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Evolució museològica

4. Continguts

4.3 Evolució museològica

As florestas da Amazônia possuem grande biodiversidade de espécies madeireiras apropriadas para fabricação de móveis, utensílios domésticos, moradias, dentre outros produtos, sendo cerca de 350 espécies destinadas para fins comerciais (MARTINI et al, 1994). No entanto, a exploração madeireira exerce forte pressão sobre a manutenção da floresta, sendo 95% da atividade realizada desordenadamente, sem manejo e de forma ilegal

(VERÍSSIMO et al, 2002). Veríssimo & Barreto (2005) apontam como estratégias para harmonizar a exploração madeireira à conservação da biodiversidade o uso de boas práticas de manejo, a criação de sistemas eficazes de controle e monitoramento e a regularização fundiária de áreas privadas e florestas localizadas em áreas protegidas.

A região de estudo deste trabalho é alvo de políticas voltadas ao controle da exploração madeireira no Amazonas, visto que Humaitá, Manicoré e Novo Aripuanã localizam-se na região Sul do Estado e juntamente com o Sudoeste do Pará, norte do Mato Grosso e Rondônia formam o chamado arco do desmatamento, uma região de fronteira agropecuária “onde a floresta é caracterizada como um obstáculo a ser removido” (LERER e MARQUESINI, 2005).

No Amazonas, a exploração madeireira é apontada como a principal causa do desmatamento e o Estado ocupou o 4º lugar no ranking em 2012. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registrou a devastação de 72,33 km2 de floresta neste ano, conforme relatório publicado pela Secretaria do Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS). Os municípios da região Sul foram apontados como os principais responsáveis pelo aumento dos índices.

Houve registro do incremento de desmatamento inclusive nos Projetos de Assentamento do Estado de aproximadamente 23,80km2 (33% do total), nas Unidades de Conservação Estaduais de 10, 47km2 (14%) e nas UCs federais de 0,91 km2 (1%). Nas terras indígenas não houve registro de desmatamento em 2012 (INPE/SDS, 2012).

Apesar do aumento do índice de desmatamento no Estado, evidenciado pelo aumento da quantidade de toras de madeira extraídas, que em 2010 foi de 665.362 m3 e em 2011 foi de 680.700 m3 (aumento de 2,26%), conforme mostra a tabela 16, houve redução nas taxas de desmatamento em Manicoré e Novo Aripuanã de 10,06% e 37,92%, tendo Novo Aripuanã sofrido uma redução mais expressiva (IBGE, 2011).

Tabela 16: Quantidade de madeira em tora produzida na região estudada em 2010 e 2011.

Área 2010 2011

Quantidade (m3) Valor (1.000 R$) Quantidade (m3) Valor (1.000 R$)

Amazonas 665.362 18.949 680.700 38.724 Humaitá 10.000 280 33.909 1.289 Manicoré 69.010 1.932 62.062 2.607 Novo Aripuanã 40.000 1.120 24.829 944 Tapauá 4.000 116 17.500 508 Fonte: IBGE (2011)

Em contrapartida, houve aumento nas taxas de desmatamento no município de Humaitá, que em 2010 obteve um total de quantidade extraída de toras de madeira da proporção de 10.000 m3 e em 2011 aumentou para 33.909 m3. No município de Tapauá, a quantidade extraída de toras de madeira em foi de 4.000 m3 e em 2011 aumentou para 17.500 m3.

Os resultados da pesquisa apontam que a retirada de madeira da floresta na área estudada ocorre apenas para uso doméstico dos moradores, na forma de lenha, para construção de residências, casas de farinha, trapiches, embarcações, canteiros suspensos, remos e utensílios domésticos (mesas, cadeiras, dentre outros). Porém, há possibilidade de alguns entrevistados terem omitido informações relacionadas à venda, dada à ilegalidade da atividade.

O gráfico 22 apresenta as principais espécies madeireiras utilizadas na região. A exploração madeireira ocorre predominantemente em áreas de terra firme durante período da cheia do rio, juntamente com o extrativismo não madeireiro, pois nesse período o transporte da madeira é facilitado pela via fluvial. No PAE Botos as espécies mais utilizadas são cedrinho (Cupressus lusitanica), itaúba (Mezilaurus itauba), louro (Laurus nobilis), maparajuba (Manilkara huberi ) e piranheira (Piranhea trifoliata). No PDS Realidade, as espécies mais utilizadas são angelim (Vatairea heteroptera), castanheira (Bertholetia excelsa), cedro (Cedrela fissilis), copaíba (Copaifera langsdorfii), cupiúba (Goupia glabra), guariúba (Clarisia racemosa) e marupá (Jacaranda copaia).

Gráfico 22: Espécies madeireiras utilizadas pelos moradores.

Fonte: dados coletados em campo (NUPEAS/UFAM e NUSEC/UFAM) – Elaboração da autora.

Na RDS do Rio Madeira, como indica o gráfico acima, as espécies madeireiras mais utilizadas são acariquara (Minquartia guianensis), angelim (Vatairea heteroptera), cedrinho (Cupressus lusitanica), copaíba (Copaifera langsdorfii), cupiúba (Goupia glabra), guariúba (Clarisia racemosa), itaúba (Mezilaurus itauba), jacareúba (Calophyllum brasiliense), louro (Laurus nobilis), maparajuba (Manilkara huberi ), marupá (Jacaranda copaia) e piranheira (Piranhea trifoliata), porém, um diagnóstico realizado pela FDB em 2011 apontou a utilização de aproximadamente 50 espécies madeireiras diferentes, tanto em ambientes de várzea, quanto em áreas de terra firme. Durante as entrevistas, todos os informantes afirmaram que a extração de madeira ocorre apenas para o uso familiar, no entanto, há relatos informais da retirada de madeira para venda mediante encomenda. Existem planos de manejo madeireiro para área da Reserva tramitando no CEUC, sendo o licenciamento dependente das orientações do plano de gestão (FDB 2011). Esta foi a única ação observada na região referente à adoção de práticas de manejo madeireiro.

Na Floresta Tapauá as espécies madeireiras mais exploradas são acariquara (Minquartia guianensis), angelim (Vatairea heteroptera), cedro (Cedrela fissilis), itaúba (Mezilaurus itauba), jacareúba (Calophyllum brasiliense), louro (Ocotea spp.), maçaranduba (Manilkar huberi), orelha de burro (Byrsonima verbascifolia) e piranheira (Piranhea trifoliata). Um levantamento realizado pelo IPA em 2010 apontou a ocorrência de comercialização ilegal de madeira na área. Na época da cheia do Rio Purus, o escoamento é

0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 A ca ri qu ar a A ng el im C as ta nhei ra C edr inho C edr o C o pa íba C upi úba G ua ri úba It aúb a Jacar eúba Lour o Map ar aj uba Mar upá Ma ss ar and ub a O rel ha de bur ro P ir an hei ra PAE Botos PDS Realidade RDS do Madeira Floresta Tapauá

facilitado, sendo a maior pressão nas áreas mais próximas às margens dos rios e próximo a BR-319. Como o PDS Realidade é área de entorno da Floresta Tapauá, os moradores do assentamento também retiram madeira no local, pois o Igarapé Realidade dá acesso direto à Unidade, além de ser o principal ponto de comercialização para os moradores dos rios e igarapés próximos.

A comercialização ilegal de madeira na região, pode ser presumida pela quantidade de toras de guariúba extraídas no PDS Realidade por família em 2011. A tabela 17 compara a quantidade de toras por espécie, observa-se que as demais espécies juntas têm média de 5,6 toras/família/ano, enquanto que a quantidade de guariúba indicada foi de 300 toras por ano em média.

Tabela 17: Média da quantidade de toras de madeira retiradas por família no ano de 2011.

Espécie Quantidade de toras

(unidades) Angelim 6 Castanheira 2 Cedro 3 Copaíba 6 Cupiúba 12 Guariúba 300 Marupá 5

Fonte: dados coletados em campo (NUPEAS/UFAM e NUSEC/UFAM) – Elaboração da autora.

A guariúba é utilizada para construção de móveis leves ou revestimento interno, tais como, esquadrias, embalagens, cabos de vassoura, compensados, caixas, dentre outros. A localização do assentamento próximo às rodovias BR-230 (Transamazônica) e BR-319 facilita a abertura de ramais ilegais por onde é transportada a madeira para vários estados brasileiros.

Apesar da afirmativa dos informantes a respeito da utilização de madeira apenas para fins domésticos, houve relatos informais da comercialização de madeira no PDS Realidade, na RDS do Rio Madeira e na Floresta Tapauá. O mapeamento das áreas utilizadas pelos moradores para exploração madeireira e o inventário florestal das espécies poderão nortear a elaboração de planos de manejo comunitário, ampliando as estratégias de controle da exploração madeireira na região. O manejo madeireiro comunitário tem sido indicado como uma importante estratégia de controle do desmatamento e manutenção dos valores econômicos e culturais de moradores de áreas de florestas usuárias deste recurso (BRAY, 2005).

As questões relativas ao extrativismo apresentam elementos importantes no IAD framework da variável produção, pois explicitam que dentro de um mesmo parâmetro são encontrados arranjos diferenciados. A exploração do açaí e da castanha do brasil, por exemplo, é realizada a partir de práticas que podem ser caracterizadas como de baixo impacto ambiental, dada a sazonalidade dos recursos e as formas de coleta utilizadas pelos moradores. Na extração madeireira, porém, é possível notar um efeito negativo da atividade quando são considerados os processos necessários à manutenção do recurso.

A extração madeireira intensiva de algumas espécies, como a guariúba, por exemplo, pode caracterizar uma contravenção do ponto de vista das relações sociais e produtivas nas Unidades, obstruindo a percepção dos moradores a respeito da possível extinção desta espécie madeireira ocasionada pela superexploração. Assim, o IAD da produção, ao incorporar a complexidade relativa ao parâmetro extrativismo permite que o QCA e o fuzzy set realizem uma comparação que incorpore boa parte das especificidades e variabilidades desta atividade no interior da análise mais ampla.