O livro “Matemática elementar de um ponto de vista avançado” de Felix Klein, publicado em 1908, é considerado um marco para os estudos sobre a Educação Matemática. D’Ambrosio (2004) salienta a postura do matemático Klein como educador
matemático por destacar que o professor deve se preocupar com o lado psíquico dos processos de ensino e aprendizagem, a fim de que consiga captar os interesses e dificuldades do aluno, tornando o que deseja ensinar um corpo compreensível ao aluno.
Após tal publicação, o congresso internacional promovido, em 1908, pelo Internacional Comission on Mathematics Intruccion-ICMI, em Roma, presidido por Felix Klein, torna-se o evento que promove a consolidação da Educação Matemática como uma área de estudos.
Antes das contribuições de Felix Klein, que são consideradas marcos nas questões inerentes ao campo da Educação Matemática, vale a pena ressaltar alguns episódios, também destacados por D’Ambrósio (2004), na consolidação dessa área:
• 1746 – publicação de “Verdadeiro método de estudar”, de Luís Antônio Verney; • 1894 – fundação da American Mathematical Society (AMS) – tinham pouca
preocupação com estudos relativos ao ensino da Matemática;
• 1895 – publicação de “Psicologia do número”, de John Dewey (se coloca contra o formalismo, propõe a cooperação entre professor e aluno e a integração das disciplinas);
• 1901 – posicionamento do cientista John Perry em uma reunião da British Association em Glasgow propõe que o método de ensino se preocupe não só com os alunos que gostam do raciocínio abstrato e lamenta disputa entre matemáticos e educadores sobre o que se deve, ou não, ensinar e quem deve ser o responsável pela formação de engenheiros, cientistas e professores de matemática;
• 1904 – publicação do livro “Beginner’s book of geometry” de Grace C. Young e William H. Young (uso de trabalhos manuais para auxiliar o ensino de geometria);
• 1902 – Eliakim H. Moore escreve um artigo para propor um novo programa para matemática e física que inclua laboratórios e promova o espírito de pesquisa. As fundações American Educational Research Association - AERA e Nacional Council of Teachers Mathematics-NCTM merecem destaque especial no que diz respeito ao desenvolvimento dos estudos em educação matemática.
A AERA surge em meio a movimentos sociais intensos, de conexões com as áreas de Psicologia e Estatística por volta de 1916. O NCTM é fundado em 1920 com o intuito de construir um espaço para os professores de matemática refletirem sobre o ensino – pois, até então, as associações relacionadas à matemática tinham pouca preocupação com o ensino e não davam espaço àqueles que, de fato, atuavam no campo educacional: professores, autores de livros didáticos, entre outros. Vale aqui destacar que o NCTM era considerado, segundo D’Ambrósio (2004) um ambiente pouco convidativo para pesquisadores em educação matemática que estavam mais concentrados na AERA.
Somente em 1960, o NCTM parece apresentar maior preocupação com a pesquisa em educação matemática a partir da proposta de criação de uma revista especializada, movimento esse devido às interconexões entre educação, educação matemática e outras áreas do conhecimento, em especial da Psicologia da cognição. Nomes como Piaget, Bruner, Skinner, entre outros, despontam nesse momento nas discussões em educação, bem como os bourbakianos com o movimento da Matemática Moderna.
O movimento de trabalho e a dinâmica da operacionalização das ideias em educação matemática foram intensos desde a época inicial mencionada. Em 1963, foi criado um centro de referência chamado de Internacional Clearing house on Science and Mathematics Curricular Development e, em 1969, foi realizado o primeiro congresso de educação matemática internacional, na França - Internacional Congresso on Mathematics Education-ICME 1. Vale aqui enunciar os congressos seguintes, que vêm ocorrendo a cada 4 anos: ICME-2, 1972, na Inglaterra; ICME-3, 1976, na Alemanha; ICME-4, 1980, nos Estados Unidos; ICME-5, 1984 na Austrália; ICME-6, 1988 na Hungria; ICME-7, 1992 no Canadá; ICME-8, 1996 na Espanha; ICME-9, 2000 no Japão; ICME-10, 2004 na Dinamarca; ICME-11, 2008 no México e ICME-12, 2012 na Coréia do Sul.
No Brasil, o Encontro Nacional de Educação Matemática - ENEM e o Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática - SIPEM, ambos organizados pela
Sociedade Brasileira de Educação Matemática - SBEM são encontros que agrupam educadores e pesquisadores em educação matemática, brasileiros e estrangeiros.
No que se refere ao encontro de pesquisadores em educação matemática no Brasil, vale aqui relatar um movimento que se deu com a criação de um Grupo de Trabalho - GT Educação Matemática - no encontro anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação Matemática - ANPEd, reunião especialmente importante de educadores/pesquisadores brasileiros em educação. Segundo Igliori (2004), foi proposta à ANPEd a criação desse GT dado que as reuniões promovidas pela SBEM dedicavam-se mais a estudos voltados ao ensino e à aprendizagem da matemática. Tal criação foi, de algum modo, polêmica, dado que um grupo contrário a ela defendia que essa criação ocasionaria um maior afastamento dos pesquisadores em relação aos professores. Essas discussões culminaram na criação do Grupo de Estudos em Educação Matemática (GE), cujos trabalhos não seriam financiados, como se dá em outros Grupos de Estudos. Dois anos depois, em 1999, o GE transformou-se em GT, que é considerado um grande fórum de trabalho, com o importante papel de aglutinação e divulgação de pesquisas acadêmicas em Educação Matemática.
Ainda em termos de produção e divulgação dos estudos e pesquisas em educação matemática, podemos destacar as revistas Bolema (UNESP-Rio Claro) e Zétetiké (FE-UNICAMP) entre outras.