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Exchange Programme for Residual Fecundity and A tres i a Estimation

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Para Bogdan e Biklen (1994), “a palavra „Investigação‟ enfatiza a recolha e a análise sistemáticas dos dados” (p. 283).

Atendendo aos objectivos do estudo e tomando o sistema de actividade da sala de aula como a unidade de análise, foram recolhidos dados em dez aulas (de 90 minutos) de Matemática e duas aulas (de 45 minutos) de Estudo Acompanhado de Matemática de uma turma do 8º ano, entre finais de Setembro de 2006 e meados de Maio de 2007.

Os alunos do 8º ano têm duas aulas de Matemática, de 90 minutos cada, por semana. Além disso, nesta escola, a área curricular não disciplinar de Estudo Acompanhado é atribuída, separadamente, aos professores de Matemática e Língua Portuguesa (45 minutos a cada um). Estas aulas são de frequência obrigatória e objectivo é que sejam usadas, quer pelos professores de Língua Portuguesa, quer pelos professores de Matemática, para aprofundar os conteúdos leccionados, assim como para colmatar lacunas manifestadas por alguns alunos.

As aulas desenvolveram-se em salas de aula da Escola EB 2-3 Nicolau Nasoni. Note-se que eram salas comuns a qualquer disciplina, sem computadores nem materiais didácticos específicos da Matemática.

Os alunos trabalhavam, geralmente, aos pares ou em grupos de três. No início da aula, era entregue uma ficha de trabalho, por mim elaborada com recurso à História da Matemática.

Após algumas explicações introdutórias, era indicado que exercícios deveriam ser, inicialmente, resolvidos. Os alunos tentavam resolvê-los, aos pares, enquanto eu circulava pela sala a tirar dúvidas e a ajudar os alunos que revelavam mais dificuldades.

Era dado algum tempo para a resolução dos exercícios indicados e, passado algum tempo, procedia-se à sua correcção no quadro, para o que era solicitado um aluno para o fazer. Quando não havia voluntários, eu indicava um aluno para ir ao quadro corrigir o exercício. Muito raramente é que não havia um voluntário, ou até vários; estes alunos eram muito participativos e, às vezes, até havia conflitos para irem ao quadro (o que não acontece em muitas turmas!).

Depois de corrigido o exercício no quadro, eu explicava-o para o grande grupo (turma), pois, geralmente, havia alunos que não tinham conseguido resolver o exercício (ou

133 estava incorrecto), ou porque tinham dificuldades ou porque não estavam a trabalhar como deveriam.

Neste momento, era feita a discussão do método utilizado e dos resultados obtidos e, às vezes, o exercício era resolvido por outro método, caso algum aluno o tivesse resolvido de um modo diferente.

É de notar que, por vezes, os alunos mais trabalhadores e com mais conhecimentos, faziam mais exercícios do que os indicados, pois despachavam-se mais depressa do que a maioria do grande grupo. Para não ficarem à espera, perguntavam-me se podiam avançar, ao que eu respondia afirmativamente.

As técnicas utilizadas nesta investigação para a recolha dos dados foram a observação e a análise documental. Estas técnicas, juntamente com a entrevista, são alguns dos procedimentos mais utilizados em estudos que seguem um paradigma interpretativo.

A observação é uma das técnicas mais antigas de recolha de dados. No caso dos estudos interpretativos, a observação assume uma natureza fundamentalmente naturalista, ou seja, ocorre no contexto natural onde se desenrolam os fenómenos em estudo e acontece em interacção com os participantes.

Para proceder à recolha dos dados utilizei uma câmara de vídeo, colocada num canto da sala, de modo a não perturbar o normal funcionamento da aula. No entanto, uma das limitações que senti foi a falta de, pelo menos, mais uma câmara; infelizmente, não me foi possível utilizar mais câmaras.

Quando se realiza uma investigação desta natureza é necessário ter em conta algumas questões de ética. Assim, a realização destas filmagens foi feita com o conhecimento e autorização do Conselho Executivo e, também, com autorização, por escrito, dos Encarregados de Educação. Uma vez que eu, como Directora de Turma destes alunos, tinha reuniões, pelo menos trimestrais, com os seus Encarregados de Educação, tive a possibilidade de explicar, presencialmente, o trabalho de investigação que estava a desenvolver, justificando, assim, a utilização da câmara de vídeo.

Também foi dado a conhecer, tanto em Reunião de Departamento, como em Conselho de Turma, o meu projecto e os meus propósitos com esta investigação.

Após cada aula observada, visionei a gravação vídeo e fiz a transcrição integral da aula filmada. Além das aulas filmadas, também serviram de dados as notas que apontava

4. Metodologia

134 no meu diário de campo. No entanto, devido ao meu duplo papel de professora/investigadora não me era possível tirar apontamentos durante as aulas. Todavia, essa limitação era minimizada pelo conhecimento que tinha dos alunos uma vez que já tinha sido professora deles no ano lectivo anterior.

Essas notas eram tiradas no final da aula ou, geralmente, quando chegava a casa, pois como os intervalos eram de apenas 10 minutos (e ainda tinha que arrumar a câmara de vídeo) nem sempre era possível apontar tudo quanto gostaria no final da aula; só o podia fazer quando não tinha aula a seguir.

Além disso, também seleccionei e fotocopiei algumas respostas dadas pelos alunos no caderno ou na ficha de trabalho, mas, infelizmente, não tantas quanto gostaria (ou deveria). Uma vez que os exercícios eram corrigidos ao longo da aula, os alunos tinham tendência a corrigir/alterar as suas respostas e, nem sempre, se mostravam muito receptivos a ceder os seus apontamentos para fotocopiar.

Faço minhas as palavras de Fernandes (2004), quando desabafa que “uma recolha de dados deste tipo deixa-nos com a sensação de que não temos informação suficiente” (p. 191).

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