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2 Generell bakgrunn

2.1 Muskelmetabolisme postmortem

2.1.3 Enzymer i fiskemuskel og enzymatisk degradering

Alguns estudos no Brasil foram desenvolvidos para investigar a existência de teleconexões entre fenômenos climáticos de macro escala e o comportamento meteorológico no país. Para o período de 1955 a 2000, Grimm (2009) realizou estudo utilizando Análise de Componentes Principais (ACP) para analisar a variabilidade da precipitação e a forma com que o ENOS a afeta. Foram utilizadas mais de 10 mil séries de precipitação na América do Sul, considerando os totais anuais e sazonais. A finalidade de se utilizar a ACP está atrelada à necessidade de separação dos principais componentes de variabilidade interanual desses totais, mostrando sua distribuição espacial e temporal (Wilks, 1995 apud Grimm, 2009).

Conforme Grimm (2009), a principal componente de variabilidade das precipitações está associada ao fenômeno ENOS, o que foi possível identificar por meio de correlação dessa componente com os dados de Temperatura da Superfície do Mar, indicando que o ENOS é a

58 fenômeno El Niño no Norte e Nordeste do Brasil, enquanto anomalias positivas são observadas sobre o sul do Brasil, abaixo do paralelo 20º S. O contrário ocorre em eventos de La Niña. A componente secundária de variabilidade das precipitações, obtida por meio da ACP, apresenta maior variabilidade sobre o centro-leste do Brasil, nas proximidades da posição da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), porém em menor magnitude que a primeira componente.

O período da primavera (Setembro, Outubro e Novembro) é o início da estação chuvosa em quase todo o Brasil e em especial sobre a região Sudeste. Conforme Grimm (2009) esse período é aquele que apresenta mais forte influência do ENOS sobre o Brasil. O padrão de teleconexão nesse período indica que a região sul do Brasil e a região nordeste apresentam padrões inversos de variabilidade. O comportamento da área de estudo (São Francisco em Minas Gerais), tende a se assemelhar nesse período, ao comportamento da região nordeste, com correlação positiva entre ENOS e as chuvas. Ou seja, El Niño provoca desvios positivos de precipitação, enquanto La Niña desvios negativos, nesse trimestre. Já durante o verão, a conexão entre as chuvas e o ENOS é bastante mais fraca e oposta ao que ocorre na primavera (Grimm, 2009).

Como se viu, as regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil têm seus totais pluviométricos fortemente relacionados ao fenômeno ENOS. A região Sudeste, por sua vez, aparentemente está situada em uma região transicional entre Norte/Nordeste e Sul eventualmente assemelhando-se à região norte ou sul. Tanto em eventos El Niño como La Niña a região Sudeste apresenta comportamento de transição com relação a seus desvios, nem positivos nem negativos. Porém, a distribuição temporal das chuvas pode ser afetada pela ocorrência desses eventos.

Um trabalho que buscou investigar a relação entre o fenômeno ENOS e as precipitações na bacia do Alto Rio São Francisco (bacia delimitada pelo reservatório da UHE Três Marias) foi desenvolvido por Pinto (2005). Nessa oportunidade, foi verificado que a fase quente do ENOS (El Niño) tende a aumentar em 30% dos valores médios e medianos do período seco (abril a setembro). Isso é o mesmo que afirmar que, durante a fase quente do ENOS, as estiagens tendem a ser menos severas do que nos períodos neutros e frios da Oscilação Sul.

Outra conclusão do trabalho de Pinto (2005) é que o ENOS não apresenta grande influência sobre os totais precipitados na bacia do Alto Rio São Francisco, contudo, afeta a distribuição

temporal das chuvas. Na fase fria do ENOS, a precipitação no início do período chuvoso tende a ser maior que nos três meses seguintes. O contrário ocorre na fase quente da Oscilação Sul. Esse resultado é coerente com o trabalho de Grimm (2009), quando aponta para o fato de que a primavera e verão tendem a inverter sua tendência de desvio dos totais pluviométricos. Na fase quente do ENOS, as primaveras tendem a ser chuvosas no Centro-Leste do país, seguidas por um verão com desvios negativos de precipitação. O contrário ocorre na fase fria do fenômeno.

Embora a variabilidade climática na América do Sul e, particularmente no Brasil, e sua correlação com o ENOS seja estudada no Brasil há alguns anos, são bastante recentes as investigações acerca da componente interdecenal do clima e das precipitações. Um dos principais motivos para o impacto de oscilações decenais serem menos conhecidas deve-se ao fato de que essa escala temporal de variabilidade demanda séries temporais bastante longas para identificação de oscilações.

Um estudo interessante realizado nesse sentido foi o de Robertson e Mechoso (1998), os quais, após terem identificado, por meio de análise espectral, ciclos quase decenais das vazões anuais dos rios Negro, Paraguai, Paraná e Uruguai, sugeriram que essas variações fossem relacionadas com a variabilidade decenal da intensidade da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). No caso dos rios Paraguai e Paraná a intensificação da ZCAS tenderia a produzir vazões elevadas, enquanto nos rios Negro e Uruguai produziria vazões menores.

Outros estudos podem ser citados: Marengo (2004) identificou uma tendência de menos chuva na Amazônia após 1975, quase coincidentemente com a mudança da fase fria para quente da ODP, conforme Mantua et al. (1997); Andreoli e Kayano (2005 apud Andreoli e Kayano, 2009) obtiveram padrões de anomalias de extremos de ENOS para as duas fases de ODP nos bimestres de nov-dez e jan-fev na América do Sul, identificando que nos dois bimestres os sinais do El Niño nas precipitações são mais notáveis na fase quente de ODP, bem como as diferenças sazonais são mais pronunciadas na fase quente; Andreoli e Kayano (2006) sugeriram que a ODP e o ENOS podem ter efeitos combinados nas distribuições anômalas das precipitações em algumas regiões, provocando anomalias intensas e bem definidas quando estão na mesma fase e provocando anomalias fracas e ruidosas quando estão em fases opostas.

60 Esses resultados apontam para as possibilidades vislumbradas, em termos de melhoria de monitoramento climático, caso análises conjuntas da variabilidade do ENOS e do ODP fossem realizadas. Nesse sentido, a análise de ondaletas se mostra promissora, uma vez que é capaz de identificar ciclos existentes em grandes e pequenas frequências simultaneamente em séries temporais.