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Autor: Moisés Henriques1

1. Centro de Medicina Naval; Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria

Introdução: A osteoporose é uma doença de elevada

prevalência nos países ocidentais, incluindo Portugal. A osteodensitometria é considerada o método padrão para o diagnóstico e seguimento da evolução dos doen- tes com osteoporose, contudo não se reconhece como sendo um exame de rastreio universal. A Norma de Orientação Clínica número 001/2010 de 30 de Se - tembro de 2010 da Direção-Geral da Saúde baliza a prescrição da osteodensitometria na osteoporose do adulto. Este trabalho tem por objetivo otimizar o aces- so aos conteúdos desta norma com vista à sua ampla utilização.

Material e métodos: Construção de uma página de in-

ternet contendo um programa de apoio à prescrição médica de osteodensitometria baseado na norma de orientação clínica anteriormente citada.

campos principais referentes, respetivamente, aos da- dos do médico, dados do utente e à prescrição de os- teodensitometria. Esta página possui uma hiperligação para a versão oficial da norma e outro para o endereço eletrónico do autor. Esta ferramenta é compreensível e de fácil utilização, havendo a opção de arquivar os da- dos recolhidos em suporte de papel. O programa cria- do para assessorar a atividade médica constitui uma mais-valia que não deve ser restrita apenas a um gru- po de médicos. Nesse sentido o programa está dispo- nível num endereço eletrónico; o acesso é livre e gra- tuito. Além da inequívoca utilidade desta nova ferra- menta de trabalho para os médicos, pretende-se apro- veitar esta oportunidade para recolher alguns dados que serão alvo de análise ulterior.

Conclusão: O racional das normas de orientação clí-

nica é beneficiar todos os intervenientes, diretos e in- diretos, nos cuidados de saúde; otimizar a aplicação das mesmas é elevar ainda mais esse ideal. O programa disponibilizado numa página de internet apelativa, de fácil e rápido preenchimento, permite aos médicos cumprir as exigências vigentes sem esforços adicionais. Todos os reumatologistas interessados poderão usu- fruir desta ferramenta após a sua divulgação.

CLP 60 – HIPEROSTEOSE ESQUELÉTICA IDIOPÁTICA DIFUSA: O DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ESQUECIDO

Autor: Carlos Rodrigues1

Co-Autores: César Lima e Sá2; Elza Pires1; Lúcia Marinheiro Dias1

1. Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro 2. Centro Hospitalar do Alto Ave

Palavras Chave: hiperosteose esquelética idiopática

difusa, DISH, espondilite anquilosante

Introdução: A Hiperosteose Esquelética Idiopática Di-

fusa (DISH) ou Doença de Forrestier-Rotes-Querol é uma doença degenerativa de causa desconhecida ca- racterizada por calcificação e ossificação de tecidos mo- les, nomeadamente ligamentos e enteses. Esta afecta sobretudo homens (65%) e, apesar de se poder desen- volver na segunda década, normalmente o diagnóstico é feito a partir da quinta e a sua prevalência aumenta com a idade, situando-se entre os 3 e os 30% nos ho- mens maiores de 50 anos, dependendo dos critérios diagnóstico utilizados. É uma patologia comum mas altamente subdiagnosticada.

Existem diferentes definições, provavelmente cor- respondentes a diferentes fases da doença: para Utsin- ger et al, o diagnóstico pode ser feito na presença de apenas uma ponte óssea intervertebral, sendo que para Forrestier et al serão necessárias duas pontes, enquan- to para Resnick et al, que definiu os critérios mais usualmente empregues, a doença só está estabelecida caso existam três pontes.

Apesar de muitas vezes assintomática, esta patologia pode evoluir com periartrites diversas, bem como rigi- dez vertebral, limitação da mobilidade, cervicalgia, ou disfagia, podendo ainda, raramente, ocorrer lesões me- dulares.

Dada a sua alta prevalência e a importância das pos- síveis complicações, bem como as semelhanças entre muitos dos achados clínicos e radiológicos com os en- contrados na Espondilite Anquilosante (EA), torna-se imperativo para os profissionais de saúde um maior co- nhecimento e reconhecimento desta patologia. Assim, pretendeu-se com o presente fazer uma revisão da bi- bliografia de modo a esclarecer os critérios de diag- nóstico de DISH bem como dos pontos fundamentais que a distinguem da EA.

Material e métodos: Foram efectuadas pesquisas nas

bases de dados Medline e Cochrane Library e seleccio- nados os artigos escritos em língua inglesa com rele- vância para os objectivos propostos.

Resultados: Apesar da investigação ser relativamente

escassa, alguns autores procuraram relações entre a DISH e outras patologias que cursam com hiper-for- mação óssea no esqueleto axial, nunca tendo sido pos- sível estabelecer uma ligação com as espondiloartro- patias seronegativas, como a EA. Também não foi en- contrada qualquer relação com o HLA-B27, o qual tem sido historicamente associado com as espondiloartro- patias seronegativas. No entanto, conhecem-se algu- mas patologias associadas, como a Diabetes Mellitus tipo 2, a obesidade, a hipertensão arterial, a dislipide- mia e a hiperuricemia, podendo estas constituir facto- res de risco para a doença. A DISH parece também au- mentar o risco de doença cardiovascular e ser uma cau- sa importante de disfagia e obstrução da via aérea, de- vendo ser incluída entre os diagnósticos diferenciais destas condições.

Segundo Resnick et al, o diagnóstico deve ser esta- belecido na presença de calcificações fluídas ao longo do aspecto antero-lateral de, pelo menos, 4 vértebras contíguas, na ausência de evidências radiográficas abundantes de alterações degenerativas nos discos, com preservação da sua altura, e na ausência de an-

quilose das articulações apofisárias, bem como de ero- sões, esclerose ou fusão das sacroíliacas. Não obstante, existem duas outras definições que podem permitir um diagnóstico ou estabelecer uma suspeita diagnóstica mais precoces.

Conclusões: Os critérios de Resnick são os mais am-

plamente aceites, no entanto, antes do estabelecimen- to de 3 pontes ósseas, provavelmente existe um estadio em que apenas existem duas (Forrestier), antecedido por outro em que apenas existe uma (Utsinger) ou ne- nhuma ponte.

A pluralidade de definições tem dificultado o co- nhecimento da real prevalência, sendo necessários es- tudos longitudinais de longa duração para que a histó- ria natural da doença seja avaliada, e se possa mais fa- cilmente estabelecer uma definição unânime.

Apesar da sua utilidade para diferenciar a DISH da EA, esta definição é ainda insuficiente para um diag- nóstico precoce, bem como para diferenciar a DISH da EA nos doentes mais idosos, cujas alterações degene- rativas na sacroilíaca podem parecer-se com fusões os- seas nas radiografias frontais.

São escassas as investigações e publicações acerca desta patologia. Com uma pesquisa na Pubmed pode ser constatado que as publicações sobre DISH são cer- ca de 20 vezes mais escassas do que aquelas acerca de EA, não sendo incomum a confusão diagnóstica entre elas. No entanto, considerando a gravidade de algumas das suas manifestações bem como a sua alta prevalên- cia, devem ser feitos esforços no sentido de aumentar o conhecimento e o interesse entre os especialistas e in- vestigadores de diversas especialidades (Fisiatria, Reu- matologia, Ortopedia, Endocrinologia, Patologia, Ra- diologia, etc.), de modo a expandir o conhecimento e reconhecimento desta patologia.

CLP 61 – APENAS 52 ANOS E HISTÓRIA DE