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4. FELTARBEID OG METODE

4.3 M ETODE

Fonte: arquivo pessoal de Joselma Bianca Silva de Souza Mendonça.

O ritual de procissão de Nossa Senhora da Conceição ocorre a cada ano sempre no mês de dezembro. É a procissão que fecha a novena em homenagem a santa. O curioso nessas caminhadas de fé é a presença do bombo e da gaita para prestigiar o momento.

Já vimos que o ritual de batismo é um dos ritos de iniciação da vida cristã. Assim como manda a tradição católica, os Potiguara costumam conduzir os seus filhos ainda pequenos para a capela para que os mesmos possam receber a primeira bênção. Acompanhada dos pais e dos padrinhos, a criança vem trajada de branco para participar do ritual que para os familiares é de grande densidade espiritual.

Complementando o quadro de rituais católicos dos Potiguara, apresentamos a malhação de Judas, uma prática comum que ocorre todos os anos na aldeia durante a semana santa:

Logo, na madrugada da sexta-feira santa para o sábado de aleluia, algumas pessoas da localidade costumam invadir os quintais vizinhos para tirar uma roupa do varal. O motivo, é montar um boneco que simbolize o Judas Iscariotes, personagem bíblico que vendeu o Cristo por trinta moedas de prata.

Na oportunidade, os jovens enchem as roupas de palha de bananeira, dando forma a um boneco na estatura de uma pessoa adulta. Após confeccionar o Judas, os participantes iniciam o ritual da malhação do boneco, procurando de todas as formas bater no mesmo, desmantelando todo o seu corpo. Para concluir o serviço da malhação, pregam o boneco num pau ou num poste da Aldeia para que todos que por ali passarem o vejam e zombem dele.

O ritual da malhação de Judas, para alguns indígenas de São Francisco é símbolo de profanação, uma vez que manifesta brincadeira que muitos consideram de mau gosto. Porém, outros moradores do lugar reconhecem como ritual sagrado, alegando que por trás de um gesto que aparentemente parece travessura, se manifesta um sentimento de solidariedade ao Cristo sofredor, pela sua paixão e pela traição sofrida.

A vigília pascal é uma celebração católica e ao mesmo tempo tradicional na aldeia São Francisco. Segundo os preceitos católicos, é por meio da vigília pascal que o cristão renova as promessas do batismo para poder festejar a páscoa. Saindo da escravidão do pecado, cada indígena acredita ser lavado das maldades e receber uma vida nova.

A vigília pascal se reza na madrugada do sábado de aleluia para o domingo de páscoa, sempre por volta das três ou quatro horas da manhã quando a comunidade se dirige à capela. Ali, celebram na simplicidade a vitória do Cristo ressuscitado.

No decorrer da vigília, os indígenas contemplam o credo rezando em voz suave. Em seguida, cantam o ofício de Nossa Senhora. Dando continuidade ao ritual, entoam mais um canto conhecido entre eles como: o pranto de Nossa Senhora. E, para finalizar, cantam o pranto de Jesus, meditando o sofrimento que o mesmo passou ao ser crucificado, entoando em seguida o canto de aleluia.

A celebração da vigília, segue essa sequência, sendo concluída ao final da tarde do domingo do mesmo dia com a bênção da nova luz, onde cada pessoa recebe consigo uma vela que será acesa no círio pascal.

Desde o tempo em que o padre Ailson dos Santos atuava na paróquia de Baía da Traição, especificamente, a partir do ano de 2005, a comunidade Rainha da Paz com o apoio do sacerdote incentivou o trabalho missionário na aldeia São Francisco. O ícone de Jesus Misericordioso é um desses modelos de evangelização que foi introduzido na aldeia.

Com os trabalhos missionários dos integrantes da Rainha da Paz, cresceu assim a reza do terço da misericórdia e com ele também um novo modelo de evangelização que cativou a devoção entre as famílias do lugar.

O movimento promovido pela Rainha da Paz se propagou, alcançando outras aldeias Potiguara, tendo à frente jovens dedicados exclusivamente ao trabalho missionário que

durante os trinta dias do mês percorrem as residências familiares levando consigo o ícone da misericórdia.

De acordo com Silva (2011), um representante do grupo jovem missionário de São Francisco é que ministra o terço com reza, cantos e pregação da palavra bíblica. O movimento conta com as famílias que comparecem fielmente todos os dias às residências onde será ministrado o ritual. Sempre munidos pela fé em trazer a bênção e levá-la também aos seus lares, todos participam com muita devoção deste momento religioso.

De acordo com depoentes, aquela família que é agraciada pela visitação do ícone, prepara o ambiente para acolher as demais famílias que comparecerão à sua residência e compartilharão das graças divinas.

A reza do terço da misericórdia é um ciclo que nunca foi quebrado desde que iniciou, de tal maneira que todos os participantes que recebem a imagem também continuam a peregrinação no dia seguinte, acompanhando o ícone sendo conduzido a outra família.

E assim, nesse caminhar, os Potiguara também acreditam promover uma jornada espiritual para alcançar a transcendência e poder perceber a partir do rito, uma maneira de atingir a plenitude divina.

Para os indígenas, receber o ícone de Jesus Misericordioso em sua residência, é receber a presença do sagrado que se espelha também no calor humano dos visitantes que no decorrer do rito partilham entre si as dificuldades diárias, as conversas, e sobretudo a fé naquele que sempre caminha junto com o seu povo.

Sobre a sequência seguida no terço da misericórdia, inicia-se primeiro com o sinal da cruz e invocação à santíssima trindade. Em seguida, entoa-se o canto de entrada e se faz um momento de reflexão sobre as faltas cometidas. Para finalizar, ocorre a leitura da palavra, fechando o momento com o sinal da cruz.

Além do terço da misericórdia, o terço dos homens também mexe com a devoção dos Potiguara de São Francisco, de maneira que os jovens comparecem à capela para expressar seu amor a Maria e a Igreja.

Portando instrumentos de corda e de percussão, eles celebram a vida e a redenção de Cristo rezando e meditando o terço. A cada mistério, os jovens cantam e se alegram como prova de confiança ao Deus supremo.

O movimento, sendo sinal de manifestação de fé entre os indígenas do lugar, torna-se outro meio de evangelização destinado à juventude com o intuito de salvá-la de todas as armadilhas inimigas, como: prostituição, bebedeiras e sobretudo contra o consumo de drogas.

Do mesmo modo, como o terço da misericórdia, o terço dos homens faz parte de um movimento de resgate de almas para Cristo e para a Igreja católica que se firma a cada dia na realidade daquela gente.

O convite para se integrar ao grupo é estendido a todos do lugar, porém um pequeno número é que comparece à capela, sendo fiel a este serviço.

Como já mencionamos o terço, não poderíamos de deixar de citar aqui o tradicional mês de maio. Neste mês, se reserva um tempo exclusivo dedicado a Nossa Senhora. Muitas crianças comparecem na capela trajadas de anjinho e permanecem no altar próximo à imagem da virgem Maria no decorrer das celebrações e rezas.

São trinta e uma noites de festa e de alegria na capela. A cada noite, as famílias rezam o terço e cantam a ladainha aquela que reconhecem como a mãe de Jesus.

No último dia do mês de maio, a quantidade de pessoas multiplica para presenciar o rito simbólico da coroação. Para o ritual de coroação, são escolhidas duas crianças que simbolizarão os anjos que coroarão a santinha. Ao final do terço, a comunidade canta a ladainha de modo que todos ficam atentos para o rito final.

Entoando o canto de exaltação à mãe de Cristo, toda a comunidade presencia quando uma coroa é posta sobre a cabeça da imagem de Nossa senhora. Com este gesto simbólico, o indígena manifesta a terna devoção a Maria, na certeza de que ela está presente a cada dia no seio da família Potiguara.

Junho, é o mês das festas juninas e de celebrar três santos importantes da Igreja católica: Santo Antonio, São João e São Pedro. Como já citamos, as comemorações em homenagens a eles ocorrem durante todo o mês de junho, com direito a trezena e a novena. As orações e súplicas, coincidem com o tempo de comemorações com fogueira, da colheita de milho e produção de comidas típicas derivadas do mesmo produto. É um gesto que se repete a cada ano e a comunidade Potiguara olha com muito respeito.

Nesse contexto de múltiplos significados, o cristianismo católico da aldeia São Francisco segue em frente, apresentando consigo o estandarte de uma devoção deixada pelos colonizadores dos tempos de conquista. Uma devoção que não se cansa, ao contrário: alimenta a cada dia o cotidiano dos Potiguara.

4.3 Rituais Evangélicos Potiguara

Nas mais variadas denominações evangélicas existentes, existem também cultos com variadas formas. É a doutrina adotada por cada religião que vai determinar os modelos rituais que serão empregados no decorrer das celebrações. De uma forma ou de outra, cada rito com sua diversidade dá um contorno todo especial ao mundo do sagrado. Pois é ele um dos referenciais da espiritualidade que permeia em cada credo.

Como há princípio já fizemos referência à Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Água Viva, neste item contemplaremos os trabalhos missionários da Betel Brasileiro por reconhecermos a sua forte atuação na realidade social dos habitantes de São Francisco.

O batismo se apresenta como rito de iniciação na Igreja Missionária Evangélica Betel Brasileiro (IEMBB) e geralmente é realizado no rio Sinibu. Segundo informações obtidas pelos moradores locais, ele ocorre por imersão, com idade a partir dos catorze anos; e por aspersão, se caso a pessoa estiver enferma e não puder se deslocar para o rio.

O ritual de batismo, representa um rito de passagem que integra o indivíduo à comunidade evangélica.

Outra característica dos ritos evangélicos da IMEBB, são as moções interiores vindas do pastor no decorrer do culto. Em cada etapa do ritual, segue-se uma sequência, iniciando com a oração espontânea presidida por quem está ministrando ou por alguém da assembleia que seja convidado pelo presidente da celebração. Em seguida, a comunidade evangélica entoa cantos ao som de instrumentos como: violão, guitarra e bateria, abrindo assim o ritual de louvor.

No decorrer do culto, os visitantes são acolhidos com as boas-vindas. Dando continuidade ao momento, segue o ofertório, seguido da proclamação da palavra. E, por fim, os avisos são dados à comunidade, ocorrendo em seguida o louvor final.

Em São Francisco, a Igreja Missionária Evangélica Betel Brasileiro é coordenada pela missionária Rosália que há mais de trinta anos atua na evangelização dos habitantes do lugar.

Dentre as principais atividades religiosas da Igreja Evangélica estão: a santa ceia, realizada a cada mês, os trabalhos das escolas bíblicas destinadas aos adultos e às crianças, o batismo e a escola mantida pela própria instituição. Além desses referenciais, a Igreja conta com o trabalho de visitação nas residências familiares, buscando de certa forma auxiliar os congregados em alguma necessidade, oferecendo-lhes orações e aconselhamentos.

A Betel também conta com uma escolinha de primeiro grau. É uma oportunidade para educar e evangelizar a comunidade local. Alfabetizando e promovendo eventos educativos, a escola se destaca e mantêm respeito frente à comunidade que também costuma prestigiar os eventos promovidos por ela.

No trabalho realizado pelos membros da Betel, o cuidado com as crianças torna-se essencial, de sobremaneira que são promovidos encontros dominicais para lhes ensinar passagens da bíblia, o exercício da oração e os cantos. As brincadeiras constituem dinâmicas para tornarem o ambiente ainda mais acolhedor, evitando assim a dispersão da meninada.

Os dirigentes, também promovem a participação das crianças nos cultos com louvores e cantos, motivando assim a causa da evangelização entre os pequeninos. Uma dinâmica que se estende aos jovens e aos adultos integrantes do grupo evangélico.

A Betel vivencia todos os anos atos festivos, sendo realizada no mês de maio a festa das mães, no mês de agosto a festa dos pais e em outubro a comemoração ao dia das crianças, fechando o quadro de atividades com os festejos natalinos.

Em todas essas ocasiões se prestam homenagens seguidas sempre de orações, lanche e presentes.

A catequese promovida pela Betel é muito simples, assim como os cultos semanais, atraindo também religiosos católicos sem nenhuma distinção. Tudo isso, constitui numa maneira de promover a vida fraterna e solidificar a fé e a caminhada dos integrantes da religião evangélica.

Quanto aos pastores evangélicos e aos locais de culto, lembramos que os mesmos promovem encontros na própria aldeia com as irmandades residentes em outras localidades, como também os evangélicos se deslocam de São Francisco para aldeias adjacentes para realização de cultos, congregando com outros irmãos a fé. Além do mais, nas comemorações do tradicional Dia do Índio, os mesmos costumam comparecer ao terreiro sagrado situado em São Francisco para prestigiar o momento festivo da tradição Potiguara.

Para a realização dos seus rituais, o IMEBB possui uma programação toda definida no decorrer da semana para que os fiéis possam se orientar e participar melhor dos cultos.

A seguir, apresentaremos os dias e horários dos eventos evangélicos da aldeia São Francisco:

Quadro 3– Programação de Culto Semanal da Igreja Evangélica Missionária Betel Brasileiro

QUARTA-FEIRA Oração - 19:00 às 21:00

SÁBADO Louvor e adoração – 19:00 às 21:00 DOMINGO Louvor e adoração – 19:00 às 21:00

Fonte: Silva (2011).

Sobre a Igreja Evangélica Assembleia de Deus Minitério Água Viva, já fizemos

referência no capítulo anterior, alegando que a mesma possui as mesmas características de culto da Igreja Betel Brasileiro. Neste caso, apenas apresentaremos aqui o seu calendário de atividades semanais:

Quadro 4 – Programação de Culto Semanal da Assembleia de Deus Ministério Água Viva

TERÇA-FEIRA Culto de adoração – 19:00 às 21:00 QUINTA-FEIRA Culto de doutrina – 19:00 às 21:00

DOMINGO Pregação – 19:00 às 21:00

Fonte: Silva (2011).

É nessa perspectiva que os rituais movem a fé dos indígenas de São Francisco: mantendo sempre no plano do imaginário daquela gente um descortinar de valores, erguendo dentro de vários paradigmas um mundo de significados e sentidos, desvelando de maneira nobre a força da espiritualidade dos remanescentes que habitam o Litoral Norte do Estado da Paraíba.

4.4 Ritos do Carmelo Monástico

No decorrer da pesquisa que desenvolvemos junto às carmelitas, encontramos diversos rituais em torno da clausura que nos foram repassados com detalhes. Distribuídos desde os mais simples aos mais solenes praticados em dias de festa, os rituais carmelitanos revelam em sua essência a manifestação de um tempo religioso que se manifesta também nos atos cotidianos.

A seguir, apresentaremos os diversos ritos que são vivenciados na clausura do Carmelo Monástico, para compreender melhor a espiritualidade dessas religiosas:

Embora, preservando o silêncio, o trabalho diário é uma prática comum entre as comunidades monásticas. O dia-a-dia de uma religiosa que vive no mosteiro é muito simples, porém de muita oração e entrega.

Tudo começa com o despertar para o exercício das orações que são executadas logo na madrugada, antes do amanhecer, quando se reza o Ofício de Leituras. Após esse ritual, a religiosa segue uma sequência de ritos que vão até às seis horas da manhã, quando esta se prepara para a missa. Sobre esses rituais, trataremos mais adiante.

Depois da celebração da missa, a carmelita toma o café da manhã e vai para a oficina que lhe foi confiada pela superiora do mosteiro. Lá, executa o seu trabalho em profundo silêncio, mas sempre alerta ao toque do sino, por que este convoca para os ofícios intermediários que são realizados no decorrer da manhã até o final do dia.

Sobre os serviços que são executados, em nenhuma ocasião a religiosa deve mudar de oficina e deixar o seu trabalho, a não ser por motivo de saúde ou por determinação da superiora, sob a qual está encarregada a comunidade.

Existem várias oficinas para executar as atividades, como: lavanderia, campo, copa, provisória e outros serviços complementares, como: tomar conta do galinheiro e cuidar de outros animais que são: bois e carneiros, se caso existir na comunidade.

Todas as atividades são desenvolvidas com bastante zelo e decoro, de maneira que a monja alcance a perfeição em todos os afazeres do mosteiro.

Sabendo que de todas as coisas devem prestar conta ao final do dia, as carmelitas seguem obedientes e mansas de coração no interior do Carmelo.

Ao concluir o serviço no final do expediente e após a refeição do dia, as religiosas devem comparecer ao recreio comunitário com olhar sempre alegre e com um sorriso acolhedor para todos da comunidade, sem demonstrar cansaço ou fadiga. Um gesto que deve permanecer especialmente nos dias de jejum e orações intensos. Pois segundo os depoentes, a verdadeira santidade consiste em fazer aquilo que não os agrada, acolhendo as labutas diárias como graça e vontade divina.

Os retiros no Carmelo são constantes e sempre realizados em solidão, de modo que a vida monástica já é de privações e de abandono. Segundo os depoentes, as práticas ascéticas contribuem para fortalecer o vínculo com a eternidade, por meio das quais a pessoa passa a conhecer melhor a sua vontade.

Aparentemente, a vida que se leva na clausura pode parecer rotina que transparece cansaço e fadiga por serem os gestos tantas vezes repetidos todos os dias e em horários definidos. Mas, existem também os momentos de descontração e de lazer que são vivenciados no mosteiro. As brincadeiras no pomar, as peças teatrais que são promovidas na comunidade, as festas de aniversário de alguma irmã e igualmente as festas dos santos da Ordem são acolhidas com bastante entusiasmo.

São momentos oportunos que ajudam a família carmelitana a descobrir o labor de viver na solidão do Carmelo, num espaço que reverbera momentos de alegria, de poder descobrir na sua caminhada, o motivo maior de sua entrega: o sagrado. Sendo ele, apenas a razão de viver no completo abandono no claustro e na solidão de tantos desertos sob os quais se debruça a carmelita.

O exame de consciência também faz parte do rito cotidiano e consiste numa reflexão interior da religiosa, um olhar sobre si mesma e sobre as faltas cometidas no decorrer do dia. Por meio do exame de consciência, se pede perdão ao sagrado por algum pensamento ou olhar de indiferença que tenha afetado alguém na comunidade.

Durante o primeiro ofício da manhã, é comum as religiosas pedirem a graça divina para não pecarem no decurso do dia. Esse mesmo gesto se repete no ofício das Completas que ocorre antes do descanso noturno. Tudo deve ser feito em plena humildade de coração.

Só por meio do exame de consciência, é que se pode dar início ao ofício das Leituras que ocorre pela manhã, e ao ofício das Completas, que ocorre ao final do dia.

A oração pessoal é um exercício constante no Carmelo. Somente após rezar o ofício de leituras é que as religiosas podem fazer sua oração pessoal. Para a carmelita, a oração faz parte de um diálogo com o sagrado, que deve ser exercitado todos os dias e ocorrer num lugar retirado para que ela possa entrar em sintonia com ele no mais profundo silêncio.

Nos momentos de oração, algumas irmãs costumam se dirigir ao coro, à capela e ao campo do mosteiro para ter esse momento a sós com o divino. Segundo depoentes, a oração é um diálogo manifestado mais pelo exercício da escuta do que pelo exercício da fala. Trata-se de uma relação de intimidade, onde a alma abre o seu interior para acolher o divino e receber dele sua bênção e os seus ensinamentos. Nesses momentos, em nada a irmã deve fixar os olhos a não ser na oração.

A meditação faz parte da vida religiosa e nada mais é do que a escuta e a reflexão dos textos bíblicos do Antigo e do Novo Testamentos. No monastério, todos os dias se houve com zelo e atenção as citações extraídas das sagradas escrituras.

Para o religioso ou religiosa do Carmelo, meditar a palavra é se unir à divindade e beber de sua essência, de seus ensinamentos e de seu poder.