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Nesta pesquisa, os dados coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e do diário de campo foram analisados pelo Método de Interpretação de Sentidos. Este consiste em um caminho de análise de palavras, ações, conjunto de inter-relações, grupos, instituições, conjunturas e outros corpos analíticos dentro de uma perspectiva das correntes compreensivas das ciências sociais (GOMES et al., 2005; GOMES, 2007).

Em sua fundamentação, esse método traz concepções da teoria da interpretação da cultura, que permitem ao pesquisador situar os dados como reflexos de estruturas simbólicas de significados socialmente construídos e estabelecidos historicamente. Além disso, propõe a articulação entre hermenêutica (compreensão) e dialética (crítica), possibilitando ao pesquisador caminhar no desenvolvimento do significado consensual daquilo que se propõe interpretar para

estabelecer uma crítica acerca de divergências e contradições dos significados e sobre as suas relações com o contexto (GOMES, 2007, p.99).

De acordo com esse método, a interpretação na pesquisa qualitativa diz respeito ao alcance da compreensão além dos limites do que é descrito e analisado, ou seja, “é o ponto de partida (porque se inicia com a própria interpretação dos atores) e o ponto de chegada (porque é a interpretação da interpretação)” (GOMES et al., 2005, p.202). Com base nessas concepções, foi escolhido esse método para a análise interpretativa dos dados das entrevistas, seguindo a trajetória sistematizada por GOMES (2007), que se inicia pela leitura compreensiva do material selecionado, seguida da exploração desse material e, ao final, a elaboração da síntese interpretativa.

Com esse propósito, primeiramente foram realizadas a transcrição e a digitação das entrevistas gravadas, assim como a organização e a digitação dos registros de diário de campo referentes às duas etapas da pesquisa. Esse material foi arquivado em pastas individualizadas no computador com identificação de acordo com cada participante.

Seguindo a proposta do método, na primeira etapa, foi realizada a leitura exaustiva dos dados transcritos de cada entrevista, para buscar a compreensão do conjunto e também de suas particularidades, mediante a imersão nos detalhes de cada fala. Durante essa leitura, foram sublinhados os aspectos importantes e feitas anotações e observações.

A partir dessa leitura exaustiva, com destaque dos trechos relevantes das falas, foi construída uma estrutura de análise em forma de quadro, em arquivo de planilha eletrônica, com uma planilha individual para cada entrevistada para iniciar a etapa de exploração do material. Nessa planilha individual, foram incluídos os

trechos das falas selecionadas na primeira coluna, sequencialmente, um em cada linha. Na coluna seguinte, foram descritas as unidades de registro identificadas nos trechos das falas, ou seja, as palavras representativas das idéias contidas nos trechos das falas. Depois de uma nova leitura, foram identificadas as categorias a partir das unidades de registro e realizados agrupamentos, considerando as temáticas que emergiram como ideia central representativa das falas.

A montagem dessa estrutura em quadro facilitou a exploração do material para posterior elaboração das sínteses interpretativas das falas na horizontal, na vertical e geral, do grupo de entrevistadas. Para tanto, primeiramente, foram reunidos todos os dados das entrevistadas em novas planilhas, sendo uma para os dados das entrevistas do período pré-natal e outra para os do pós-parto.

Nessa etapa de exploração do material, buscou-se, conforme explica GOMES (2007), identificar e problematizar as ideias implícitas e explícitas no texto, os sentidos mais amplos atribuídos à dor pelas participantes e, assim, estabelecer um diálogo entre as ideias retratadas nas falas, as informações provenientes de outros estudos sobre o assunto e o referencial teórico adotado para este estudo.

Na etapa de elaboração da síntese interpretativa, buscou-se a articulação entre os objetivos do estudo, o referencial teórico escolhido e os dados empíricos a partir dos sentidos mais amplos que traduziam a lógica do material. Por meio da leitura horizontal, foi elaborada a síntese interpretativa do conjunto das falas de cada entrevistada. Por meio da leitura vertical das falas, foi elaborada a síntese interpretativa conjunta das falas das entrevistadas (E1 a E10) de acordo com as respectivas temáticas. Em seguida, após leituras sucessivas das sínteses horizontais e verticais, foi elaborada a síntese interpretativa geral. Essas sínteses, além de propiciar uma visão tanto das particularidades quanto do conjunto dos

dados, como corpus de análise, forneceram subsídios para a construção de uma estrutura de análise dos dados. Esses procedimentos foram utilizados para trabalhar os dados provenientes das entrevistas do período pré-natal e do período de pós-parto.

Durante esse caminhar para a interpretação e análise dos dados das entrevistas do período pré-natal e de pós-parto, observou-se, com base no que afirma Gomes et al. (2005, p. 190), que “as estruturas para análise do material qualitativo são uma construção teórica”, realizada por aproximações sucessivas de categorização.

Com a sistematização dessa estrutura de análise e interpretação, emergiram das falas duas categorias temáticas que foram identificadas, de acordo com os conteúdos dos dados das entrevistas, como: “Construindo os sentidos da dor do parto normal a partir das perspectivas de dor no período pré-natal” e “Construindo os sentidos da dor do parto normal a partir da vivência parturitiva institucionalizada”. Esses temas constituíram as unidades de significação que emergiram naturalmente do texto analisado, segundo os critérios relativos à teoria que serviu de guia à leitura dos dados (BARDIN, 1979).

Conforme preconiza o Método de Interpretação de Sentidos (Gomes, 2007), na etapa de elaboração de síntese interpretativa, procurou-se trabalhar com os sentidos mais amplos que articulavam as explicações dos sujeitos da pesquisa e traduziam a lógica do conjunto do material, para, na redação do texto de análise dos dados (resultados e discussão), fazer uma articulação entre os objetivos do estudo, a base teórica adotada e os dados empíricos, segundo as temáticas que emergiram das falas.