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Erfaringer fra pilotpros

3 Naturindeks for områder med intensivt la

4.2 Erfaringer fra pilotpros

tríplice inicial (das teorias da religião), é possível encontrar várias outras tríades em seu argumento. Assim, ele fala de visões proposicional, simbólica e regulativa de doutrina, de verdades ontológica, expressiva e categorial, e de teologias pré-liberal, liberal e pós-

8 Lindbeck baseia esta informação na obra de Wilfrid Sellars. Segundo Sellars, é “difícil evitar a

conclusão de que a transição dos padrões pré-conceituais de comportamento para o pensamento conceitual foi holística, um salto para um nível de consciência que é irredutivelmente novo, um salto que fez com o homem viesse a ser o que é” (1963, p. 6).

124 liberal. A base, entretanto, é mesmo formada pelos modelos de teoria da religião: cognitivo-proposicional, experiencial-expressivo e cultural-lingüístico.9

Na maior parte das vezes, Lindbeck empreende críticas severas aos modelos concorrentes aos seus, mostrando suas inadequações e fazendo com que o leitor pressuponha a refutação destes. Em outros momentos, no entanto, Lindbeck apresenta estes mesmos modelos como opções a serem assumidas de acordo com a ocasião, sem uma negação de sua validade. Desta forma, por exemplo, ele diz que a posição expressivo-experiencial é improvável, mas isto não quer dizer que seja falsa. Usando a filosofia de Kuhn, Lindbeck entende que as teorias são abandonadas não tanto por serem refutadas em seus próprios termos, mas por se provarem infrutíferas diante de novas ou diferentes questões que se apresentam (ND, p. 42). Isto vale tanto para a refutação de um modelo, quanto para a afirmação de outro. Por isso, ele diz que mesmo a sua própria “visão cultural-lingüística da religião pode ser somente apresentada, mas não provada” (ND, p. 134). Sendo assim, Lindbeck “não nega as outras posições principais, apesar de destacar a superioridade de sua própria posição” (Goh, 2000, p. 352). Em face disto, DeHart afirma que, levando em conta a maior ou menor capacidade do uso de linguagem religiosa por parte de cada religião, os três modelos lindbeckianos de estudo da religião subordinam-se uns aos outros, mas, de maneira nenhuma, tais modelos excluem-se mutuamente (2006, p. 156).

Para alguns autores, há um erro esquemático da parte de Lindbeck ao tratar os diferentes modelos como opções, fazendo do cultural-lingüístico a sua escolha circunstancial. Esta é a crítica feita por D. Z. Phillips (1988, p. 144). Segundo ele, Lindbeck não rejeita as teorias da religião em si, mas sim as confusões oriundas da sua aplicação na reflexão sobre o caráter da crença religiosa. No entanto, Lindbeck incorre em erro ao qualificar estas teorias como opções a serem escolhidas de acordo com um propósito específico. Na opinião de Phillips, há duas objeções fundamentais a esta sugestão dos modelos como opções. A primeira é que aqueles que estão envolvidos com os modos de pensar derivados de cada um destes modelos não os consideram como opções. Ao contrário, ao fazerem uso de suas categorias, pensam estar oferecendo uma descrição conceitual fiel sobre as práticas religiosas de que estão falando (e as outras descrições, conseqüentemente, não são fiéis). Em segundo lugar, aqueles que já não fazem uso de suas categorias, por reconhecerem as falhas de um dos modelos,

9 Vitor Feller (2004, p. 249) apresenta um quadro comparativo ilustrando as diferenças entre os vários

modelos representados. Apesar de alguns equívocos (como classificar a perspectiva do diálogo inter- religioso em Lindbeck como “pluralismo”), o quadro é uma boa ferramenta comparativa.

certamente não os vêem como opções que eles possam assumir novamente. Destarte, a dificuldade de Phillips com as estratégias tipológicas de Lindbeck é que ele afirma ver as confusões oriundas das teorias rivais às suas e, ainda assim, continua a falar destas como se fossem opções possíveis.

Na verdade, o esquema tripartite de Lindbeck tem os seus propósitos específicos e, sempre que algo parece não se enquadrar nestes propósitos, ele simplesmente descarta, como o fez com os modelos supostamente bi-dimensionais de teoria da religião. Em sua polêmica com os modelos rivais, Lindbeck tenta forçá-los num leito de Procusto até que se adaptem a uma tipologia que afirme a superioridade do seu próprio modelo. Sendo assim, a abordagem cultural-lingüística é explicitamente parasitária em relação às outras abordagens, na medida em que necessita delas para a sua validação (Goh, 2000, pp. 467, 352-3). O problema, segundo James Reimer (2004, p. 232, n.7), é que a tipologia de Lindbeck até serve bem para os seus próprios propósitos, mas, ao fazer isso, acaba cometendo grande injustiça com as outras posições, submetendo-as a um esquema super-simplificador.10

Esta discussão enseja uma outra crítica, que diz respeito à viabilidade mesmo da tipologia de Lindbeck. De acordo com George Hunsinger (2003, pp. 45-6), a tipologia da natureza e função da linguagem teológica proposta por Lindbeck é algo “como comparar duas maçãs e uma banana”. Isto se dá porque os modelos cognitivo- proposicional e experiencial-expressivo são o mesmo tipo de coisa, mas a teoria cultural-lingüística não é. Em virtude disto, Hunsinger propõe uma re-adaptação da tipologia de Lindbeck. Ele faz isso porque, em sua opinião, alguns pensadores simplesmente não se enquadram nos modelos lindbeckianos, e uma “tipologia que não cobre vultos como Barth e Von Balthasar, quando se trata destas questões, parece ter alguma coisa contra ela”. A proposta de Hunsinger (2000, p. 11) parte do pressuposto que “o tríplice esquema de Lindbeck corresponde, grosso modo, à cabeça, ao coração e às mãos, ou, em outras palavras, ao cognitivo, ao afetivo e ao prático”. Sendo assim, em sua re-adaptação, os modelos seriam: literalismo, expressivismo e realismo. Esta nova tipologia não restringiria todas as possibilidades fortemente cognitivas ao proposicionalismo. Além disso, ela expandiria o expressivismo para permitir que os seus determinantes “sejam não só afetivos, mas também sociais e políticos”. Por fim, sua proposta extinguiria o “pragmatismo cultural-lingüístico” como um tipo separado para dar lugar ao “realismo hermenêutico”, entendido como “o discurso analógico que é

10 Reimer dá como exemplo de classificação errônea o caso de Paul Tillich, encaixado por Lindbeck no

126 cognitivamente significante por si próprio”. Seja como for, a re-formulação proposta por Hunsinger assinala uma suposta inviabilidade das tipologias de George Lindbeck da maneira como são apresentadas.