A importância de se traçar pressupostos da concepção de educação socioambiental numa perspectiva sócio-histórica balizada por princípios e valores do Projeto Político-Pedagógico, numa direção social, deve considerar a prática educativa como mediação24 , capaz de contribuir para romper com o modo capitalista de pensar25. O paradigma da concepção socioambiental é um avanço se atentar para o impacto da ação humana sobre a natureza e vice-versa, mas precisa-se problematizá-lo numa sociedade capitalista demarcada por classes sociais.
Assim, uma formação socioambiental crítica deve considerar a importância do pensamento de Milton Santos (2000: 18-19), ao dizer que o valor da natureza está relacionado com a escala de valores estabelecida pela sociedade para aqueles bens que antes eram chamados naturais. E ainda nos alerta sobre a preocupação com a “eco- histeria” que pode encobrir uma ideologia que nos afaste da discussão central, que é a da sociedade. Nesse caso, uma certa ecologia é um dado ideológico na produção da globalização perversa produzida no autoritarismo de determinados grupos sociais sobre outros.
Portanto, requer um olhar crítico imbuído de intencionalidade político- ideológica, sobre os conflitos sociais que envolvem os interesses dos grupos capitalistas e os interesses coletivos, liderados, em grande parte, pelos movimentos sociais.
De um lado, grupos conservadores articulam-se, cada vez mais, para garantir a (des)ordem perversa do capital, que se dá na expropriação de árvores, poluição do ar, do solo e da água, entre outras arbitrariedades que atingem o equilíbrio da Terra. De outro, os movimentos sociais lutam pelo restabelecimento dos direitos socioambientais, que historicamente vêm sendo violados. Outros segmentos sociais desenvolvem iniciativas, para impedir a produção de afrontas socioambientais, como água como mercadoria, monocultura, emissões de gases tóxicos, falta de saneamento básico,
24 Ver o conceito de mediação em Marx em PONTES, Reinaldo Nobre. Mediação e Serviço Social. 3ª. ed.
São Paulo: Cortez, 2002.
malversação de verbas públicas, assassinato de socioambientalistas, não acesso às tecnologias, analfabetismo, fome e indústria da seca.
Portanto, não há base sólida de educação socioambiental se não atentar para as contradições das classes sociais, pois muitas vezes as análises sobre este campo ficam na superficialidade ou, ainda, no velamento das disputas de poder de acordo com os interesses sociais. A propósito, na Introdução deste trabalho nega-se a existência de “questão ambiental”, pois esta se coloca como uma das expressões da “questão social”.
Nesse sentido, a música Saga da Amazônia, do cantador e violeiro Vital Farias, retrata bem esta ideia e aponta para outro paradigma socioambiental.
Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta mata verde, céu azul, a mais imensa floresta...
... veio caipora de fora para a mata definhar e trouxe dragão de ferro, pra comer muita madeira e trouxe em estilo gigante, pra acabar com a capoeira?
... hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão castanheiro, seringueiro já viraram até peão afora os que já morreram como ave de arribação Zé de Nata tá de prova, naquele lugar tem cova?
gente enterrada no chão:
... Aqui termina essa história para gente de valor pra gente que tem memória, muita crença, muito amor pra defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
era uma vez uma floresta na linha do Equador.
Esta música traz uma crítica crucial para melhor se compreender a concepção de educação socioambiental, ao denunciar como o projeto societário capitalista expropria a riqueza social e natural, para responder o seu valor maior – acumulação de lucro financeiro – que se dá sobretudo pelo processo de aculturação.
Este projeto societário cruel e desumano não tem medida para angariar os seus objetivos e resultados esperados (lucro em grande escala), quando se pensa nas devastações que ocorrem em todos os biomas brasileiros, para criação de bovinos e
plantação de soja transgênica, queima de cana-de-açúcar. E, o que é pior, estes feitos são feitos pelas mãos de trabalhadores que vivem em situação subumana de desemprego e se submetem a trabalhos praticamente escravos.
Para Barroco (2009: 37) este processo pode ser visto a partir da seguinte análise:
“a propriedade privada e a divisão social do trabalho são situadas como determinações fundantes da alienação, assim como o sistema de trocas, a valorização da posse e o dinheiro... na sociedade alienada diz Marx, o indivíduo busca no dinheiro as formas de satisfação de suas necessidades egoístas; torna-se cada vez mais pobre como homem e isso faz do trabalhador um ser pobre em necessidades e formas de satisfação, uma vez que seus sentidos e capacidades desumanizam”.
A hegemonia do projeto societário burguês impõe seus interesses econômicos sobre os interesses socioambientais e tenta subjugar a capacidade humana em garantir sua dignidade e a convivência com outras espécies que integram a biodiversidade, bem como promove a expropriação da riqueza natural existente no planeta Terra.
Muitos profissionais conservadores que atuam no campo socioambiental consideram absurda a ideia de trazer para o plano da ação educativa elementos sócio- históricos tão firmes e contundentes, pois acreditam que estes chegam a amedrontar. Mas é justamente este impacto entre as concepções de educação que serve de base para repensar a lógica “morna” de fazer educação. Assim, a análise crítica contribui para perder o medo alienador imposto historicamente, a partir de concepções conservadoras, inaceitáveis, balizadas pelas diretrizes do pronto e do acabado, tornando-nos seres passivos à espera de um milagre.
É neste afinco que se dá a importância da concepção de educação socioambiental crítica ao anunciar novos rumos mediante uma convicção vivificada num outro mundo possível, que se constrói não no final de um ciclo, mas no processo dialético instituído por movimentos contraditórios delineados por tensões e disputas sociais.
A concepção de educação socioambiental crítica toma vulto, dando elementos substanciais para se realizar uma análise crítica da realidade, capaz de indicar pistas de como romper com a estrutura de sociedade atual, que impõe a toda biodiversidade o terror da destruição planetária.
Muitos são os desafios a serem conquistados para quebrar com o silêncio e a cultura do individualismo, pois precisa, mais do que nunca, andar juntos na busca de “um outro mundo possível”, como nos indica o FSM – Fórum Social Mundial.
A memória histórica de um povo não pode ser apagada ou desconsiderada, em especial dos que acreditam em um projeto societário, como o socioambientalista Chico Mendes, brutalmente assassinado a mando dos grupos madeireiros.
A Carta da Terra26 deve ser divulgada, pois aponta princípios, valores e parâmetros de desenvolvimento sustentável: respeitar e cuidar da comunidade de vida; integridade ecológica; justiça social e econômica; democracia, não violência e paz, pressupostos essenciais para constituição de um outro projeto societário.
A produção de outro saber socioambiental deve servir para romper com a (des)ordem capitalista, ao criar a cultura da empáfia academicista com o objetivo de expropriar o saber popular. Assim, precisa-se construir uma interlocução do conhecimento técnico-científico com o saber popular, com o objetivo central de construir outra sociedade.
A relevância da prática profissional na educação como um processo permeado de possibilidade de mediações, que parte da análise crítica dos problemas socioambientais, que estrutura a ação transformadora por meio da formação continuada, da participação social democrática e da coerência teórica no fazer educativo.
Desta maneira, a concepção socioambiental contribuirá, sem ser a única, para a regência de outra ordem mundial, que deve ser acelerada e intensificada nos processos de conscientização, sobre a impossibilidade do sistema atual, garantir na sua totalidade direitos humanos e a permanência e convivência de todos as espécies do planeta Terra, inclusive a humana.
Na concepção de educação socioambiental crítica não existe uma prescrição de atuação, o que existe são pistas e rumos pautados pela teoria social, muitas são as experiências de iniciativas que vêm se desenvolvendo, em que profissionais contaram com sua capacidade criativa, para promover ações concretas de transformação da realidade. Estudar, pesquisar, se relacionar, participar, intervir, sonhar, acreditar, esperançar, amar, romper, fortalecer, são verbos fundamentais na caminhada da ação educativa emancipadora.
4.4. A relevância de Tecnologias Sociais no enfrentamento da “seca” no semiárido nordestino
Discutir a relevância de Tecnologias Sociais – TS no enfrentamento da “seca” no semiárido nordestina é trazer para a esfera política a discussão entre distintos projetos societários, na medida em que TS não se resumem pela sua capacidade de solucionar determinados problemas; implica também em organização social para sua aplicabilidade e na capacidade criadora humana.
As TS trazem em seu nascedouro uma perspectiva de transformação social que alia por excelência outras formas organizativas da sociedade e se colocam como possibilidade frente às determinações das Tecnologias Capitalistas, que criam não com o objetivo de responder às necessidades da sociedade em geral, mas para responder a necessidade maior do capital a geração de lucro, por meio da mercadoria.
Assim, as TC nunca servirão em grande escala para superar problemas sociais. Basta analisar a quem servirão as tecnologias capitalistas de ponta na extração de água do subsolo no semiárido nordestino. As máquinas, principal atributo da tecnologia capitalista avançada, serviram para construir grandes poços, açudes e barragens, no entanto, serviram com exclusividade a elite capitalista econômica e a grupos oligárquicos.
Portanto, a tecnologia de extração de água do subsolo estava atrelada a outra tecnologia, que também não era para todos, a da irrigação, pois era visível nos períodos
de estiagem de chuvas “seca”, o agronegócio manter a sua produção mediante a investimentos tecnológicos.
Figura 11 – Tecnologia Social na construção de poços aluviários
Fonte: Alexander Koch. Acervo Projeto Pingo D‟água, 2005.
Assim, a discussão central não é meramente de como se utilizar e socializar em grande escala as tecnologias produzidas pelo capital para se enfrentar a “seca no semiárido”, mas potencializar as iniciativas humanas criadas ao longo da história por grupos ou pessoas que partiram de um problema social e criaram uma forma de enfrentá-lo. O diferencial das Tecnologias Sociais está justamente na forma criadora humana e nos processos organizativos do seu desenvolvimento; noutras palavras, as tecnologias sociais não causam estranheza e nem distanciamento entre humano e técnica. Embora estas sejam pensadas no seio da universidade, desde que as pessoas vejam a necessidade de sua existência e a sua efetividade na resolução de problemas.
A propósito, Renato Dagnino (2010: 58), um dos maiores intelectuais orgânicos na produção do conhecimento no que diz respeito a Tecnologias Sociais, critica contundentemente a Tecnologia Capitalista.
A TC é funcional para a empresa privada, que no capitalismo é a responsável pela produção de bens e serviços para a população. Isso, apesar de óbvio, merece ser salientado em função do enorme impulso feito pelos governantes dos países avançados e pelas grandes empresas, no sentido de fazer com que essa tecnologia seja vista não só como a melhor, como a última, como a de ponta, a mais avançada, mas como a única que existe.
Dagnino (2010) explica a diferença entre Tecnologia Capitalista (convencional) e Tecnologia Social, ao dizer que a primeira é o resultado da ação do empresário sobre um processo de trabalho que permite uma modificação no valor de troca do produto (ou da produção) gerado passível de ser por ele apropriada (sob a forma de mais-valia relativa). Modificação essa que pode ser em termos de quantidade ou de qualidade. A TS, por sua vez, é o restado da ação de um coletivo de produtores sobre um processo de trabalho que permite uma modificação no produto gerado passível de ser apropriada segundo a decisão do coletivo.
A busca por construções tecnológicas sociais para se solucionar problemas com a escassez hídrica é uma das saídas, desde que universidades, movimentos sociais, ONGs, gestores, façam alianças para impactar nas decisões da Política de Ciência, Tecnologia e Inovação com vista ao desenvolvimento de ações que possam enfrentar a exclusão social.
Figura 12 – Tecnologia Social: sistema de abastecimento de água comunitária
Fonte: Alexander Koch. Acervo Projeto Pingo D‟água, 2005.
Embora se reconheçam avanços do campo da Política de Ciência, Tecnologia e Inovação brasileira ao incluir na sua agenda a Tecnologia Social, ainda são irrisórios seus investimentos, talvez devido a uma necessária pressão maior no bojo das relações que a estabelece.
O grau de “exclusão de social” é incompatível com os investimentos públicos, pois se acompanha a olhos nus a torrente seca nos sertões nordestinos (agora 2012), a falta de água em grande escala para as populações que não detêm os meios de produção, o que as colocam em situação extremamente de vulnerabilidade no sentido mais amplo da palavra, ou seja, a falta d‟água perpassa por todas as dimensões da vida humana.
Figura 13 –Cisterna do Programa Federal “Água Para Todos” do Governo Federal
Fonte: Alexander Koch. Acervo Projeto Pingo D‟água, 2005.
A política do governo federal, em parceria com a sociedade civil, da construção de “um milhão de cisternas”, pode-se caracterizar como sendo Tecnologia Social de grande importância, mas é parte pequena no enfrentamento de tanto descaso com esta problemática, e sabe-se também que o complexo problema da falta d‟água não se enfrentará apenas com uma TS, pois, por melhor que seja, por si só tem seu caráter na incompletude.
Daí a necessidade da organização das forças sociais para que possam tencionar no âmbito da agenda da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para ampliar os investimentos em Tecnologias Sociais voltadas para a resolução dos problemas advindos com a estiagem de chuvas no Nordeste. Não é possível a continuidade de tamanho problema social com tantas possibilidades reais. A história demonstrou as potencialidades e limites desta região, mas atualmente, com os três últimos governos, foi possível “alterar” as condições socioeconômicas, ainda que na superfície. Por que não se investir em tecnologias assertivas para se democratizar a água potável nessa região?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Seu dotô me de licença Pra minha história contá Hoje eu tô na terra estranha E é bem triste o meu pená Mas já fui muito feliz Vivendo no meu lugá (...)
Eu sou fio do nordeste Não nego o meu naturá Mas uma seca medonha Me tangeu de lá pra cá (...) Aquela seca medonha Fez tudo se trapaiá (...) (...)O sertão esturricô,
fez os açude secá (...) Hoje nas terra do sul Longe do torrão natá Quando eu vejo em minha frente Uma boiada passá As água corre dos oios Começo logo a chorá Lembro minha vaca Estrela E o meu lindo boi Fubá Com sodade do nordeste Dá vontade de aboiá.
(Música: Vaca Estrela e Boi Fubá de autoria de Patativa do Assaré)
A construção desta dissertação demonstra a paixão de uma intelectual orgânica, que se aproxima da academia para melhor compreender as formas de injustiças que ocorreram na sua trajetória de vida, sobretudo com a “falta de água” e que a partir de sua formação político-profissional procura mecanismos para contribuir no enfrentamento deste problema, que infelizmente não ficou no passado, na medida em que se pode acompanhar a atual “seca” no semiárido nordestino. O que para Francisco de Oliveira pode ser visto como uma “(...) paixão no sentido de Gramsci: o de colocar- se em uma posição e, mediante essa colocação e por causa dela, tentar entender uma
tragédia. O processo social que se procura entender não é um objeto de investigação: é uma causa, uma paixão”. É nesse sentido que o município de Itatira/CE dá vida a esta pesquisa.
A Teoria Social de Marx deu elementos constitutivos para uma análise de conjuntura crítica sobre a seca enquanto expressão cabal da Questão Social, pois a disputa pela água, especialmente no semiárido nordestino, é pensado neste estudo não como fenômeno isolado meramente ambiental, mas, sobretudo, dentro de uma dinâmica sócio-histórica desencadeada pela hegemonia política do sistema capitalista.
Discutir os desafios para se democratizar a água potável requer necessariamente estudos e pesquisas interdisciplinares, pois a “falta d‟água” se configura como problema complexo e multifacetado, em que não é possível ser compreendido apenas com uma determinada ciência. Foi nessa perspectiva que este trabalho, realizado por uma assistente social, dialogou com diversas áreas do conhecimento, tais como: geologia, hidrologia, geografia, economia, educação, sociologia, ciências políticas, antropologia, história e direito.
A metodologia de pesquisa-ação foi definida por Thiollent (2007) ao dizer que este procedimento deve ser utilizado quando os pesquisadores não têm intenção, apenas, de fazer levantamento de dados ou de meros relatórios a serem arquivados, mas, ao contrário, querem que as pessoas implicadas tenham “algo a dizer” e a “fazer”. Assim, os pesquisadores pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados. Foi nessa perspectiva que esta pesquisa se desenvolveu, com o objetivo de contribuir com a construção de novos rumos em prol da democratização do acesso à água potável, ao analisar os principais problemas e potencialidades – a pesquisadora com os atores sociais envolvidos puderam indicar novas perspectivas para se transformar a realidade.
A interlocução do saber técnico-científico com o saber popular é imprescindível no âmbito da pesquisa-ação, pois este processo participativo propiciou a se pensar a importância da criação de uma ação pública, que por hora é intitulada de Observatório Socioambiental da Água, podendo se concretizar por meio de ações interdisciplinares, multidisciplinares e transdisciplinares e intersetoriais. Esta proposta vai ao encontro dos desafios do Plano Nacional de Pós-Graduação, CAPES (2010), devido às vicissitudes das secas “irregulares” no Nordeste, demandam processos socialmente acessíveis de
captação, armazenamento e conservação da água de chuvas, bem como a exploração sustentável das águas subterrâneas, a dessalinização de águas salobras e salinas, e o desenvolvimento de técnicas eficientes de irrigação. Assim, precisa-se pensar na sustentabilidade hídrica do semiárido, água e gerenciamento urbano integrado, gerenciamento dos impactos climáticos sobre os sistemas hídricos e sua população, uso e conservação do solo e de sistemas hídricos, qualidade da água e dos sistemas hídricos. Sem buscar um ar de fatalismo, mas a atual situação da capacidade hídrica brasileira pode deixar de ser uma solução e virar um grande problema para o Estado- Nação (interna e externamente), pois há desigualdade no acesso à água, o que poderia ser resolvido por meio de uso de técnicas conhecidas de estocagem e reaproveitamento da água, isso se fosse um problema apenas de peculiaridade hídrica regional, mas como não é, passa pelas condições socioeconômicas no acesso. Acrescido dos níveis de poluição e degradação de corpos d‟água e aquíferos de maneira crescente em escala internacional comandada pela produção do sistema capitalista. Esse alerta se passa pela notória desigualdade na distribuição da água da Terra, na medida em que 97,5% da água é salgada e apenas 2,5% é água doce. No entanto, dessa “pequena” quantidade de água doce, 68,9% localizam-se nas calotas polares ou geleiras; 29,9% são subterrâneas; 0,9% se encontram em outros reservatórios; e 0,3% estão nos rios e lagos. A desigualdade na distribuição da água doce superficial na Terra se agrava ainda mais quando analisada a partir dos continentes, pois 39,6% estão na América; 31,8% na Ásia; 15% na África; 15% na Europa e 9,7% na Oceania. O Brasil detém 13,7% de toda água doce do planeta.
Contudo, o Brasil também tem dispare desigualdade na distribuição da água, conforme aponta o Plano Nacional de Pós-Graduação da CAPES 2011-2010:
(...) esta água é distribuída de forma desigual entre as diferentes regiões. Enquanto na região Norte, com apenas 7% da população brasileira, concentra-se 69% da disponibilidade hídrica superficial do país, o Nordeste, com 29% da população, conta com apenas 3% desta disponibilidade. O Sudeste, onde vivem 43% dos brasileiros e se desenvolve grande parte da indústria nacional, conta com apenas 6% das águas superficiais do país. Em termos absolutos, esses números ainda representam uma disponibilidade hídrica confortável,
quando comparada com a de outras regiões (CAPES, 2010: 195).
É neste contexto que esta pesquisa apresenta a necessidade de se construir participativamente o Observatório Socioambiental da Água, pois o município de