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Grupos maiores, de amigos ou famílias inteiras, costumam se hospedar nas casas de aluguel. Na pesquisa de campo observou-se que são 10 casas, muitas delas de pessoas que já moraram no Puruba e se mudaram para outras localidades.

As pousadas são outra possibilidade de hospedagem no Puruba. Por se tratar de um serviço mais caro, existe uma seleção social de turistas, segundo alguns moradores:

Aqui a diferença é marcada pelo preço mesmo, a gente tem o serviço. A gente tem um custo grande para manter a pousada, a gente tem café da manha roupa de cama e roupa de banho, tem toda uma infra-estrutura.

(Trabalho de campo, 2008/2009)

São três pousadas e, dentro delas, existem padrões diferenciados. Uma é mais sofisticada e com poucas suítes; a segunda tem uma quantidade maior de apartamentos e o movimento também é mais intenso, apesar de ter um público selecionado pelo proprietário: “Eu não atendo qualquer um, quando eu vejo que não serve eu falo que não tem vaga, eu costumo hospedar gente que tem uma certa consciência ambiental.” (Trabalho de campo, 2008/2009). A terceira pousada é bem mais simples, com suítes construídas no quintal do proprietário e não existe um serviço mais específico relacionado à hotelaria, como roupas de cama e banho. Neste caso o próprio hóspede leva seu enxoval.

A alimentação é mais uma área relacionada ao turismo na qual os moradores do Puruba trabalham durante a alta temporada. No restaurante que funciona o ano todo, durante a baixa temporada é possível experimentar o peixe pescado no rio Puruba, preparado pela proprietária. Já na alta temporada, a proprietária não tem tempo para a pescaria, pois é uma época de trabalho mais intenso:

Durante o verão eu não consigo sair daqui para pescar, então tenho que comprar do menino que pesca, sempre tem alguém que pescou e eu compro. O peixe tem que ficar no freezer, porque não aguenta, mas é peixe fresco é daqui, eu que congelo.

(Trabalho de campo, 2008/2009)

Na fala da moradora, fica evidente que existem mudanças na rotina durante o verão. Algumas situações só existem nos momentos de maior movimento de turistas, e os proprietários de hospedagens e fornecedores de serviços turísticos, nesses momentos, vivem em função dos visitantes. Por exemplo, é na alta temporada que um padeiro do bairro vizinho leva diariamente o pão para o Puruba. Existe a necessidade de oferecer o pão no café-da- manhã dos turistas e somente nesta época isso acontece.

O bar Amigos funciona principalmente aos finais de semana e atende não apenas aos visitantes, mas também à população local. O bar fica em frente ao campo de futebol, é lá onde se reúnem os amigos da vila e do sertão do Puruba, para a partida de futebol semanal. O proprietário do bar está doente e ele conta com a ajuda de um outro morador, que, aos finais de semana, garante a abertura do bar.

O dono do bar é o mais velho da comunidade atualmente; ele é conhecido pelas suas histórias e pelas suas poesias, que “encantam” os moradores locais, mas principalmente os turistas:

Aqui tem muita história, acho que como tem o povo caiçara o seu Antonio com aquele barzinho vem para ouvir história. Aqui na dona Zaíra também as pessoas se juntam para relembrar velhos tempo, conversar, cantar, tocar violão e se juntam em função de quem é mais velho de quem tem mais história pra contar.

(Trabalho de campo, 2008/2009)

Esse é o contato mais estreito, do qual se fala, entre turistas e moradores na vila do Puruba. Não se limita ao simples fornecimento de serviços, mas se estende para outras áreas, como as varandas das casas e seu quintais, estabelecendo-se usos dos territórios caiçaras mediados pelo respeito mútuo: “O pessoal que vem aprenderam a reconhecer quem é o dono da terra.” (Trabalho de campo, 2008/2009). Barreto confirma a necessidade dessa identificação para que o turismo aconteça ou se estabeleça:

[...]Pode-se, inclusive, afirmar que alguns segmentos do turismo, pelas suas especificidades, exigem processos identificatórios mais intensos, isto é, ou ocorre a intensa identificação ou é provável que o turista opte por outras possibilidades. (BARRETO, 2006, p.99)

Dessa forma, é possível perceber como vai se construindo o tipo de turismo existente no Puruba. A atividade é determinada por aquilo que pode ser oferecido e também pelo que é consumido. No Puruba, o consumo do turismo não se limita à beleza cênica do local, nem ao menos ao típico “turismo sol e mar”, mas às possibilidades construídas pelo caiçara e por aqueles que frequentam o local. Há o envolvimento com a cultura pelas atividades como a pesca, a música e contos. O turismo do Puruba está envolto no modo de vida caiçara. Esse é o principal aspecto que faz com que o visitante escolha o Puruba para se hospedar. Segundo Barreto:

[...] Nesse sentido, é necessário que, de alguma forma, os turistas reais/potenciais reconheçam algo como sentirem-se espelhados pela/na entidade. À medida que os turistas puderem ver um pouco de sua face (crenças, valores, padrões, belezas, diversidade, comportamentos, expectativa de atendimento, hospitalidade, facilidade e outros aspectos) na entidade turística, tenderão a dirigir-se para lá. (BARRETO, 2006, p.100)

Segundo a autora, é necessário que haja uma identificação do turista com as características do local para que ele se dirija a esse destino. Esses aspectos não se limitam a questões físicas. Segundo a autora, incluem-se também crenças e valores, o que pode ser verificado pelas falas dos moradores que veem nos turistas essa identificação sugerida por Barreto.

De certa forma, esse é o principal aspecto da chamada fidelização. Esse processo dá-se quando clientes retornam ao destino turístico por se identificarem com o local; geralmente ficam nos mesmos meios de hospedagem e fazem suas refeições nos mesmos restaurantes. Isso significa trabalho e renda para a comunidade, que tem um fluxo garantido de turistas por temporada, permitindo-lhe reelaborar seu modo de vida.