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3.2 Datainnsamling

3.2.5 Etiske refleksjoner

O longo processo de debate para elaboração das Diretrizes teve início ainda em 1996 com a nomeação pelo MEC de especialistas para compor a Comissão de Especialistas de Ensino de Pedagogia e se prolongou por uma década (DURLI, 2007). Todas as versões do documento produzidas entre 1996, início do processo e 2006, aprovação da versão final, foram debatidas internamente na FaE, ocasiões nas quais ocorreram intensos discussão e fortes polêmicos,

conforme pontua o professor “a”: “então de 6 em 6 meses pelo menos tinha um novo documento, e vários grupos de representação dos docentes se posicionando, então muito debate”. Em seu

entendimento, quando da aprovação das DCNP, a discussão tomou novo rumo, uma vez que

“era aquilo mesmo, não tinha de ficar fazendo essa discussão tão ampla”, e os debates

passaram a visar a construção “de uma proposta curricular mesmo e não uma proposta vaga

sobre o que é educação ou o que é o pedagogo. Agora, mesmo isso foi muito tenso”.

Solicitado a comentar o processo de adaptação da matriz curricular do curso de Pedagogia da

Faculdade de Educação da UFMG às DCNP, o professor “a” menciona que entre as questões

debatidas a docência como base não suscitou fortes polêmicas “inclusive porque como falamos

já era realidade e então as Diretrizes quase que só estabeleceram isso”. O que não significou ausência de discordâncias: “houve resistência, desacordos”, principalmente devido ao temor

de que as alterações na matriz curricular retirassem a formação para a gestão e assim tornassem

o curso de Pedagogia da FaE um “curso só de docência”. Entre os professores e os alunos do curso, as discordâncias seriam "minoritárias" e se relacionariam principalmente à “uma

concepção idealizada do que eles diziam ser a pedagogia, mas sem reconhecerem que o que a

gente já fazia aqui era bem parecido com o que as Diretrizes definiam”. Em seu entendimento,

essa concepção decorreria da falta de um conhecimento mais profundo das DCNP e da ausência de uma análise comparativa do currículo anterior do curso e do que estava sendo então proposto

à época da reforma curricular realizada “com muitas discussões abertas, reuniões ampliadas,

reuniões no colegiado onde tinha representação discente, e além disso reuniões ampliadas no

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Expressando opinião semelhante, o docente “b” considera que quando da aprovação das

Diretrizes Curriculares Nacionais de Pedagogia, praticamente não houve entre os professores da FaE resistência às alterações propostas pelo documento: “A resistência por parte do corpo

docente, se houve, foi mínima”. No entanto, entre os alunos do curso houve “resistência

expressiva”, devido ao receio de que ocorresse um esvaziamento da formação para a gestão

educacional. Assim os alunos: “Tenderam a não consentir com a centralidade na docência,

entendendo tal centralidade como esvaziamento da capacitação para a gestão, a política e a

administração educacional”. Sobre os mecanismos e etapas utilizados para implementar o

processo de reforma curricular, menciona que se buscou realizá-la da forma mais democrática e ampla possível, tendo sido estabelecida uma comissão curricular em 2006 com a participação de representantes de todos os departamentos da instituição, incluindo também representação discente. O professor ressalta o intenso trabalho desenvolvido pela comissão, a exemplo do estudo aprofundado das Diretrizes Curriculares Nacionais de Pedagogia, cotejado com o levantamento e análise das reformas curriculares empreendidas por outras instituições de ensino superior, que, como a UFMG, possuíam reconhecida excelência e tradição na formação de pedagogos.

O objetivo era ampliar o conhecimento acerca de como essas instituições reformaram suas matrizes curriculares, de forma a fornecer subsídios para que a FaE elaborasse e implementasse a reforma que se fazia necessária tendo em vista a aprovação das DCNP. De acordo com este professor, outra etapa crucial no processo de reforma consistiu na realização das reuniões de trabalho da comissão, somadas as “várias reuniões interdepartamentais com todos os

professores da FaE para debaterem os pontos polêmicos e deliberarem”, o que demonstra a

preocupação em publicizar os debates e envolver toda a instituição na realização da reforma. O

professor “c”, em relação ao processo de reforma curricular, mais especificamente sobre como

a comunidade acadêmica da FaE acolheu as orientações contidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais de Pedagogia, afirma que a resistência "foi muito pequena" e localizada no início das discussões, sendo que "à medida que os docentes e discentes tomavam conhecimento da

legislação as resistências foram diminuindo e a proposta (foi) formulada democraticamente".

Em seu entendimento, houve pouca resistência devido ao fato de que a matriz curricular do curso ofertado pela FaE havia sido alterada durante reforma realizada no ano de 2000, sendo que as alterações feitas nessa ocasião já se aproximaram das orientações contidas nas DCNP:

169 "seis anos antes da assinatura das DCN dos cursos de Pedagogia, fizemos uma reforma curricular e já vínhamos formando pedagogos não generalistas (supervisores, diretores, inspetores e orientador educacional). As DCNs oficializaram em todo o Brasil a base da formação dos pedagogos – professores e não apenas especialistas" (Excerto de entrevista

concedida pelo professor “c”).

Solicitado a comentar como se deu o processo interno para adequar a matriz curricular às

DCNP, o professor “c” ressalta a intensa realização de debates nos quais foram discutidas à

exaustão as orientações das Diretrizes, tendo em vista a definição de quais deveriam ser as alterações na matriz curricular do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da UFMG e de como elas deveriam ser implementadas. Este processo interno teria sido assim “recheado de

discussões dentro dos departamentos e entre os departamentos", não tendo se restringido ao

corpo docente da instituição, incluindo também a mobilização dos alunos "que foram

organizados pelo Diretório Acadêmico da Pedagogia". O docente ressalta o caráter

democrático da tomada de decisões "em reuniões interdepartamentais que tiveram como base

as propostas formuladas nos três departamentos da FAE e junto aos estudantes".

4.3.5 A percepção de professores da FaE acerca da desvalorização social da docência, a