4. TEAMLÆRING SOM SYMBOLSK KAPITAL
4.2 D ISKUSJON AV RESULTATER I LYS AV TEORI
4.2.1 Et støttende teamklima og håndtering av makt
Assumindo o uso da linguagem como acção comunicativa (Habermas, 1989a), a análise do discurso situa histórica e socialmente o texto, partindo da sua condição de produção para interrogar a sua interpretação, enriquecendo-a com um novo leque de possibilidades. Nesta perspectiva, mais do que a interpretação do conteúdo do texto, o que importa é desocultar o processo de produção do discurso, para compreender como o texto, enquanto prática social, funciona dentro de um determinado contexto social e histórico, uma vez que os textos evidenciam uma clara relação com os contextos particulares em que são produzidos e usados (Fairclough, 2001; van Dijk, 2001).
Assim, a análise do discurso não é uma técnica, mas antes uma proposta crítica, um olhar diferente sobre o texto, enquanto unidade básica do discurso e da comunicação, que o relaciona com as suas condições de produção e procura revelar os mecanismos de poder que lhe subjazem (Fairclough, 2001; Wodak & Meyer, 2001). Por isso, esta abordagem é multidisciplinar, pois, ao tomar o discurso, não só como modo de acção, mas também como meio de representação do mundo, exige a convocação dos contributos de áreas do saber distintas. O objectivo é desocultar a relação dialógica entre discurso e estrutura social, uma vez que o discurso reflecte uma realidade mais profunda e, por sua vez, ajuda a estruturar as práticas sociais concretas (Fairclough, 2001; van Dijk, 2001).
As palavras são, assim, pistas que revelam o contexto específico do discurso em que se inserem, permitindo compreender as formas de produção social de sentido (Berger & Luckman, 1966/1999). Nesta óptica, as marcas da enunciação no discurso, ou os elementos intertextuais aí presentes, são elementos linguísticos que revelam significados implícitos, inestimáveis para a explicação das relações e estruturas sociais sob investigação. Com efeito, perpassam ecos do discurso oficial no próprio discurso dos professores, como neste caso: ―Quer-se que a Escola recupere um atraso centenar como um milagre das alminhas‖(Prof20, p.2)
Por outro lado, no caso do texto argumentativo, as relações entre enunciador e destinatário, marcadas pela persuasão, revelam-se, seja através da ilustração (exemplificação de afirmações para comprovação), seja pelo uso de elementos que reforçam a presença do sujeito no discurso, como se verifica no corpus estudado com a utilização expressiva da exclamação emotiva (―Hoje digo basta!!!, Prof44, p.2) ou da
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interrogação retórica (―Como não reconhecer, de imediato, as reais intenções deste modelo?‖, Prof78, p.2).
No caso do corpus textual em análise, o discurso apresenta também conflitos entre a enunciação e o enunciado (a instância do não eu), através de significados implícitos ou de elementos intertextuais do discurso, com predomínio da ironia (que produz novos significados, encobrindo-os), ou da metáfora (fonte rica de múltiplos significados). Notem-se as inúmeras metáforas com que os professores representam a profusão de legislação publicada no ano de 2008: ―este tsunami de leis‖ (Prof12, p.3); ―pirotecnia legislativa‖ (Prof48, p.2); ―torrente legislativa‖ (Prof01, p.2); ―um dédalo legislativo, no qual nem Teseu conseguiria encontrar a ponta de um fio‖ (Prof17, p.2). Nesta perspectiva, o uso expressivo do adjectivo é também muito frequente: ―[há
]
um "ruidoso" silêncio sepulcral na sala de professores‖ (Prof21, p.3). A ironia está também muito presente no discurso dos professores, como, por exemplo, em: ―o que era fácil… o iluminado legislador ministerial fez!‖ (Prof69,p.3); ―simples, sem grelhas e grelhinhas‖ (Prof60, p.2).Com efeito, análise do discurso parte das realizações linguísticas concretas dos sujeitos para desvelar as relações entre discurso e poder, e o modo como estas são instauradas e reproduzidas, pelo texto, no contexto político e social (Fairclough, 2001; van Dijk, 2001; Wodak & Meyer, 2001). Ao inserir o texto na sua filiação discursiva, incidindo na articulação entre linguagem e ideologia, esta abordagem salienta a textualização do político, pois, desocultando os sentidos implícitos na linguagem, problematiza as evidências, explicitando o seu carácter ideológico, e denuncia o encobrimento das formas de dominação política nos discursos, cumprindo o seu intuito crítico (Van Dijk, 2001; Wodak & Meyer, 2001). Do mesmo modo, os grupos dominados desafiam e resistem discursivamente ao controlo dos grupos de poder, recorrendo também às estruturas discursivas para reagir às relações desiguais de poder que emergem no campo social e político (Wodak & Meyer, 2001). No corpus textual estudado, encontram-se enunciados que ilustram essa resistência: ―passo os dias em reuniões intermináveis para entender o sentido do terrorismo legislativo com que se tolhem e intimidam os professores‖(Prof57, p.2); ou ―em contexto escolar, parece-nos anti-pedagógico e contraproducente impor a autoridade por decreto, a partir de uma cegueira autocrática‖ (Esc-i25, p. 4).
121 Análise de conteúdo
A análise de dados, enquanto processo de decomposição de um assunto complexo nos seus diversos elementos constituintes, é essencial para uma melhor compreensão do objecto de estudo. Nesta perspectiva, como referem Bogdan & Biklen (1994), ―a análise é um processo de redução de dados‖ (p. 234), contudo são necessários outros processos de manipulação para compreender em profundidade o fenómeno em análise.
Dadas as características qualitativas dos dados, os textos recolhidos foram explorados através da análise de conteúdo, definida por Bardin (1977/2009) como ―um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens‖ (p.40). Este método permite ultrapassar o senso comum e a subjectividade na interpretação, através da organização e sistematização dos dados, quer na sua vertente categorial, quer no domínio da análise da enunciação (Bardin 1977/2009). Esta manipulação de mensagens, ao evidenciar os indicadores, permite a passagem explícita da descrição inicial à interpretação, que, baseada na inferência, ultrapassa o alcance descritivo das técnicas quantitativas. A figura 3.2, revela, por exemplo, como foram agrupados os indicadores, por aproximação, compondo sub-categorias que, pelo mesmo processo, formaram a categoria.
A análise de conteúdo, na sua vertente categorial, tem como instrumentos as
categorias, ou temas principais abordados, as sub-categorias, que são aspectos inerentes
aos temas categorizados, e os indicadores, expressões que sintetizam aspectos mencionados nos textos e que dizem respeito aos aspectos sub-categorizados (Bardin1977/2009). Cada realização linguística concreta de um indicador foi contabilizada como uma ocorrência. Por exemplo, cada texto do grupo Prof, mais focado num único tópico, tem várias ocorrências de um mesmo indicador, ao passo que os textos colectivos, mais objectivos e sistematizados, apresentam geralmente poucas ocorrências de cada indicador, se não uma só. Sempre que um indicador foi agrupado na hierarquia categorial, o número das suas ocorrências foi integrado na frequência do novo grupo. Por outro lado, a percentagem de determinado instrumento categorial foi calculada relativamente ao conjunto em que se insere. Na contagem das ocorrências,
122 Dilação na tomada de decisão Indefinições do contexto normativo Publicação extemporânea Publicação a meio do período de referência Quadro legislativo incompleto Lacunas na regulamentação Indefinição de casos especiais Profusão desconexa de normativos Produção constante e parcial de nova regulamentação Falta de clareza da legislação Falta de transparência (desconhecimento das regras) Desarticulação hierárquica Incoerência nas orientações hierárquicas Ausência de resposta às dúvidas Subalternidade das recomendações do CCAP Desprezo das recomendações do Conselho de Escolas Ausência de experimentação prévia Sem testagem
Sem testagem prévia do modelo Sem testagem e aferição de instrumentos Sem testagem e aferição do desempenho dos avaliadores
Figura 3.2 Exemplo da construção de uma categoria.
não foram consideradas as citações de outros autores nos textos do corpus, nomeadamente das recomendações do Conselho Científico da Avaliação dos Professores, uma vez que não se tratava de emissão de opinião própria, embora se reconheça estarem ao serviço da argumentação apresentada.
Na fase de exploração dos dados, a codificação é essencial, não só para organizar e sistematizar os dados, através da contagem de ocorrências textuais, como para, na fase analítica posterior, os recuperar para alcançar o núcleo de compreensão do discurso e apreender a visão subjectiva que os sujeitos constroem a partir das experiências vivenciadas, a partir da qual constroem as estruturas de significação com que interpretam a realidade social (Berger & Luckmann, 1966/1999). Os códigos que utilizámos são etiquetas, baseadas na abreviatura de conceitos para uma fácil recuperação, que atribuem sentido a unidades de análise na informação recolhida (Miles & Huberman, 1994). Mais descritivos ou mais interpretativos, estes códigos identificam categorias empíricas, que emergiram dos dados numa leitura preliminar e foram sendo
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testadas numa amostra de textos, até estarem organizadas numa estrutura coerente e hierarquicamente estruturada que, em articulação com o quadro conceptual, permitisse responder aos objectivos da investigação (Miles & Huberman, 1994). Com efeito, a fase inicial da análise assumiu um forte cariz exploratório, não existindo à partida qualquer grupo de categorias.
Figura 3.3 Exemplo de rede de categorias e sub-categorias.
Lógicas de resistência à implementação do modelo de avaliação Dilação da tomada de decisão Indefinições do contexto normativo Ausência de experimentação prévia Necessidade de recursos adicionais Necessidade de tempo para a organização da escola Necessidade de tempo para os professores avaliadores Necessidade de tempo para os professores avaliados Necessidade de formação específica Insuficiências na qualificação dos avaliadores Ineficácia da formação prestada pelo ME Contestação pública Denúncia da inexequibilidade do modelo Refutação de acusações públicas Recusa de instrumentalização política do professor
124
Este processo de codificação seguiu a técnica da análise categorial explicitada por Bardin (1977/2009). Os textos foram sendo codificados por unidades de registo e as ocorrências contabilizadas em cada indicador, ao mesmo tempo que eram registadas citações significativas para cada indicador. Posteriormente, como se exemplifica na
figura 3.3, seguindo processos analógicos, os elementos particulares foram sendo
progressivamente agrupados por aproximação, até chegar às categorias finais que permitiram descortinar os núcleos de sentido e ensaiar um quadro explicativo. Estas transformações dos dados, pela condensação, categorização e classificação, possibilitam a descoberta de regularidades, facilitada pela quantificação das frequências. Estas operações estatísticas fortaleceram a validação dos dados, também obtida através da análise comparativa entre duas investigadoras, repetida até se encontrar um consenso elevado de categorização. Deste modo, foi possível revelar novas significações que permitem relacionar os fenómenos e fundamentar as inferências que legitimam a análise (Huberman & Miles, 1998).
Se a análise categorial olha para o texto enquanto documento, receptáculo de sentidos, a análise da enunciação debruça-se sobre as marcas que o acto de produção deixa no discurso (Bardin 1977/2009). Esta técnica foi tomada como base para a análise crítica do discurso, uma vez que revela as condições de produção da palavra e as modalidades do discurso, através da estrutura da mensagem, do estilo, dos elementos atípicos e das figuras de retórica.