3. METODE
3.2 M ETODE FOR INNSAMLING AV DATA
O comando da preparação para a instalação do bispado de Bauru esteve sob a responsabilidade de seu vigário decano, Padre Pedro Paulo Koop, MSC, vigário da paróquia de Santa Terezinha na cidade de Bauru.126 Padre Koop, de origem
122
DOIS AVISOS IMPORTANTES. A Fé, Bauru, 6 jan. 1963.
123 EM BOTUCATU SACERDOTES de toda a arquidiocese. A Fé, Bauru, 20 jan. 1963. 124 Ibid.
125
Ibid. Naquela semana, as liturgias foram celebradas na catedral de Botucatu que já estava adaptada às novas exigências litúrgicas, ou seja, o altar voltado para o público e a liturgia rezada na língua vernácula. Ibid.
126 KOOP, Pedro Paulo. Preparando a criação do bispado de Bauru. A Fé, Bauru, 24 set. 1961. p. 3. Interessante
que a nomeação foi para as “[...] deliberações que visam chegar à formação das comissões que devem cuidar do patrimônio da próxima futura diocese ou bispado de Bauru”. Ibid. Não se menciona a organização pastoral nem de recursos humanos. Frise-se que a cidade Bauru dista aproximadamente 100 km de Botucatu sede da diocese até 1964, quando Bauru foi elevada a sede de bispado. O trabalho de Padre Koop na formação da nova diocese foi reconhecido pelo Frei H. Baggio no dia da instalação da diocese: “Ao lado do
holandesa, chegou a Bauru em 1946 e, desde a criação do decanato de Bauru, em 1952, vinha ocupando o cargo de vigário decano. Desde 1950, dirigia o jornal “A Fé”. Os Missionários do Sagrado Coração estiveram à frente da administração pastoral de Bauru e da vasta região da noroeste paulista desde dezembro de 1913.127
O jornal “A Fé” foi um dos instrumentos para a divulgação tanto das notícias da preparação do bispado quanto de reflexões sobre o espírito da nova igreja particular que surgia. Trabalha-se aqui com o argumento de que o clima que ensejou a preparação da nova diocese se confundiu com aquele do Concílio e do otimismo existente para a solução dos problemas econômicos e sociais tanto pelo projeto político populista-desenvolvimentista e pela esquerda, quanto pelos católicos. Esta coincidência possibilitaria que a estrutura da nova diocese fosse concebida tanto no aspecto administrativo quanto na concepção pastoral, no espírito do Plano de Emergência e da renovação conciliar de uma Igreja adaptada aos novos tempos.
A partir de setembro de 1961, Padre Pedro Paulo Koop iniciou uma série de artigos no jornal “A Fé” com o título “Preparando o Bispado de Bauru” com o intuito de predispor o espírito e convocar todos os bauruenses e católicos das cidades vizinhas, para a empreitada dos preparativos para a instalação do novo bispado.
De início, o principal propósito consistia em mostrar que, na “nova” Igreja, cabia aos leigos um papel especial na formação de comunidades paroquiais, evocando um tema muito debatido na época do Concílio, qual seja, o retorno às fontes do cristianismo na tentativa de recuperar o espírito de comunidade dos primeiros cristãos. Deste modo, segundo Padre Koop,
proporemos alguma novidade, é verdade, mas em tudo assiste-nos a preocupação principal de criar entre os nossos católicos um espírito novo, direi melhor: de restaurar aquele antigo espírito que animava os primeiros cristãos em suas principiantes Igrejas, futuras dioceses e paróquias. É o espírito da solidariedade na caridade de que Jesus fez a nota distintiva de sua Igreja.128
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arcebispo avulta a figura do entusiasta Padre Pedro Paulo Koop, MSC, verdadeiro construtor da nova diocese. Quantos passos pelas ruas da cidade, quantas batidas às portas daqueles que poderiam ajudar, quantos apelos a todos quantos sentiam a necessidade de tal benefício, quantas horas de insônia, calculando espiritual e materialmente as possibilidades da nova circunscrição eclesiástica, quantos brados do púlpito e do jornal a todos os futuros diocesanos de Bauru. Pode hoje descansar: atingiu a meta!”. BAGGIO, Hugo. Ergue-te Bauru. A Fé, Bauru, 17 maio 1964.
127 PRIMOLAN, 1993, passim. Padre Pedro Paulo Koop foi eleito bispo de Lins em agosto de 1964, logo depois
de ter preparado a instalação da diocese de Bauru. Cf. ZIONI, Vicente Marchetti. Clero e povo de Bauru a D. Pedro Paulo Koop. A Fé, Bauru, 9 ago. 1964; PEDRO PAULO KOOP, DE BAURU, nomeado novo bispo de Lins. A Fé, Bauru, 23 ago. 1964. Participou da 3ª e 4ª sessão conciliar defendendo ideias radicais para renovação da Igreja. Em Lins, desenvolveu uma pastoral de acordo com o espírito do Vaticano II.
128 KOOP, Pedro Paulo. O papel dos leigos: preparando o bispado de Bauru. A Fé, Bauru, 3 set. 1961. (grifado
Padre Koop, depois de expor sobre a tarefa dos leigos na nova Igreja, tratou da questão da formação do clero para a futura diocese. Uma das justificativas para se preocupar com o aumento do número de sacerdotes, além de seu limitado número, estava vinculada com a constatação das mudanças ocorridas na sociedade bauruense. As mudanças na sociedade, em geral, teriam acontecido em virtude da introdução dos
rápidos meios de divulgação, os ‘modernismos’ avançaram interior adentro e alteraram profundamente a fisionomia moral da nossa gente. Bauru, no curto espaço de 15 anos, mudou notavelmente seus traços sociais. Virou cidade capital, burocrática, atacadista, ferroviária, estudantil e universitária. Devemos confessar que tudo isso não se processou sem uma vertical queda de nível religioso, e por quê? Julgamos que a Igreja em Bauru jamais conseguiu dispor do número de sacerdotes de que para cura geral e especializada necessitava a fim de acompanhar-lhe o progresso quase que anormal.129
Não seria mais admissível, segundo Padre Koop, a Igreja manter um pároco que pudesse cuidar de setores tão específicos que exigiam profissionais especializados, assim como estaria ocorrendo em vários campos científicos no início da década de 1960. Mesmo que a nova diocese fosse limitada em número de paróquias, argumentou-se que o seminário da diocese “no prazo de 15 a 20 anos, deverá estar produzindo, anualmente, um contingente de 15 a 20 sacerdotes, o que significa uma média de 300 candidatos, desde o início, dada a alta porcentagem de perdas durante o curso de 15 anos”.130 Mostrou também a necessidade de prover as
paróquias com os respectivos párocos e insistiu na necessidade de padres para trabalhar na zona rural junto aos camponeses. Há indicações de que o motivo para se pensar na formação de padres especializados para atuar em áreas específicas fosse consequência da experiência da Ação Católica especializada. Esta tinha como objetivo a cristianização e transformação dos ambientes específicos onde se encontravam os cristãos e também da necessidade de padres que tivessem sensibilidade necessária para considerar a realidade social e econômica das paróquias como ponto de partida para o planejamento e ação pastoral.
Como já foi discutido,131 desde 1950 a Igreja no Brasil passou a preocupar-se
129 KOOP, Pedro Paulo. As necessidades da Igreja. A Fé, Bauru, 10 set. 1961.
130 Ibid. Em 1982 havia apenas um seminarista cursando Teologia em São Paulo pela diocese. (testemunho do
autor)
mais diretamente com o homem do campo. No início da década de 1960, diante do avanço dos comunistas na área rural, aquela preocupação aumentou ainda mais. Como consequência, era necessário que houvesse
sacerdotes que, organizadamente, com conhecimento de causa e bem a par da situação, venham ao encontro dos anseios do operariado rural. Esse operariado esquecido, agora desperto sob o toque de amigos e inimigos da Religião, tenta organizar-se para sua redenção e elevação na escala social e clama por sacerdotes e líderes que lhe façam justiça, o guiem no caminho da justiça, paz e liberdade evangélicas, o instruam na conquista de um justo pedaço de terra e seu cultivo racional e produtivo, a fim de que possa ganhar o suficiente em bens terrestres que o ajudem (e não estorvem) no caminho do bem eterno.132
Mais que um pastor de almas, a atuação do novo sacerdote deveria ser a do líder a conduzir os trabalhadores rurais organizados em suas lutas pela conquista da terra e melhoria de suas condições de vida. Muitos sacerdotes se envolveram na formação de sindicatos de trabalhadores rurais e em projetos de educação popular não só no campo, mas também nas periferias dos centros urbanos. A Igreja projetava seu envolvimento com o movimento popular como parte de sua missão.
Entre as exigências da nunciatura apostólica para a criação da diocese, estava a criação do seminário para a formação do clero.133 Como a carência de
padres era uma das principais preocupações da Igreja no período, o seminário era visto como o “coração de cada diocese”. Deste modo, envidaram-se esforços para conseguir um terreno junto ao poder público local para a construção do seminário, e que
levantem os bauruenses e moradores das cidades vizinhas o Seminário do Divino Espírito Santo, joia de arquitetura, e bem equipado, para atestar a pujança da nossa fé, a largura de nossa caridade para com a Igreja que nós mesmos somos. Um orgulho
132
KOOP, Pedro Paulo. Sacerdotes e edifícios: preparando o bispado. A Fé, Bauru, 17 set. 1961. Além de sacerdotes especializados para a área rural também menciona a necessidade de formar sacerdotes para as funções de: “substitutos, assistentes, catequistas, escritores, jornalistas, conferencistas e missionários”. Ibid. Para isso seria necessário uma revitalização da vida comunitária paroquial (como descrita no capítulo 2.6) que lotasse o seminário e suscitasse numerosas vocações especializadas. Na Igreja renovada a administração dos bens materiais da Igreja caberia aos leigos e liberaria o clero para as atividades espirituais e pastorais. Em 15 dez. 1961, o jornal “A Fé” publicou a Declaração da Comissão Central da CNBB intitulado “A Igreja e a situação do meio rural brasileiro” no qual se propunha trazer a público “as precisões e desenvolvimentos trazidos à Rerum Novarum pela Mater e Magistra e para divulgar os novos aspectos da questão social indicados e analisados pelo Vigário de Cristo”. Cf. A IGREJA e a situação do meio rural brasileiro. A Fé, Bauru, 15 out. 1961. p. 4.
133
No esquema de discussão do Vaticano II as vocações sacerdotais ocuparam um lugar de destaque como um dos “problemas mais vivos, mais universais e mais necessitados de urgente solução. [..] Para o Papa este assunto é uma preocupação diária, é uma contínua oração, é o ardente desejo de sua alma”. KOOP, Pedro Paulo. Estudos e propostas sobre temas conciliares. A Fé, Bauru, 18 ago. 1962. p. 5.
para toda região.134
O projeto do seminário ofereceu uma mostra do que se esperava de pujança e poder da Igreja na nova diocese. Pensava-se em manter “300 alunos” com a necessidade de a um alto investimento para a manutenção do mesmo, cuja previsão girava em torno de “5 milhões de cruzeiros” por ano.135
A constituição do patrimônio da nova diocese foi desenvolvida, como era praxe, com doações de particulares em bens ou dinheiro, doações dos católicos em geral com diversas campanhas como a doação de “um dia de trabalho” e recursos conseguidos do poder público estadual e municipal.
Entre a grandes doações, consta uma de 5 milhões de cruzeiros conseguida junto ao governo do Estado de São Paulo, intermediada pelo então deputado Avallone Jr, amigo pessoal do Padre Koop desde longa data, cuja notícia saiu estampada em primeira página do jornal bauruense “Diário de Bauru”, de propriedade do próprio Avallone.136
Por outro lado, era imprescindível se programar para a manutenção do patrimônio, depois de constituído e garantir o funcionamento da futura diocese. O Padre Koop propunha uma nova postura cristã ante a aquisição dos recursos materiais que não deveria ser mais função do clero, mas dos leigos, cujas contribuições mensais ou dízimos, seria uma forma mais evangélica para se manter os serviços da Igreja, pois tinha respaldo na bíblia. Pois, mais que o dinheiro, agora,
importa a vontade de contribuir, importa o amor com que se contribui, a confiança no destino para o qual se contribui. Dízimos e coletas devem ser frutos de uma mentalidade convictamente cristã, de uma atitude de solidariedade comunitária cristã, de um senso de co-responsabilidade pelas cousas de Deus, pelos interesses de Cristo e sua Igreja entre os homens. A Igreja é ou não é a concretização, a encarnação social do Reino de Cristo na terra? Dela depende ou não depende a salvação temporal e eterna dos
134
KOOP, Pedro Paulo. Sacerdotes e edifícios: preparando o bispado. A Fé, Bauru, 17 set. 1961.
135
Ibid.
136
“O deputado Avallone Jr desincumbindo-se de compromisso com o arcebispado de Botucatu e o vigário forâneo de Bauru, Padre Pedro Paulo Koop, está pagando, através da secretaria da fazenda 5 milhões de cruzeiros, de sua verba pessoal, contribuindo assim, de maneira objetiva para a concretização do Bispado da ‘Cidade sem Limites’, incluindo seu nome entre os beneméritos ao lado do Comendador José da Silva Martha, doador da área de terra para o futuro palácio episcopal, e a Prefeitura que doou terreno na Vargem Limpa”. CHEQUE DE 5 milhões entregue para o futuro bispado local. Diário de Bauru, Bauru, 24 out. 1963. Há de se enfatizar a tendenciosidade da notícia ao tentar passar a ideia de que a doação teria sido feita do patrimônio do próprio deputado. A amizade que unia Avallone e Padre Koop foi herdada por D. Zioni. Em setembro de 1964, D. Zioni, de Roma, onde participava da 3ª sessão conciliar, enviou carta ao mesmo para “[...] agradecer- lhe a atenção demonstrada para com o Seminário de Vocações de Adultos que tanto me está preocupando. Ademais, não posso esquecer sua generosidade, para com o mesmo porque, em nome da diocese, reitero o máximo agradecimento”. DOM VICENTE: “PEÇO A DEUS faça com que os seus ideais de progresso sejam coroados de êxito”. Diário de Bauru, Bauru, 11 out. 1964.
indivíduos e dos povos? Das gerações presentes e futuras? Somos ou não somos a Igreja e, portanto, a representação de Cristo no mundo?137
O conceito de igreja entendido como o conjunto dos templos, do clero e dos religiosos é abandonado e, aos poucos, emerge a noção de Igreja composta pelas pessoas cristãs. Da noção de clientes de bens sagrados, passa-se a construir a noção de Igreja como “povo”. Da concepção da salvação sobrenatural, eterna e moral do homem, surge o conceito de que o reino começa neste tempo histórico, possui uma dimensão política, social e econômica, e todos os católicos são responsáveis pela sua construção.
Se existia dificuldade para angariar os recursos materiais necessários para a constituição da estrutura da nova diocese, aquela era atribuída à falta de “espírito cristão”. Esta ausência se constituía em atraso para a Igreja nas obras que poderia realizar. Segundo Padre Koop, “todos os membros da Comunidade têm o dever de colaborar, de praticar o amor mútuo, principalmente preenchendo necessidades e comungando preocupações”.138
A proposta para a fonte de renda para a manutenção da nova diocese estaria na introdução dos “dízimos”, que fazia parte da renovação da Igreja e se atribuiria aos leigos uma função antes exercida pelo clero. Pois, de acordo com a proposta de reforma das fontes de renda,
desligados do econômico mesmo no tocante à manutenção da vida e casa própria e às preocupações materiais, ganharão os sacerdotes em espírito de religião e pobreza, em força evangelizadora, em desprendimento e virtude, em estima e veneração.139
As necessidades materiais do clero se colocavam também em função das “exigências do moderno apostolado e de uma cura de almas que clama por renovação”,140 mas que dependem de recursos econômicos.
Se até então a origem das rendas destinadas à manutenção das paróquias estava na cobrança de taxas ou espórtulas pelos serviços prestados pelo clero por ocasião da realização dos sacramentos, na coleta durante a missa, nas quermesses e doações voluntárias141, os dízimos constituíam-se em doação de parte da renda
137 KOOP, Pedro Paulo. Espírito que vivifica: preparando o bispado (VIII). A Fé, Bauru, 5 nov. 1961. (grifado no
original)
138
Ibid.
139
Id. Preparando o bispado. A Fé, Bauru, 8 out. 1961. p. 4,
140
Ibid.
familiar dos paroquianos para a manutenção dos serviços eclesiásticos. No caso da nova diocese, 70% da renda seriam destinadas para as despesas paroquiais e 30% para as despesas diocesanas: casa do bispo, cúria e seminário.142
Segundo Padre Koop, os dízimos
[...] criarão no espírito do nosso povo a necessária consciência comunitária cristã, o espírito e co-responsabilidade e de amor à causa de Cristo no mundo e sua Igreja. [...] Tempos novos exigem costumes novos, mas o sistema dos dízimos remonta aos antigos tempos católicos e aos primeiros tempos cristãos.143
Portanto, o sistema de dízimos se inseria na proposta da Igreja renovada cuja ênfase recaía na vida comunitária paroquial.
Em novembro de 1961, Padre Koop demonstrou uma consciência clara da necessidade de se fazer mudanças na organização interna da Igreja, ao ritmo das discussões em preparação ao Vaticano II. Também demonstrou que existiam dificuldades enormes para se concretizar as mudanças em função das resistências colocadas por aqueles que não a desejavam. É assim que, ao refletir sobre a novidade da organização das comunidades para a coleta dos dízimos, tentou vencer as resistências colocadas por alguns leigos e por parcela do clero. Afirmou que
toda novidade é recebida com desconfiança. Reformas de base costumam impressionar mal no princípio, como se fossem revoluções bárbaras! Tentar quebrar tabus, vencer resistências, implantar cousas antes nunca vistas, mesmo que estas impliquem reais progressos e melhorias, são ocupações assaz perigosas que podem levar seus autores à fogueira. Mas saibam todos: os tempos mudam, a humanidade progride, e permanecer, então, nas posições antigas, é não avançar, é não alcançar mais o próximo futuro, é perder a batalha da nova geração.144
A coleta dos dízimos implicava tanto a participação dos leigos quanto a sua organização nas paróquias da futura diocese. Seria criada uma comissão diocesana denominada “União Diocesana” que teria como uma de suas funções a criação de
comissões paroquiais cujos respectivos presidentes, auxiliados pelos respectivos párocos, dividirão as paróquias em quadras e setores, de limitada superfície cada, confiando-as a Coletores. Estes,
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superadas e antiquadas. As taxas ou contribuições tabeladas [...] implicam algo que diminui o respeito às funções sagradas, fazem avaliar erroneamente os santos sacramentos e sacramentais e ferem o caráter comunitário da Família de Deus. [...] Na questão dos estipêndios da missa vigora uma mentalidade errada. Parece que nosso povo, ao encomendar uma missa, pensa em termos de fornecedor e freguês. Acha que, pagando um estipêndio, adquire o domínio completo da missa, passando esta a ser propriedade sua, exclusiva e particular [...]”. KOOP, Pedro Paulo. A coleta dominical: preparando o bispado (VII). A Fé, Bauru, 22 out. 1961.
142
KOOP, Pedro Paulo. Preparando a criação do bispado de Bauru. A Fé, Bauru, 24 set. 1961. p. 3,
143
Ibid.
144
mensalmente, visitarão as exmas. famílias de sua quadra ou setor, solicitando o dízimo do corrente mês. Os Coletores de quadras ou setores receberão uma porcentagem (10%) sobre o dízimo recebido para contrabalançar os gastos de tempo, roupa e sapatos.145
A atividade do coletor não deveria reduzir-se a coletar o dinheiro e entrega-lo à comissão central. Deveriam cumprir uma função de intermediários entre as famílias e o pároco aproximando este do povo. Por isso,
o coletor de quadra ou setor deve ser pessoa educada, compreensiva, religiosa, que saiba transmitir uma mensagem do pároco, informar sobre o movimento religioso da paróquia, interessar- se pela difusão do jornal católico, etc.; e saiba também informar-se sobre o estado de um doente, ouvir uma queixa e receber um pedido a fim de, a pedido, transmiti-lo ao pároco, à comissão paroquial ou à presidência de uma associação religiosa.146
Naquele momento, novembro de 1961, a expectativa seria que se as coletas dos dízimos funcionassem durante o ano de 1962, em janeiro de 1963 todos os recursos materiais necessários para a instalação da diocese como prédios e terrenos estariam prontos.147
Uma nova diocese enfrentaria diversos desafios, particularmente em função da reforma que se fazia no catolicismo, acelerada desde a convocação do Concílio. Em outubro de 1961, Padre Koop elencou alguns dos problemas que a nova diocese teria:
problemas de pregação; de catequese; de vida litúrgica; do uso dos sacramentos; da observância dos mandamentos; da penetração popular do espírito ecumênico; das relações humanas com os