KAPITTEL 5. HVORDAN BØR INTERNKONTROLLEN IVARETAS I SAMMENSLÅINGSPROSESSEN
5.1. D ET EKSISTERER EN SYSTEMATIKK RUNDT BRUK AV RAMMEVERK I SAS- KOMMUNENE
É comum encontrar, nas pesquisas realizadas sobre o tópico sentencial20, a
definição de tópico como sendo um sintagma que ocorre em uma posição não argumental, sem manter relação sintática com o verbo presente na estrutura tida como foco, o que significa dizer que, por essa acepção, uma das formas de se conceber tópico é tomá-lo como um termo deslocado à esquerda da oração, que assume uma orientação espacial periférica, a qual não faz parte da relação sujeito<>verbo, como em Cinque (1990), Raposo (1996), Brito, Duarte e Matos (2003), Rizzi (1997, 2002, 2004), Belletti (1999, 2002, 2003) e Benincá (2003).
Pontes (1983), que investiga tópico no português do Brasil, demonstra como ocorre o processo de topicalização por meio de deslocamento de termos que são constituintes do nível da sentença:
(17) Eu não gosto de arroz. Feijão eu como todo dia. É mais gostoso (PONTES, 1983, p. 174).
20 Muitos dos pesquisadores citados na seção que trata de tópico sentencial são seguidores dos princípios
da Teoria Gerativa, contudo, quero assinalar que os menciono não para aplicar, nesta pesquisa, tais princípios, mas tão-somente para exemplificar como se dão os estudos de tópico no nível da sentença, sem a preocupação com enquadramento teórico dos autores citados. Há autores que não são da teoria gerativa, mas são apresentados nesta seção (tópico no nível setencial) pelo fato de que as definições de tópico dadas por eles estarem mais centradas no nível sintático, como a ênfase que é dada ao posicionamento sintático assumido pelo tópico.
O termo feijão, por meio do processo de topicalização, foi alçado à condição de tópico, que em sentido amplo, tem a ver com aquilo sobre o qual se fala, e a oração subsequente composta por sujeito e predicado constitui o comentário sobre o termo que foi instaurado como tópico, feijão. O comentário costuma ser denominado de foco. De igual modo, a relação tópico>foco também é referida por tema>rema, ou da-
do>novo, em que o dado (tópico) expressa uma informação já conhecida (velha) e o novo expressa uma informação que não foi citada anteriormente..
Nos moldes funcionalistas, esses pares não são totalmente intercambiáveis, pois tema geralmente é tomado como sujeito, que é do domínio da sintaxe, o que não ocorre com o tópico, que pertence ao domínio cognitivo. Já no domínio da sintaxe, a relação
tópico>comentário se dá por meio de relações semânticas, no sentido de que o termo
deslocado à esquerda apresenta algum traço semântico que o relaciona ao restante da oração.
A codificação da informação na estrutura da língua está relacionada às necessidades comunicativas dos falantes e ouvintes. O que se denomina construção de tópico à esquerda tanto pode ser explicada pelo princípio da iconicidade: i) quanto maior é a quantidade de informação conceptual, maior é a quantidade de forma linguística para sua codificação, e ii) o falante tende a codificar a informação mais importante no início do encadeamento sintático; como pode ser explicado pelo princípio da marcação, segundo a qual a forma marcada tende a ser mais complexa que a não marcada. (GIVÓN, 1995). Assim, análise de construção de tópico à esquerda, pelo viés funcionalista, está relacionada a motivações externas à língua, não podendo ser explicadas apenas por meio da sintaxe.
Kato (1989) chama a atenção para o fato de que a classificação das línguas como proeminência de sujeito e como proeminência de tópico torna-se interessante para separar os tipos de língua existentes, porém é imprescindível que não se fique apenas categorizando tópicos, em vez disso, estabelecer as relações referentes aos tipos de sujeitos que as línguas podem selecionar. Essa defesa de Kato também revela a preocupação de se formular tipologias de tópico/sujeito baseadas em traços distintivos, o que caracteriza uma análise mais formal da língua.
Nos estudos de Tarallo (1990) sobre tópico, é encontrada a assertiva de que este atua como elemento de adjunção por não fazer parte da estrutura argumental do verbo,
devido ao fato de que tanto os tópicos como os advérbios ocupam a margem esquerda da sentença.
Para Galves (1998), existem, no português brasileiro, dois tipos de construção de tópico, que têm por base a estrutura argumental da sentença: o tópico sujeito (TS) e o pronome lembrete (PP). No primeiro, a ocorrência de um NP pré-verbal é topicalizado como sujeito, uma vez que pode concordar com o verbo:
(18) As cuecas do Calvin estão sempre lavando (GALVES, 1998, p. 103) As balanças estão todas consertando (GALVES, 1998, p. 103)
Em (18), a ideia de que o tópico pode ser alçado à categoria de sujeito ocorre por conta da relação de concordância entre o NP pré-verbal e o verbo.
Galves (1998) elenca as propriedades que caracterizam a estruturação do TS, as quais sejam: i) não há PP retomando o NP anteposto; ii) não há concordância entre o verbo e o NP pós-verbal; iii) ausência do argumento externo do verbo; iv) quando o NP anteposto e o NP posposto estão numa relação genitiva, deve haver uma interpretação semântica parte/todo entre eles.
No que diz respeito à (ii), a construção de tópico por PP, o NP pré-verbal é retomado por um PP que faz a concordância com o verbo, como em:
(19) a. Estas casas batem muito sol
b.*Estas casas batem muito sol nelas (GALVES, 1998, p. 103)
O autor declara a existência de uma distribuição complementar entre o PP e a relação de concordância entre o NP pré-verbal e o verbo. Diferente de a, o NP pré- verbal casa, em b, é retomado por um PP, com que, juntamente com verbo, estabelece concordância. Desse modo, Galves conclui que o PP e a concordância são dois recursos exclusivos que legitimam a anteposição NP.
A proposta de classificação de Galves (1998) é exemplar no que se refere a trabalhar com topicalização no nível da sentença, pois trata do fenômeno da topicalização por meio de relações estruturais/argumentais entre o NP, o verbo e o pronome.
Nos termos de Orsini e Vasco (2007), pode-se identificar, no fenômeno da topicalização, uma vinculação do tópico com uma categoria vazia na relação sentença- comentário:
(20) A carne eu já deixo de um dia pro outro (ORSINI; VASCO, 2007, p. 84).
O termo a carne, em (20), que é complemento do verbo deixar, foi deslocado para a esquerda, assumindo a função de tópico. Na acepção de Orsini e Vasco (2007), esse deslocamento deixa vazia a posição canônica ocupada pelo objeto direto, que migra para a posição esquerda da frase, mas permanece a relação sintático-semântica com a categoria vazia ocupada pelo objeto direto.
Quando se tem uma ocorrência de anacoluto, para Orsini e Vasco (2007), não há relação entre o tópico e os argumentos do verbo, já que aquele não possui vínculo sintático com a sentença tópico-comentário. Nesse caso, a única relação que se se estabelece é a semântica, em que o falante anuncia o tópico para em seguida fazer um comentário, que é codificado por meio de uma frase completa (SVO):
(21) A seleção brasileira, quando começou a Copa do Mundo, um campeonato que é pra valer mesmo a coisa muda de figura. (ORSINI; VASCO, 2007, p. 84)
O entendimento do tópico a seleção brasileira com a sentença-comentário um
campeonato que é para valer mesmo a coisa muda de figura só é possível, para os
autores, por meio de uma relação semântica, em que se associa a seleção brasileira com o campeonato de difícil competição, que é a copa do mundo, uma vez que o tópico a
seleção brasileira não estabelece nenhuma relação sintática com a sentença que segue
por se apresentar completa, no que diz respeito à ordem canônica SVO.
Em uma análise que também tende a privilegiar o nível da sentença, Berlinck, Duarte e Kato (2009) tratam do que denominam de construções de tópico marcado, seguindo a mesma direção dos que compartilham o pensamento de que o tópico é um constituinte que assume uma posição externa à sentença. Nesse sentido, as autoras chamam de tópico marcado o sujeito duplo: i) o tópico, externo à sentença, e que faz parte do discurso; e ii) o sujeito sintático, interno, que é um argumento selecionado pela predicação verbal. Pautando-se na relação tópico-comentário, dão exemplo do que intitulam de construções de tópico marcado, que compreendem: o anacoluto ou tópico pendente, o deslocamento à esquerda, topicalização, tópico-sujeito e o antitópico.
Para as autoras, o anacoluto ou tópico pendente, denominado de anacoluto nas seções de figuras de linguagem da gramática tradicional e definido como uma quebra no
fluxo da sintaxe, é, na verdade o tópico pendente, como atesta o exemplo (22), citado pelas autoras:
(22) Drama, já basta a vida (BERLINK, DUARTE, OLIVEIRA, 2009, p. 152).
No exemplo (22), segundo as autoras, mesmo não havendo conexão, no nível sintático, entre o termo drama e o restante da sentença, há no nível semântico. Por este raciocínio, existem, na língua, que é orientada de forma prototípica para a sentença, duas formas de se fazer a codificação de tópico dependente: uma por meio da relação sujeito/predicado; a outra, por meio de sintagma preposicionado. No que tange à língua orientada para o discurso, não há necessidade de introdutores de tópico.
Contrastando as abordagens, o que Berlinck, Kato e Duarte (2009) chamam de tópico pendente é o que Pontes (1987) denomina de tópico, em oposição ao deslocamento à esquerda, que é tido como um segundo tipo de tópico marcado. Neste tipo de construção, o constituinte na posição de tópico possui um correferente na sentença tópico-comentário:
(23) Cada elemento, cada nódulo ... ele possui o seu conjunto (BERLINK, DUARTE, OLIVEIRA, 2009, p. 154)
Em (23), o tópico é vinculado ao sujeito da sentença-comentário de forma correferencial. Não se deve entender, com o termo deslocamento, que há um movimento sintático que parte do interior da sentença para a posição periférica da frase, já que existe um correferente ocupando posição na sentença tópico-comentário. Por seu turno, a topicalização diz respeito ao fato de o tópico estar vinculado a uma posição vazia dentro da sentença tópico-comentário:
(24) Aquele arroz com frutos do mar, a minha mulher é incapaz de, de, de prova(r) [...] (BERLINK, DUARTE, OLIVEIRA, 2009, p. 152).
Segundo as autoras, o tópico em itálico, em (24), está relacionado semanticamente ao objeto direto do verbo provar, que, por um processo sintático, foi alçado à condição de tópico, deixando vestígios de seu funcionamento enquanto objeto direto.
Já o tópico-sujeito está relacionado ao sujeito nulo de caráter não argumental, como em (25):
(25) A televisão [øexpl] é horroroso quando eles estão fazendo programa (BERLINK, DUARTE, OLIVEIRA, 2009, p. 152)
Nesse exemplo, o antitópico aparece à direita da sentença, em uma posição não argumental, semelhante à que os tópicos assumem, quando posicionados à esquerda. No entanto, o sujeito da sentença tópico-comentário aparece nulo. O exemplo (26) mostra outro tipo de realização desta estrutura:
(26) [ø] Leva azeite de dendê, o acarajé. (BERLINK, DUARTE, OLIVEIRA, 2009, p. 162)
Em (26), o termo o acarajé é deslocado à direita, também em posição não argumental, uma vez que a posição de sujeito do verbo levar segue nula. Logo, o processo de classificação de construções tópicas, nesses termos, é direcionado pela posição que o tópico ocupa na sintaxe.
Para Araújo (2009), o tópico estudado em uma dimensão sentencial é tomado como um sintagma nominal, lexical ou pronominal, que se realiza na posição esquerda da oração, que é o ponto a partir do qual se forma o predicado ou o comentário.
Na interpretação de Perini (2010), a questão do vazio trata-se de um reordenamento de constituintes, pois o fato de mudar a ordem do complemento não significa que a posição ocupada pelo objeto ficou vazia.
Essas abordagens, portanto, assumem como escopo principal, para explicar as construções de tópico, o posicionamento sintático dos constituintes da sentença tópico- comentário.