As vitaminas e os minerais não são capazes de gerar energia como os macronutrientes, mas mesmo ocorrendo em pequenas quantidades nos alimentos, são extremamente importantes para o organismo por desempenharem funções específicas e vitais nas células e nos tecidos do corpo humano. São os denominados micronutrientes (BRASIL, 2005).
As vitaminas são classificadas em hidrossolúveis (vitaminas do complexo B, ácido fólico e vitamina C) e em lipossolúveis (A,D,E,K) (FRANCO, 2005).
Segundo o Departamento de Nutrição e Metabologia da SBD (2008), as recomendações de consumo para idosos, adultos, gestantes e lactantes, adolescentes e crianças com DM1 ou DM2 são similares às para a população em geral.
A SBD (2009) recomenda que a suplementação medicamentosa apenas deve ser feita sob prescrição médica/nutricionista, em circunstânciasclaras de deficiência ou necessidadesespeciais como idosos, gestantes ou lactantes, vegetarianos e veganos. Ressalta- se a relevância dessa informação visto que oconsumo de doses excessivas pode desequilibrar as relações entre os nutrientes, além do potencial efeito tóxico, especialmente quando em uso prolongado.
Cálcio
O consumo diário de cálcio deve atender às recomendações, especialmente para idosos diabéticos, para prevenção de doença óssea. A meta pode ser atingida com a utilização de três porções de leite e derivados e porções diárias de vegetais verde-escuros, além da exposição rotineira à luz solar (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2009).
Alimentos ricos em ferro como fígado, leguminosas, carnes magras, vegetais folhosos e grãos integrais devem ser incluídos na dieta do portador de DM, assim como na população em geral dada sua importância orgânica.
É importante lembrar que o consumo associado de alimentos ricos em vitamina C favorece aabsorção do ferro ingerido, fortalecendo o sistema imunológico (CHARLES et al., 2000).
Em gestantes, a necessidade de ferro é aumentada para promover a expansão do volume sangüíneo materno e a síntese dos tecidos fetais e placentários. Quando necessário, é feita recomendação médica de suplementação na forma de sulfato ferroso (BRASIL, 2000).
Fósforo
O mineral fósforo é regularmente considerado como o segundo mineral mais abundante no organismo, e é o segundo elemento mais importante na manutenção da saúde e integridade óssea, ficando atrás apenas do cálcio, além de ser essencial para a realização de atividades indispensáveis para diferentes partes do corpo como o cérebro, rim e coração (BRASIL, 2008).
O fósforo é proveniente de diversas fontes alimentícias tais como carnes, nozes, cereais, legumes e inúmeros produtos lácteos.
Zinco
De acordo com Guia Alimentar da População Brasileira (2008), o zinco é um mineral essencial a inúmeras enzimas que estão diretamente envolvidas nas principais vias metabólicas, além de desempenhar papel fundamental na síntese protéica e no metabolismo dos carboidratos que são considerados pontos-chave na dieta diabética. É imprescindível na função imunológica, no desenvolvimento das atividades de substituição de perda tecidual e no processo de cicatrização.
Sódio
As recomendações de ingestão de sódio para o diabético, de modo geral, são semelhantes as do indivíduo não diabético e equivale a no máximo 2.000mg/dia. No entanto, especial atenção deve ser dada ao teor de sódio na dieta dos hipertensos e comproblemas
cardíacos e/ou renais, onde uma maior restrição se faz necessária (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2015).
O controle da ingestão de sódio é mais bem alcançado quando o diabético passa a ingerir alimentos naturais. Alimentos industrializados geralmente têm um teor de sódio aumentado, tanto pela adição de sal como pela presença de sódio na composição da maioria dos conservantes utilizados pela indústria (BRASIL, 2000).
Tabela 5 - Conteúdo de Sódio Alimentos In natura x industrializados CONTÉUDO DE SÓDIO DE ALGUNS
ALIMENTOS / 100g in natura (mg) enlatado (mg) Sardinha 128,7 556,6 Aspargo 5 410 Batata inglesa 47,4 1000 Ervilha 1,20 100,8 Molho de tomate 5 524
Fonte: Autora. Adaptado Tabela de Composição Química dos Alimentos (FRANCO, 2015).
De acordo com a observação dos dados apresentados na Tabela 5, é possível perceber o aumento significativo do teor do mineral sódio nos alimentos oriundos da indústria, o que leva a considerar que sua ingestão deve ser moderada, sendo sempre preferíveis os alimentos não processados.
Potássio
O potássio é o mineral que proporciona manutenção dos líquidos corporais e juntamente com o sódio, controla a pressão osmótica e promove a conservação do equilíbrio ácido básico, além de ser responsável pela manutenção do líquido intracelular, contração muscular, condução nervosa, freqüência cardíaca e síntese de proteínas e ácidos nucléicos (BRASIL, 2008).
Atenção deve ser dada a pacientes em uso de diuréticos, observando-se apossível perda de potássio, que pode ser reposto através da própria alimentação. Pode haver deficiência na descompensação diabética pela perda aumentada na urina e, também, pela cocção de hortaliças e frutas, já que este eletrólito se perde na água de cozimento (SBD, 2009).
De acordo com MS (2000) é importante incentivar oconsumo desses alimentos in natura, pois entre outros motivos, o uso de diuréticos pode culminar em perda significativa de potássio e também de magnésio.
O Quadro 6 expõe uma série de alimentos comuns com elevados níveis desse mineral. Quadro 6 - Alimentos Ricos em Potássio
Alimentos com ALTO teor de Potássio (K)
In natura
Maracujá, banana d’água/e prata, suco de laranja, abacate, uva, coco, melão, feijão, soja, grão de bico, ervilha, nozes, amendoim, avelã, amêndoa, lentilha, tomate, rabanete, espinafre, couve, brócolis, beterraba, nabo, cenoura.
Fonte: Autora, 2017.
Vale ressaltar que mesmo os alimentos industrializados relacionados contendo quantidade significativa deste mineral, por motivos de manutenção de saúde de maneira geral, não devem ser os prioritários na composição das refeições.
Magnésio
O magnésio é um importante mineral para controlar o diabetes, visto que regula o transporte do açúcar na corrente sanguínea além de diminuir o risco de doença coronária, pois pode diminuir o acumulo de placas de gordura na parede das artérias, além de auxiliar no sistema imunológico (BRASIL, 2007). Inúmeras são as fontes alimentares de magnésio, ressaltando-se banana, abacate, semente de abóbora, couve, acelga, chocolate amargo, espinafre, grãos de soja, etc.
Vitamina A
A carência da vitamina A, assim como da C e a presença de anemias (perniciosa ouferropriva) resultam em deficiência do sistema imunológico, aumentando a ocorrênciade infecções, que é fator determinante de descompensação diabética (SBD, 2009). Os alimentos mais comuns disponíveis ricos nesta vitamina são fígado bovino, ovos, cenoura, manga, mamão, tomate, entre outros.
Vitaminas B1 e B2
A carência subclínica de complexo B pode levar à depressão, falta deapetite e irritabilidade. A anorexia em diabéticos predispõe à hipoglicemia, sendo, portanto, importante ater-se a este dado na anamnese e acompanhamento de idosos diabéticos.
As vitaminas do complexo B geralmente necessitam de suplementação em pacientes submetidos à diálise pelas perdas ocorridas durante o procedimento (BATISTA, 2007).
As evidências clínicas apontam que todas as vitaminas do complexo B têm participação fundamental no metabolismo dos carboidratos, lipídeos e proteínas. Atuam de formas diferentes e em diversos sistemas enzimáticos, mas sempre participam como coenzimas na ativação de inúmeros processos metabólicos (ROBERTO et al., 2014).
Vitamina C
A vitamina C aumenta efetivamente a produção de glóbulos brancos que combatem microorganismos e estruturas estranhas ao corpo. Este nutriente também eleva os níveis de anticorpos no organismo, fortalecendo o sistema imunológico, e deixando o corpo humano menos suscetível a enfermidades e complicações decorrentes das mesmas (BRASIL, 2009).
A necessidade diária de vitamina C é estimada entre 25mg e 30mg por 1.000 kcal (FAO/OMS, 1998), que devem ser obtidos por meio da ingestão de alimentos de origem vegetal e frescos. As necessidades alimentares do ácido ascórbico estão aumentadas nos idosos, na gestação e na lactação.
A concentração estimada de vitamina C nos alimentos é afetada por diversos fatores: estação do ano, transporte, estágio de maturação, tempo de armazenamento e modo de cocção. Produtos animais contêm pouca vitamina C, e os grãos não a possuem. As fontes usuais de ácido ascórbico são vegetais, frutas e legumes (International Life Sciences Institute Brasil, 2012).
Vitamina D
A vitamina D, assim como o mineral fósforo, estão intimamente ligados ao metabolismo do Cálcio, sendo imprescindível para a utilização destes minerais. Em caso de gestação, se o cálcio dietético for insuficiente, o cálcio dos ossos maternos será utilizado pelo
feto emcrescimento (PEREIRA et al., 2014). Pacientes obesos e com DM2 frequentemente apresentam deficiência de vitamina D.
Vitamina E
A vitamina E, assim com a vitamina C, o betacaroteno (precursor da vitamina A) e o mineral selênio são antioxidantes que atuam na proteção contra doenças do aparelho cardiovascular, não havendo evidências suficientes paraque portadores dodiabetes os utilizem além daquantidade fornecida por uma dieta equilibrada como qualquer outro indivíduo (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2009).