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Audun Faanes and Sigurd Skogestad

A.1 Example: pH neutralization

É sabido que o modelo de ciência elaborado pelos positivistas vem influenciando a Educação, há mais de três séculos, e resulta de uma combinação de várias correntes de pensamento da cultura ocidental, tais como a Revolução Científica, o Iluminismo e a Revolução Industrial, presentes a partir dos séculos XVII, XVIII e XIX. Com o avançar dos séculos, sucessivas descobertas científicas foram revelando um mundo completamente diferente do universo mecanicista, o qual tinha a ideia de que era preciso dividir para conhecer e que o pensamento caminhava do mais simples para o mais complexo (MORAES, 1996).

Segundo Moura (2007, p. 41), durante muito tempo, o grande desafio da ciência era o da descoberta de fatos externos ao comportamento do homem, mas com a abertura de novas perspectivas e possibilidades, foi permitida às Ciências Sociais a observação de aspectos que estão voltados ao comportamento do homem, tendo a psicologia como a responsável por exemplificá-los, isso por ter avançado nos estudos e pesquisas sobre esse comportamento.

Moura (2007, p. 41) afirma ainda que, nos tempos da modernidade, a educação conheceu teórica e praticamente algumas possibilidades de atuação com outros focos além dos aspectos cognitivos, valorizando outros aspectos humanos como, por exemplo, o linguístico, o corporal, o emocional, dentre outros. Isso proporcionou modificações na concepção teórica e metodológica da educação, principalmente no aspecto que visa a superação do modelo de educação que tem como prioridade o simples ministrar de conteúdos, favorecendo o surgimento de outro modelo, aquele que valoriza o processo de aprendizagem próprio de cada ser humano (MOURA, 2007, p. 41).

Um dos quesitos que evidenciam este olhar sobre o indivíduo é justamente o de considerá-lo como único, mas, ainda assim, um ―sujeito coletivo‖, inserido numa ecologia cognitiva vasta e ampliada (MORAES, 1996). Desta maneira, uma possibilidade, é abordar os aspectos da Pedagogia de Projetos, a partir do enfoque da Teoria das Inteligências Múltiplas, de Gardner (1995, apud MOURA, 2007), e elementos das pesquisas sobre o desenvolvimento individual da inteligência e da aprendizagem, pertinentes ao estudo acerca da Pedagogia de Projetos e do trabalho interdisciplinar. Embora não seja esse o enfoque que se pretende dar a este trabalho, é salutar proferir algumas colocações a respeito desta visão múltipla sobre a Pedagogia de Projetos.

Moura (2007, p. 41-42) fala sobre o fato de que, ao contrário da concepção adotada pela educação ―tradicionalista‖, as Inteligências Múltiplas evidenciam que cada indivíduo possui não apenas uma, mas várias formas de inteligência. Esta multiplicidade de inteligências possibilita a proposição de atividades via Pedagogia de Projetos respeitando a pluralidade dos recursos intelectuais e psíquicos próprios da mente humana, e favorece a interdisciplinaridade.

No que se refere aos princípios da Pedagogia de Projetos, aborda-se o deslocamento do foco de atenção do método conteudista e disciplinar que fragmenta as disciplinas, cristalizando conceitos e saberes, para o trabalho que prioriza o conhecimento das várias disciplinas na compreensão de um determinado fenômeno ou problema, sem, contudo, desprezar a capacidade diferenciada de aprendizagem de cada indivíduo. Não se considera os educandos como ―iguais‖ na capacidade de aprendizagem. Verificam-se, isso sim, que cada um possui seu ―tempo‖, e suas condições de

aprendizagem, de raciocínio, comportamento e retorno. (MOURA, 2007, p. 42)

Moura (2007, p.42) nos coloca a par da visão de Gardner a respeito da relação entre as inteligências e a cultura da qual o indivíduo faz parte. Considerando que ―a inteligência é a capacidade para a resolução de problemas e para a elaboração de produtos mentais‖ (MOURA; 2007, p.42), percebe-se uma relação estabelecida entre os ambientes culturais e comunitários.

Gardner (1995 apud MOURA, 2007, p. 43) apresenta, em sua Teoria, sete tipos de inteligência, são elas: inteligência lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal sinestésica, pessoal, interpessoal e intrapessoal. Gardner deixa claro que as pessoas possuem todos os tipos de inteligências, porém que cada indivíduo apresenta suas inteligências de forma mais ou menos desenvolvidas (MOURA, 2007, p. 43).

Nogueira (2001, 38-39 apud MOURA, 2007, p. 44), ao fazer uma análise sobre a Teoria das Múltiplas Inteligências de Gardner, afirma a existência de diversas competências intelectuais humanas, as quais ele intitula inteligências humanas. ―O sujeito passa a ser compreendido como possuidor de um espectro de competências passíveis de desenvolvimento‖ (MOURA, 2007, p. 44). ―Quando a observação se faz adequada, a natureza peculiar de cada inteligência emerge com suficiente clareza‖ (Idem).

Nogueira (2001, p. 38-47) faz uma explicação resumida a respeito das sete inteligências defendidas por Gardner e acrescenta mais quatro (Inteligência naturalista, existencial, pictórica e emocional), atingindo um elenco de onze Inteligências (MOURA, 2007, p. 44). Desta forma, a Teoria das Inteligências Múltiplas, de Gardner, juntamente com as pesquisas, de Nogueira (2001), pode ser utilizada para a análise de informações coletadas a partir de atividades desenvolvidas via Pedagogia de Projetos.

Pode-se ainda, relacionar a Pedagogia de Projetos com outras pautas educacionais. O paradigma educacional construtivista, interacionista, sociocultural e transcendente, de acordo com a visão de Moraes (1996), poderia ser então utilizado como um suporte para a Pedagogia de Projetos. Segundo a autora, o paradigma educacional ―é um paradigma construtivista porque compreende o conhecimento como estando sempre em processo de construção, transformando-se mediante a ação do indivíduo no mundo, da ação do sujeito sobre o objeto, de sua transformação‖ (MORAES, 1996). É construtivista pois possui características multidimensionais (tais como pode ser vista também a Pedagogia de Projetos), entre elas, ―o

seu caráter aberto que lhe permite estar sempre em construção, traduzindo a plasticidade e a flexibilidade dos processos de auto-renovação‖ (MORAES, 1996).

Esta visão de educação também se relaciona de forma coerente com as ideias de Dewey, no sentido de reconhecer, de acordo com Moraes (1996):

―que sujeito e objeto são organismos vivos, ativos, abertos, em constante intercâmbio com o meio ambiente, mediante processos interativos indissociáveis e modificadores das relações sujeito-objeto e sujeito-sujeito, a partir dos quais um modifica o outro, e os sujeitos se modificam entre si‖. É ainda uma proposta sociocultural, pois:

entende que o "ser" se constrói na relação, que o conhecimento é produzido na interação com o mundo físico e social, a partir do contato do indivíduo com a sua realidade, com os outros, incluindo aqui sua dimensão social, dialógica, inerente à própria construção do pensamento. Um diálogo que o faz um "ser datado e situado", que busca projetar-se, sair de si mesmo, transcender, a partir de sua ação e reflexão sobre o mundo e da compreensão de sua própria natureza [...] (MORAES, 1996).