5. Data analysis and result
5.4 Estimation of differences between groups using PLS-MGA
Serão os movimentos uma intervenção inovadora única do Espírito Santo no século XX? Fidel González Fernández, por ocasião do Seminário de Bispos ocorrido em Roma, em junho de 1999134, proferiu conferência na qual aplica as palavras de Hans Urs von Balthasar ao fenômeno dos movimentos eclesiais: nos momentos críticos da história da Igreja e nas mudanças epocais, o Espírito Santo sempre se faz especialmente presente, trazendo os dons de Cristo-Esposo à Sua esposa.135
Refere o conferencista que tais movimentos são ligados à presença de grandes santos e explica que, normalmente, um fundador (ou grupo de fundadores) faz uma experiência de encontro com Jesus Cristo, decisiva para toda a sua vida. As outras pessoas que o conhecem são chamadas a seguir essa experiência de graça, gerando-se novos filhos do carisma, para viver e anunciar a memória do Senhor, na unidade e na multiplicidade da Igreja. Repropondo com toda força o evento Cristo, o Espírito é fonte de renovação e santidade para a Igreja, que tem necessidade de continuamente reformar-se, para ser sempre sacramento da obra realizada pelo Crucificado e Ressuscitado.
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“[...] sono un segno della libertà di forme, in cui si realizza l'unica Chiesa, e rappresentano una sicura novità, che ancora attende di essere adeguatamente compresa in tutta la sua positiva efficacia per il Regno di Dio all'opera nell'oggi della storia”. Tradução livre. JOÃO PAULO II apud CODA, P. I movimenti ecclesiale. Dono dello Spirito: Una riflessione teológica. Nuova Umanità, n. 117-118, p. 351-374.
133
JOÃO PAULO II. La Messa per i partecipanti al Convegno Movimenti nella Chiesa, n. 2. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1981/documents/hf_jp-
ii_hom_19810927_movimenti-chiesa_it.html>. Acesso em: 28 ago. 2014.
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Convocado pelo Pontifício Conselho para os Leigos, então presidido pelo Cardeal James Francis Stafford.
135
53 Fidel González Fernández elenca os movimentos presentes na Igreja, desde os períodos apostólico e subapostólico, passando pelo movimento monástico e suas várias reformas136, pelos mendicantes e pregadores itinerantes137, pelas ordens terceiras e as pias uniões; pelas fraternidades que, durante o Renascimento, promovem a renovação da pregação e um movimento eclesial com obras apostólicas de caridade e ensino.138 Também se reformam antigas agregações.139 Com a Revolução Francesa, expulsos dos territórios em que viviam, os cristãos são levados pela Providência a um movimento missionário140, sempre sob a força de carismas e instituições que correspondem às necessidades do período.141 Após a Primeira Guerra Mundial, nascem os institutos seculares e muitas outras iniciativas142, pondo- se os primeiros passos do que se entende hoje por movimentos eclesiais.
Na onda de criatividade pós-conciliar, época de crises de identidade, de desconserto, de renovação eclesial, ocorrem os apelos de Paulo VI, com a Encíclica Evangelii Nuntiandi, e de João Paulo II, na Encíclica Redemptor Hominis, o qual quer uma refundação radical, pessoal e comunitária, da experiência de encontro e seguimento de Jesus Cristo, conformada à vocação universal à santidade, uma adesão renovada de pertença à Igreja-comunhão, uma nova evangelização de ambientes, situações e culturas, seguindo a via do homem (RH, n. 14), e um renovado compromisso de presença e serviço pelos cristãos. Eis a ocasião de uma nova grande inundação de carismas, para atualizar a potência evangélica como força de salvação
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Com Bento, as modificações de Cluny, Gregório VII e os cistercienses.
137
Como Francisco de Assis e Domingos de Guzmán.
138
Como os Oratorianos, de São Felipe Néri, 1565, e a Companhia de Jesus, de Santo Inácio de Loyola, 1534, para ficar com os mais conhecidos. Essas obras, em especial a de Inácio de Loyola, refulgirão por muitos séculos, tendo sido a inspiração do Espírito Santo num momento muito difícil para a Igreja, coincidindo com a tentativa de reforma ante o movimento luterano, exprimindo-se em novas formas de vida comunitária. Para o fundador dos Jesuítas, essa comunhão de vida, fraternidade e amizade vence toda diferença, cultural ou étnica, e toda separação física, em prol do serviço das almas. Cf. FERNÁNDEZ, F. G. Carismi e movimenti nella storia della Chiesa. In: PONTIFICIUM CONSILIUM PRO LAICIS. I movimenti ecclesiali nella sollecitudine pastorale dei vescovi: Atti ..., p. 93.
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Como as carmelitas de Santa Teresa de Ávila.
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Como os Missionários do Espírito Santo, do padre francês Claude Poullart des Places, e os Combonianos, do beato Daniel Comboni, 1867.
141
Como afirma Fidel G. Fernández, depois do Concílio de Trento, floresce uma era de santos e seus “filhos”: congregações e fraternidades de índoles diversas, como os Camilianos, os Lazaristas, os Filhos da Caridade de São Vicente de Paula, a Ordem da Visitação de São Francisco de Sales, os Padres da Doutrina Cristã, o Clero Regular da Mãe de Deus, etc. FERNÁNDEZ, Fidel González. Carismi e movimenti nella storia della Chiesa. In: PONTIFICIUM CONSILIUM PRO LAICIS. I movimenti ecclesiali nella sollecitudine pastorale dei vescovi: Atti..., p. 94.
142
nas vidas humanas concretas dentro das novas condições do mundo contemporâneo, consubstanciada nos Novos Movimentos, como afirma João Evangelista Martins Terra.143
Desse panorama histórico, é possível concluir que cada época da Igreja conhece movimentos eclesiais que são resposta aos respectivos tempo e desafios, que assumem formas variadas e cujas características foram sintetizadas por Fidel González Fernández como segue:
1. Um carisma gera um movimento eclesial na realidade da Igreja local e universal; 2. Um novo carisma auxilia outro a retornar à origem, renovando a consciência do
dom original e de sua missão;
3. Os carismas vão além das fronteiras do seu local de nascimento (paróquia, diocese, igreja nacional) por sua própria natureza;
4. Os carismas manifestam a natureza católica da Igreja, com grande fecundidade eclesial, nos diversos estados de vida, assentados sobre o sentido ontológico e missionário do batismo, deles emergindo formas de virgindade consagrada e de vida religiosa, vocações sacerdotais e fraternidades sacerdotais de gênero diverso; 5. Os pastores, percebendo a renovação eclesial que esses carismas provocam,
acolhem-nos;
6. Essas correntes da história da Igreja têm sempre um profundo sentido mariano e petrino.