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Dyrka mark og bymiljø

3 Naturindeks for områder med intensivt la

4.3 Formidling av naturindeksen

4.4.5 Dyrka mark og bymiljø

A analogia da cultura ocupa um importante papel no pensamento de Lindbeck. Por ser como uma cultura, a religião molda as subjetividades dos fiéis, tem uma lógica que regula suas aplicações significativas, e provê aspectos tanto cognitivos quanto comportamentais (ND, p. 33). Lindbeck também sustenta o conceito de intraduzibilidade das religiões a partir da intraduzibilidade (e mesmo incomparabilidade) das culturas (ND, p. 46). Além disso, ele enfatiza o princípio de “sectarismo sociológico”, com a necessidade de se organizar comunidades coesas que preservem as “estruturas de plausibilidade” psicossociais necessárias à manutenção de seus padrões culturais (ND, p. 78). A idéia de intratextualidade também parte da percepção lindbeckiana de cultura, já que o mundo cultural do texto sagrado deve absorver os mundos estranhos a ele, sem se deixar influenciar e misturar com elementos extra-textuais (ND, pp. 117-8).

Uma das questões que se levantam diante destes usos do conceito de cultura é: Lindbeck apresenta de maneira correta a relação entre a cultura religiosa e as demais culturas ao seu redor? Kathryn Tanner lida com este problema na longa crítica que faz à aplicação pós-liberal do conceito de cultura (1997, pp. 104-50). Para ela, esta aplicação é errônea na medida em que afirma uma separação aguda entre a cultura religiosa e as demais.

Tratando especificamente do cristianismo, Tanner afirma que a discussão deste tema tem a ver com a compreensão pós-liberal de identidade cristã, que é construída a partir da idéia de “fronteiras culturais”.11 Segundo esta percepção, assim como as culturas, as formas de vida cristãs e não-cristãs equivaleriam a “totalidades qualitativamente descontínuas, sem nenhuma base comum óbvia entre elas”. Ou seja, os cristãos têm a sua linguagem própria, seus próprios padrões de ação, compreensão e sentimento, enquanto as pessoas que não são cristãs têm linguagem e padrões distintos. É como se as formas culturais que constituem a identidade cristã estivessem ausentes em qualquer outro lugar que não aquele determinado pela sua própria realidade. Os

11 Assumimos aqui que a crítica de Tanner aplica-se também a outras expressões religiosas, já que o

pensamento criticado por ela, o pós-liberalismo de Lindbeck, também pretende ter aplicação para outras religiões.

elementos que constituem a identidade cristã não são emprestados de lugar nenhum, mas sim produtos exclusivos do sistema cultural-lingüístico no qual estão inseridos. Em função desta suposta descontinuidade que separa a forma de vida cristã das outras, a identidade cristã parece ser mantida apropriadamente pelo evitamento das influências e alterações que venham a decorrer do envolvimento com outras formas culturais, requerendo uma “insularidade cultural”. A forma de vida cristã, então, seria como “uma entidade fortemente delimitada, não afetada essencialmente por relações com as outras e, portanto, mantendo o seu caráter distintivo” (1997, p. 104).

Segundo Tanner, esta concepção da identidade cristã, “que parece depender de uma forma de vida cristã que é auto-contida e auto-originante”, não deixa de ser uma caricatura da perspectiva pós-liberal feita por seus críticos, mas uma caricatura alimentada pelos próprios posicionamentos pós-liberais, como os conceitos de intratextualidade e sectarismo sociológico de Lindbeck. Neste sentido, este apego pós- liberal a “uma identidade auto-contida e auto-originante” relaciona-se a um contextualismo cultural, segundo o qual as influências externas até podem chegar ao cristianismo, mas toda referência ao que se encontra fora do contexto cristão permanece irrelevante para a identidade cristã, já que, intratextualmente, todo material emprestado ganha um novo sentido no contexto cristão. Segundo esta perspectiva, materiais culturais externos significariam uma coisa diferente quando usadas no contexto cristão (1997, pp. 104-6).

O problema, não percebido por Lindbeck e os pós-liberais, é que a identidade cristã é relacional em si mesma. Mais do que isso, toda religião (ou ainda, todo sistema cultural) constrói sua identidade a partir de algum tipo de relação com outros sistemas. A partir disto, Tanner argumenta que a identidade cristã simplesmente não pode ser assegurada por uma fronteira cultural nítida por pelo menos três fatores complicadores. O primeiro é que não fica clara a forma pela qual se empurra para fora da fronteira alguma prática cultural. Tanner dá como exemplo a adoração a divindades de outras religiões. Ela deve ser proibida, já que estas divindades devem ser consideradas demônios? Ou a prática deve ser ignorada, já que estas divindades não existem? Um segundo fator complicador é que raramente fica claro em que lado da fronteira algo está. “Supõe-se que a fronteira marque uma diferença religiosa nítida, e que as práticas cristãs ganhem suas identidades como práticas religiosas que excluem as de outras religiões. O que está em disputa é se alguma das práticas em questão é religiosa ou não.” Por exemplo, o modelo de educação helênico deveria ser evitado pela igreja, dada a sua relação com o paganismo? E o sistema de castas indiano, é justificado

128 religiosamente ou deve ser analisado simplesmente do ponto de vista da organização social? Um terceiro complicador é que “o local onde as fronteiras são estabelecidas nunca é fixo, e práticas sociais que são excluídas em um determinado tempo e lugar são incluídas em outros”. As fronteiras culturais parecem ser fluidas demais para que se estabeleça algum tipo de identidade. Por exemplo, o uso da literatura greco-romana foi incentivado em alguns momentos e proibido em outros. Esta variação, segundo Tanner, “tem mais a ver com fatores situacionais do que com qualquer argumento sobre o caráter essencial do cristianismo” (1997, p. 108).

Por fim, na crítica à proposta de Lindbeck, Tanner afirma que não há razão para pensar que fronteiras culturais são necessárias para estabelecer a identidade de uma forma de vida especificamente religiosa. A maior parte das culturas compartilha bastante, e isto não implica o fim das identidades culturais. “Formas culturais importadas, por exemplo, não precisam por em perigo a identidade de uma cultura”, pois é possível manter uma diferença ao interpretar estas formas de modo diferente. Deve-se levar em conta o processo cultural no qual uma identidade cultural emerge através do uso distinto dos materiais compartilhados com outros (1997, p. 108). É verdade que Lindbeck não nega o empréstimo de materiais culturais diferentes, desde que estes percam a sua rigidez e possam ser re-descritos pela cultura do mundo do texto sagrado. O que ele se esquece, no entanto, é que, “se os materiais emprestados precisam perder sua rigidez, o mesmo deve ser verdadeiro para cada formulação teológica que faça uso destes materiais” (Tanner, 1997, p. 150).

A extensa crítica de Tanner encontra eco no pensamento de Serene Jones. Para ela, Lindbeck analisou com cuidado o funcionamento constitutivo da linguagem e da cultura no campo da doutrina religiosa, mas não se deu conta de que outras “complexas negociações” ocorrem entre os sistemas culturais. Talvez como resultado metodológico de sua insistência no particularismo religioso, o objeto de análise de Lindbeck parece “uma pessoa de fé isolada, vivendo numa comunidade eclesiástica isolada, cujas ações confessionais e litúrgicas isoladas se mostravam num mundo intocado pelas relações de poder e pelas complexas forças culturais”. Segundo Jones, Lindbeck não está atento às múltiplas relações culturais de poder presentes no mundo do texto sagrado e, especialmente, na doutrina que regula o acesso a este mundo. Apesar de discutir a religião como sistema um lingüístico-cultural, Lindbeck não providencia um aparato conceitual que permita ver as tradições de fé como “contextos lingüísticos dentro dos quais os sujeitos políticos, os sujeitos nacionais, os sujeitos de gênero, os sujeitos étnicos, e os sujeitos religiosos são construídos e empregados” (Jones, 2001, p. 159).

Desta forma, a abordagem proposta por Lindbeck precisa de alguma correção de rota que lhe permita atentar para as interações entre sistemas culturais, caso queira fazer jus à analogia entre cultura e religião.