De quanto dissemos resulta a inegável presença de uma inteligência nas coisas. Como podemos então perguntar se uma tão profunda sabedoria pode às vezes falir como na morte, na dor, no aborto e não ser capaz, assim, de alcançar os seus fins? Como é que tanta potência pode aceitar tanta limitação? Mas será isto verdadeira limitação, ou toda barreira depois vem a ser igualmente sobrepujada e a vida, portanto, pode ficar indiferente a essas falências? E tudo isto não poderia ser ao contrário uma forma de vitória e um meio de conquista? Então é possível, quando tudo rui em torno de nós, que Deus funcione também através da nossa esperança desiludida? Sinto que, então, alguma coisa se moveu com a fé e que esta permanece, embora não se alcançou imediatamente a realização, e que dessa forma a fé não ficou vã. O Deus imanente e recôndito parece que não tenha pressa de se manifestar e que saiba realizar os seus fins, mesmo através da falência e além da nossa desilusão. Mas nós queremos e procuramos a via mais direita e segura para conseguir, porque, em nós, a vida procura e quer o êxito. Porém, devemos verificar que os cálculos da razão, na prática, podem falir como os impulsos da fé. Nenhum dos dois métodos sabe dar-nos uma segurança, um não é mais válido do que o outro. Fracassam os grandes calculadores prudentes e previdentes e, por vezes, alcançam êxito com métodos opostos, homens que só têm fé, que arriscam tudo, e ao contrário. Tal é a complexidade da vida e tais incógnitas da contém, que nela nunca há algo de seguro. Mais não nos resta que confiar-nos a essa imanente, sim, mas tão recôndita sabedoria que tudo rege, limitando-nos a fazer de nossa parte o que pudermos, pois que, seja como razão, seja como fé, sempre podemos muito pouco no seio de um universo sem limites, também como pensamento. Parece que este Deus, que tudo sabe e sem quem nada pode existir, procura tornar-se inacessível para nós. Tão logo os fenômenos nos dizem que Ele não é antropomórfico, como ingenuamente imaginávamos, acredita-se haver descoberto alguma coisa e de saber algo mais, quando percebemos, então, que sabemos menos, porque, suprimindo o antropomorfismo, Deus desaparece do nosso concebível e não sabemos como procurá-lo. E a tão declamada sensação de Deus que o místico obtém, é verdadeiramente sensação de Deus ou é o resultado de quem sabe quais processos psicológicos subconsciente:? Porém, nem por isto eles ficam menos verdadeiros. Todavia que sabemos nós da sua verdadeira função biológica criadora e em que relação eles estão com Deus?
É certo que esse nosso corpo e a sua psique, aliados num conjunto para viver a todo custo contra tudo e contra todos, podem pregar-nos boas peças e dar-nos perspectivas ilusórias. Mas é certo, ainda, que a vida dificilmente se deixa enganar nos seus escopos de vencer. E então é lícito suspeitar que toda derrota não seja senão uma vitória transferida, porque para a vida o tempo não falta; é lícito pensar que a derrota seja a condição de uma vitória maior. Certamente o instinto nos indica muitos caminhos para vencer e, através deles, Deus sempre presente, nos impele a salvar-nos. Ele se manifesta como uma espécie de recuperação contra os assaltos, como uma reação nossa defensiva e protetora que parece, automaticamente, fazer-se tanto mais forte quanto mais forte foi o golpe arremetido pelo exterior. Então Deus parece dar-nos força e falar muito mais potente para nos dizer: vai, vive, luta, resiste, age, mas vive!
A vontade de Deus é que a vida viva a todo custo, utilizando todos os seus recursos, aprendendo todas as coisas, boas e más, conquanto se viva. Ora, quando a fera mata para não morrer de fome ou o involuído esmagado se rebela e rouba e se torna delinqüente porque não tem outro meio para viver, é a voz de Deus que diz: vive. Quando o santo tudo sacrifica, até a vida, pelo ideal, é a voz de Deus que diz: vive. Essa voz nunca se resigna definitivamente à morte. E diante desta revive, renovando-se em novas vidas. Também a fera e o homem-fera querem viver. Mas cada um tem a sua vida. O involuído não tem outra e se apega à vida animal que é tudo para ele. E se o santo a entrega, é porque ele viu uma outra vida a ser conquistada, da qual o primeiro nada sabe. O santo se rebelava com a mesma potência, se bem que em planos e com métodos diversos daqueles com os quais se rebela o involuído, quando lhe viesse a ser tirada a
sua vida de santo, como aquele reage quando se lhe tira a sua vida de besta. Porém, se bem que ele tenha razão no seu plano inferior, o seu modo de comportar-se o qualifica e o revela como ser inferior. E esta marca é a sua mais grave condenação, porque isto implica em estar ele ligado a for-mas de vida inferiores. Mas a vida quer viver em todo plano e quando lhe falta o necessário procura-o por todos os meios. Com lobos saciados poderemos sempre viver tranqüilos, em paz, mas nunca com lobos esfomeados. Ora, a vida nos faz compreender, pelo modo como incita os lobos esfomeados contra os seus esfomeadores, que ela é necessidade para todos, é dever e direito ainda se os esfomeadores, somente por.. que são mais fortes, classificam como culpa a defesa de quem é esmagado e como justo direito o seu próprio esmagamento. Assim se explica como, em dado momento histórico, quando chega a maturidade das classes inferiores despertadas, a vida, como vontade de Deus, possa impeli-las a conquistar por si aquele bem-estar que dois mil anos de Evangelho aconselharam em vão aos de mais posses repartir fraternalmente.
Quando o evoluído fracassa no seu plano, ele sente que está tentando realizar um tipo de vida super- humano, mas que por enquanto aquela tentativa fracassou. Não conseguir por enquanto o que deseja não constitui derrota, mas faz parte da estratégia de conquista. Então, se o homem é maduro, a fé que parecia aniquilada pela desilusão, ressurge mais forte por outro lado, como se potenciada pela derrota, mais aguerrida para melhor poder vencer novas batalhas. Porque a verdadeira fé não é um estado inerte e passivo, mas uma arma que deve ser refinada, uma posição de vanguarda que deve ser consolidada, que pode vacilar e que se pode perder, mas que se pode reconquistar. A fé sentida é uma força útil na grande batalha para a evolução, para a conquista no espírito e para a ascensão para Deus. A alma sente a utilidade da fé nessa luta e, conhecendo-a, não a abandona mais. Quando a vida provou a fé e conquistou essa força, não se decide a deixá-la, pois que nunca deixa o que lhe é útil. A fé é um novo sentido, um tentáculo estendido para o ignoto, num poder de intuição, que pode errar, mas que, errando, se corrige, se aperfeiçoa, se consolida. Ela é um meio positivo de defesa da vida, apto a progredir sempre. Para quem provou uma vez a fé, há, ainda quando esta fracasse e pareça nos haver enganado, um instinto que conduz à sua salvação, porque ela possui a grande função de ser a última âncora de salvação sem a qual toda derrota não pode ser senão desespero. A esperança que a vida nos impõe, ainda quando tudo pareça perdido, é um instinto que vem do Deus presente, que quer que vivamos ainda, instinto que irracionalmente parece saber que, não obstante tudo, derrotas, dores, a própria morte, a vida continuará. É este instinto em que fala o Deus imanente, que nos faz crer na vida além da morte. Além de todas as aparências contrárias, esse instinto nos diz que a vida não pode acabar.
Estranho, misterioso mundo este, que somente a fé no-lo pode abrir! Por momentos ele se abre de par em par; depois se torna a fechar. Ele nos enceguece com seus raios e, no entanto, parece feito de treva profunda. Na fé está o porvir da vida. Há um pressentimento de divina indestrutibilidade em todas as coisas. Não é essa a voz de Deus que nos fala das profundezas? É a eternidade da essência das coisas que nos fala, revelando-se do profundo de tudo o que existe, dizendo-nos, através de um indomável instinto nosso que, não obstante toda a aparência contrária, segundo a qual tudo é lábil e transitório, tudo parece poeira e ilusão, tudo ao contrário, é estável e real. E o que é esta voz senão a revelação da universal presença de Deus? Então levanto a vista para o céu e digo: "Deus, perdoa-me se no momento em que as coisas fracassaram, a minha fé caiu e assim te reneguei. Eis que Tu novamente surges diante de mim, mais vivo e mais presente do que antes. Nenhum fato contrário nunca poderá eliminar a Tua presença. Tu estás aqui e eu Te escuto".
Será ilusão, mas podem operar-se muitas coisas com a fé que de outra maneira não se podem fazer. O fato é que ela é útil, serve-me e eu a utilizo para a vida. A desilusão escava-se mais profundamente, com o resultado de demolir uma fé mais superficial e encontrar uma mais profunda. Porém, é preciso ser prudente também na fé, que também ela oferece os seus riscos. Quem se aventura loucamente, confiando na imaginação, fanatizando-se e crendo que a fé consista nisto, pode estragar esse mecanismo maravilhoso e, então, a fé não pode funcionar em suas mãos. A culpa, então, não é da fé, mas de quem não soube crer justamente. E renegando-a, distanciando-nos de uma via salutar que conduz para nós forças boas e amigas.
Disse que Deus desaparece da nossa mente quando O desantropomorfizamos. E, no entanto, Ele ressurge em nosso pensamento e diz a cada um de nós: "Olha em torno: em toda parte, Eu estou". E tudo
volta a falar-nos d'Ele que volta a olhar-nos de uma miríade de rostos diversos. E nós, que julgávamos havê- Lo perdido, por não O virmos mais localizado numa forma, vemo-Lo ressurgir diante de nós em todas as formas. Verdadeiramente para tantos pode essa imanência tornar-se amedrontadora e, então, eles se afanam em enclausurar Deus nas igrejas e em distanciá-Lo no transcendente, para ficarem mais livres de Sua presença, que os preocupa em seus negócios quotidianos. Mas quem sofre e tem ânimo puro, o justo, goza dessa imanência e se lhe agarra com todas as suas forças, como única defesa, e não há condenação espiritual que o possa destacar dessa sua fé.
A nossa rápida corrida através da ciência nos confirma sempre mais a idéia não só da existência, mas ainda da imanência de Deus. Se essa sabedoria por vezes parece fracassar e ser contrastada pela dor e pelo mal, trata-se de uma aparência. Para quem vê em profundidade, esses desequilíbrios são reabsorvidos em equilíbrios maiores e no fim são eliminados. Certo é que o universo aparece diferente segundo o olho que o vê e o plano de onde se vê. Então nós vem a propósito perguntar como apareceria o nosso mundo visto de um plano macroscópico. Talvez do mesmo modo como a nós aparece o mundo submicroscópico. E se tivéssemos uma mente e sentidos adaptados a perceber o mundo submicroscópico, não poderíamos perceber o mundo do nosso plano, como destes nos escapa o universo macroscópico. Uma consciência submicroscópica, quem sabe com que esforços chegaria somente a alguma aproximação daquele mundo sensório que forma a nossa realidade concreta! Avizinhar-se-lhe-ia, como fazemos com os universos galácticos, com tais e quais observações, hipóteses, teorias, cálculos, controles experimentais e por sínteses progressivas. Uma consciência assim formada deveria fazer estudos, quem sabe quais, para distinguir a água da pedra e nunca poderia perceber e compreender um ocaso, uma flor, um quadro. De seu próprio plano, o homem, portanto, sabe muito mais. Se ele pertencesse a mundos menores, não compreenderia nada desta que chama ilusão e que, no entanto, relativamente a ele, no seu plano, é uma realidade. Todo mundo é real no seu nível, e ilusão se visto de outros planos, e todo ser é dotado da sabedoria que lhe serve para a sua vida. Se o homem vai conquistando o conhecimento do universo, é porque a sua vida se dilata em proporção e aquele conhecimento lhe deverá servir. Tudo é relativo em nosso universo, que é relativo. Sem ir tão longe, observando casos menores, ainda em nosso mundo vemos que existem, entre os homens, diferenças pro- fundas, dadas pelos diversos planos biológicos em que vivem, conforme o seu grau de evolução. A ciência médica, como as ciências sociais, se dirigem para o tipo médio e aplicam, para todos, normas estandardizadas e adaptadas àquele tipo. Assim, quem é menos ou mais evoluído naquele tipo, deve adaptar- se à medida comum, ou elevando-se para um tratamento superior à sua natureza, ou abaixando-se para um inferior. Bem dura será na terra, entre os normais tipo "standard", a vida do ser que alcançou no espírito formas biológicas superiores.
O primeiro obstáculo que se põe diante desses puros pesquisadores da verdade, a esses ascetas do pensamento e sacerdotes do espírito, é a humana intransigência e mania do enquadramento, pelo que tudo já está aprioristicamente catalogado segundo os interesses de cada grupo. Quem procura seriamente a verdade tem necessidade de ser livre e não preso a pontos fixos e soluções já dadas. Assim ele se encontra de maneira a não poder dar um passo sem encontrar muro divisório e, atrás dele, um inimigo armado. O in- voluído é separatista, agressivo, absolutista. O evoluído é universal, pacífico, tolerante. Como tal não pode ser enquadrado nos grupos humanos, na base de interesse ávidos de se destruírem para dominar E desta sorte o evoluído não encontra senão tentativas de encarceramento da sua universalidade, em limitações humanas. Disto resulta o seu sufocamento e o secar-se daquela fonte espiritual da qual o tipo inferior, mais do que todos, tem necessidade. A esses seres que emergem do tipo biológico normal se impõe a luta de todos, de modo que eles devem saber viver como anjos entre demônios e produzir no espírito, no meio de turbas de en- carniçados ventres ambulantes.
Sem dúvida o método da luta é útil à vida para os seus fins seletivos, mas nessa forma o é só nos graus inferiores, onde o ser não sabe explicar mais elevado gênero de atividade evolutiva. Mas, em planos superiores, essa forma de atividade é perfeitamente estúpida e inútil para os fins seletivos. O ser superior dela foge completamente com a tolerância e o perdão. O inferior, que não sabe fazer melhor do que faz, para aprender a evoluir, tem necessidade do egoísmo, da rivalidade com o vizinho, de agredir e ser agredido, da
fome e da resistência de um ambiente hostil. E tudo lhe é fornecido em proporção. Mas para o evoluído a seleção se realiza em forma totalmente diversa. A sua atividade se dirige para criações muito mais profundas. Para ele é perfeitamente estúpido se matarem uns aos outros, quando para viver há na terra sobra para todos. Mas, se comem uns aos outros, os seres que ainda não têm compreendido o rendimento utilitário do trabalho fraternalmente orgânico, e por isto lutam e sofrem, justamente para aprender tudo que é a meta da sua evolução, à qual o evoluído já chegou. Ele está só e deve viver entre os que ainda não podem compreender.
Mas para o homem normal é coisa diversa. Para o animal, se não fosse a agressão, quem lhe ensinaria a astúcia e quem lhe formaria a inteligência? Qualquer coisa, escreve-se sempre em nosso Eu: onde e como não sabemos, mas permanece escrito. O evoluído que não tem necessidade de reforçar a inteligência porque já a formou, pelo menos nesse plano sabe esquivar o golpe, porque é inteligente. O néscio que tem necessidade de reforçar a inteligência, porque ela ainda lhe é escassa, é o que menos sabe defender-se e o que mais se expõe. Apanha, pois, todos os golpes. Ele é o bom bocado dos espertos dedicado à caça ao parvo; ele é o que mais vai à escola. Quem mais sabe, por mais ter aprendido, não freqüenta mais as aulas. Não se pode impedir, porque essa é a vida,que no mundo social, a cada passo, exista uma armadilha e um lobo pronto para dilacerar. Tudo é lógico e equilibrado no plano normal e tem o seu justo escopo. Tudo é proporcionado à necessidade de evoluir e à sensibilidade dos homens que, para compreender, têm necessidade de duros golpes. Mas para o evoluído ficar imerso nesse mundo e exposto a esse gênero de luta é coisa inútil e antivital, enquanto ela é útil e vital para os outros. Ele deve gastar tempo e energia para não ficar ferido, enquanto desejaria cumprir o seu fim, para o qual ele está na terra, fim bem diverso daquele egoístico dos demais, e que é o bem dos outros.
A incompreensão da posição do evoluído por parte do mundo chega ao ponto de considerá-lo um anormal e o seu estado é tido como patológico pela medicina que não admite senão um modelo estandardizado, baseado no tipo biológico médio dominante por número. Todo o resto é definido como patológico. Não se admite o tipo biológico transcendente, supernormal, imerso no duro trabalho criador que se opera naquela fase de transmissão evolutiva que os demais ignoram. Por razões de prática atuação, hoje, os princípios terapêuticos, econômicos, sociais, são todos estandardizados, enquanto nenhuma coisa é igual a outra e nada é mais absurdo na natureza do que o igual para todos. Dever-se-ia chegar, ao contrário, a um novo ramo de medicina do supernormal, cujas perturbações evolutivas sejam entendidas como normais e salutares, e não como hoje patológicas, como não são patológicas para a mulher as dores do parto. E, no entanto, muitas vezes, no caso do evoluído, esses princípios são considerados patológicos, qualificados com nomes que dizem bem pouco, como histerismo, neuroses e semelhantes. Como se daria o parto de uma mulher que visse o seu feto considerado como um tumor a ser operado e devesse suportar intervenções nesse sentido? Todavia assim acontece com o futuro tipo biológico que hoje, excepcionalmente, começa a formar- se, tipo que deverá sempre mais se generalizar, porque é no espírito que está o porvir único da vida. É preciso compreender que certos desequilíbrios são necessários como condição de equilíbrios mais altos que assim se vão conquistando. Formou-se desse modo uma pseudo-patologia. Entretanto, quando o novo tipo biológico de amanhã começar a formar-se com maior freqüência de casos, deverá nascer essa nova medicina que contempla os distúrbios evolutivos e as perturbações orgânicas e psíquicas geradas pelo transformismo biológico, que tende para mais altas formas de vida.
A progressiva evolução humana está transformando tudo na terra, e o involuído ainda não se apercebe dela. A ciência está para abater muitas portas do mistério, derrubando muitos ídolos, e iluminará muitas mentes modificando, em conseqüência a nossa vida individual e social. O ultramicroscópio eletrônico (utilizável somente com a fotografia) pode alcançar aumentos de 40.000 diâmetros. Mas, com isto, estamos bem distantes de poder penetrar a alma das coisas. Atrás do mundo das aparências há um outro mundo o das potências. Entretanto tudo já está escrito e resolvido no pensamento universal e tudo está somente em o saber ler. A solução de todos os problemas está em idéias ou ondas pensamentos, que já existem e circulam na atmosfera espiritual do cosmo. Nada há a descobrir; é só saber evoluir e, consequentemente, sensibilizar-se e tudo se tornará visível e evidente. Trabalho este que cabe ao evoluído, àquele que os demais consideram o grande imbecil da vida, porque ele não rouba, não esmaga, não mente. Trabalho que deve equilibrar o de
uma ciência que o involuído não sabe utilizar senão para a morte e a destruição. A descoberta da bomba atômica nada parece diante daquela dos raios letais que teriam um efeito infinitamente superior ao produzido pela desintegração de um núcleo de plutônio ou de urânio. São conhecidas as reações em cadeia na desintegração dos átomos. Nesse processo se formam radiações gamas que interrompem a cadeia desintegradora. Se essas radiações podem causar distúrbios na desintegração em cadeia completa, esses raios podem criar zonas letais. Acelerando-se essas radiações e regulando-se-lhe a velocidade e a direção, poder- se-ia canalizá-las a uma velocidade teórica de 300.000 km por hora e um objetivo até 100.000 km. Nesse