4 Data and analysis
4.1 Event study
O crescimento dos mercados provocou a separação entre a propriedade e o controle nas empresas. Nesse cenário, o proprietário concede o controle a um agente (gestor) que deve assumir uma postura para que os interesses dos proprietários (principal) sejam alcançados (COSTA; AZEVEDO; CHADDAD, 2012).
Dessa forma, os gestores (líderes) têm um importante papel nas empresas. Segundo Nascimento e Reginato (2010), são os líderes que formam a cultura corporativa e é esta que explica o comportamento das empresas e tem influência nos problemas, na capacidade de solução dos mesmos, e na prosperidade ou não dos negócios. Ressalta-se que no contexto brasileiro de alta concentração acionária (LA PORTA; LOPEZ-DE-SILANES; SHLEIFER, 1999), os gestores possuem as suas ações limitadas, devido ao maior monitoramento e participação dos acionistas majoritários (CLAESSENS et al., 2002). Isto ocorre devido à racionalidade limitada e às possíveis ações oportunistas dos gestores que os fazem diferir quanto aos interesses dos acionistas (JENSEN; MECKLING, 1976; WILLIAMSON, 1996).
Destarte, os acionistas, ao cederem o controle a um gestor, se utilizam de mecanismos na análise do perfil dos mesmos e, dentre estes mecanismos, está a reputação, sendo esta uma preocupação constante dos gestores (GORGA, 2004). A reputação seria, portanto, um fator decisivo na escolha de um gestor, pois tende a atenuar os incentivos para um comportamento oportunista (CHILES; McMACKIN, 1996).
Contudo, a racionalidade limitada e as possíveis ações oportunistas não estão somente relacionadas ao gestor e ao acionista, mas também aos acionistas majoritários e aos acionistas minoritários, pois quanto maior for o controle de ações de um acionista maior a expropriação de direitos dos acionistas minoritários (CLAESSENS et al., 2002). Sendo a reputação, nesse caso também, um fator observado pelos acionistas minoritários quando estes decidem aplicar recursos em determinada entidade.
Nesse contexto, destaca-se que a reputação dos gestores e dos acionistas majoritários é a combinação complexa das mais importantes características pessoais e realizações, assim como o comportamento demonstrado e imagens projetadas apresentadas ao longo de um período de tempo (HOCHWARTER et al., 2007). Dessa maneira, a reputação dos gestores e dos acionistas majoritários é uma identidade perceptiva de um gestor ou
acionista majoritário observada por outros que serve para reduzir a incerteza em relação ao comportamento futuro esperado do mesmo, sendo tal definição atrelada ao conceito de confiança (HALL et al., 2004).
Alguns estudos, em sua maioria, (MILBOURN, 2003; FRANCIS et al., 2008; DELGADO-GARCÍA; JIAN; LEE, 2011; MEN, 2012; NIAP; TAYLOR, 2012) investigaram a relação da reputação do diretor executivo com a reputação corporativa, assim como com a criação de valor, em geral, representada pelo desempenho empresarial. Contudo, ressalta-se que há poucos estudos (QUEVEDO-FUENTE; FUENTE-SABATÉ, 2010) que verificaram a relação entre a reputação do acionista majoritário com a reputação corporativa e criação de valor.
Milbourn (2003) analisou a relação entre a reputação do diretor executivo e a remuneração baseada em ações. A amostra do estudo é composta por aproximadamente 6000 diretores executivos, entre anos de 1993 e 1998, com base no ranking S&P 500. O autor conclui que há uma relação positiva entre a reputação do diretor executivo e a remuneração baseada em ações, além do fato de que a idade do diretor executivo, o tamanho da empresa, a variabilidade do retorno das ações e o setor afetam também a remuneração baseada em ações.
Francis et al. (2008) investigaram a relação entre a reputação do diretor executivo e a qualidade dos lucros das empresas. Para tanto, o estudo consiste na análise de 4.239 diretores executivos, em um período de 1992-2001, com base no ranking S&P 500 e da base de dados ExecuComp. Os autores constataram que uma maior reputação do diretor executivo está associada a uma menor qualidade nos lucros, e que o desempenho não apresentou influência significativa com a reputação do diretor executivo.
Delgado-García, Quevedo-Puente e Fuente-Sabaté (2010) examinaram a influência da estrutura de propriedade na reputação corporativa. Por meio da análise em painel de empresas espanholas entre os anos de 2000 a 2007, os autores verificaram que: a) a concentração da propriedade nas mãos do maior acionista corrói a reputação corporativa, enquanto a contestação do poder (diferença entre concentração acionária do primeiro maior acionista e do segundo maior acionista) do principal acionista melhora a reputação; b) a propriedade privilegiada (concentração acionária de diretores) mostrou uma relação não linear com a reputação corporativa; c) se o maior acionista é um investidor institucional a reputação corporativa é menor.
Jian e Lee (2011) examinaram a relação entre a reputação do diretor executivo e o investimento de capital corporativo. Os autores encontraram que as respostas do mercado de ações para o anúncio de investimentos de capital são mais favoráveis para as empresas com diretores executivos com mais reputação. Além disso, os autores verificaram que a reputação do diretor executivo atenua a reação negativa de preço e que melhora o desempenho operacional.
Men (2012) explora como a liderança corporativa influencia a eficácia das relações públicas internas vinculadas à credibilidade do diretor executivo, à avaliação dos funcionários sobre a reputação corporativa e ao envolvimento dos funcionários. O autor realizou uma survey online com 157 empregados de uma empresa da Fortune 500 e demonstrou haver relação positiva entre a credibilidade do diretor executivo com a percepção da reputação corporativa e o envolvimento dos empregados.
Niap e Taylor (2012) examinaram se a reputação do diretor executivo afeta a sua remuneração durante crises econômicas. Desse modo, foram analisadas as 200 maiores empresas australianas em um período de três anos (2009-2011). Os autores revelam que a reputação do diretor executivo tem um efeito positivo na remuneração total, contudo, a rentabilidade e o fluxo de caixa têm uma influência maior na remuneração do diretor executivo.
A reputação dos gestores e dos acionistas majoritários, portanto, está relacionada com o conceito de confiança e diversos rankings que conferem reputação corporativa às empresas possuem como um dos fatores a credibilidade da firma (FOMBRUN, 2007).
Diante do exposto, pode-se afirmar que as variáveis disclosure socioambiental, adoção de melhores práticas de governança corporativa, inovação, internacionalização, reputação do diretor executivo e do acionista majoritário são sinais que colaboram na construção da reputação corporativa. Assim, propõe-se a primeira hipótese da pesquisa:
H1 – Os sinais considerados no estudo (disclosure socioambiental, adoção de melhores práticas de governança corporativa, inovação, internacionalização, reputação do diretor executivo e do acionista majoritário) constroem o fator reputação corporativa.