crédito ou confiança, quando na ocorrência de eventos violentos, não se configurando enquanto recursos com os quais os jovens de Bom Pastor possam contar.

Bom P

ais ressonância para estes jovens, significando que este espaço

izam a vida de adolescentes e jovens.

astor é muito alta, tanto no seio familiar (78,27%) como na comunidade (42,93%).

A maior procura pelas bases de apoio informal pode significar ainda que as relações estabelecidas informalmente no espaço da rua (quando procuram amigos, parentes ou vizinhos) têm m

não possui uma conotação negativa, mas sim que é um lugar importante no qual há troca de valores e de afetos; embora, muitas vezes, não resolvam os problemas enfrentados na tocante à violência. Dessa maneira, as relações estabelecidas no espaço público devem ser levadas em consideração nos processos de elaboração e execução de intervenções e programas para a juventude no sentido de criação de campos propícios para o desenvolvimento de potencialidades e âmbito de expressão das subjetividades, no sentido de realização de aspirações pessoais, de manifestação e enunciação dos entraves que inviabil

Entre as bases informais procuradas nas situações de violência, as relações de amizade se sobressaíram. Os amigos foram os mais procurados tanto para a violência intrafamiliar como para a violência sofrida na comunidade.

Com base nos dados que nos revelaram um elevado número em relação à ocorrência de violência, bem como a busca de ajuda ter sido maior pelas relações de amizade, procuraremos discutir o panorama da violência entre jovens na atualidade e, em seguida, refletir sobre o papel das relações de amizade no tocante à questão da violência, tendo como pano de fundo a construção de uma estratégia de enfrentamento da mesma. Tentaremos cartografar caminhos em que as relações informais de amizade possam funcionar como agenciadoras políticas na mudança das realidades desses jovens.