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O estudo das tipologias construtivas segundo o NESDE, que começa por analisar os edifícios sobreviventes ao terramoto de 1755, que são escassos e muitos apresentam um estado de degradação elevado quando encontrados nos bairros históricos da cidade de Lisboa. Segundo o NESDE17, são referidos como edifícios notáveis individualizados no parque habitacional e são categorizáveis através das características próprias de cada um em três tipos:

• Edifícios de qualidade elevada, que possuem “alvenaria bem cuidada”18 e emparelhada “com elementos de travamento”19;

• Edifícios de qualidade inferior de alvenaria mais pobre e com paredes em taipa em “mal conservada”20 e de “espessura considerável”21, “vãos pequenos”22 e com o “sobrado de madeira”23 como solução em pavimentos superiores;

• Edifícios com Andar de Ressalto, que possuem “um rés-do-chão em alvenaria de pedra”24 e “alvenaria mista em enxadrezado”25 no revestimento exterior, possuindo ainda no máximo três pisos de acordo com a mesma fonte.

16 Fonte: Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Evolução das tipologias construtivas em Portugal. [Em linha]. Disponível em http://www-

ext.lnec.pt/LNEC/DE/NESDE/divulgacao/evol_tipol.html [consultado em 29-09-2018]

17 Fonte: Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Edifícios com estrutura de alvenaria (<1755). [Em linha]. Disponível em http://www-

ext.lnec.pt/LNEC/DE/NESDE/divulgacao/Edif_ant_1755.html [consultado em 29-09-2018] 18Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid.

19Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 20Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 21Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 22Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 23Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 24Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 25Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid.

São analisadas as principais características dos edifícios de acordo com o NESDE26 nos próximos 7 pontos:

1. De acordo com esta fonte, em termos de características gerais comuns, os edifícios desta época apresentavam no “máximo quatro andares”27 e “pé direito muito reduzido”28. Também segundo este, “tirava-se partido da inclinação do terreno na perpendicular à rua para o acesso aos andares superiores”29 através de escadas na fachada. São reconhecidos como edifícios com “grande densidade de paredes e poucas aberturas para o exterior30” o que se traduz numa inércia térmica alta e pouca luminosidade interior.

2. É também referido que o tipo de paredes podia variar em função das soluções a serem empregues. As paredes “podem-se identificar como sendo de cantaria, de alvenaria ou tabiques”31. As paredes de cantaria são aqui vistas “a solução mais nobre”, pois “apresentavam custos acima dos restantes”32, derivado à necessidade de utilizar pedras de forma regular que a pedra fosse “devidamente aparelhada”33 e assim contribuir no sentido estético e de longevidade para a qualidade do edifício. Então “as soluções construtivas com paredes de cantaria era bastante mais comum nos edifícios classificados, como palácios, monumentos e igrejas, do que nos edifícios tradicionais de habitação”34 derivado ao custo que apresentava.

3. Na mesma fonte, constata-se que em paredes de alvenaria ordinária, eram utilizados “blocos irregulares de pedra (dependente da zona do país em que se encontrava a construção) de dimensões médias e por tijolos ou pedaços de tijolos ligados entre si por uma argamassa de cal e areia”35. Este tipo de materiais era utilizado devido ao facto de estarem normalmente disponíveis perto da zona de construção e serem encontrados em abundância “em quase todo o território português”, tornando menos onerosa a construção na época que não dispunha da facilidade de transporte para materiais atual (ver Figura 1).

4. Também referida como presente, é a construção das paredes de alvenaria em taipa, que é constituída através da construção de moldes prévios preenchidos com terras argilosas e palha36. Segundo o NESDE37, sendo a argila é um material poroso difícil de encontrar na de construção devido à sua fragilidade aquando da exposição aos agentes

26 Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid.

27Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 28Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 29Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 30Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 31Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 32Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 33Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 34Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 35Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid. 36Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid.

climáticos, sendo mais passível de degradação em relação a elementos de pedra de acordo com a fonte supracitada.

5. São ainda referidas as paredes com alvenaria de adobe no mesmo documento, sendo uma técnica construtiva onde se aplicavam os mesmos materiais das paredes de taipa. Os tijolos eram formados em paralelepípedos e secos ao sol de acordo com o NESDE. Necessitava de cuidados extra pois “esta solução apresentava uma resistência deficiente face aos agentes atmosféricos, em virtude de se desagregar facilmente em presença da chuva ou da humidade ascendente, pelo que os tijolos não podiam assentar diretamente no solo”38. Os elementos seriam ligados através de argila ou argamassas correntes (ver Figura 2).

38Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do LNEC. (2005). Ibid.

Figura 1 – Exemplo de Parede de Alvenaria de Pedra com Revestimento de Argamassa de Cal e Areia, Rua de Aviz, Évora.

Figura 2 - Exemplo de Parede de Alvenaria em Adobe, Travessa do Afonso de Trigo, Évora

6. A última referência para as paredes, de acordo com a fonte anterior (NESDE) é a técnica conhecida como tabique sendo uma construção normalmente não estrutural, de carácter divisório ou de travamento, que consistia na aplicação de uma estrutura em madeira tipo “grelha” posteriormente preenchida com “pedaços de tijolo ou tijolo e pedra ligados e rebocados com a mesma argamassa de cal e areia”39.

7. De acordo com o NESDE, em coberturas, é usual encontrar um revestimento “telhas de canudo que podiam ser argamassadas ou aramadas”40 assente num contra ripado de madeira que servia para o revestimento não se movimentar e barrotes de madeira inferiores com função estrutural de suportar o peso do revestimento. “As coberturas podiam ser de quatro águas, o caso mais comum, de três quando o edifício se encostava a uma parede mais alta no tardoz, ou de duas paralelas ou perpendiculares á fachada”41 (ver Figura 342).