Esse recurso é muito utilizado pelos alunos deficientes visuais, principalmente entre aqueles que têm dificuldade no uso do braile ou que não dominam completamente essa técnica. Para utilizá-lo são necessários: um gravador e uma fita k7. O texto deverá ser lido em voz alta por um vidente que realizará a gravação. Esse recurso ainda é muito empregado na gravação de livros para audiotecas, os denominados: “Livros Falados”.
Atualmente, com o desenvolvimento da informática, surgiram outras alternativas como por exemplo aquela chamada de "Livros Sintetizados". Ao invés de o livro ser gravado pela voz de um voluntário, é possível abrir o livro digitalizado, por exemplo, no Word e, usando um sintetizador de voz, deixar que o computador grave o livro falado, depois é só converter o arquivo de áudio gerado para o formato MP3 e copiá-lo para um CD.
O deficiente visual ainda poderá utilizar o Open Book (um software), especificamente desenvolvido para ser usado por cegos, que faz a digitalização
55 Imagem retirada a partir do site: www.visão subnormal.htm
• Monoculares • Binoculares • Flip Up • Finger Ring • Espelhos • Lupas
das páginas e automaticamente o reconhecimento dos caracteres. Com este programa é possível até mesmo posicionar o livro no scanner de cabeça para baixo que o programa faz a leitura da forma correta", explica. A última versão do Word, que faz parte do pacote Office 2003, possui todos os recursos do Open Book com a vantagem de que o arquivo resultante já fica no formato 'doc', com perfeita diagramação, pois utiliza os recursos de alinhamento, justificativo e tabelas do Word.
Para quem desconhece o termo audioteca, deve-se pensá-la como uma biblioteca cuja finalidade é o empréstimo de livros gravados. Para reforçar essa idéia, falarei, a título de exemplificação, a respeito do trabalho desenvolvido pela audioteca Sal e Luz56, definida como um projeto de utilidade pública, que visa proporcionar para as pessoas cegas e deficientes visuais acesso à cultura, à educação e à informação, produzindo e emprestando livros gravados em fitas K-7 em todo território nacional.
Essa iniciativa possibilita a inclusão sócio-econômica e cultural das pessoas com necessidades especiais. Ela representa hoje um dos elementos que vêm contribuindo para aumentar a participação de deficientes visuais no mercado de trabalho.
A seguir, as imagens dos livros gravados à disposição dos leitores e o processo de gravação desses livros.
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Estante com os livros gravados
56 O endereço na internet é: www.audioteca.com.br
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Ledores dos livros (no momento da gravação dos livros)
Atualmente, embora o método braile continue a ser o principal instrumento para a leitura e a escrita do deficiente visual, os recursos tecnológicos vêm ganhando uma importância significativa como ferramenta de interação e inclusão do deficiente visual com (e no) o mundo.
Os lançamentos mais recentes apontam revelam a produção de equipamentos de ponta que utilizam a tecnologia digital e o uso de satélites para facilitar a vida dos deficientes visuais.
Por exemplo, o deficiente visual tem a possibilidade de usar um sistema que recebe informações simultâneas de vários satélites para que possa saber exatamente onde está. Um receptor transmite essas informações vindas de pelo menos quatro satélites a um computador de bolso. Nesse computador, há um banco de mapas e localidades e um programa que informa ao deficiente visual em que lugar da cidade ou da rua ele está. O site do fabricante informa que há mapas digitais de várias cidades brasileiras. O produto se chama Street talk®, em português, algo como "o falante das ruas".
Outro produto interessante disponível no primeiro mundo (e, ao queme parece, ainda impossível de usar no Brasil) é o Scan Reader. Trata-se de um sistema, também instalado em um computador de bolso, com um leitor de código de barras acoplado, que permite ao deficiente visual circular por lojas e supermercados, de modo que ao passar o leitor pelo código de um produto,
o computador fala seu nome, seu preço, especificações como o número de calorias, colesterol, ou qualquer texto associado. Segundo informações do site
http://www.hj.com/, há mais de 500 mil produtos cadastrados, entre eles alimentos, remédios, cosméticos e cds.59
Minha experiência como professor de leitura na Associação Laramara, mostrou-me que hoje em dia os cursos de informática são fundamentais na formação e preparação do deficiente visual para o mercado de trabalho e também para os afazeres cotidianos. Em breve tempo o deficiente visual estará cada vez mais atuante na sociedade graças ao desenvolvimento acelerado das novas tecnologias.
No próximo capítulo, falarei a respeito da metodologia de pesquisa que estará embasada em uma visão interpretativista de cunho qualitativo.
59 A final deste trabalho, inseri algumas páginas que tratam dos últimos lançamentos de produtos no campo
Capítulo 4
Neste capítulo, apresento os pontos referentes à metodologia de pesquisa que estão organizados da seguinte forma: o tipo de pesquisa, a trajetória da pesquisa que está subdividida em: a) primeiro momento; e b) segundo Momento, c) procedimentos de análise, d) procedimentos de validade e ética.
No primeiro momento, os pontos relevantes são: a1) O contato com a URDV; a2) os primeiros participantes; a3) o primeiro e os demais encontros. No segundo momento, destacam-se os seguintes pontos: b1) A Laramara; b2) os participantes (o grupo de leitura) e b3) o evento focal.
No final deste capítulo, apresento um quadro com o desenho da pesquisa, com as perguntas de pesquisa, a fundamentação teórica referente a cada uma, os participantes, os procedimentos de coleta e de análise.