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Os PCN descrevem orientações específicas para as modalidades de artes visuais, dança, música e teatro, buscando, segundo Koudela (2002, p. 233), “acolher a diversidade cultural que o aluno traz para a escola e trabalhar os produtos da comunidade em que a escola está inserida”.

Será feita uma breve apresentação do que preveem os PCN quanto às modalidades artísticas artes visuais, dança e música, e um estudo mais detido será dedicado ao que os PCN dizem a respeito da modalidade teatro, entrecruzando as observações com os apontamentos de Ingrid Koudela, docente do Programa de Pós- Graduação em Artes da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), além de outras atribuições. Mais adiante, também será dedicado um capítulo para discorrer sobre o ensino e a aprendizagem de teatro.

2.1.4.1 Artes visuais

Com relação às artes visuais, o documento descreve que o aluno deve criar e observar produções artísticas que podem ser: desenhos, pinturas, colagem, escultura, gravura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, histórias em quadrinhos ou produções informatizadas, visando a que o aluno se aproprie desses elementos para se expressar e se comunicar, desenvolva sensibilidade e afetividade e saiba se posicionar criticamente (BRASIL, 1998).

O estudo e o estabelecimento de relações entre os elementos que compõem uma produção plástica, como ponto, linha, cor, plano, textura, forma, volume, luz, ritmo, movimento e equilíbrio, fazem-se fundamentais para a realização das obras de arte, bem como a utilização de materiais e o estudo de técnicas diferenciadas.

Com relação à contemplação, o documento descreve que o contato com obras e com produções artísticas tem por objetivo promover a sensibilização do aluno e fazer com que este reconheça a importância das artes visuais para a sociedade. O documento descreve, também, a importância do registro pessoal como forma de sistematizar e assimilar as experiências vivenciadas.

2.1.4.2 Dança

Segundo os PCN, a atividade física é uma das primeiras formas de aprender que a criança desenvolve. À modalidade de dança é dada a responsabilidade de procurar desenvolver na criança a capacidade de movimentar-se, entendendo como o corpo funciona de modo a se utilizar dele para expressar-se com mais responsabilidade e sensibilidade, autonomamente (BRASIL, 1998).

Coloca-se como ponto importante o estabelecimento de regras para uso do espaço e para o bom andamento da aula. Se não forem desenvolvidas a atenção e a concentração, pode ocorrer a inibição ou a indisciplina dos alunos. A adequação da roupa é também destacada, para dar mais mobilidade aos educandos.

O trabalho com o som e o silêncio também são ressaltados, bem como o estudo dos jogos populares de movimento, cirandas, amarelinhas e danças populares, procurando enriquecer as experiências que o aluno poderá vivenciar e pelas quais poderá enriquecer o seu repertório.

O trabalho coletivo é bastante evidente na modalidade da dança. O documento sugere que o professor promova a observação entre os alunos, para que o aluno aprenda também ao perceber o outro, mas para que também se valorize e se manifeste, por exemplo, por meio de atividades de improvisação.

Possibilitar que o aluno exponha o conhecimento que tem em dança faz-se, também, de grande importância, segundo Marques (1996), de forma que os alunos percebam que a arte não é de posse de artistas, mas que faz parte da vida das pessoas, da vida deles mesmos. A dança é uma das pontes para o estabelecimento de um canal de comunicação com as crianças e com os jovens para, assim, procurar entendê-los.

A elaboração de registros é também colocada nesta modalidade artística, visto que é de fundamental importância para a sistematização e assimilação das experiências (BRASIL, 1998).

2.1.4.3 Música

A proposta do documento com relação à música inicia destacando a importância de abrir as aulas como um espaço para que o aluno traga suas contribuições musicais e que essas sejam acolhidas e contextualizadas.

Os produtos que compõem a atividade musical estão relacionados às composições (que precisam da voz, dos instrumentos musicais, de outros tipos de sons e silêncio), improvisações (momentos de composição que coincidem com momentos de interpretação) e interpretações (quando os elementos da partitura feita por algum autor se tornam “música viva”).

O aluno, além de ser agente, é também observador. Portanto, as aulas de música devem promover o olhar para as produções existentes, para que o aluno possa também estabelecer algumas referências musicais que o auxiliarão a buscar sua própria forma de compor e interpretar.

A aprendizagem do sistema modal/tonal faz-se também necessária para servir como base de aprendizagem para os alunos, e deve ser ensinada tendo por base um repertório cultural de âmbito nacional e internacional, mas também de caráter local e regional (BRASIL, 1998).

Os registros são de fundamental importância, como para todo produto artístico. Além de realizar o registro, propriamente, deve ser promovida também a apresentação das diversas maneiras de registro da música através dos tempos.

2.1.4.4 Teatro

Nos PCN, a modalidade teatro é concebida como aquela que exige do homem a sua forma completa, pois faz com que se desenvolvam a fala, o corpo e o gesto (BRASIL, 1998). O teatro abre espaço para todas as outras modalidades artísticas:

• Artes visuais: confecção de cenários, figurinos, elementos cênicos, maquiagens artísticas;

• Música: escolha ou composição da sonoplastia e de sons que criam determinados ambientes ou situações;

• Dança: coreografias, expressão e/ou preparação corporal.

Por meio da dramatização, o homem pode representar a realidade e ser um instrumento de compreensão desta; além disso, é um instrumento do exercício de conhecimento e desenvolvimento pessoal e do espírito de coletividade.

O jogo é um caminho para a “aquisição e ordenação progressiva da linguagem dramática” (KOUDELA, 2002). Segundo a autora, o documento prevê que os jogos desenvolvam habilidades relativas à criatividade, caminhando na direção de uma

“educação estética e práxis artística”. Inicialmente, devem-se promover jogos de improvisação, já que, segundo a autora, a preocupação inicial está no prazer da atividade e no convívio com o grupo.

Pensando no fazer teatral, é colocado que ocorre o desenvolvimento da imaginação, da percepção, da emoção, da intuição, da memória e do raciocínio, que são alguns dos elementos fundamentais para a formação integral de um indivíduo de maneira a torná-lo pronto para uma sociedade. No entanto, deve haver a preocupação com a temática que será desenvolvida, preocupação disposta no documento e prevista por Salles (2007), visto que, para cada faixa etária, determinadas temáticas são mais indicadas, por todas as questões cognitivas e sociais que envolvem a criança.

Além da prática teatral, a importância de ver uma peça também é colocada no documento, a fim de que o aluno aprecie e analise tais manifestações artísticas. Koudela (2002) argumenta que, com relação ao ato de apreciar uma peça, é prático levar a peça à escola, porém a ida a um espaço especificamente cênico é fundamental para que o educando tenha contato direto com elementos como iluminação, cenografia e representação dos atores, entre outros.

A autora também considera importante a formação dos alunos para apreciarem a peça, o que dialoga com os pensamentos de Desgranges (2003) para a formação do espectador. A prática de assistência é importante, mas, mais do que isso, deve haver um trabalho anterior para que seja conquistado o entendimento dos elementos cênicos e símbolos da encenação e para que a apreciação estética ocorra da melhor maneira possível. Koudela (2002) aponta o uso de materiais de apoio nas escolas como algo a ser trabalhado em conjunto com o espetáculo, a fim de que este não seja o princípio, o meio e o fim da atividade proposta.

Com todas essas questões, espera-se que os alunos desenvolvam habilidades relativas à expressão, e à verbalização, de resposta às situações emergentes e de organização/domínio do tempo.

2.1.5 Um pouco sobre a Pedagogia Waldorf: relação com a arte e aplicação nas