5 Carlisle fort og endringer i det arkeologiske materialet
5.2 Ernæring, dyrehold og agrikultur
Maycon Rogério Seleghin1 Kelly Cristina Inoue2 Magda Lúcia Félix de Oliveira3 INTRODUÇÃO: O uso de drogas ilícitas, independentemente do poder aquisitivo do usuário, pode acarretar em danos individuais à saúde, bem como em sérios problemas econômicos e sociais à coletividade. Com isso, é relevante reconhecer o usuário, suas características e necessidades, para a elaboração de novas estratégias de acesso, acolhimento e de vínculo com ele e seus familiares, visando o planejamento e implementação de ações de prevenção, tratamento e promoção adaptados às diferentes necessidades(1). Ao serem considerados os jovens usuários de crack, torna-se importante analisar aspectos da sua estrutura familiar que possam motivar o uso de drogas, em razão de que isto é influenciado pelo contexto em que o indivíduo está inserido(1-3). De um modo geral, o papel da família pode ser compreendido a partir de três “locus” principais. O primeiro se refere à centralidade das famílias como fator de proteção social, o que implica ter presente seu caráter ativo e participante nos processos de mudança, o segundo ressalta a família como aquela que, paradoxalmente, pode formar ou destruir, dar identidade ou desintegrar o indivíduo em formação, e o terceiro, refere-se à sua importância na promoção e manutenção da saúde entre seus membros(4). Um instrumento útil para análise da estrutura familiar é o Genograma, que é a representação gráfica da família, o qual é capaz de reunir informações tais como os aspectos genéticos, médicos, sociais, comportamentais, relacionais e culturais, que denotam a estrutura e a configuração familiar dando indícios de seu funcionamento e dinâmica(5). OBJETIVO: Analisar o genograma de jovens usuários de crack institucionalizados em uma Comunidade Terapêutica. METODOLOGIA: Pesquisa descritiva e exploratória, realizada no período de maio a junho de 2011, com usuários de crack do sexo masculino, de 18 a 24 anos de idade, em tratamento em uma Comunidade Terapêutica do Noroeste do estado do Paraná. A Comunidade foi fundada em 1997 e é uma entidade de caráter filantrópico que possui capacidade para 60 residentes do sexo masculino, e com idade igual ou superior a 12 anos; os quais são assistidos em regime de internamento durante um período de nove meses. No período da realização da pesquisa, a Comunidade Terapêutica contava com quatro sujeitos que atenderam aos critérios de inclusão do estudo. Para coleta de dados, realizou-se entrevista em local privativo, amparado num roteiro com questões semi-estruturadas para obtenção de informações pessoais e do uso de drogas, finalizando com a elaboração do Genograma familiar pelo usuário(5). O desenho dos Genogramas foi realizado pelos próprios pesquisadores a partir de uma explicação única para todos os jovens sobre a sua finalidade, e apresentação dos símbolos que poderiam ser utilizados e seus significados. Em seguida procedia-se à elaboração da geração familiar do usuário – pais e irmãos, e a elaboração de sua geração antecessora – avós e tios. Em todos os Genogramas foram questionado aos usuários
1 Enfermeiro. Mestrando em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Maringá-PR, Brasil. Email: [email protected]
2 Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem. Docente da Faculdade Ingá. Maringá-PR, Brasil. Email: [email protected]
3 Enfermeira. Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Departamento e do Mestrado em Enfermagem da UEM. Maringá-PR, Brasil. Email: [email protected]
sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas pelos membros da família, e ao final eles puderam completar, acrescentar ou mesmo alterar o desenho inicial. Para apresentação dos resultados, os entrevistados foram denominados aleatoriamente como E1, E2, E3 e E4. O presente estudo recebeu parecer favorável (no. 040/11) do Comitê Permanente de Ética em Pesquisas com Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá. RESULTADOS: Os jovens usuários de crack investigados eram solteiros, não possuíam filhos, apenas o E1 não tinha religião, não completaram o ensino médio, e somente o jovem E2 encontrava-se empregado. A escalada de drogas ilícitas iniciou em idade precoce e com o uso de álcool/cigarro e maconha; findando-se com o uso de cocaína ou crack. Destaca-se que o E1 e E3 relataram escolha do crack em relação à cocaína em razão dessa última ter preço mais elevado que a primeira. Independentemente da droga utilizada, o uso ocorria em grupo, seja pela influência de familiares e/ou amigos. Quanto à forma de uso do crack, os entrevistados referiram o uso associado com tabaco ou maconha, indicado pela informação “mesclado”; bem como o uso isolado da droga em latas de alumínio. Nota-se que é comum à realização de mais de um e/ou longos períodos de tratamento entre os usuários, indicando que a dependência causada pelo uso do crack é de difícil manejo, com conseqüências prejudiciais também para as famílias dos usuários. O desenho dos Genogramas individuais apontou que todas as famílias eram nucleares, tanto na geração familiar do usuário quanto na sua segunda geração, com apenas uma união entre os adultos e único nível de descendência entre os pais e seu(s) filho(s). Chamou atenção o número reduzido de membros na geração familiar dos jovens, indicado por um número médio de 3,2 irmãos, em contraste com as segundas gerações, que possuíam uma média de 5,5 filhos, sendo também classificadas como ‘família numerosa’ ou com prole extensa. Apesar das famílias estudadas apresentarem uma configuração familiar considerada tradicional, o uso de drogas por um ou mais membros da família foi um achado freqüente. Percebe-se que o álcool e o tabaco são as drogas comumente utilizadas pelos familiares de E1, E2 e E4; apenas o pai de E1 e o irmão de E4 usavam maconha e crack; e, não havia nenhum familiar do E3 que fizesse uso de qualquer uma destas substancias. CONCLUSÃO/ IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM: Estratégias de prevenção devem se iniciar em idade escolar, pois os usuários têm acesso às drogas em idade muito precoce. Nesse contexto, torna-se fundamental a atenção especial dos profissionais de saúde da atenção primária e a atuação junto às escolas para sensibilização; com o estabelecimento de ações educativas para prevenção do uso de drogas por crianças e adolescentes. O enfermeiro, enquanto integrante da equipe multidisciplinar e responsável por grande parte das ações da Equipe de Saúde da Família, deve reconhecer a população de área de abrangência e atuar de forma mais intensa no cuidado às famílias em que há usuários de drogas, em especial o crack. Torna-se importante, então, a realização de pesquisas para o avanço dos conhecimentos e práticas relacionadas ao uso de crack, visando estabelecer alianças com as famílias, de modo a conhecer as tradições, os valores e os costumes, pois as famílias possuem papel fundamental na prevenção e no tratamento ao uso de drogas.
PALAVRAS-CHAVE: Família. Drogas ilícitas. Cocaína crack. REFERÊNCIAS
1.Ministério da Saúde. A Política do Ministério da Saúde para a atenção integral a usuários de álcool e outras drogas. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2003.
2.Rodrigues VS, Caminha RM, Horta RL. Déficits cognitivos em pacientes usuários de crack. Rev. bras.ter. cogn. 2006; 2(1): 67-72.
3.Sanchez ZVDM, Nappo SA. Sequência de drogas consumidas por usuários de crack e fatores interferentes. Rev. Saúde Pública. 2002; 36(4): 420-30.
4.Osório LC, Valle MEP, organizadores. Manual de terapia familiar. Porto Alegre: Artmed; 2009.
5.Wendt NC, Crepaldi MA. A Utilização do Genograma como instrumento de coleta de dados na pesquisa qualitativa. Psicol. Reflex. Crit. 2008; 21(2): 302-10.
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A FAMILIARES DE RECÉM