CHAPTER 2: A PRELIMINARY DISCUSSION OF CIRCULAR ECONOMY, CONSUMPTION AND
2.3 D ESIGN AS AN INSTRUMENT OF CHANGE
Dentre as estratégias que proporcionam a comunicação nas organizações os rituais corporativos estão entre os meios que possibilitam estabelecer significativas relações interpessoais, além ser serem potenciais meios de promoção de relacionamentos. Segundo Etzioni (2000), o ritual possui capacidade para se comunicar e incutir valores de grande importância para uma sociedade ou grupo social. Por meio destas práticas a organização alarga a representatividade de seus valores, tornando-os mais perceptíveis para o funcionário. Deal e Kennedy (1982) afirmam que os rituais conduzem o comportamento por intermédio da dramatização dos valores, em função de que por trás de cada ritual existe um mito que simboliza a crença central da organização. Os autores dizem também que os rituais se constituem de meios de ligação entre indivíduos sendo, ainda, conciliadores, uma vez que ajudam a mediar conflitos e a reorganizar desalinhamento de condutas que ameaçam a cultura organizacional. Marchiori (2006) alerta para as formas de comunicação usadas para transmitir informações e conhecimentos. Para a autora, muitas informações são produzidas e causam impacto na vida dos empregados, mas nem sempre geram mudanças de atitudes, ou ainda, causam confusão porque não foram usadas as formas adequadas. Ou seja, as organizações necessitam adotar meios de otimizar a comunicação para construir uma imagem consistente, baseada em trocas sociais, aquelas que permitem dar aos empregados uma sensação de segurança e significado as suas atividades. Caetano e Rasquilha (2007) apontam que a comunicação empresarial pode se desenvolver em três níveis:
a) As comunicações técnicas, geralmente se apresentam como meios pouco atrativos. Manuais, catálogos técnicos, de especificação de produto, materiais informativos de apoio a vendas, produção e de conduta interna, produção de produtos para treinamentos, etc. A linguagem destas comunicações, normalmente, é elaborada para cada público-alvo;
b) As comunicações cognitivas, relativas aos comportamentos individuais. Esse nível se constitui no conjunto das unidades do saber da consciência, baseado em reflexos sensoriais, pensamentos e lembranças. É um processo mental
que consiste em escolher ou isolar um determinado aspecto de um estado de coisas relativamente complexas, a fim de simplificar a sua avaliação, ou para permitir a comunicação do mesmo através da abstração.
c) As comunicações normativas, orientadas para a transmissão de normas, valores e diretrizes que contribuem nas diferentes situações no cotidiano organizacional.
Entende-se que os ritos, rituais e cerimônias também são denominados artefatos comportamentais. E, logo, este pode ser considerado o quarto nível da comunicação organizacional. De forma geral, neste nível se encontram todas as atividades planejadas com consequências práticas e expressivas para os indivíduos que integram a organização, como as festas, celebrações, gincanas, premiações, jantares, treinamentos, reuniões entre outros (PUTNAM; PHILLIPS; CHAPMAN, 2004). Por serem executados através das interações sociais, os rituais corporativos comunicam as normas, práticas, valores, crenças, metas, regras e políticas da organização. Essas práticas explicitam os padrões de comportamento a serem adotados e mantidos, bem como a correta execução de procedimentos. Também comunicam as novas visões organizacionais, como mudanças e novas estratégias (DEAL e KENNEDY, 1993).
Segundo Caetano e Rasquilha (2007), um dos objetivos dos rituais corporativos deve ser o de aprimorar a comunicação ao nível da expressividade maior dos empregados. De um lado há um tipo de comunicação que é resultado da informação e do conhecimento técnico. De outro, as atitudes, os valores e as normas que buscam solidificar a cultura organizacional. Os autores dizem que o ideal é ajustar todas as partes, formando um composto comunicacional capaz de ser consumido naturalmente.
Logo, é possível dizer que a comunicação organizacional é alcançada através de ações expressivas que operam como sinais, signos e símbolos. Essas mesmas ações são meios comunicativos que estruturam os rituais. Ricos em significados por se constituírem como um sistema cultural de comunicação simbólica, os rituais são meios que possibilitam manter “vivo o sentimento de pertença a um grupo e podem conservar a adesão aos seus modos coletivos, para unir mais estreitamente os seus
membros e para afirmar e reforçar sua significação e sua estrutura” (AZEVEDO, 1987, p. 75-76).
Um ritual é um meio que possui uma função de comunicação, reconhecida hoje como de vital importância em empresas modernas. Leach (1978, p. 241) define o rito como “[...] um comportamento esporádico que caracteriza certos momentos de uma mesma cultura”. Este comportamento pode ser de dois tipos: comportamento mágico ou eficaz em termos de convenções culturais dos que o praticam, e comportamento que concerne à “comunicação” (idem) em virtude de um código culturalmente determinado. O autor aponta, ainda, a dimensão de comunicação do rito, notadamente entre os iletrados, lembrando que, nos ritos, palavras e comportamento são indissociáveis. Para ele, o rito não-verbal é apenas um sistema de sinalização de um gênero diferente, menos especializado. A linguagem corporal acompanha diferentes rituais. Existe uma segunda distinção importante entre comportamentos simbólicos privados e públicos. Os primeiros terão um significado afetivo; os últimos, um significado social, “quando pessoas pertencem à mesma cultura, têm em comum vários sistemas de comunicação que elas compreendem mutuamente” (LEACH, 1971, p.323).
O ritual é, portanto, formas de ação e de comunicação maleáveis e criativas que, com conteúdos diversos, são utilizadas para várias finalidades. Os elementos que entram no ritual já existem na sociedade, fazem parte de um repertório usual, mas podem ser reinventados ou adequados a determinadas situações e circunstâncias. Se o ritual possui características marcantes de estereotipia, redundância, condensação e, às vezes, formalidade, esses são traços de eventos tradicionalmente realizados – no ritual eles apenas são reforçados. Rituais são, portanto, um tipo especial de evento, mas não qualitativamente diferente daqueles considerados usuais.
3.2 ANÁLISE DOS RITOS: PROPOSTAS DE RADCLIFFE-BROWN e de TRICE &