KAPITTEL 5. HVORDAN BØR INTERNKONTROLLEN IVARETAS I SAMMENSLÅINGSPROSESSEN
5.6. E N ENKEL MODELL FOR RISIKOVURDERING OG AVVIKSHÅNDTERING ER TILFREDSSTILLENDE
A proposta funcionalista sistêmica de Halliday (2004) está relacionada ao uso que se faz da língua, considerando o contexto situacional em que a comunicação ocorre. Para ele, tudo que é verbalizado ou escrito dá-se em um contexto concreto de uso. Esta abordagem busca procurar respostas para o modo como os falantes de uma língua se comunicam; sobre os processos de escolha dos itens lexicais em detrimento de outros
que fazem parte do sistema da língua; e como os fatores externos influenciam as escolhas linguísticas dos falantes, tendo em vista os objetivos que estes querem atingir. Resumindo, esta perspectiva de análise tem por finalidade verificar a competência comunicativa dos interlocutores, quando se propõem a interagir por meio da comunicação verbal.
Nesse contexto, Halliday (2004, p. 29-31) desenvolve um esquema representativo das funções comunicativas, que são responsáveis pela estruturação do discurso, a saber: i) a ideacional, que tem a ver com a experiência e a reflexão do falante a respeito do mundo, que é transformado em significado pela codificação linguística, ou seja, é a representação da realidade por meio da atividade comunicativa; ii) a interpessoal, que compreende as relações que se instauram no processo de interlocução dos envolvidos no ato comunicativo, refletindo os diferentes modos de agir dos interlocutores: ter, sentir, fazer, ser, acontecer ; e iii) a textual, que pressupõe as duas primeiras citadas acima, já que, quando se fala, sempre é sobre alguma coisa e para alguém, refere-se à forma pela qual o texto facilita a construção de: “sequências de discurso, organizando o fluxo discursivo e criar coesão e continuidade ao longo do texto”(HALLIDAY, 2004, p. 30)29.
Para Halliday (2004), o texto é visto como uma rede semântica, e que os significados são realizados por meio de frases que compõem a gramática, sem a qual não há como se verificar como alguém interpreta o significado de um texto que é visto como um processo que se realiza, colaborativamente, pelos interlocutores. A língua, nesse caso, atua em conformidade com a relação que se estabelece entre indivíduos e sociedade por meio das relações paradigmáticas: i) a estrutura está relacionada ao ordenamento sintático da linguagem, em que se pode verificar as regularidades; e ii) o sistema, por sua vez, está relacionado ao padrões de ordenamento de acordo com as escolhas pragmáticas do falantes (HALLIDAY, 2004, p. 22). Ademais, na metafunção textual, as orações são divididas em tema e rema. O primeiro realiza-se no início da oração; o segundo é tudo o que se afirma sobre o tema. O tema está relacionado com a informação dada, e o rema assume a função de expressar a informação nova.
Seguindo a perspectiva de Halliday, Ventura e Lima-Lopes (2003) defendem que as estruturas tema-rema e dado-novo são distintas, correspondendo a dois níveis
29 Build up sequences of discourse, organizing the discursive flow and creating cohesion and continuity
de análises diferentes, mesmo que coincidam na maioria de casos analisados. Os autores ainda afirmam que é preciso fazer distinção entre a definição de tema e a forma pela qual se pode identificá-lo. Nesse caso, tema é um elemento que se realiza dentro de determinada estrutura configurada e tem por função organizar a oração em mensagem por meio da relação tema-rema; já a identificação temática diz respeito a como um elemento aparece em posição inicial na frase. Tais autores ainda asseveram que o
temanão precisa ser, necessariamente, um sintagma nominal, podendo ser um sintagma
adverbial, sintagma preposicionado, e que a regra de identificação geral é que o tema ocupa desde a posição inicial da oração até o final dos elementos experienciais da ora- ção, que são os participantes, os processos (verbos) e os circunstanciais. O quadro 4 apresenta a forma como se identifica o tema, na perspectiva desses autores.
QUADRO 6: Demonstração de como o tema aparece na posição inicial da oração
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TEMA REMA
FONTE: Ventura e Lima-Lopes (2003, p. 2)
Ventura e Lima-Lopes (2003) lembram que, se houver mudança na ordem dos elementos que estão na posição de sujeito, muda também o significado constitutivo da mensagem. É preciso distinguir ainda entre tema marcado, que ocorre canonicamente no início da oração, e tema não-marcado, que se realiza da forma não usual. Em uma oração, o elemento que é codificado como tema depende do modo de realização da oração, se assertiva, se declarativa, se interrogativa etc. No caso desta pesquisa, que trata das interrogativas, o tema não-marcado ocorreria em perguntas de sim/não, em que o tema é igual ao sujeito, ou, no caso de sujeito elíptico, o verbo finito, em que recai a polaridade da pergunta, como é exemplificado no quadro 5, fornecido pelos autores:
QUADRO 7: Ocorrências de tema não-marcado em interrogativas de sim/não
Vocês poderiam fazer chegar até eles?
Você é competente na língua inglesa?
Posso fazer uma pergunta?
[Eu] Posso fazer uma pergunta?
TEMA REMA
FONTE:Ventura e Lima-Lopes (2003, p. 5-6).
A realização temática ocorre, em (7), na primeira coluna, e corresponde ao sujeito das orações citadas quando a ocorrência é com sujeito explícito. Já no caso de sujeito elíptico, o elemento responsável pela tematização é o verbo finito, que codifica a dúvida da pergunta. Em se tratando de perguntas QU, os autores defendem que o tema corresponde aos elementos interrogativos QU, conforme atesta o quadro (8):
QUADRO 8: Ocorrência de tema não-marcado em interrogativas QU
O que Vai mudar em sua vida?
Quantos de seus professores Não são brancos?
TEMA REMA
FONTE: Ventura e Lima-Lopes (2003, p. 6).
A identificação do tema não-marcado de uma interrogativa QU é o próprio elemento responsável pela codificação QU, o qual encerra a dúvida que o falante codifica na pergunta. Já o tema marcado, nas perguntas QU, é todo elemento que ocorra no início da oração e que não seja o elemento interrogativo QU, o que pode ser visualizado no quadro (9):
QUADRO 9: Identificação de tópico marcado em interrogativas QU
Depois do que aconteceu ontem, Quando você vai vê-lo novamente?
TEMA REMA
FONTE: Ventura e Lima-Lopes (2003, p. 6).
De acordo com Halliday (2004, p. 93), existe uma relação muito próxima entre sistema de informação e sistema de tema, pois a estrutura da informação está diretamente relacionada à estrutura de tema por meio de uma relação não marcada. Nesta relação, o tema está inserido no dado, enquanto o novo está inserido no rema.
Tema e rema são os responsáveis por organizar textualmente o discurso a partir das
escolhas dos falantes, dentro de contexto em que tanto se consideram o que foi dito antes, como os acontecimentos que já ocorreram.
Cabe aqui uma observação de Halliday (2004, p. 66) de que o tema da oração consiste de apenas um elemento estrutural representado por uma unidade, que pode ser um grupo nominal, grupo adverbial ou frase preposicional. O autor explica que há uma coincidência do sujeito com o tema em orações declarativas, o que ele denomina de tópico não marcado. Se o tópico não ocorre em posição de sujeito, nas declarativas, então temos o tópico marcado, que é realizado, por grupos adverbiais, adjuntos e complementos. Em interrogativas gerais, se a partícula interrogativa é, ou faz parte, de um grupo nominal, este grupo pode ser considerado o tema. No caso das perguntas de sim/não, o tema é o verbo finito.
É interessante notar uma observação de Halliday (2004) que assegura ser o verbo finito das interrogativas polares um operador que atua no nível interpessoal, o que abre espaço para dialogar com o trabalho de Sorjonen (2001), que afirma que as repostas as perguntas polares com verbos finitos demonstram, por parte do ouvinte, o desejo de continuidade tópica.
Assim sendo, a movimentação das estruturas dadas e novas é responsável pela codificação das mensagens, que constroem o texto por meio da introdução, da retomada ou da projeção de referentes. Assim a noção de texto para Halliday (2004) é baseada no conjunto de relações semânticas que formam um todo significativo que está inserido em
um determinado registro30 escolhido pelos usuários de acordo com as necessidades
comunicativas de cada um:
Um registo é um conceito semântico. Pode ser definido como uma configuração de sentidos que estão tipicamente associados a uma configuração situacional particular de campo, o modo e relação. Mas, uma vez que se trata de uma configuração de significados, um registo deve também, naturalmente, incluir a expressão, os recursos fonológicos e léxico-gramaticais, que normalmente acompanham ou CONCRETIZAM esses significados. E, às vezes, descobrimos que uma gramática particular também possui características idexicais, índices na forma de determinadas palavras, sinais gramaticais particulares, ou até mesmo sinais fonológicos que têm por função indicar aos participantes que este é o registo em questão, como o meu primeiro exemplo era uma vez. 'Era uma vez' é uma característica idexical que serve para sinalizar o fato de que estamos agora embarcando em um conto tradicional (HALLIDAY, 2004. P. 38)
O registro está associado aos diversos tipos de textos realizados pelos falantes da língua em determinadas práticas sociais. Os termos campo, modo e relação estão relacionados ao contexto de situação de uso da língua: i) o campo está vinculado à função experiencial, ou ideacional; ii) o modo é expressado por meio da função textual; e iii) a relação é realizada por meio da função interpessoal (HALLIDAY, 1989, p. 29- 31). É por meio das relações processuais de campo, modo e relação que se inscrevem os processos de tematização e rematização da língua, em que se constata as informações dadas e novas que são responsáveis pela construção do texto. Na seção que segue, são mostradas as ideias de Dik sobre a estrutura da informação.