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O índice traz os nomes que titulam cada uma das lições e as respectivas páginas nas quais são iniciadas. É significativo dizer que abaixo da palavra índice está o subtítulo “Pontos de Portuguez”, pois esses pontos constituem parte do novo programa de português para os exames gerais de preparatórios lançado em 17 de abril de 1887. Já referido nesse estudo, tal programa não só delineou os novos parâmetros do ensino de língua portuguesa em todas as províncias como também marcou a produção de gramáticas de português no Brasil, a partir da data de seu lançamento.

Elaborado por Fausto Barreto, o programa estabelece duas provas, uma escrita e outra oral, para os exames preparatórios. A prova escrita consistia em uma composição (produção de texto) sobre assunto a ser sorteado no momento da prova e a partir de uma lista de pontos organizada, diariamente, pela comissão julgadora. A prova oral consistia em uma análise fonética, etimológica e sintática de um trecho escolhido pela comissão a partir de uma lista de livros selecionados para o exame, como Lusíadas, de Camões, e A vida do

Arcebispo, de Fr. Luiz de Souza. Além disso, a prova oral também cobrava a exposição de um dos pontos gramaticais, dos Pontos oraes, também sorteado.

Numerado de 1 a 46, o índice da Grammatica está em total acordo com a ordem dos pontos gramaticais do programa, que consta também com 46 itens.

A adequação da organização dos assuntos da gramática aos pontos do programa somada ao fato de ambos, programa e gramática, terem sido lançados no mesmo ano, com um espaço de tempo de apenas cinco meses entre um e outro (o programa foi lançado em abril e a gramática em setembro) e, ainda, a amizade existente entre Fausto Barreto e João Ribeiro, pode nos levar a pensar que o planejamento desses dois documentos estiveram atrelados antes mesmo de seus lançamentos. Haja vista também o fato de João Ribeiro ser professor de história, e não de português, do Pedro II. Diante disso, podemos inferir, ao menos, que Ribeiro contava com forte influência dentro dessa instituição modelar para todo o império.

Apresentamos a seguir um quadro para visualizarmos o índice da Grammatica

Portugueza (3ºanno) e os Pontos oraes do programa de 1887.

Quadro 02: Comparação entre o sumário da Grammatica Portugueza (3ºanno) e os Pontos

oraes do programa.

Índice da Grammatica portugueza (3º anno) Pontos oraes do programa para os exames

gerais de preparatórios – 1887

1. – Observações geraes sobre o que entende por grammatica geral, por grammatica historica ou comparativa e por grammatica descriptiva ou expositiva. Objecto da grammatica portugueza e divisão de seu estudo. Phonologia: os sons e as letras; classificação dos sons e das letras; vogaes: grupos vocalicos: consoantes, grupos consonantes; syllabas; grupos syllabicos; vocabulo; notações lexicas.

1. – Observações geraes sobre o que entende por grammatica geral, por grammatica historica ou comparativa e por grammatica descriptiva ou expositiva. Objecto da grammatica portugueza e divisão de seu estudo. Phonologia: os sons e as lettras; classificação dos sons e das letras; vogaes: grupos vocalicos: consoantes, grupos consonantaes; syllaba; grupos syllabicos; vocabulos; notações lexicas.

2. – De accentuação e da quantidade 2. – De accentuação e da quantidade 3. – Origem das letras portuguezas; leis que

presidem á permuta das letras; importancia destas transformações phonicas no processo de

3. – Origem das lettras portuguezas; leis que presidem á permuta das lettras; importancia destas transformações phonicas no processo de

derivação de palavras. derivação de palavras. 4. – Das metaplasmas. 4. – Dos metaplasmas. 5. – Dos systemas de orthographia e das causas

de sua irregularidade.

5. – Dos systemas de orthographia e das causas de sua irregularidade.

... continuação.

Índice da Grammatica portugueza (3º anno) Pontos oraes do programa para os exames

gerais de preparatórios – 1887

6. – Morfologia: estructura da palavra: raiz; thema; terminação; affixos. Do sentido das palavras deduzido dos elementos morphicos que as constituem, desenvolvimento de sentidos novos nas palavras.

6. – Morfologia: estructura da palavra: raiz; thema; terminação; affixos. Do sentido das palavras deduzido dos elementos morphicos que as constituem, desenvolvimento de sentidos novos nas palavras.

7. – Da classificação das palavras. Do substantivo e suas especies.

7. – Da classificação das palavras. Do substantivo e suas especies.

8. – Da classificação das palavras. Do adjectivo e suas especies.

8. – Da classificação das palavras. Do adjectivo e suas especies.

9. – Classificação das palavras. Do pronome e suas especies.

9. – Classificação das palavras. Do pronome e suas especies.

10. – Classificação das palavras. Do verbo e suas especies.

10. – Classificação das palavras. Do verbo e suas especies.

... ... 32. – Regras de syntaxe relativas a cada um dos

termos ou membros da proposição.

32. – Regras de syntaxe relativas a cada um dos termos ou membros da composição.

... ... 36. – Regras de syntaxe relativas ás fórmas

nominaes do verbo.

36. – Regras de syntaxe relativas ás fórmas nominaes do verbo.

37. – Regras da syntaxe relativas ás palavras invariaveis.

37. – Regras de syntaxe relativas ás palavras invariaveis.

38. – Syntaxe do verbo haver e do pronome se. 38. – Syntaxe do verbo haver e do pronome se. 39. – Da construcção: ordem das palavras na

proposição simples e das proposições simples no período composto.

39. – Da construcção: ordens das palavras na proposição simples e das proposições simples no período composto.

40. – Da collocação dos pronomes pessoaes. 40. – Da collocação dos pronomes pessoaes. ... ...

45. – Das alterações lexicais e syntaticas; archaismo e neologismo.

45. – Das alterações lexicais e syntaxicas; archaismo e neologismo.

Como podemos ver, o índice da Grammatica portugueza (3º anno) e os pontos do programa para os exames gerais de preparatórios são praticamente idênticos. No item 32, porém, há uma diferença na nomenclatura. Como o programa foi estabelecido antes da construção da Grammatica, talvez seja possível afirmar que João Ribeiro tenha discordado da palavra “composição” a ponto de não relativizar seu uso.