5. DISCUSSION
5.2 M ETHODOLOGICAL CONSIDERATIONS
Os procedimentos adotados nas etapas de preparo das amostras, procedimento de extração e limpeza dos extratos foram baseados em procedimentos adotados pela US- EPA: (SOXHLET EXTRACTION, METHOD 3540C; SILICA GEL CLEAN-UP, METHOD 3630 C). Na série de métodos de extração soxhlet também se encontra disponível o procedimento para concentração das amostras usando o Kuderna-Danish.
5.1 – Avaliação dos Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos em Sedimentos 5.1.1– HPAs Analisados
Foram avaliados 11 HPAs sendo: naftaleno (Naph), acenafteno (Ace), fluoreno (Fluo), fenantreno (Phe), antraceno (Anth), fluoranteno (Flu), pireno (Pyr), criseno (Chr), benzo(b)fluoranteno (BbFl), benzo(k)fluoranteno (BkFl) e benzo(a)pireno (BaPy). Nos últimos anos os HPAs têm recebido uma maior atenção em vários estudos devido ao conhecimento de sua alta capacidade carcinogênica e mutagênica.
A tabela 2 traz um resumo das principais características dos onze hidrocarbonetos estudados:
Tabela 2 - Características dos 11 HPAs estudados
HPA Molecular Fórmula Molecular (g/mol) Massa Ponto de Fusão ºC Ponto de Ebulição ºC
Naftaleno C10H8 128,18 80,2 218 Acenafteno C12H10 154,20 90-96 278-279 Fluoreno C13H10 166,23 116-118 293-295 Fenantreno C14H10 178,24 96-100 339 - 340 Antraceno C14H10 178,24 216-219 340 Fluoranteno C16H10 202,26 107-111 375 - 393 Pireno C16H10 202,26 150-156 360 - 404 Criseno C18H12 228,30 252-256 441 - 448 Benzo(b)fluoranteno C20H12 252,32 167-168 481 Benzo(k)fluoranteno C20H12 252,32 198-217 471 - 480 Benzo(a)pireno C20H12 252,32 177-179 493 - 496
5.1.2 – Coleta das Amostras de Sedimento
O Ribeirão do Funil apresenta, na maior parte do seu percurso, um leito predominante de águas rasas, com trechos de sedimentação acumulada em alguns pontos. Para cada um dos quatro pontos e nas 3 coletas realizadas, aproximadamente 500 g de sedimento foram retirados das margens do ribeirão com auxílio de espátulas de polipropileno limpas. Os sedimentos coletados foram transferidos para sacos plásticos limpos, levados ao laboratório até ser enviado para secagem. Cada saco plástico foi vedado e etiquetado, identificando cada ponto de coleta.
Na tabela 3 são mostrados os dados das três coletas de sedimento realizadas ao longo deste estudo:
Tabela 3 - Dados das 3 Coletas de Sedimentos
Coleta Data Quantidade de Amostras Características Climáticas
1a 30/03/2005 4 amostras (~ 500g cada) Seca 2a 18/11/2005 4 amostras (~ 500g cada) Chuva 3a 08/06/2006 4 amostras (~ 500g cada) Seca
5.1.3 – Secagem das Amostras de Sedimento
As amostras de sedimento foram secas em capelas fechadas com aquecimento por lâmpadas de infravermelho (250 watts). A temperatura medida neste ambiente foi na faixa de 30ºC a 40ºC. Em cada uma das 3 coletas, as massas (~ 500g) dos sedimentos dos quatro pontos das foram acondicionadas em bandejas plásticas e colocadas na capela. As amostras ficaram na capela até que fosse observada a completa secagem do material e o tempo desta etapa foi de aproximadamente três semanas. Na figura 3 melhor se visualiza a etapa de secagem descrita.
Figura 3 - Secagem dos sedimentos em capela fechada com aquecimento por lâmpadas de infravermelho 250 watts
5.1.4 – Preparo das Amostras para Extração
Os sedimentos secos foram colocados em tabuleiros de alumínio e triturados com auxílio de um pistilo de porcelana. O sedimento desfragmentado foi peneirado (peneira 8 mesh) eliminando folhas, paus e pedras. Em seguida, os sedimentos peneirados passaram pelo processo de quarteamento e foram obtidas as amostras para extração soxhlet Para a extração soxhlet foram separadas cerca de 50 g de amostra de sedimento quarteado para cada ponto de coleta e nas 3 coletas realizadas. Na figura 4 é mostrado o sedimento que já se encontrava completamente seco depois de aproximadamente 20 dias de exposição ao calor de lâmpadas em capela.
Figura 4 - Sedimento seco (4 pontos de coleta)
Na figura 5 são mostrados, para uma das 3 coletas, os sedimentos dos 4 pontos de coleta após secagem e peneiramento. A figura 6 mostra os sedimentos quarteados dos 4 pontos (~ 50 g cada) e prontos para a separação das amostras para extração soxhlet
Figura 6 - Sedimento Quarteado (pronto para extração soxhlet)
5.1.5 – Extração Soxhlet
A técnica de extração via soxhlet apresenta algumas desvantagens, como o uso de grande quantidade de solvente e tempo prolongado, no entanto foi a técnica escolhida por ser a que mais se adequou à estrutura disponível para realização deste estudo e por ser considerado um procedimento de referência. O procedimento soxhlet é descrito no método 3540C da US-EPA (SOXHLET EXTRACTION, METHOD 3540C).
Para cada ponto de coleta e nas 3 coletas realizadas, foi feita a extração em triplicata. A massa pesada foi de 10 g de sedimento para cada extração. O solvente de extração foi o diclorometano e o período de extração foi de 24 horas para cada seqüência. A temperatura da manta aquecedora foi ajustada para que o sistema sifonasse a cada 15 minutos.
5.1.6 – Concentração no Kuderna-Danish (KD)
Os extratos foram concentrados em um concentrador do tipo Kuderna-Danish segundo metodologia proposta em um dos tópicos do procedimento de extração soxhlet (SOXHLET EXTRACTION, METHOD 3540C). Toda a aparelhagem foi acoplada a um sistema de destilação para recuperação do diclorometano. O sistema foi aquecido por banho de água quente (banho-maria) com um aquecedor/agitador com controle de temperatura baseado na evaporação do diclorometano. A temperatura de ebulição do diclorometano está entre 39 – 40 ºC. A temperatura utilizada foi ligeiramente maior para o processo de concentração. Nesta etapa o volume do extrato que era de aproximadamente 150 mL foi reduzido para 10 mL (TABLE 1, SOXHLET EXTRACTION, METHOD 3540C).
(1) (2)
Figura 7 - (1) Esquema de um aparelho de soxhlet convencional e (2) experimento realizado nas amostras de sedimento
Figura 8 - Aparelho de Concentração das Amostras (KD)
O extrato concentrado (10,0 mL) foi passado primeiramente por uma coluna de sulfato de sódio anidro (Na2SO4 anidro), previamente purificado (eliminação de
orgânicos) em uma mufla (T=400ºC) por um período de 4 horas. Depois do tratamento térmico o sulfato de sódio anidro foi mantido em estufa ou dessecador durante sua utilização. Em uma coluna de vidro de 50 cm e diâmetro interno de 1 cm colocou-se um chumaço de lã de vidro na extremidade inferior e adicionou-se o Na2SO4 até que a
altura deste dentro da coluna fosse de aproximadamente 10 cm. Adicionou-se os extrato concentrado para a retirada da umidade, seguida da adição de 20 ml de diclorometano. O eluído foi reservado para a etapa de purificação (clean-up).
5.1.7 – Purificação dos extratos - Clean-up
A limpeza ou “clean-up” dos extratos, com intuito de eliminar interferentes orgânicos da etapa cromatográfica, foi realizado usando coluna com sílica (SiO2) gel
ativada (Sílica Gel 60/ 0,063-0,200 mm, para cromatografia em coluna/ VETEC) (SILICA GEL CLEANUP, 1996). Foi preparada uma solução de 10 g de sílica em diclorometano e transferida para a coluna cromatográfica (10 mm diâmetro interno e 50
cm de comprimento). Adicionou-se 1 a 2 cm de Na2SO4 anidro ao topo da coluna de
sílica para eliminar umidade na hora de transferir os extratos. A ativação da sílica foi feita sob aquecimento em estufa (130ºC) por 16 horas. Antes do clean-up com sílica, o solvente de extração foi trocado por cicloexano. A troca foi realizada adicionando 4 mL de cicloexano seguindo a redução do extrato para 1-2 mL usando o Kuderna-Danish. Se o volume do extrato for reduzido para menos de 1 mL, analitos semivoláteis podem ser perdidos. Se o extrato secar, a extração deve ser repetida. Primeiramente, pré-eluiu a coluna com 40 mL de pentano. O fluxo de todas a eluições foi de 2 mL/min. Descartou- se o eluato e, antes do Na2SO4 entrar em contato com o ar, transferiu-se 2 mL de
cicloexano junto com o extrato na coluna usando 2 mL de cicloexano para completar a transferência. Antes do Na2SO4 entrar em contato com o ar, adicionou-se 25 mL de
pentano e continuou a eluição na coluna. Descartou-se o eluato com pentano. Na próxima etapa, eluiu-se a coluna com 25 mL de diclorometano/pentano 2:3 v/v para um frasco de concentração. Concentrou-se a fração coletada para o volume recomendado (1-10 mL) (SILICA GEL CLEANUP, METHOD 3630 C). No caso as amostras foram concentradas para 1,0 mL. Esta amostra concentrada foi utilizada nas análises cromatográficas.
Figura 9 - Fluxograma das etapas de preparação das amostras Coleta das amostras Secagem dos sedimentos em estufa Peneiramento, pulverização e quarteamento dos sedimentos Extração Soxhlet Concentração no Kuderna-Danish (KD)
Secagem dos extratos Coluna Na2SO4
Clean-up das amostras Coluna SiO2
Reconcentração no KD
Análise das Amostras
5.1.8 – Condições Cromatográficas
A técnica empregada para o estudo dos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos foi a cromatografia líquida de alta eficiência, em um cromatógrafo da marca Shimadzu. Os modelos dos componentes do cromatógrafo estão descritos a seguir: unidade de controle (SCL-10AVP), bombas (LC-10ADVP), degaseificador (DGU-12A), forno (CTO-10AVP) e detector de fluorescência (RF-10AXL). As condições cromatográficas foram baseadas no artigo de (BARONCELLI et al., 1999). Na tabela 4 encontram-se resumidas as condições cromatográficas estabelecidas para o estudo dos HPAs de interesse,
Tabela 4 - Parâmetros das Análises Cromatográficas
Parâmetro Característica
Coluna Lichrospher 100 RP-18 (Merck )
250 mm x 4,6 mm, 5µm
Fase Móvel Acetonitrila(ACN)/água
Fluxo 1,0 mL/min
Temperatura do Forno 35 ºC
Detector Fluorescência com comprimentos de onda de excitação e emissão variáveis
Volume Injetado - Loop 20 µ L
Tempo de Corrida 40 minutos
Na figura 10 é apresentada a programação do gradiente da fase móvel utilizado para as análises cromatográficas:
Foi feita ainda uma programação dos comprimentos de onda de excitação (λex) e
de emissão (λem) para o detector de fluorescência de acordo com a especificidade de
cada composto avaliado, para uma melhor sensibilidade dos compostos. Os valores dos comprimentos de onda de excitação e emissão para cada HPA e suas respectivas faixas de tempos de eluição são dados na tabela 5: (JOSEPH e CAPELO et al., 2005):
Tabela 5 - Comprimentos de onda de excitação e emissão para os 11 compostos avaliados
HPAs Faixas de eluição (min) λespecífico excitação λespecífico emissão
Naftaleno 19,60-22,00 280 330 Acenafteno 22,00-23,60 230 320 Fluoreno 22,00-23,60 230 320 Fenantreno 23,60-24,30 252 264 Antraceno 24,30-25,00 252 400 Fluoranteno 25,00-26,50 238 420 Pireno 26,50-29,00 280 389 Criseno 29,00-32,00 260 380 Benzo(b)fluoranteno 32,00-40,00 238 398 Benzo(k)fluoranteno 32,00-40,00 238 398 Benzo(a)pireno 32,00-40,00 238 398
Gradiente da Fase Móvel ACN:Água
30 30 77 77 100 100 30 0 20 40 60 80 100 0 5 20 25 30 35 40
tem po de corrida(m in)
%
A
C
N
A especificidade pode ser confirmada pelo estabelecimento dos tempos de retenção e espectros de fluorescência excitação e emissão máxima, através da injeção individual dos 11 HPAs padrões.
5.1.9 – Preparo da Solução-Padrão de HPAs
Uma solução estoque contendo os 11 padrões de HPAs foi preparada de acordo com concentrações conhecidas de cada analito estabelecidas em um catálogo que mostrava suas concentrações em uma mistura dos 16 HPAs prioritários da EPA e a partir dela foram feitas todas as diluições necessárias para o estabelecimento das curvas analíticas. As concentrações dos 11 padrões na solução estoque foram (em µg/mL): Naftaleno (498,0), Acenafteno (218,0), Fluoreno (102,0), Fenantreno (50,0), Antraceno (25,0), Fluoranteno (49,4), Pireno (111,4), Benzo(b)fluoranteno (26,0), Benzo(k)fluoranteno (23,0), Benzo(a)pireno (56,8) e Criseno (51,4). Foram preparados 50,0 mL da solução estoque diluindo-se os padrões em uma mistura de acetonitrila/metanol (90:10). Desta solução foram preparadas soluções para as curvas analíticas.
5.1.10 – Curvas Analíticas
Depois de estabelecidas as condições cromatográficas de análise, com a separação de sete dos onze padrões de HPAs, identificou-se cada hidrocarboneto policíclico aromático nos cromatogramas da mistura de padrões de acordo com BARONCELLI (1999). As curvas de analíticas foram estabelecidas pela regressão linear de no mínimo 6 pontos para diferentes concentrações dos analitos e as respectivas respostas em área dos picos cromatográficos. As concentrações utilizadas são descritas na tabela 6. Foram preparadas 12 diluições no total, sendo as curvas analíticas ajustadas de acordo com os pontos que garantiram melhor linearidade.
Tabela 6 - Concentração, em g/mL, dos HPAs nas doze soluções preparadas para as curvas analíticas HPAs C i CC1 CC2 CC3 CC4 CC5 CC6 CC7 CC8 CC9 CC10 CC11 CC12 Naftaleno 498,00 0,40 0,49 0,62 0,79 0,99 1,24 1,99 2,49 4,98 9,96 19,92 24,90 Acenafteno 218,00 0,17 0,21 0,27 0,35 0,44 0,54 0,87 1,09 2,18 4,36 8,72 10,90 Fluoreno 102,00 0,08 0,10 0,13 0,16 0,20 0,25 0,41 0,51 1,02 2,04 4,08 5,10 Fenantreno 50,00 0,04 0,05 0,06 0,08 0,10 0,12 0,20 0,25 0,50 1,00 2,00 2,50 Antraceno 25,00 0,02 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,10 0,12 0,25 0,50 1,00 1,25 Fluoranteno 49,40 0,04 0,05 0,06 0,07 0,01 0,12 0,20 0,25 0,49 0,99 1,98 2,50 Pireno 111,40 0,09 0,11 0,14 0,18 0,22 0,28 0,45 0,56 1,11 2,23 4,46 5,57 Criseno 51,40 0,04 0,05 0,06 0,08 0,10 0,13 0,21 0,26 0,51 1,03 2,06 2,57 BbF 26,00 0,02 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,10 0,13 0,26 0,52 1,04 1,30 BkF 23,00 0,01 0,02 0,02 0,03 0,04 0,05 0,09 0,11 0,23 0,46 0,92 1,15 BaP 56,80 0,04 0,06 0,07 0,09 0,11 0,14 0,23 0,28 0,57 1,14 2,27 2,84 Ci – Concentração inicial dos HPAs na solução estoque (Baseado em Standard Mix 16 PAHs - SUPELCO)
As equações das regressões lineares produzidas foram utilizadas para a determinação das concentrações nos extratos e cálculos da concentração nas amostras.
5.1.11 - Cálculo do Índice de Recuperação
A exatidão de um método é definida pelo INMETRO como sendo a concordância entre o resultado de um ensaio e o valor de referência aceito como convencionalmente verdadeiro. A exatidão, quando aplicada a uma série de resultados de ensaio, implica numa combinação de componentes de erros aleatórios e sistemáticos (tendência). A determinação da tendência total com relação aos valores de referência apropriados é importante no estabelecimento da rastreabilidade aos padrões reconhecidos. A tendência pode ser expressa como recuperação analítica (valor observado / valor esperado). A tendência deve ser corrigida ou demonstrada ser desprezível, mas em ambos os casos, a incerteza associada com a determinação da tendência permanece como um componente essencial da incerteza global. Os processos normalmente utilizados para avaliar a exatidão de um método são, entre outros: uso de materiais de referência, participação em comparações interlaboratoriais e realização de ensaios de recuperação (INMETRO, 2003).
A necessidade de se mostrar a exatidão de medições químicas, através de sua comparabilidade, rastreabilidade e confiabilidade, está sendo cada vez mais reconhecida e exigida. A validação de um método analítico deve garantir, através de estudos experimentais, que o método atenda às exigências das aplicações analíticas, assegurando a confiabilidade dos resultados. É essencial que os estudos de validação sejam representativos e conduzidos de modo que a variação da faixa de concentração e os tipos de amostras sejam adequados (COLLINS et al., 2004).
Não estava disponível um material de referência certificado que se assemelhasse às condições das amostras de sedimentos usadas neste trabalho. Portanto, para o estabelecimento da exatidão do método fez-se necessário o estudo para determinação dos índices de recuperação dos analitos. Segundo o INMETRO (2003) a recuperação do analito pode ser estimada pela análise de amostras adicionadas com quantidades conhecidas do mesmo (spike ou surrogate). As amostras podem ser adicionadas com o analito em pelo menos três diferentes
concentrações, por exemplo, próximo ao limite de detecção, próximo à concentração máxima permissível e em uma concentração próxima à média da faixa de uso do método. A limitação deste procedimento é a de que o analito adicionado não está necessariamente na mesma forma que a presente na amostra. A presença de analitos adicionados em uma forma mais facilmente detectável pode ocasionar avaliações excessivamente otimistas da recuperação.
Neste trabalho utilizou-se a técnica de adição de uma quantidade conhecida dos analitos (spike) em duas concentrações nas amostras de sedimento seco coletadas no ponto 4 da segunda coleta, que apresentou melhores resultados para as concentrações no sedimento não contaminado (branco). Os índices de recuperação deveriam ser estabelecidos pelas diferenças entre as concentrações nas amostras puras e o percentual de recuperação dos valores adicionados.
Antes do preparo das duas soluções de contaminação, fez-se uma estimativa dos valores de concentração esperados no sedimento sem adição dos padrões de HPAs. Através dos resultados encontrados, calculou-se as razões que deveriam ser adicionadas. Sendo uma com adição de cerca de 50% (spike 1) e 75% (spike 2) em relação às concentrações estimadas do sedimento sem contaminação.
Preparou-se duas soluções (50 mL cada) em acetonitrila com concentrações conhecidas dos HPAs. Devido à falta de quantidade suficiente do padrão do criseno este não foi avaliado. Estas soluções foram adicionadas a 40g da amostra de sedimento preparada em Beckers de 250 ml. As amostras foram homogeneizadas e o de solvente evaporado em uma estufa à temperatura constante de 40ºC e por 12 horas aproximadamente. Nestas condições houve a completa evaporação da acetonitrila.
Após a secagem, o material foi homogeneizado com o auxilio de um pistilo de vidro e deste foram separadas quatro alíquotas, sendo que três delas foram utilizadas no procedimento de extração.
Realizou-se as extrações soxhlet do sedimento preparado, do sedimento preparado adicionado com a solução dos padrões 1 (spike 1) e do sedimento preparado adicionado com a solução dos padrões 2 (spike 2).
5.2 – Avaliação dos Parâmetros Físico-Químicos da Àgua 5.2.1 – Preparo dos Frascos de Coleta
Os frascos utilizados para coleta das amostras de água foram as garrafas de plástico tipo PET com capacidade volumétrica de 2000 mL. Os recipientes tiveram seus rótulos retirados, foi feita escovação com detergente e enxágüe dos mesmos em água corrente até retirar todo o excesso de detergente. Posteriormente realizou-se a lavagem com água destilada repetindo o processo por 5 vezes.
5.2.2 – Coleta das Amostras de Água
As amostras de água foram coletadas nos mesmos pontos e dias das coletas de sedimento. A coleta foi realizada através da imersão do frasco coletor na parte central do leito do ribeirão e em seguida transferidas para os frascos de coleta, através de um funil de plástico. O volume coletado das amostras de água em cada ponto e coleta foi de 2L, armazenados em frascos PET deste volume.
A água foi recolhida da superfície do fluxo, em contra corrente. Antes de recolher a amostra para análise, o frasco coletor foi homogeneizado com água do ribeirão por três vezes. O frasco receptor da amostra (PET 2L) também foi enxaguado por três vezes antes da coleta definitiva. Durante a coleta, os frascos foram mantidos refrigerados pelo acondicionamento em caixas de isopor contendo gelo para a preservação das amostras para a avaliação de vários parâmetros. No laboratório, foram mantidas sob refrigeração em geladeira, dentro do prazo de validade dos ensaios, antes de serem submetidas às análises.
5.2.3 – Parâmetros Analisados
A qualidade da água pode ser representada através de diversos parâmetros, que traduzem as suas principais características físicas, químicas e biológicas. Foram avaliados os seguintes parâmetros: alcalinidade, cloreto, condutividade, cor, dureza, metais, nitrato, nitrito, resíduos sedimentáveis, sulfato, amônia, turbidez, OD e pH.
Através das análises físico-químicas foi possível levantar um diagnóstico da qualidade das águas nos pontos estudados.
As metodologias para análise de cada parâmetro foram baseadas na American Public Health Association (APHA, 1998). A ordem de execução das análises foi seguida tendo como referência o tempo máximo para que cada uma seja realizada. A tabela 6 a seguir mostra os dados para cada parâmetro a ser analisado.
Tabela 7 - Parâmetros, tempos de análise, preservação e quantidades das amostras (AGUDO et al., 1987; GREEBERG et al, 1992)
Parâmetro Tempo p/ análise Preservação Volume amostra (mL)
Alcalinidade 24 h Refrigeração 200
Cloreto 14 dias Não há 200
Condutividade no local - -
Cor 24 h Refrigeração 200
Dureza 7 dias Refrigeração 200
Metais 180 dias HNO3, pH<2* 1000
Nitrato 24 h Refrigeração, pH<2 (H
2SO4)* 200
Nitrito 48 h Refrigeração 200
Resíduos
Sedimentáveis 7 dias Refrigeração 1000
Sulfato 7 dias Refrigeração 200
Amônia 7 dias Refrigeração, pH<2 (H2SO4)* 500
Turbidez 24 h/48 h Refrigeração -
OD no local - -
pH no local - -
* A faixa de pH<2 foi obtida adicionando-se 1 mL de ácido para cada litro de amostra.
5.2.4 – Medidas de Vazão
O procedimento adotado para a determinação da vazão foi o método do flutuador (LACERDA, 2004), como descrito a seguir.
I – Esticam-se duas cordas atravessadas com distância conhecida entre elas e amarradas em estacas cravadas nas margens e em posição perpendicular ao eixo da vala ou do córrego (ver figura 11). Por baixo das cordas mede-se a profundidade do
rio em dez locais diferentes (cinco em baixo de cada corda) e calcula-se a profundidade média.
II – Mede-se a largura do rio em metros (m). III – Calcula-se a área (A) da seção do rio:
L h A= × Onde:
A = área média da seção transversal do rio, em metros quadrados (m²) h = profundidade média do rio, em metros (m)
L = largura do rio, em metros (m)
VI – Mede-se a velocidade média (V ) do rio.
Para isto, utiliza-se um flutuador (por exemplo, uma garrafa com água pela metade). Joga-se o flutuador no rio antes da primeira corda e mede-se o tempo (em segundos) gasto para o flutuador percorrer a distância entre as duas cordas esticadas. A velocidade do flutuador é convertida em velocidade média do rio usando-se um coeficiente de redução, que comumente é 0,85 para flutuador superficial.
t C
VFlutuador = VRio =0,85×VFlutuador
Onde:
Flutuador
V = velocidade do flutuador, em m/s
C = distância entre as cordas, em metros (de 4 a 5 vezes a largura do rio) t = tempo gasto pelo flutuador para ir de uma corda a outra, em segundos (s)
Rio
V = velocidade média do rio, em m/s
V – Calcula-se a vazão (Q) em m³/s pela fórmula:
Rio
V A
Figura 11 - Cálculo da Vazão (flutuador) 5.3 – Avaliação dos Metais e Outros Elementos Químicos em Água 5.3.1 – Preparo dos Frascos de Coleta
A limpeza dos frascos de vidro foi realizada utilizando água e detergente. Os frascos, as tampas e os batoques foram colocados em um recipiente de grande volume, mergulhados numa solução água+detergente e deixados de “molho” por cerca de três semanas. Foi feita a troca periódica da solução durante o tempo de limpeza. Posteriormente, os frascos foram esvaziados e enxaguados em água de torneira até eliminar todos os resíduos de detergente. Em seguida, foram enxaguados com água destilada para garantir a completa descontaminação.
Para avaliação de metais, os frascos coletores receberam tratamento diferenciado. Após a lavagem com água e detergente, colocou-se ácido clorídrico 1:1 até a metade do frasco, tampou-se e agitou-se energicamente; esvaziou-se o frasco e enxaguou-se cinco vezes com água destilada. Procedeu-se da mesma maneira com as tampas (AGUDO, 1987).
5.3.2 – Coleta das Amostras de Água
Para cada um dos quatro pontos amostrados, foram coletados 1000 mL de água para análise de metais nos mesmos pontos e dias das coletas de sedimento. A coleta foi realizada como descrito em (5.2.2) para as análises físico-químicas. Com o